quinta-feira, 18 de outubro de 2012

Ciclo de afrouxamento monetário chegou ao fim


O mercado pode apreciar nesta quinta-feira a última ata da reunião do Copom (Comitê de Política Monetária) realizada na semana passada onde Comitê decidiu cortar a taxa básica de juros em 0,25 p.p., de 7,5% para 7,25% ao ano. O documento mostra que o ciclo de afrouxamento monetário pode ter chegado ao fim e a partir de agora o Banco Central deverá manter a taxa selic no patamar de 7,25%.

Os membros do Comitê que votaram a favor do corte (5 diretores votaram pelo corte e 3 pela manutenção) disseram que o cenário para a inflação ainda comportava um último ajuste das taxas devido às incertezas quanto ao ritmo de recuperação da atividade econômica. Evidentemente este raciocínio não se enquadra ao cumprimento meta de inflação no ano que vem (lembrando que para 2012 a meta não será mais alcançada, tal como ocorreu em 2010 e 2011).

O cenário de desaquecimento da economia global foi novamente ressaltado na ata. A autoridade monetária espera que a perspectiva de fragilidade da atividade econômica seja mais prolongada do que estimado anteriormente. “Ainda não há uma solução definitiva para a crise europeia. O cenário para importantes economistas emergentes se apresenta mais desafiador do que se esperava antes”.

A seguir, podemos observar a parte mais importante da ata, que destaca esta nova postura de manutenção na taxa básica de juros: “o colegiado entende que a estabilidade das condições monetárias por um período de tempo suficientemente prolongado é a estratégia mais adequada para garantir a convergência da inflação para a meta.”

Mas e se houver ameaça da inflação acumulada dos últimos 12 meses chegar perto do limite máximo da meta em 6,5%, já que a economia entrará na fase de reaquecimento no ano que vem? Nem o governo e nem o Banco Central estão mostrando possibilidade de elevação dos juros em 2013. Por outro lado existem outras opções macroprudenciais (não tão eficientes quanto a elevação nos juros) que o Banco Central poderá utilizar, como aumento do compulsório por exemplo. O governo federal também poderá colaborar para reduzir as pressões inflacionarias adotando uma postura fiscal menos expansionista.

Ainda no cenário interno, a agência de classificação de risco Fitch disse hoje, em um evento sobre economias emergentes em São Paulo, que o Brasil não caminha para receber uma nota “A”, que significa um novo patamar de classificação nas agências de risco. Segundo a Fitch, os problemas com a inflação, baixa diversidade econômica (país basicamente exportador de commodities), fraqueza na política fiscal (gasta muito e investe pouco) e casos de corrupção estão entre os principais problemas a serem enfrentados no Brasil para que possamos entrar para o grupo de países nota “A”.

O índice Bovespa fechou o pregão desta quinta-feira em baixa de 0,59% sentindo a pressão da média móvel simples de 200 períodos. Apesar da queda, o fechamento foi importante pois o índice conseguiu se manter acima da região dos 59.7k (suporte intraday e linha central de bollinger no diário), ponto que permite novos ataques à média de 200 períodos. Porém, se esta linha for perdida amanhã, deveremos ter um teste sobre a nova LTA que vem do fundo em 52.5k.

Gráfico do mercado de ações brasileiro
  
Nos Estados Unidos o grande destaque do dia ficou por conta da queda acentuada das ações do Google. As negociações envolvendo as ações da empresa foram interrompidas no pregão da Nasdaq para minimizar o efeito do pânico sob os preços das cotações. Os resultados trimestrais da companhia foram divulgados indevidamente durante o pregão (todos os resultados devem ser divulgados após o fechamento do mercado), reportando uma forte queda de 20% no lucro em relação ao mesmo período do ano passado.


O grande número de ações do setor de tecnologia que compõe a carteira do índice Nasdaq reduziu o efeito da queda envolvendo as ações do Google. O índice encerrou o dia com uma baixa de 1,01%. Dow Jones, índice que não conta com a participação do Google na carteira teórica, fechou o dia próximo à estabilidade. Doji de indecisão acima da linha central de bollinger e próximo da zona de resistência em 13.6k joga um viés de baixa no curto prazo.

