terça-feira, 2 de outubro de 2012

A miopia da atividade industrial


O IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística) divulgou hoje que a produção industrial brasileira subiu 1,5% no mês de agosto, na comparação com o mês anterior. Este é o melhor resultado desde maio de 2011, quando a expansão atingiu 1,6%.

O dado é positivo mas dispensa comemorações, o gráfico abaixo mostra o índice gerente de compras do Brasil, medido pelo Instituto Markit e HSBC, abaixo de 50 pontos, que indica contração. Apesar de mostrar uma reação do setor industrial, a expansão no indicador é basicamente um reflexo das medidas de estímulo do governo para aumentar o consumo da população.

Gráfico da atividade industrial brasileira

O setor automotivo foi o grande responsável pelo aumento da produção industrial, fruto de grandes incentivos fiscais, e barreiras aos importados, implantadas pelo governo nos últimos meses. A produção industrial nas montadoras subiu cerca de 3,3% de julho para agosto deste ano. Somente nos últimos três meses, a expansão neste setor acumula uma incrível alta de 9,3%. Realidade totalmente diferente do restante da cadeia industrial brasileira.

A pergunta que fica no ar é o que acontecerá com o desempenho da atividade industrial quando o governo cortar os incentivos (principalmente IPI) para produção de veículos? E ainda o que acontecerá com o resto da cadeia produtiva, atualmente trabalhando no limite da viabilidade de produção, caso o Banco Central seja forçado a entrar com uma nova política de aperto monetário em 2013?

As projeções de inflação para 2012, 2013 e 2014 estão fora do centro da meta de 4,5%. Cenário totalmente incompatível com a política de metas de inflação e prejudicial à credibilidade do Banco Central. Uma eventual elevação na taxa básica de juros, afim de se reduzir o choque no setor de alimentos e serviços, causaria uma restrição ao crédito esfriando a demanda interna. O arrefecimento da demanda provoca diminuição na oferta, obrigando as indústrias reduzirem a capacidade de produção.

Além disso, a capacidade de financiamento para a classe média já está bastante comprometida em decorrência da aquisição de bens duráveis e imóveis, aproveitando os programas de incentivo ao consumo do governo.

A saída para o setor industrial são as exportações, mas para isso o governo precisa melhorar o ambiente de negócio interno para que os nossos produtos possam competir em qualidade e preço no mercado externo. Câmbio a R$ 2,00 colabora para a formação de um preço competitivo, mas está longe de ser um fator determinante. O maior custo embutido nos produtos que exportamos chama-se custo Brasil.

Não adianta deixar o câmbio colado nos R$ 2,00 se a infraestrutura para escoar a produção é péssima e cara, se a carga tributária é alta, se a mão de obra é desqualificada e cara e se a burocracia é lenta e “arcaica”.

O governo enxerga esta necessidade de aumento nas exportações, mas adota uma postura equivocada. Acusações de “tsunamis monetários”, “guerras cambiais” e “protecionismos disfarçados” (essa é nova) aos países desenvolvidos estão provocando uma reação no cenário externo.

Europa, Japão, Estados Unidos e Austrália criticaram as posturas adotadas pelo Brasil, entre elas as medidas protecionistas recentes, na reunião do Comitê de Investimentos da OMC (Organização Mundial do Comércio). O governo desvia o foco do problema para o cenário externo, atacando países em dificuldades, mas na verdade está admitindo sua incompetência para lidar com os próprios problemas internos, grandes responsáveis pelo desempenho medíocre do setor industrial e baixa competitividade no mercado internacional.

O mercado brasileiro não se empolgou com o indicador da atividade industrial do IBGE e fechou o pregão em queda nesta terça-feira. O índice Bovespa tenta confirmar formação de fundo na região dos 58.9k, mas não consegue engatar uma recuperação mais consistente para aliviar os indicadores no intraday. Novamente houve aparecimento da pressão vendedora na região dos 60k.

