sexta-feira, 5 de outubro de 2012

Payroll, não tão bom quanto parece ser


O Departamento do Trabalho dos Estados Unidos divulgou nesta sexta-feira os números do payroll (relatório de emprego) referente ao mês de setembro. A entidade informou que foram criados 114 mil empregos no mês passado e aproveitou para revisar os números de julho e agosto.

Com a melhora no indicador, o governo agora afirma que em agosto foram criadas 142 mil vagas de trabalho (número bem superior a estimativa anterior de 96 mil). No mês de julho a revisão foi ainda maior, passando de 141 mil vagas para 181 mil novos postos de trabalho.

A taxa de desemprego nos Estados Unidos caiu de 8,1% em agosto para 7,8% em setembro. Uma queda de 0,3 pontos percentuais que pode impulsionar a campanha do presidente Obama rumo à reeleição.

O mercado criou uma grande expectativa em torno dos números a serem divulgados nesta sexta-feira e as bolsas acabaram subindo devido ao efeito positivo provocado pela queda na taxa de desemprego. Mas se analisarmos os dados com mais calma, fora do ambiente de euforia do mercado, podemos observar que os números do payroll não estão bons.

A criação de postos de trabalho em setembro ficou bem abaixo do número de vagas criadas no mês de julho e agosto. O número também ficou abaixo da média anual (143 mil vagas de trabalho por mês) de 2012. No mesmo período do ano passado eram criados 153 mil empregos por mês (na média).

Mas como foi possível a taxa de desemprego cair 0,3 pontos percentuais se o ritmo de novas contratações diminuiu em agosto e a média anual está mais baixa do que a registrada no ano passado? Mágica? De certa forma sim.

Os números do payroll e da taxa de desemprego são obtidos em pesquisas separadas, portanto podem aparecer distorções (“mera coincidência” com o período de eleições presidenciais). Além disso, a queda na taxa de desemprego é favorecida pela saída de pessoas do mercado de trabalho. Ou seja, quando as pessoas desistem de procurar emprego, não são mais consideradas desempregadas nos Estados Unidos.

A permanência da taxa de desemprego em níveis elevados nos últimos 4 anos está excluindo parte da mão de obra que está se tornando obsoleta e desqualificada no mercado, desestimulando assim algumas pessoas a procurarem emprego formal.

Mesmo assim o índice Dow Jones conseguiu subir pelo terceiro pregão consecutivo, impulsionado por esta “euforia iludida” em torno do payroll. O movimento especulativo conseguiu levantar Wall Street na força e jogou o índice Dow Jones para a máxima do ano, se aproximando da última resistência antes do topo histórico. Mercado continua mostrando força compradora, mas não podemos descartar o risco de queda acentuada no médio e longo prazo.

Gráfico revela oscilações dos índices em Wall Street

Na Europa os mercados também mostraram uma boa reação nesta semana atacando novamente as máximas anuais. Na Alemanha, o índice DAX soltou um marubozu de alta apoiado sobre a importante linha de suporte em 7.2k. São boas as possibilidades de rompimento da LTB que vem do topo histórico, abrindo espaço para testar a próxima resistência em 7.6k.

Bolsa de valores da Alemanha

Na Inglaterra o índice FTSE fechou a semana mostrando forte aparecimento da força compradora com um marubozu de alta. Apesar de estar um pouco mais distante de seu topo histórico, em relação ao índice DAX, a LTB da máxima histórica também está sendo testada neste momento e com boas possibilidades de rompimento.

Bolsa de valores da Inglaterra

No mercado de commodities podemos observar que houve um alívio após as duas últimas semanas de queda. O spinning top acima da LTB rompida aumenta as esperanças de uma retomada na tendência de alta no curto prazo para testar a máxima do mês passado.

Gráfico que mostra a variação do preço das commodities
   
Os mercados emergentes também apresentaram um bom desempenho esta semana, com exceção, é claro, do nosso Ibovespa. Na China a bolsa de Xangai não abriu esta semana devido ao feriado nacional. Na Índia a bolsa de Bombay fechou mais uma semana em alta, conseguindo se distanciar da zona de suporte em 18.5k. Este movimento é importante pois abre espaço para uma correção saudável antes de um provável teste sobre a última resistência importante abaixo do topo histórico.

Bombay Índia

A bolsa do México subiu forte esta semana se aproximando da resistência em 291 pontos. Esta é a principal barreira antes do teste sobre a região de topo histórico. O bom desempenho do mercado mexicano nos últimos meses mostra a força da sua tendência de alta no médio prazo.