Gráfico do mercado de ações norte-americano

32 comentários:

  1. Que tortura essa bolsa,quando penso q vai dar uma arrancada rumo aos 70k ela despenca denovo e os 200 periodos fica a ver navios,kkkkkk.

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    1. Eu estou babando para ver o ibov furar esses 200 períodos de novo... kkkkk

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    2. Essa média de 200 períodos dá muito trabalho. É a "popstar" das médias, tão famosa quanto a dança do psy rsrs...

      Acho que estamos falando dela há mais de 2 meses pelo menos.

      Abraços a todos e bons negócios!

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  2. FI,

    Eu duvido que a economia brasileira reaqueça no ano que vem. Veja que a manutenção da selic nesse patamar por um longo período é sinal de que sabem que o buraco é mais embaixo.
    Várias medidas de estímulo já foram adotadas e a economia não reage a contento, isso sem falar no mercado imobiliário , que já está comeando a ruir.

    O govero vai segurar enquanto puder. Os próximos passos dessa valsa são o aumento da inadimplncia (que já está alta] e do desemprego.

    Abs.

    Henrique

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    1. Olá Henrique, tudo bom?

      Crescimento de 1,5% não é para um país como o Brasil. Na minha opinião, um PIB abaixo de 4,0%/3,5% será sempre uma vergonha pra nação. O governo deveria, inclusive, pedir desculpas à nação pois tem todas as ferramentas na mão disponíveis para proporcionar o crescimento e desenvolvimento sustentado da economia no médio e longo prazo.

      Mesmo com todos os problemas estruturais acho que ano que vem deveremos crescer pelo menos 3,0%. Estes estímulos do governo não resolvem, concordo, tapam buracos temporariamente. Mas a combinação da taxa de juros baixa + estímulos certamente vai gerar um aquecimento ano que vem, os efeitos demoram um pouco para aparecer na economia (no mínimo 6 meses).

      O mercado imobiliário está super aquecido, mas longe de mostrar algum sinal de ruptura ou mesmo estouro de bolha. Se é que existe bolha. Em alguns locais os preços dos imóveis estão corrigindo timidamente este excesso. Achei aquele estudo do IPEA sobre a bolha no mercado imobiliário mais político (envolvendo partidarismo) do que econômico, e portanto imparcial. O déficit habitacional brasileiro é muito alto, ainda há excesso de demanda no mercado e o nível baixo de desemprego permite acesso ao crédito de longo prazo, além de permitir que as pessoas consigam honrar suas dívidas. A inadimplência está reduzindo, efeito da queda na taxa de juros.

      Abcs, bons investimentos

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    2. O que eu acredito FI, é que estamos seguindo os mesmos caminhos do primeiro mundo rumo a crise. Mas estamos dando os primeiros passos. Precisamos fazer muita m**** ainda para chegar lá.

      Abraço!

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    3. Em compensação, outras economias emergentes que não possuem tantos recursos/oportunidades quanto a nossa, estão dando um show de crescimento, gestão e planejamento de médio e longo prazo.

      Abcs!

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    4. Obs: A inadimplência em financiamentos imobiliários não está diminuindo, e sim aumentando, já dobrou do último ano pra cá. (4,5 -> 9%)

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    5. 9%? Você tem a fonte disso?

      Os últimos dados que eu tenho é que em junho deste ano a inadimplência em créditos imobiliários estava em 1,9%. Em 2011 estava em 2,0%. Situação estável.

      Abcs, bons negócios

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  3. Finanças Boa Noite,Passei só para Falar que ainda estou Comprado Na BVMF,me Lembrei do O 2º Grande Axioma: DA GANÂNCIA.kkkkk, É que Andei Ocupado Ontem e Hoje e não Acompanhei o Mercado.Verefiquei Agora a queda da OGXP,se Bater em +/- R$ 4,95 Vale uma Entrada,o que o Amigo Acha?
    Grande Abraço.

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    1. Boa noite macr3,

      Foi lembrar do axioma depois né? Aí não vale! rsrs... Ela deu bastante sopa nos 13,55/13,60 ontem. Chegou até beliscar os 13,69. Mas pelo menos hoje ela deixou um doji, mostrando indecisão. Amanhã pode dar oportunidade pra você liquidar metade da posição, se for o caso da sua estratégia. A não ser que você queira casar com ela rsrsss.