Gráfico de desempenho do principal índice da Bolsa de Valores de São Paulo
  
Portanto há uma pequena zona de congestão de curtíssimo prazo entre 60k e 58.9k. O rompimento para algum dos lados poderá abrir oportunidade de trade curto. A perda da linha em 58.9k poderá comprometer a LTA que vêm do fundo em 52.5k.

A BM&F Bovespa divulgou um dado negativo confirmando o desinteresse dos investidores estrangeiros pelo mercado nacional. O fluxo estrangeiro na Bovespa voltou a ficar negativo no mês de setembro. A saída de recursos no mês foi de R$ 4,173 bilhões, a maior desde outubro de 2008.

Uma parte deste fluxo sofreu influência da operação de fechamento de capital da Redecard pelo banco Itaú. Alguns fundos realocaram suas carteiras no mesmo dia da OPA da Redecard em outros ativos da Bovespa, pois o perfil de investidor da Redecard, value investing, é diferente do perfil de investidor especulador. Portanto há um indicativo de saída considerável de fluxo de capital especulativo da Bovespa.

Nos Estados Unidos o índice Dow Jones fechou o pregão em leve baixa, mas ainda está conseguindo se manter acima da linha central de bollinger. Segue indefinido no curto prazo pressionado entre os 13.6k e 13.3k.

Gráfico de desempenho do principal índice de Wall Street

34 comentários:

  1. FI, desculpe pelo comentario off topic mas o que foi dito outro dia sobre o OPA da redecard não é bem aquilo, quem não vender as ações continua com elas eles não podem pegar suas ações e colocar dinheiro no lugar isso seria como um furto qualificado, quem não vender só perde a liquidez e proteção da lei das SA mas continua recebendo os dividendos, segue a explicação dada pelo Lopes Filho

    Para quem não aderiu à OPA, é bom lembrar que o acionista ainda poderá negociar as ações possuídas até o efetivo cancelamento dos negócios da empresa na Bolsa de Valores ou diretamente para os acionistas controladores. Isto ocorre pois o ofertante controlador fica obrigado a adquirir as ações remanescentes em circulação pelo prazo de três meses, contados a partir da realização do leilão, ao preço final do leilão. Ou seja, no caso da OPA da Redercard, até 24 de dezembro de 2012 (inclusive), qualquer acionista remanescente pode vender suas ações ao Itaú Unibanco, por R$ 35,00/ação, ajustado pela taxa SELIC desde a data de liquidação da OPA até a data do efetivo pagamento, o qual deverá acontecer no máximo em até quinze dias após a solicitação do acionista para vender suas ações.

    Passado este período, o grande problema para o acionista que não aderiu à oferta é a perda de liquidez do papéis, visto que não mais poderá negociá-lo em bolsa, além do fato de perder todos os direitos e proteções exigidos pela lei para os acionistas minoritários. O investidor continuará a ter direito a receber dividendos, como um acionista qualquer, mas não terá a proteção que a Lei das S.As lhe conferia antes do fechamento do capital da empresa.

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    1. Opa!

      Legal por ter buscado a informação correta. Me desculpe por ter lhe repassado uma informação indevida, fui procurar as respostas na mídia e a mesma havia divulgado de forma errada.

      Então você poderá manter participação na empresa caso não desejar vender suas ações até o prazo limite de três meses visando manter o recebimento dos dividendos (lembrando que agora ficará a critério do majoritário manter ou não o pagamento de dividendos. A Lei das SAs obrigava a empresa fazer este repasse). Acho muito mais perigoso e arriscado, além de perder a proteção da Lei das SAs é um caminho sem volta pois você perde a liquidez também. Ou será que você poderá vender daqui alguns anos para o acionista controlador? Mas neste caso ele não terá a obrigação de aceitar a sua oferta de venda das ações?

      Achei este link da CVM, que poderá ser útil, mas ele não explica se os acionistas minoritários que não aderiram à OPA poderão liquidar suas ações (no futuro) diretamente com o controlador ou não, já que a liquidez será perdida na bolsa.

      http://www.cvm.gov.br/port/infos/Comunicado%20487.asp

      Agora fiquei curioso.

