sexta-feira, 19 de outubro de 2012

Merkel diz não e os espanhóis vão ter que pagar


A chanceler alemã Angela Merkel, que até então estava um pouco sumida do noticiário europeu, reapareceu com tudo na reunião de cúpula dos líderes europeus realizada na quinta e sexta-feira desta semana. O mercado esperava algum avanço na criação do supervisor bancário para zona do euro e assim permitir que os bancos espanhóis possam ser recapitalizados diretamente pelo ESM (Mecanismo Europeu de Estabilidade Financeira).

Mas a chanceler alemã colocou ordem na casa e disse que levará mais de dois meses para desenvolver um novo supervisor bancário. “Nós devemos nos prender a uma certa sequência de eventos. Primeiramente devemos resolver a estrutura legal, então nós precisamos estabelecer um órgão de supervisão e somente quando este estiver operacional, os bancos poderão ser recapitalizados diretamente pelo ESM”.

Angela Merkel ainda fez questão de ressaltar que os bancos não poderão ser recapitalizados retroativamente por meio do ESM. Em outras palavras, não há outra saída para Espanha a não ser formalizar o pedido de resgate junto à União Europeia e socorrer os seus bancos assumindo uma dívida pública, “socializada” para todos os cidadãos da Espanha.

Será muito arriscado deixar o sistema financeiro espanhol no aguardo da criação efetiva do supervisor bancário europeu, já que o mesmo não deve sair do papel antes do início de 2013. Somente quando o BCE (Banco Central Europeu) se tornar o supervisor dos bancos na zona do euro, o ESM estará liberado para injetar capital diretamente em bancos problemáticos sem somar valor às dívidas dos governos.

Não aconteceu nenhum progresso, nestes dois dias de reunião de cúpula dos líderes europeus, sobre a situação da Espanha ou mesmo para liberação da próxima parcela de empréstimo do plano de socorro à Grécia.

Apesar de tudo, a queda verificada nesta sexta-feira entre os principais índices europeus não foi suficiente para reverter o bom desempenho da semana. Os mercados continuam sobrecomprados próximo às maximais anuais. Na Alemanha, o índice DAX segue lutando contra a LTB do topo histórico. A briga já dura 6 semanas consecutivas, fortalecendo a resistência, onde  até o momento não há indicação de rompimento.

Mercado de ações alemão

O desempenho semanal de Wall Street não foi tão bom quanto o desempenho dos mercados europeus. S&P500 e Dow Jones fecharam a semana em leve alta, porém deixando uma estrela cadente indicando sinal de topo no gráfico após 6 semanas de tentativas de rompimento das máximas anuais. A principal linha de suporte no curto prazo (região dos 13.3k) corre o risco de ser perdida, aumentando a força da tendência de baixa.

Mercado de ações norte-americano
   
Na China a bolsa de Xangai fechou mais uma semana em alta encostada na principal zona de resistência de curto prazo (2.1k). Poderá encontrar resistência nesta região, provocando um movimento de correção no curto prazo. Movimento saudável, pois permitirá que o índice trabalhe um fundo ascendente acima do patamar psicológico dos 2k.

Mercado de ações brasileiro

No Brasil o índice Bovespa fechou a semana em leve baixa sentindo a pressão da média móvel simples de 200 períodos semanal e diária, além do patamar psicológico dos 60k. O pavio longo superior no candle sugere uma estrela cadente formando um topo descendente abaixo dos 63.4k. A formação gráfica indica novo teste sobre a principal linha de suporte no curto prazo: 58.1k. Caso esta linha não consiga segurar a pressão vendedora, teremos agravamento da tendência de baixa no curto prazo.

Mercado de ações chinês

No mercado interno o Banco Central decretou intervenção no banco BVA, em decorrência da delicada situação financeira da instituição, que se mostrou insolvente para continuar operando no sistema financeiro. Outras quatro instituições financeiras sofreram intervenções semelhantes nos últimos dois anos. Este fato colabora para gerar uma queda de confiança do mercado em relação aos bancos de pequeno e médio porte.

Vale a pena ressaltar que estes eventos são insignificantes perto do volume total de ativos do sistema financeiro e não desestabiliza o mercado interbancário brasileiro. O BVA possui apenas 0,17% dos ativos do sistema financeiro nacional e 0,24% dos depósitos. Se somarmos com as outras intervenções nos últimos dois anos, o volume total chega a 0,40% dos ativos do sistema financeiro e 0,60% dos depósitos.

Portanto não há qualquer ameaça à solidez do sistema financeiro brasileiro. Fica apenas um alento quanto à fiscalização do Banco Central, que não observou as irregularidades previamente ou demorou demais para tomar uma atitude em relação aos últimos acontecimentos.

Bom pessoal, encerramos por aqui a nossa análise de sexta-feira. Desejo a todos vocês um excelente final de semana!


Observação: Ficarei devendo o post de segunda-feira. As análises serão retomadas a partir do dia 23/10/2012, terça-feira. Até mais!


Posts da semana:

14 comentários:

  1. Respostas
    1. Fernando Vieira,

      Obrigado!

      Abcs, bom final de semana!

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  2. FI,
    Excelente meu amigo,
    Quero pibb a 77,00, nem um centavo a mais... mais uma queda eu espero.

    Abraço

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    1. Grande Jônatas,

      Obrigado! Seria ótimo poder comprar PIBB11 a 77,00. Oferta irrecusável. Mas pra chegar lá o Ibovespa teria que voltar aos 52k. Quem sabe não acontece né rsrs...

      Abcs, bom sábado!

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    2. 87,00... digitei errado meu amigo!

      Abraço!

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  3. Assim é o mundo hj: Lá fora estão tentando romper topo histórico e aqui estamos apanhando de uma mma de 200 períodos!

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    1. Anônimo,

      Exatamente. Desempenho do Ibovespa está bem abaixo da média mundial, inclusive de países emergentes também. Coincidência ou não, o mercado está "shorteando" o Brasil desde a posse da nossa presidente.

      Abcs, bom final de semana!

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  4. Esse 200 periodos ja virou historia em quadrinhos.acho muito dificil romper esse ano.

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    1. quadrinhos? virou novela das 8

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    2. Oi oi oi rsrs...

      Se cair abaixo dos 58.1k perdemos contato com a média de 200 períodos e neste caso acho que não rompe este ano também não.

      Abcs, bom sábado!

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  5. Olá FI!

    Uma coisa que não entendo é essa arrogância dos europeus em aceitar sua condição e assumir a dívida. Finalmente foram mais intolerantes com a Espanha e espero que isso acorde eles.
    Quanto ao Ibov estou líquido e nem vou operar em breve trades, apenas aumentar posições de longo prazo, não estou gostando dos volumes cada vez menores dos pregões.

    Abraços!

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    1. General,

      Além da arrogância tem a questão do tempo. Tudo que precisa ser resolvido dentro da zona do euro demora uma eternidade, isso acaba desgastando o mercado que fica à espera de alguma solução concreta e definitiva. E todos nós sabemos como o mercado é sensível à incerteza. O volume também está baixo em Wall Street, temos que ficar atentos com o índice Dow Jones. Aí que mora o perigo.

      Abcs, bom final de semana!

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  6. Quebra do BVA já estava ‘cantada’

    http://economia.estadao.com.br/noticias/economia,quebra-do-bva-ja-estava-cantada,131560,0.htm

    Acho correta a intervenção pelo BC, mas não entendi porque não manteve o banco se tinha o dinheiro para capitalizar. Acho que um acordo seria o melhor para funcionários, clientes e investidores.

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