      Vou te falar que essa OGX entrou pro meu radar, estou de olho nela. Estou querendo voltar operar esse papel (sistema bloqueado desde aquele dia do "GAP monstro"). Esse ponto está muito bom, do jeito que eu gosto de entrar. Linha de suporte, com stop barato e uma segunda linha de suporte mais forte logo abaixo em 4,78. Dá até pra dividir a compra em 2 pontos: uma no 4,97 e outra em 4,78. Mas tem que chegar lá bonito, despencando sem repicar no diário e também no intraday (preferência, ou respiros relâmpagos). Por isso a necessidade de monitorar o movimento no intraday. Acho que o papel está sendo vítima de um long x short, que parece ter espalhado por aí, entre HRT (long) X OGX (short).

      Abcs, bons trades

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  4. tô comprado em algumas coisas com stop afiado, o ibov vai ter que afundar bonito pra me tirar no 0x0. Acho pouco provável que caia pros 52k, mas enfim ninguém sabe de nada.
    Ivan C.

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    1. Ivan C.,

      Também acho improvável cair para os 52k no médio prazo, só mesmo com Dow Jones derretendo.

      Abcs, bons trades

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  5. Coincidência a última redução acabar justamente agora. A próxima reunião vai ser depois do segundo turno das eleições.

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    1. Sir Income,

      Muita coincidência não é verdade? A cronometragem está melhor do que da F1 rsrs...

      Abcs, bons negócios

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  6. como foi comentado aqui, quando o Dow desse uma dor de barriga o Ibov ia ter uma diarréia, pelo jeito tá tendo messo...
    Ivan C.

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    1. Ivan C.,

      Exatamente. Difícil segurar com Dow Jones escorregando. Intraday do ibov tem um topo duplo confirmado, se perder os 59k complica um pouco pra segurar nos 58.1k (principal linha de suporte no curto prazo).

      Abcs,

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  7. Mais um banco com problemas. Intervenção no BVA.

    O que acontece no setor?

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    1. Sir Income,

      A informação que o BC divulgou é por motivos financeiros e descumprimentos de normas. Creio ser por um motivo isolado. Mas esta onda de intervenções não é boa para os bancos de pequeno e médio porte, pois gera numa desconfiança no mercado e pode prejudicar a captação.

      Normalmente bancos pequenos e médios ficam presos no segmento de middle market (operações de crédito para pequenas e médias empresas) pois não conseguem competir com os grandes em outros setores. E ainda precisam trabalhar com um risco maior em busca destes contratos, que normalmente são de empresas que já possuem linhas de crédito nos grandes bancos (podem estar tomadas ou mesmo bloqueadas) e que ainda necessitam de capital de giro/operações de financiamento. É neste ramo que os pequenos e médios operam, pois é muito difícil competir com as taxas do BB, Itaú e Bradesco. A queda no spread afeta mais os pequenos também.

      Abcs,

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    2. Não são simplesmente "motivos financeiros"... O banco está Insolvente! O rombo é de 580M!

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    3. Claro. E não adianta cobrir só o rombo de R$ 580 milhões, tem que reenquadrar o patrimônio de acordo com as normas. A necessidade de capital então seria em torno de R$ 1 bilhão.

      Não sei o que está acontecendo com a fiscalização do BC. Comeram mosca de novo.

      Abcs,

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    4. O FGC emitiu um comunicado para os investidores do banco BVA no seu site. Pelo visto teremos que nos contentar com as baixas taxas de remuneração dos bancos de grande porte, porque os pequenos estão afundando.

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    5. Angelo Manosso,

      Descuido do BC deixar isso acontecer, o sistema financeiro brasileiro é um dos mais sólidos do mercado. Não vejo problema em comprar CDBs e LCIs dos pequenos e médios bancos, basta desconfiar de rentabilidades bem superiores à média do mercado e não extrapolar o limite máximo da garantia do FGC (R$ 70.000,00). Problema mesmo só para os acionistas. No caso do Cruzeiro do Sul foi pior porque levantaram o papel uns 3 dias antes do BC decretar a liquidação. Quem dormiu na posição perdeu o capital.

