quarta-feira, 10 de outubro de 2012

À beira do lixo


A agência de classificação de risco S&P (Standard & Poor's) perdeu a paciência com a Espanha e rebaixou o rating do país em dois níveis de uma só vez (de BBB+ para BBB-) no final da tarde desta quarta-feira. A demora do governo espanhol para solicitar formalmente um pedido de socorro junto à UE (União Europeia) acabou gerando um motivo a mais para tal ação.

A S&P explica que o aprofundamento da recessão na Espanha limita as opções políticas do governo para deter a crise. “Há riscos significativos para o crescimento econômico e o desempenho orçamentário, além de ausência de uma direção clara nas políticas na zona do euro”.

Com este rebaixamento, a nota da S&P ficou nivelada com a classificação da Moody’s. A Espanha está a um passo de cair para o “nível junk” em ambas as agências pois as perspectivas são negativas. Ou seja, o rating dos espanhóis estão à beira do lixo (ou junk). Basta um novo corte, de apenas um nível, por alguma destas duas agências de risco, para o mercado considerar o país especulativo demais para investimento.

Este rebaixamento pode ser um empurrão para o governo espanhol formalizar logo o pedido de socorro, afim de se evitar uma fuga de investidores do país (grande parte dos fundos não aceitam rating nível “junk”, ou próximo disso, por duas ou mais agências de classificação de risco) e aumento do estresse no mercado da dívida soberana.

O corte foi anunciado após o fechamento dos mercados europeus e norte-americano, complicando a situação para o índice Dow Jones que fechou colado na principal linha de suporte de curto prazo em 13.3k e LTA que vem do fundo em 12k. É uma zona de suporte forte para o índice (e muito importante), mas as chances de um repique diminuíram já que os mercados deverão abrir pressionados amanhã.

Dow Jones
  
No cenário doméstico tivemos a decisão do Copom (Comitê de Política Monetária) sobre a taxa básica de juros. A autoridade monetária decidiu cortar a taxa selic em 0,25 p. p. para 7,25% ao ano marcando uma nova mínima histórica. A decisão não foi unânime, foram 5 votos a favor do corte e 3 a favor da manutenção da taxa. Veja abaixo o comunicado liberado após a reunião:

"Considerando o balanço de riscos para a inflação, a recuperação da atividade doméstica e a complexidade que envolve o ambiente internacional, o Comitê entende que a estabilidade das condições monetárias por um período de tempo suficientemente prolongado é a estratégia mais adequada para garantir a convergência da inflação para a meta, ainda que de forma não linear".

Destaque para a parte “estabilidade das condições monetárias por um período de tempo suficientemente prolongado é a estratégia mais adequada”. Portanto, este pode ser o último corte na taxa básica de juros finalizando o ciclo de aperto monetário. O trecho “ainda que de forma não linear” pode ser uma justifica ao mercado pela decisão da autoridade monetária em realizar mais um pequeno corte de 0,25%, agradando, principalmente, o governo federal.

O índice Bovespa fechou o pregão desta quarta-feira novamente em baixa dando prosseguimento a tendência de queda iniciada a partir do teste sobre a LTB principal de curto prazo. A região de suporte em 58.1k poderá ser testada amanhã. Caso esta linha seja perdida, a pressão vendedora poderá aumentar deixando vulnerável a próxima linha de suporte em 57.6k.

Ibovespa

14 comentários:

  1. Dentro desse cenario todo de cortes de juros, achei interessante o seu comentario em relacao a mercado de varejo....
    http://www.bmfbovespa.com.br/indices/ResumoCarteiraTeorica.aspx?Indice=ICON&idioma=pt-br

    Seria interessante a aquisicao de algumas acoes para medio prazo (2 a 3 anos)?

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    1. Mariko,

      A julgar pelas condições do cenário econômico, sim. A política do governo vai continuar incentivando o consumo interno pra puxar o PIB. Observe o desempenho deste índice de consumo, já dobrou o TH de 2008.

      http://www.bmfbovespa.com.br/indices/EvolucaoMensal.aspx?Indice=ICON&idioma=pt-br

      Acertar na escolha de duas ou três ações dentro deste índice não vai ser uma tarefa fácil pois você vai pegar muitos exemplos de ativos que subiram bastante nos últimos anos. O mercado pode penalizar alguns e continuar levantando outros. Acredito que neste caso é menos arriscado investir no ETF que faz replica do índice de consumo, código CSMO11.

