sexta-feira, 21 de setembro de 2012

O risco do IOF está de volta


Fatos marcantes ocorridos durante este mês colaboraram para manutenção da tendência de alta (para o médio prazo) no índice Bovespa. As decisões político-econômicas beneficiaram os mercados de capitais e estimularam os investidores a comprarem ativos em bolsa. Este bom momento do mercado é muito bem vindo ao investidor brasileiro devido à falta de opções para remuneração digna de carteira fora da bolsa de valores.

Mas estava tudo tranqüilo, fácil e bom demais para ser verdade. Os investidores estrangeiros entraram pesado na Bovespa durante as duas primeiras semanas do mês de Setembro. Saltamos de 56.2k (mínima) até os 63.4k (máxima) com grande ajuda deste “dinheiro novo” entrando no mercado. Porém, o governo monitora todo este fluxo de capital e muito provavelmente o ministro da Fazenda está de posse destes dados, pois as suas declarações realizadas nesta sexta feira já indicam um ataque verbal do governo contra o capital especulativo estrangeiro que entrou no país nas últimas semanas.

Mantega disse que não irá permitir a valorização do real (provocada pelo ingresso de dólares no país) e que está preparado para utilizar toda sua artilharia para proteger o câmbio.

É inevitável que uma parte dos recursos despejados no sistema financeiro mundial, através da injeção de liquidez dos principais banqueiros centrais, procurem ativos em países emergentes, pois estes atuais mercados operam com um spread negativo em relação aos mercados de países desenvolvidos. Ou seja, há um espaço para subirmos mais no médio prazo. Wall Street está colada no topo histórico, enquanto os emergentes estão bem mais distantes.

Portanto a partir de agora temos que trabalhar com estas duas premissas. Estamos atrativos aos investidores estrangeiros (títulos públicos, ativos, debêntures, etc), mas o ministro da Fazenda já deu o seu primeiro recado, “a minha artilharia está carregada”.

Atualmente o governo está mostrando no mercado câmbio um calibre de menor impacto. O Banco Central já está comprando dólares nas operações de swaps. Se estas compras não forem suficientes para impedir a queda do dólar, o calibre poderá aumentar no mercado de derivativos e no mercado futuro.

Caso estas operações não consigam interromper o fluxo excessivo de capital especulativo, o governo poderá retornar com as tarifas de IOF (Imposto sobre Operações Financeiras) e cobrar aquele famoso pedágio (2%, 4%, 6%) do investidor estrangeiro que resolver entrar no Brasil com capital de curto prazo.

É de se esperar que os mercados emergentes continuem recebendo fluxo de capital especulativo com o aumento generalizado da liquidez no sistema financeiro. O Banco Central terá muito trabalho pela frente pra tentar segurar o dólar na casa dos R$ 2,00, e mesmo assim, com boas chances de perder esta briga.

O risco do IOF está de volta e apesar de alguns apostarem na ineficácia desta medida, o que prejudica mesmo são as mudanças nas regras. Este é o ponto delicado que gera desconfiança no mercado e pode espantar os investidores estrangeiros para outras bandas.

O destaque desta semana no mercado de capitais ficou por conta da forte queda no preço do barril de petróleo. A desaceleração da economia mundial (projeta menos consumo da commoditie), o aumento dos estoques nos Estados Unidos, e o anúncio de que a Arábia Saudita (maior produtor de petróleo do mundo) irá elevar a sua produção, foram os responsáveis pela queda no preço do barril.


Interessante destacar que o petróleo entrou em uma zona crítica de definição de tendência, pois está encurralado entre a LTB de 2008 e LTA de 2009. O candle semanal mostra que esta LTA terá dificuldades em segurar o movimento de queda e caso a mesma seja rompida, o barril poderá voltar para casa dos 80,00 dólares.

Nos Estados Unidos o índice Dow Jones fechou a semana de lado, mostrando um candle de indecisão após a forte alta da semana passada. Tem espaço para fazer pullback sobre a última resistência rompida em 13.3k.


Na Alemanha o índice DAX fechou a semana em alta mais uma vez. Impressionante o desempenho dos mercados europeus. Rompendo importantes linhas de resistências e sem deixar qualquer sinal de topo ascendente. Apesar de tudo, o risco continua alto para compras na Europa, pois os movimentos de forte reversão costumam aparecer na seqüência dos rallys de alta.
 

Quem continua muito mal é o índice da bolsa de Xangai na China. Semana de forte baixa testando a principal região de suporte de curto e médio prazo. Caso esta linha seja perdida mais um pivot de baixa será acionado.


No Brasil o índice Bovespa também fechou a semana em baixa, porém em menor intensidade (em comparação com os chineses). O topo formado em 63.4k permitiu o traçado de uma nova LTB intermediária. A tendência de queda continua no curto prazo, aumentando as possibilidades de pullback sobre a região de suporte psicológico em 60k e média móvel simples de 200 períodos. No médio prazo a tendência de alta segue inalterada, mas devemos prestar bastante atenção, a partir de agora, aos eventos relacionados ao mercado de câmbio.


Desejo à todos vocês um ótimo final de semana! Bom descanso e até segunda!