      Abcs, bons negócios

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    6. Exato, e lembro que dando uma pesquisada, as taxas de retorno das LCIs e CDBs do Banco BVA eram bem maiores do que de outros bancos.

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    7. Isso aí! Tudo bem alguns bancos pequenos pagarem um pouco mais para captação de recurso no mercado, isso é normal. Mas "quando a oferta é grande o santo desconfia".

      Abcs,

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  8. paulo baptista

    Boa dia!

    FI,eu vou falar uma coisa que tenho em mente e quero partilhar com vocês.
    Nos estamos no meio de uma encruzilhada nos mercados mundiais em que existe varias possibilidades,por um lado temos os mercados Europeus e inclusive o Brasileiro tomar redias numa escalada bulish onde como é obvio vai realizando lucros,por outro lado temos os mercados EUA que estao em maximos e provavelmente sobrevalorizados e onde ha atê a possibilidade de haver uma crash...
    E tenho de falar tambem que sensivelmente ha 2 meses encontrei uma noticia bem interessante,que falava que o SP&500 que é o indice que se da mais relevancia por cá que poderia nos proximos anos chegar aos 2400 pontos.
    O que na verdade eu achei na altura uma coisa mto normal!
    Agora estamos no inicio da temporada dos resultados empreariais do Q3 e parece-me obvio que as empresas que estao a dar estimativas acima da media são as primeiras inclusive o sector financeiro,mais para a frente virão as grandes quedas como ja é normal nos mercdos americanos.
    Resumindo eu acho que encontrei uma possivel solução para nôs investidore desprivilegiados ou então estou delirando,kkkk
    É o seguinte nos temos o
    "VelocityShares Daily 2x VIX Short Term ETN" que funciona em contraciclo com os mercados e esta a cotar a volta de 1,30 US,ou seja o risco de perda é baixissimo contra os elevados ganhos que podemos obter dele,se olhar-mos em setembro 2011 ele chegou aos 90 US.O unico senão é se ele vai fazer algum splyt...
    Mas tenho de lhe dizer que so fiquei com conhecimento deste papel mto recentemente.
    FI que você acha?



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    1. Boa tarde Paulo Baptista,

      O VIX eu conheço há bastante tempo, é um índice de volatilidade dos contratos de opções sobre ações do S&P500. Basicamente ele sobe quando a volatilidade aumenta, normalmente nos momentos de quedas das ações.

      Este produto específico eu não conheço, parece ser uma forma bem interessante de ganhar com a queda do mercado sem precisar operar vendido. Parece que ele oscila 2x o índice S & P 500 VIX Curto Prazo Futuro. É isso mesmo? Se for, a pontuação do Velocity Shares não faz muita diferença (entre avaliar se está caro ou barato) pois o que vale mesmo é o movimento do S&P500 VIX. Se o S&P500 derreter, este índice dispara pra cima. As probabilidades são maiores porque a volatilidade do mercado está muito baixa. O problema é se acontecer o inverso rsrs...

      PS: abaixo segue um link de uma análise que fiz do S&P500 alguns meses atrás, mostrando a congestão de mais de uma década:

      http://www.financasinteligentes.com/2012_03_01_archive.html

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    2. paulo baptista

      É isso ai FI vou ficar atento na volatilidade,que concerteza so vai disparar se os S&P500 cair mais.


      Obrigado pelo Link

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  9. E mesmo que a gente queira operar comprado,tem sempre esta defesa.E atê quem sabe um dia a gente acorda e vê esse activo nos deixando tranquilo uma vez que ele replica por 2x

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  10. na verdade ja estou tentado em comprar hoje,estive olhar as quedas e na Espanha quase no fecho ja cai quase 3% embora seja normal o mercado espanhol cair ou subir mto mais que os outros

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    1. Pode ver que hoje ele deve estar com uma bela alta porque o S&P500 está escorregando. Minimiza o risco comprando quando o VIX bate nos 14,00, que é região de fundo e volatilidade muitíssimo baixa. Normalmente a volatilidade bate na casa dos 20,00 mesmo nos períodos de mercado forte altista como em 2003-2007.

      Queria ter esse produto aqui no Brasil!

      Abcs,

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