segunda-feira, 1 de outubro de 2012

Um topo histórico batizado de abismo fiscal


A União Europeia confirmou hoje que irá fazer um alerta formalmente aos Estados Unidos sobre o perigo do “abismo fiscal” na próxima reunião do G7, a ser realizada no dia 11 de outubro em Tóquio. Esta expressão (abismo fiscal) é uma referência aos cortes de gastos públicos e elevações tributárias, no valor de quase 600 bilhões de dólares, que passam valer a partir de 2013 caso os parlamentares norte-americanos não tomem atitudes para impedir a implementação desta “medida automática”.

Os europeus estão preocupados e com razão. Os parlamentares americanos evitam tocar no assunto e estão totalmente focados na disputa eleitoral. Mas se os partidos não cederem e começarem a trabalhar logo, pode não haver tempo necessário para impedir que os Estados Unidos entrem neste abismo fiscal. O prazo final vai até dezembro deste ano.

O Congresso americano havia criado este prazo, em agosto de 2011, para conseguir fechar um acordo para elevação do teto da dívida federal e sair daquele impasse político (ou seria um circo político?) entre republicanos e democratas. O Escritório de Orçamento do Congresso disse que o cenário (abismo fiscal) poderia empurrar o país numa recessão.

Uma recessão nos Estados Unidos, provocada pela incompetência de seus parlamentares, agravaria ainda mais o cenário de retração na zona do euro (reduzindo exportações), aumentaria o pânico nos mercados, prejudicaria a liquidez no sistema financeiro (dificuldades de captação em dólar e restrição do crédito) e atingiria em cheio o mercado da dívida soberana (aversão ao risco provoca uma fuga aos ativos de segurança). Justamente os 3 principais problemas que afetam os mercados europeus.

A medida que os índices em Wall Street se aproximam de suas máximas históricas, os investidores norte-americanos começam a questionar se os mercados conseguirão sustentar esta pontuação com tantas incertezas pela frente. O abismo fiscal começa amedrontar o mercado, se os políticos norte-americanos não conseguirem evitar o pior, as bolsas de valores poderão reagir negativamente. O alto nível de pontuação no Dow Jones e S&P500 abrirá um espaço para uma queda vertiginosa nos preços dos ativos.

Rebecca Patterson, diretora de investimentos da Bessemer Trust, disse que “a grande maioria dos clientes com quem conversa está preocupada ou realmente assustada”. Já o estrategista de mercados globais da J.P. Morgan, Nikolaos Panigirtzoglou, disse que muitos fundos de hedge perderam a alta de junho. Estes fundos começaram a comprar ações depois do pico ocorrido em junho, correndo atrás do atraso.

Há uma quantidade considerável de investidores fora dos Estados Unidos que também estão comprados em ações do S&P500 e Dow Jones. "Os investidores internacionais vêm usando o mercado acionário americano como porto seguro", diz Lisa Shalett, diretora de investimentos do Merrill Lynch.

Se fizermos um somatório entre a preocupação dos investidores, fundos hedge (boa parte destes fundos operam alavancados) atolados em ativos com um certo atraso e concentração de investidores estrangeiros em Wall Street, teremos os ingredientes perfeitos para um pânico de baixa na bolsa de Nova York, estourando esta “bolha de liquidez”, caso os parlamentares americanos permitam que o país mergulhe no abismo fiscal. A boa notícia é que esta possibilidade, pelo menos por enquanto, é baixa em decorrência do prazo final que se encerra no mês de dezembro. Ainda dá tempo para trabalhar afim de se evitar o pior, o mercado só não pode ficar esperando as eleições presidenciais passarem.

Os mercados fecharam o pregão desta segunda-feira em alta repercutindo a melhora nos números da atividade industrial. O índice gerente de compras dos Estados Unidos avançou de 49,6 pontos em agosto para 51,5 pontos em setembro indicando expansão na atividade industrial. Na zona do euro este índice subiu de 45,1 para 46,1, ainda indicando contração na atividade, porém em ritmo menor ao observado no mês de agosto.

O índice JPMorgan Global Manufacturing PMI, que mede a atividade industrial no âmbito global, fechou o mês de setembro aos 48,9 pontos (pressionado pela China e Brasil principalmente) mostrando retração, porém em ritmo menor ao observado no mês anterior quando este índice atingiu os 48,1 pontos.

Atividade indistrial global PMI JP Morgan

O índice Dow Jones fechou o pregão em leve alta conseguindo se manter acima da linha central de bollinger. Ainda segue pressionado entre a resistência em 13.6k e suporte em 13.3k.