      Abcs, bons investimentos

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  2. FI

    Com tantas incertezas no mercado de acoes, e com a certeza da inflacao cada vez mais crescente, estava pensando em aplicar no fundo de indices com taxa de administracao de 1,5% aa.
    Nao seria uma forma de proteger o seu capital frente a tantas terremotos internos?

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    1. Anônimo,

      Proteção boa de inflação, com bolsa em queda ou em congestão, é basicamente as NTNBs do tesouro direto. Mas hoje não dá pra fazer negócio com os títulos do tesouro nacional. Comprar dívida pública pra receber 3% ao ano + IPCA bruto é muito pouco.

      A única com bônus razoável é a NTNB que vence em 2035. Está pagando IPCA + 4,30%. Mas não vejo nenhuma vantagem nesse investimento, sabe-se lá se o IPCA continuará sendo o referencial para inflação por tanto tempo (o Conselho Monetário Nacional definiu o IPCA como índice de inflação oficial em 1999). E ainda o governo pode mexer na composição do indicador oficial de inflação (em janeiro deste ano houve mudança). Sem contar na aposta de boa gestão com os recursos públicos até 2035.

      Depende do fundo. Você saberia me dizer qual a carteira deste fundo de índice? Quais os mercados o gestor está habilitado a operar?

      Abcs, bons investimentos

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    2. FI
      Obrigada pela sua analise em relacao ao tesouro direto.. cada vez mais num "mato sem cachorro"

      O fundo que me referia seria de renda fixa LP indice de preco. Pensava em investir nos fundos do banco onde possuo conta....

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    3. Por um acaso seria este fundo?

      BB RENDA FIXA LP ÍNDICE DE PREÇO
      Veja o prospecto: http://www.bb.com.br/docs/pub/siteEsp/dtvm/dwn/pro08980715.pdf

      É bem conservador. O fundo precisa manter 80% da
      carteira em títulos públicos federais e/ou ativos com baixo risco de crédito.

      Com uma carteira engessada e concentrada como esta, o gestor dificilmente conseguirá uma rentabilidade líquida anual, sendo bem otimista, superior à 2,0% (abatendo imposto de renda, taxa de administração e a inflação).

      Abcs, bons investimentos

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  3. Olá FI, ao que parece este será o canal mais curto de alta no Ibov, se perder esta Lta em breve teremos novo teste na base da longa congestão e se perdida minha expectativa é um fundo duplo no subprime de 2008, será?? Graficamente tá bem armado pra isso;
    Ivan

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    1. Ivan,

      Está muito longe ainda dos 52.5k, mas se daqui alguns meses o Ibov perder este fundo a situação vai complicar bastante. As bolsas poderão até entrar em crash novamente. Mas antes de chegar nos 52.5k o Ibov tem um longo caminho com os suportes abaixo:

      LTA (fraco)
      57.6k (médio)
      56.2k (médio)
      53k e/ou 52.5k (forte)

      Nos últimos dias o índice tem mostrando uma fraqueza para tentar recuperar a média móvel simples de 200 períodos. A mesma linha tem uma força de resistência maior e força de suporte menor (na ocasião não esboçou reação na primeira perna de baixa que veio dos 63k). Isso pode ser um indicativo de mercado ainda em ciclo bear ou congestão. Mercado bull as médias e suportes seguram firme ou demonstram força compradora relevante, o que não é o caso no momento.

      Abcs, bons trades

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  4. Esqueci de mensionar, na matriz ficará fingindo de "viva" até passsar as eleições, depois vem a realidade que a população está passando, um país com juro negativo qualquer abalo desmonta tudo rápido!

    Ivan

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    1. Cara a matriz está perigosíssima. Volatilidade próxima das mínimas históricas, divergências de baixas, sobrecompras, resistências fortes pela frente e figuras bearish. Os gráficos do Dow Jones e S&P500 estão entrando num ponto pra levar uma pancada forte, a única dúvida é quando será essa pancada. Mês que vem? Ano que vem? Não sei se passa limpo da primeira metade de 2013. Não arriscaria um centavo pra abrir uma posição de compra por lá.