      Abcs, bons investimentos

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    1. sawyer,

      Acho que o maior problema que envolve o Santander é a fragilidade do mercado bancário na Espanha. SANB11 é papel complicado pra operar, muito volátil. Se perder os 14,70 vai ficar sem suporte relevante até os 13,50.

      Abcs, bons negócios

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  3. Olá Fi, perdendo este fundo marcado teremos;
    - Confirmação de uma bandeira de baixa;
    - Confirmação de perda da Lta de curto prazo;
    E pra completar este novo corte na selic pra afungentar capitais estrangeiros, diga-se ordens da Dilma, estamos ferrados!!
    Ivan

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    1. Ivan,

      Correto. Irá acionar também um pivot iniciando uma nova perna de baixa no curto prazo mantendo a tendência iniciada em 63.4k. Vai ficar bem interessante se o ibov chegar na casa dos 56.2k nas próximas semanas. Mas acho que o mercado só volta assustar abaixo dos 52.5k.

      Abcs, bons trades

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  4. O jeito é gastar todo o dinheiro sem pensar no amanhã, vai se ferrar mercado do inferno!

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    1. Calma! Entendo, mas não é pra tanto rsrs... É a nova realidade do mercado financeiro, investidor precisa se adaptar. Boa sorte!

      Abcs, bons negócios

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  5. Me respondam: Do que adianta o Galo reclamar do mundo todo se não ganha dentro de campo?
    hihihi

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    1. Pequeno tropeço depois do show do último sábado rsrss...

      Agora vamos ter que correr atrás do prejuízo. Vamo que vamo!

      Abcs,

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  6. FI,

    Com a economia desaquecendo e com as medidas de estímulo do governo (renúncia fiscal), a arrecadação já está diminuindo, o cumprimento da meta de superávit vai sendo gradualmente abandonada, a relação dívida/PIB certamente vai aumentar e a confiança na capacidade de rolagem da dívida pública vai diminuir.

    Então, uma questão fundamental pra quem lida com aplicações financeiras é: TERÁ O GOVERNO DE AUMENTAR SIGNIFICATIVAMENTE A TAXA DE JUROS NO ANO QUE VEM E NOS SEGUINTES PARA FAZER FRENTE À FALTA DE CONFIANÇA DO MERCADO NA CAPACIDADE DE ROLAGEM DA DÍVIDA PÚBLICA (isso sem falar da inflação)?

    abs

    Henrique.

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    1. Henrique,

      Acredito que não. A meta de superávit este ano é de 3,1% do PIB, as projeções do mercado estão em torno de 2,5% do PIB. Ainda sim é um bom número. É compreensível relaxar na meta de superávit primário quando a situação econômica pede incentivos do governo (principalmente para o setor industrial que opera com extremas dificuldades).

      Acho que o Brasil não vai perder credibilidade no mercado ao ponto de ser necessário subir a taxa de juros para conseguir rolar a dívida. Esta queda dos juros permitiu inclusive a redução da relação dívida/PIB, que é uma tendência na minha opinião e tende a continuar caindo, mesmo que lentamente. Mas se não cumprimos a meta em 2012, é praticamente obrigatório fazer com que a meta de superávit primário em 2013 seja alcançada.

      Por fim, como estamos no Brasil, sempre vai existir aquela possibilidade de "malabarismos contábeis" para alcançar o cumprimento da meta de superávit.

      Abcs, bons negócios

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    2. Eu acho que o risco de alta na Selic vai ser em 2014/2015.

      Governo vai segurar ao máximo a Selic em 2014 para tentar se reeleger, da mesma forma que o FHC segurou o cambio.

      Também vai forçar o crescimento econômico.

      Selic baixa com gastos da Copa não vai dar muito certo.

      O que acha, FI?

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    3. Certamente vai ajudar pressionar a inflação, mas acho que o governo continuará disposto a sacrificar a política de metas de inflação em prol do crescimento a `qualquer custo´. Podem aparecer ajustes pontuais neste caminho, para manter a inflação na banda de oscilação entre 5,0% a 6,0%, mas nada muito relevante.

      O governo também vai ter que conciliar os aumentos de investimentos para copa com o superávit primário. Isso significa que algumas áreas (saúde, transporte e/ou educação, por exemplo) poderão receber menos recursos para o governo fechar a conta.

      Abcs, bons negócios

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