Mercado mexicano

E mais uma vez na contra mão do mundo, o índice Bovespa caiu pela terceira semana consecutiva se distanciando cada vez mais da média móvel simples de 200 períodos semanal, o que não é um bom sinal para força compradora. Não há formação de fundo ascendente no gráfico semanal, portanto espera-se um teste sobre a próxima linha de suporte na região dos 57.6k. A linha central de bollinger semanal poderá fornecer apoio extra nesta região.

Gráfico que mostra o desempenho do índice Bovespa

Na próxima semana teremos importante reunião do Copom (Comitê de Política Monetária) onde o Banco Central irá decidir se vai manter a taxa selic em 7,50% ou realizar um novo corte de 0,25% p.p. Dados da produção industrial saíram abaixo do esperado nesta semana, fato que pode motivar o corte na taxa selic.

Porém a inflação continua mostrando força e acelerou no mês passado. O IPCA (Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo) subiu 0,57% em setembro, superior a inflação de 0,41% em agosto. Esta é a maior alta para o mês de setembro desde 2003. Problemas climáticos nos Estados Unidos e Rússia pressionaram os preços dos alimentos no mercado internacional e podem ser “os responsáveis” por interromper o ciclo de aperto monetário este mês.

Bom pessoal, vamos encerrando por aqui nossas atividades na semana. Ibovespa continua sendo o patinho feio do mercado, mas a tendência de alta no médio prazo segue válida. Só não podemos desgrudar os olhos de Wall Street. Bom final de semana a todos e até segunda!

Posts da semana:


19 comentários:

  1. Olá FI!

    Da forma que explicou e como analisei percebe-se que houve manipulação sim dos dados para beneficiar a campanha, apesar de ter visto a secretária do Governo nos EUA ficar chocada com essa acusação, mas sabemos que existe isso e aqui é a mesma coisa. Não estou achando que vão cortar mais a Selic pelo que disseram após a última reunião, mas como brasileiro além de investidor estou torcendo para que cortem e que nunca mais retorne nos valores passados, só assim vamos caminhar para juros mais justos em toda a economia brasileira e forçar os cabeças duras a migrar para a Bolsa ajudando nossas empresas a crescer.

    Abraços!

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    1. Se a solução fosse migrar da RF para a RV e resolver os problemas do mundo seria simples, não?

      Trocamos nossos papéis no mercado secundário. Portanto, mesmo que as ações da PETR4 fosse a R$ 100, mantendo-se todos os fundamentos, produção, lucro e variáveis econômicas constantes, a empresa Petrobrás seria a mesa de hoje e não cresceira nada. Essa alta artificial de cotação seria uma bolha e acho que não é isso que desejamos.

      Para ter crescimento consistente, precisa-se de investimentos e demanda crescente, ou seja dinheiro, mas ele anda meio escasso no momento... rs

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    2. Troll com mais pessoas na Bolsa é possível abrir o capital de mais empresas e capitalizá-las não apenas das que já tem o capital aberto, assim como ocorre nos EUA onde milhares de empresas possuem capital aberto fornecendo maiores opções de investimento e de crescimento econômico.

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    3. Faz parte da evolução do mercado esta migração de investidores pessoa física da renda fixa para renda variável. O Brasil é uma ilha virgem no mercado de capitais, tem muito espaço e plenas condições para crescer nos próximos 10, 20, 30 anos. Tem estados brasileiros, não vou citar nomes, com menos de 500 investidores cadastrados na BM&F Bovespa. O problema é que a maioria dos investidores brasileiros não fazem a menor ideia do que é um mercado de renda variável. Os poucos que correm atrás de uma boa informação ou instrução ainda correm o risco de aprender com os famosos "aproveitadores" que se intitulam profissionais do mercado financeiro e provocam uma enxurrada de informações de baixíssima qualidade no mercado. Este é um dos motivos que contribuem para o fluxo de capital cada vez menor do investidor pessoa física desde 2008. Não adianta o CPF continuar cadastrado na BM&F, se o fluxo de recursos do investidor PF é negativo há 4 anos. Se os investidores tivessem uma boa orientação ou formação, este fluxo não seria tão negativo.

      A evolução de qualquer mercado precisa passar por um processo de educação de qualidade. Neste ponto o país precisa melhorar e muito. Para as empresas seria ótimo, pois o lançamento de ações no mercado é a forma mais barata de captação de recursos viabilizando investimentos e contribuindo para o crescimento econômico.

      Abcs a todos, bom final e semana!