      Esse é grande problema para nós. Muito difícil sairmos ilesos de uma pancada em Wall Street. Normalmente o impacto acaba sendo até maior nos mercados emergentes.

      Abcs,

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  5. FI, ontem quando o ibov fechou em cima da LTA arrisquei uma entrada e fiquei comprado no mini indice. Mas hoje fui stopado no inicio da tarde e só não dormi vendido devido a recuperação que aconteceu práximo ao encerramento. Mas sei lá... to muito convicto que o mercado neste momento não é mais bull. O indicio mais contundente disso são as ações das imobiliarias. Estes papeis são caracterizados pela forte volatilidade. Quando a tendenca é de alta eles são os primeiros a subir e sobem feito foguetes agora quando a tendência muda, sai de baixo. Veja os graficos da GFSA3, PDGR3, RSID3, BISA3 etc... todas elas ja perderam a LTA e ja começaram o movimento de desova.
    To achando que vem chumbo grosso por ai...

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    1. Não brinca não que eu estou comprado em GFSA e PDGR... kkkkkkkkkkk

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    2. Fabricio Santos,

      Definitivamente ainda não retornamos para o ciclo bull. Esta perda "facilitada" da média móvel simples de 200 períodos (bem como o patamar psicológico de 60k - região forte) é o sinal mais recente de que ainda estamos num ciclo de correção (ou congestão) longo. Nos períodos de bull market, médias como esta ou mesmo regiões de forte suporte, oferecem força compradora relevante quando testadas.

      Não gosto muito das ações do setor imobiliário. Como você mesmo disse, são voláteis, o mercado é de risco alto, depende do crédito, inadimplência e muito sensível ao custos de construção (que por sinal estão elevados).

      Uma boa dica para estas situações é acompanhar o desempenho da LAD na Bovespa. Indicador em queda é sinal amarelo. Mas é isso aí, mercado continua dando oportunidades apenas nas operações de curto prazo.

      Abcs, bons trades

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    3. Eike,

      Gerencie o risco nelas. Tem estratégia pra saída?

      Abcs, bons trades

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  6. Na boa? Temos os carros mais caros do mundo.

    Este ano, quando os estoques de carro bateram recorde, a indústria correu chorando pro governo para baixar o IPI ou ameaça desemprego em massa.

    Mas sabemos de duas coisas:

    1) O custo da mão de obra não chega nem perto do custo de produção, matéria prima, essas coisas

    2) As margens de lucro são uma das mais altas do planeta (se não for a maior!)

    Ao invés de deixar ocorrer o equilíbrio natural entre Oferta x Demanda, o que o governo faz? Baixa o IPI.

    Isto é brincadeira.

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    1. dimarcinho,

      Concordo totalmente. As montadoras abusam demais do mercado brasileiro e o governo colabora. Engraçado pois alguns setores, como o financeiro e energia elétrica, sofrem ataques ao estilo populista do governo para reduzirem a margem de lucro. Se o governo realmente quer reduzir os excessos do setor privado, deveria começar pela indústria automobilística com margens astronômicas. Mas é aquela velha história dos "amigos do rei". Como diz o Boris Casoy: Isso é uma vergonha!

      Abcs, bons negócios

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    2. Fora o Trabalho Escravo em que há nas montadoras, fui técnico durante 4 anos.Há muitos trabalhadores "Encostado pelo INSS"com doenças relacionadas DORT,ao trabalho.Há etapas do processo automotivo que não se pode automatizar, sobrecarrega o funcionário.Na época o lucro delas, livre de impostos era superior a 28%.
      Att:Codorno

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    3. Codorno,

      Incrível isso. Já houvi relatos de sobrecarga de trabalho mas não sabia que estava neste ponto. E o governo faz vista grossa. Mais uma informação importante, obrigado por colaborar!

      Abcs, bons investimentos

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  7. Eike rico ,

    nem fale isso estou comprando em bisa3 , vou comprar pra fazer o famoso preço médio .....