Posts da semana:


11 comentários:

  1. Fi, o petróleo caso perca esta congestão de topo joga os preços abaixo dos U$$ 80 e poderá colocar em xeque o pré-sal da Dilma e Cia, toda essa alta na Petr4 podemos agradecer à presidente da Petrobras que conduziu muito bem os fatos relevantes. Pode ser que o Ibov dê uma arrancada más ao meu ver o gás acabou e em breve teremos teste dos 60k e/ou Lta curta, más bato na mesma tecla, nada mudou no panorama geral que justifique estas altas, este Qe3 irá beneficiar muito o mercado americano que por sinal vai muito bem e deve buscar os topos, americanos adoram fantazias e ficções cientificas não é mesmo?? Um bom final de semana!!
    Ivan

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    1. Ivan,

      Sim, apesar de não gostar de estipular targets mais distantes, o petróleo poderá perder até 80,00 dólares/barril, testando 76,00 ou 68,00 (caso a economia mundial entre em uma fase mais acentuada de desaceleração, ou mesmo recessão). Mas acho que o pré-sal não correrá riscos, estas quedas são voláteis. O preço costuma retornar no médio prazo. Eu também não descarto um teste nos 60k e média de 200, como movimento de pullback, talvez aconteça já na próxima semana (chute rsrs). E se chegar lá, pode ter certeza que os players vão olhar com carinho a possibilidade de bear trap sobre a média de 200 (perde e depois retorna pra cima). Limparia a posição comprada de muita gente.

      Abcs, bom sábado!

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  2. Esse mentecapto quer de todo jeito mascarar sua incompetência e do restante do governo jogando a culpa no cambio, o cambio não tem culpa que a eficiência industrial do país beira os 0%, como sempre ignora a raiz do problema e tenta maquiar as consequencias empurrando a sujeira pra baixo do tapete, lamentavel

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    1. Anônimo,

      O governo desvia o foco para não fazer o dever de casa. Se em 2009 (quando o governo começou a "inventar" essas tarifas de IOF pra barrar o capital especulativo) tivéssemos trabalhado para reduzir o custo Brasil estaríamos hoje em uma situação muito melhor de competitividade. Não falta recursos (arrecadação pública recorde -> superávit primário), não falta mão de obra, não falta oportunidade (é o tipo de investimento que trás retorno), não falta investidores (o mundo inteiro enxerga as oportunidades no Brasil, o problema é a postura populista, e algumas vezes até radicalista, do governo). Só falta mesmo o governo acordar e ter força de vontade para fazer o que deveria ter feito há muito tempo.

      Abcs, bom final de semana!

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  3. Olá FI!

    Espero que o Governo não faça isso, sem os estrangeiros essa Bolsa brasileira vai andar de lado pra sempre, rsrsrs. Notei nos dois últimos pregões uma venda enorme das corretoras estrangeiras, será que estão se antecipando a isso ou somente realizando lucro aqui para segurar os vencimentos do Quadruple Witching por lá?

    Barril de petróleo é uma informação que estava atrás, muito obrigado por postá-la! :) será de muita ajuda.

    Abraços

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    1. General,

      Tomara que não. Tem pouco tempo que o IOF foi liberado, voltar com a tarifa de novo (já perdi a conta de quantas vezes foi e voltou rsrs..) é dar dois passos atrás. Mercado de regras instáveis não é bom pra ninguém. Acho que é somente uma realização de lucro. Estrangeiro gosta de seguir tendência.

      Abcs, boa semana!

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  4. Fluxo PF cada vez mais baixo. Acho que estão vendendo para consumir.

    http://www.dadosdabolsa.com/Fluxo%20Bovespa

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    1. Sir Income,

      Fluxo descendente de PF fazendo nova mínima. Desde 2008. Parece o gráfico da bolsa de Xangai rsrs... Engraçado é que a taxa de juros está caindo há mais de um ano e nem assim o pessoal resolveu se arriscar novamente na bolsa. Com certeza ainda tem muita gente traumatizada com o crash de 2008, a lateralização do mercado (frustrando expectativas do investimento no longo prazo), e os rodízios que jogaram uma quantidade considerável de papéis populares no chão.

      Abcs, boa semana!

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  5. Principal suporte de curtíssimo prazo e ponto de pivot no Ibovespa: 61k. É o último degrau antes dos 60k.

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  6. Olá FI, constantes estrelas cadentes estão matando os comprados, faz parte!!! Olha depois de vários candles desses não creio que vá conseguir romper estes 63K nem tão cedo, olha a Elpl4 más o perigo é a liquidez, qualquer ordem grande de venda detona o papel com facilidade;
    Ivan

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    1. Ivan,

      Estes sinais no índice com pavios longos superiores revela aumento de força vendedora todas as vezes que o índice ensaia uma puxada pra cima. Mas veja que estas vendas não estão derrubando o índice, apenas barrando o movimento. Talvez estejam segurando para tentar acumular papel dos investidores impacientes e posteriormente soltarem o índice novamente.

      É por isso que prefiro índices do que ativos. É muito fácil para um player manipular um ativo de liquidez intermediária ou baixa. Para operar ativos específicos é bom estudar bem as características técnicas dos movimentos.

      Abcs, bons trades

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