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  2. General,

    Na minha opinião acabou a margem pra cortar a selic, mesmo considerando os efeitos positivos do corte na tarifa de energia elétrica, aliviando a inflação, ainda assim o IPCA corre o risco de fechar 2013 acima dos 4,5%. Se com este crescimento pífio de 1,6% projetado para 2012 estamos conseguindo gerar uma inflação na casa de 5,3%, imagine com a aceleração do crescimento em torno de 3,5% projetado para 2013. Não é conveniente para o BC correr o risco de deixar a inflação escapar, reduzindo a selic mais do que deveria, para ter que entrar com uma dose mais pesada lá na frente. A economia seria prejudicada com o sobe e desce (alivia demais, aperta demais, gerando instabilidade e desconfiança) e perderíamos tempo para esperar o remédio fazer efeito. Mas como o BC perdeu um pouco da sua autonomia, não podemos duvidar de um novo corte na taxa selic semana que vem.

    Mesmo assim acho muito difícil a taxa de juros retornar aos valores do passado, ou mesmo voltar para casa dos dois dígitos. Taxa de juros de um dígito veio pra ficar, é parte de um longo processo de redução na selic que começou entre 1999 e 2000, com ajustes (aumentos) de curto prazo.

    Abcs, bom sábado!

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    1. FI, inflação é meio complicado. Relaxou, ferra de vez. Perde o respeito, né?

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    2. Eike Rico,

      Exato, com inflação não se brinca. É uma das bases para manter a economia dentro da estabilidade, por isso a importância da política de metas de inflação.

      Abcs, boa semana

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  3. FI

    Achei um video interessante explanando a causa da crise de 2008.
    http://vimeo.com/50210131

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    1. Este comentário foi removido pelo autor.

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    2. Bom vídeo. Parabéns e obrigado Mariko

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    3. Se for de fato, estamos todo com um pé na cova e outro numa casca de banana.

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    4. Mariko,

      Parece ser bom! Vou assistir.

      Abcs,

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    5. A velha briga entre a escola keynesiana e a escola austríaca. Este vídeo é bem focado em alguns pensamentos da escola austríaca, que ganhou força a partir da "ineficácia" de algumas medidas (defendidas pela escola keynesiana) adotadas pelos governos para solucionar a crise que estourou em 2008. Coloquei aspas na palavra ineficácia pois os mercados não reagiram da melhor forma possível a partir da expansão monetária, resgates e intervenções dos governos nas instituições, bem como na própria economia. Mas há de se concordar que estas medidas pelo menos evitaram uma catástrofe sem precedentes na economia mundial.

      Abcs, boa semana pessoal!

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  4. Olá Fi, exelentes abordagens, na matriz só falta acender o pavio, vamos ver após as eleições, estou pensando que o Obama vai perder pelo simples fato de ter sido eleito na esperança de tirar o país do abismo e ao que parece se brincar até piorou.
    Quanto ao Ibov se esta Lta já for perdida os comprados vão jogar a toalha.
    Ivan

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    1. Ivan,

      Está faltando um político nos Estados Unidos para colocar ordem na casa, impor respeito e ter uma atuação mais firme. Obama é muito fraco, além de não conseguir resolver os problemas econômicos do país, deixou o congresso se tornar um verdadeiro circo ano passado naquele episódio da elevação do teto da dívida americana. Mitt Romney ainda está perdendo pra Obama nas pesquisas, mas conseguiu se sair muito bem no primeiro debate.

      Abcs, bom domingo!

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  5. FI,

    Estava pensando na eleição de 2014.

    Se o governo deixar para aumentar a taxa de juros no final de 2013, provavelmente subiria até próximo da eleição de 2014. Isso não seria bom para a reeleição da Dilma.

    Você acredita numa mudança de discurso pós-eleição, aproveitando que o IPCA está subindo?

    Ou seja, sobe o juros no começo ou meio do ano de 2013 para derrubar já no final de 2013 ou começo 2014.

    Abraços,
    Sir Income

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    1. Sir Income,

      Bem observado. Acho que o discurso vai mudar depois das eleições pois o governo também não pode se arriscar demais. Um pequeno surto inflacionário poderia complicar a campanha para reeleição da Dilma. O primeiro passo será o encerramento da política de afrouxamento monetário, provavelmente a taxa selic deverá ficar estável por uns dois ou três trimestres. Mas se os juros subirem ano que vem, acredito que será apenas um ajuste do Banco Central (um ou dois aumentos de 0,50 p.p.) para manter o IPCA próximo de 5,00% em 2013.

      Abcs, boa semana

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  6. Esse infomoney... rs

    https://fbcdn-sphotos-g-a.akamaihd.net/hphotos-ak-snc6/223253_490464130978435_1738276414_n.jpg

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