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    1. Anônimo,

      Boa sorte na BISA3. Lembrando que a maior possibilidade da estratégia de preço médio funcionar é quando as perspectivas para o negócio, e para o setor são boas, e os balanços trimestrais confirmem crescimento no lucro líquido.

      Abcs, bons investimentos

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    2. Obrigado pela lembraça FI

      ass: arriscatudo

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  8. paulo baptista

    Bom dia!

    FI,estou curioso com as commodities,é que tirando o algodão,tem todas subido mto e as acçoes de empresas desses sectores respetivamente,ao contrario dos Indices EUA,estao bem la em baixo.Portanto se as commodities tem subido forte e se assim continuarem não sera previsivel nao neste trimestre,mas sim nos proximos virem a ter um melhor desempenho de EPS(lucro.)Embora eu tenho observado por ex: Nas empresas de aço ou aluminio tem havido rebaixes pelos analistas mas parece estar em esgotamento.(E logo,temos temos dia 9 alcoa no seu Q3)
    Poderia me dar uma luz sobre este assunto.
    Obrigado



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    1. Paulo Baptista,

      Na verdade o mercado de commodities pegou impulso quando as expectativas, referente ao QE3, começaram aumentar no mês de junho. Bernanke puxou os mercados por 3 meses na promessa de QE3 e acabou confirmando no mês passado. Praticamente tudo subiu, inclusive commodities. Os principais índices em Wall Street estão sobrecomprados (Dow Jones, S&P500), próximo do topo histórico. Situação muito perigosa como eu disse logo acima para o Ivan. O risco de Wall Street levar uma pancada nos próximos meses, ou mesmo no ano que vem, é relativamente alto. Estou muito mais preocupado com a situação do Dow Jones e S&P, além dos fundos hedge e institucionais (inclusive fora dos EUA) atolados em ações na bolsa de Nova York, do que com o resto do mercado. Me arrisco a dizer que estão formando uma bolha de liquidez bem no coração do mercado financeiro mundial.

      Abcs, bons negócios

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  9. "Me arrisco a dizer que estão formando uma bolha de liquidez bem no coração do mercado financeiro mundial"

    Agora você me assustou...

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    1. José Wilson,

      Longe de querer espalhar terror, mas é uma possibilidade que não podemos descartar. Assusta um pouco, mas vamos resumir os fatos que me levam a crer nesta hipótese:

      - Taxa de juros próxima de zero há quase 4 anos e deverá permanecer nula até 2015 pelo menos;

      - Fundos hedge atolados em ações e institucionais estrangeiros com posições compradas em ativos nos Estados Unidos, como uma forma de "investimento seguro", segundo relatos de alguns gestores em Wall Street. Bom desempenho dos índices em Wall Street é uma solução para falta de opções em aplicações mais rentáveis no mercado - creio esta ser a avaliação dos institucionais;

      - Bonds americanos em mínimas históricas, refletindo alta procura por Treasuries forçando a queda no rendimento dos títulos públicos;

      - Índices se aproximando das máximas históricas, refletindo alta procura por ativos e gerando também uma distorção com os bonds (mercado vende bonds pra comprar ativos e vice-versa);

      - Metais (ouro e prata) dispararam refletindo alta procura por ativos de segurança;

      - Alta procura por bonds, ativos e metais ao mesmo tempo é um forte sinal de sistema financeiro altamente alavancado (inundado por liquidez). Somente o FED já despejou mais de 2 trilhões de dólares no sistema desde 2008 e boa parte deste recurso não chegou na economia, ficou no mercado financeiro;

      Portanto temos uma concentração nítida de liquidez na matriz, responsável pelas distorções entre bonds x metais x ativos. O risco de um sistema que opera altamente alavancado é a própria sensibilidade do mercado quanto ao cenário macro. Basta um estopim para motivar o desmonte de posições e assim gerar um pânico nos mercados (por isso os banqueiros centrais estão fazendo a vontade do mercado, visando manter a confiança injetando mais liquidez no sistema, porque o estopim existe). Como todo mercado de pânico, os crashs são responsáveis pela desalavancagem do sistema, pois alguns investidores e fundos acabam quebrando na bolsa, o dinheiro simplesmente "some".

      Este é o risco que devemos considerar ao abrir exposição em renda variável neste exato momento. Não é uma garantia de que as bolsas irão cair ano que vem (podem até subir, o mercado é imprevisível e aceita tudo), porém existe este risco. A única certeza é que em algum momento essa desalavancagem no sistema vai ter que acontecer.

      Abcs, bons trades

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    2. Discussao muito boa.

      Em um cenario de stress e quebras de instituicoes financeiras : se um tenho participação em um fundo que investe em ntn´s, e o banco gestor e custodiante quebram, esse fundo vira pó? Quais os principais riscos de um fundo atrelado a inflaçao alem do risco de mercado e de solvencia do governo federal? abs

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    3. Isso é a verdade Fi, é questão de tempo para o castelo de areia ruir, estou fora e continuarei assim por um bom tempo ainda.
      Trades curtos e com baixo capital é o que tenho e recomendo fazer, tálvez faça alguns aportes na Cmig4 se a mesma bater na Lta longa com algum sinal de reversão;
      Ivan

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    4. Galo da Comarca,

      Neste caso não. Pelas normas da CVM, os fundos devem ser administrados por uma pessoa jurídica diferente do banco. Por exemplo: o Banco Bradesco S.A. oferece um fundo X aos seus investidores, mas o gestor é o Bradesco Asset Management S.A. DTVM. O patrimônio dos cotistas dos fundos não pode se misturar com o patrimônio do banco.

      DTVM significa "Distribuidoras de Títulos e Valores Mobiliários", ou seja, os fundos são meros distribuidores. Caso a instituição seja liquidada (como aconteceu recentemente com o Banco Cruzeiro do Sul) os cotistas do fundo se reúnem para escolher um novo gestor para administrar seu fundo de investimento no mercado. Não há prejuízo para os cotistas, nem perda de patrimônio.

      Quem perde com a falência de um banco são os acionistas e investidores de CDBs, poupanças e LCIs (estes sim, mecanismos de captação de recursos no mercado, incorporam ao patrimônio do banco), quando este valor superar o resgate máximo de R$ 70.000,00 do FGC.

      Basicamente o risco maior de um fundo atrelado em inflação via títulos da dívida pública é a solvência do governo federal. Moratórias, defaults parciais ou troca "voluntária" da dívida que está vencendo por uma outra de prazo maior.

      Abcs, bons investimentos

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    5. Senhores ,


      Nesse momento de mercado indefinido , o que realmente vai acontecer devemos pedir a ajuda da " Mãe DINA " .

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    6. Ivan,

      Por isso eu gosto de dizer: Um olho e meio em Wall Street e meio olho na Bovespa.

      CMIG4 descendo a ladeira ao sabor das notícias, com ajuda da Aneel. A mão começa a coçar pra comprar, mas estou bloqueado rsrss... Boa sorte aí

      Abcs,

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    7. Anônimo,

      Que nada rsrs... Basta ter uma estratégia definida e gerenciamento de risco. Como disse o Ivan é solução é fazer trades curtos e com baixo capital. Se o risco x retorno do trade estiver muito bom, dá até pra aumentar o peso da mão.

      Abcs, bons negócios

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  10. paulo baptista

    É isso ai FI,eu tambem estou achar ja ha mto tempo que tenho andado investir no mercado ao contrario,ou seja de cabeça virada para baixo.Operar no curto deve ser meu dôm mesmo,atê porque parece que é mais facil,mais rapido de ganhar dinheiro e mto menos arriscado.Mas ha sempre aquela tendência para tentar operar longo.
    O certo é que o pequeno investidor vai procurar aquilo que sempre cai,na tentativa de comprar barato,mas o barato sai carissimo.Mas eu ainda acredito que atê dezembro ou para nao arriscar mto atê novembro os mercados ainda poderam saltar outra vez.
    Vamos a ver!

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