Gráfico do índice Dow Jones Estados Unidos
  

O índice Bovespa também fechou o pregão em leva alta tentando confirmar fundo na proximidade da média móvel simples de 200 períodos e patamar psicológico dos 60k. O problema é que desta vez o índice está sofrendo pressão vendedora nesta região, por estar abaixo, e não conseguiu manter os ganhos acumulados no início do pregão. Situação indefinida para amanhã, apesar dos indicativos de fundo de curto prazo, em decorrência desta briga importante na região da média móvel simples de 200 períodos.

Gráfico do índice Bovespa

9 comentários:

  1. Bom Dia Finanças,essa não Poderia deixar de Contar.Na Sexta com Aquela Queda Toda no Final da Tarde, Entrei em OGXP3 a R$ 6,21 e Consegui sair Ontem Mesmo no Sufoco.Moral da Hestoria,Descontando as OC e Tarifas,Consegui o Incrivel Lucro de R$ 2,00.Vou Questionar no Guinness o Recorde dos Piores Trades.kkkkkkkk
    Abraço,Bom Trades, não va quebrar minha Marca.rsr

    ResponderExcluir
    Respostas
    1. macr3,

      Putz, sufoco mesmo! Papel deu uma derrapada feia ontem. É por isso que eu não brinco com essa OGX, é muito perigosa. Antes daquele GAP gigantesco até gostava e operar nela, mas depois daquilo que aconteceu até parei de olhar o intraday dela rsrs.. Mas pelo menos você não saiu no prejuízo. Vou tentar não quebrar sua marca, mas não garanto nada hehe

      Abcs, bons trades

      Excluir
  2. FI,

    Saiu no infomoney: "Pimco: farra do "almoço grátis" acabou no mercado de ações do Brasil?
    Combinação de retornos atraentes em negócios e sustentabilidade de geração de caixa está cada vez mais desafiadora no País, diz gestora"

    http://www.infomoney.com.br/mercados/acoes-e-indices/noticia/2574651/Pimco-farra-almoco-gratis-acabou-mercado-acoes-Brasil

    ResponderExcluir
    Respostas
    1. Sir Income,

      Outro jornalista que parece não entender nem o que está escrevendo, ou então andou tomando umas pingas rsrs... Repare nestes trechos retirados da mesma matéria, porém em parágrafos diferentes:

      "Eles explicam que o juro baixo no Brasil não indica um cenário positivo para as ações."

      Um parágrafo depois...

      "À primeira vista, contudo, eles acreditam que o impacto da Selic baixa será positivo: os custos de capital irão cair, os valuations devem aumentar, o crescimento econômico acelerar e, sem dúvida, isso deve se traduzir em melhor crescimento de lucro para as empresas."

      Ao final de contas, é bom ou não é? kkkkk...

      A queda na taxa de juros é positiva para economia, mas há de se controlar a inflação. Além disso o autor da matéria caiu no "jogo da Pimco" levantando as dificuldades para o investidor manejar recursos na renda variável, apontando as intervenções do governo setor financeiro e de energia elétrica, que poderá reduzir a margem de lucro das empresas (com bastante espaço para serem reduzidas). Mas isso todo mundo já sabe. Se é pra ajudar o investidor manejar recursos na renda variável, porque utilizaram só duas linhas no último parágrafo do artigo (onde até aqui muita gente já deve ter desistido de ler o resto) para comentar sobre um dos melhores setores para investir no momento e nos últimos 3 anos? "Com uma lista cada vez mais apertadas de setores atraentes, a gestora lista o setor de consumo como uma boa opção em meio a esse cenário."

      Abcs, bons investimentos

      Excluir
  3. Ola Fi. Por gentileza analise a Cmig4. Ao meu ver vejo oportunidade de investmento no teste de sua lta de longo prazo. Obrigado.

    ResponderExcluir
    Respostas
    1. Olá Ivan,

      Pode ser sim uma boa oportunidade de investimento, papel caiu muito nas ultimas semanas (com razão), porém há aquela possibilidade do mercado ter exagerado um pouco. Tem uma boa linha de suporte na região dos 23,70. Mas como o governo ainda não definiu alguns pontos importantes sobre a redução nas tarifas de energia elétrica, não podemos avaliar se no preço atual o papel estaria caro ou barato, este é o maior risco no momento. Este tipo de papel eu prefiro dar mais ênfase nas linhas de suportes e resistência do que linhas de tendência. Acho mais eficiente.

      Abcs, bons negócios

      Excluir
    2. FI, eu nao entendo muito do mercado, mas estou procurando aprender sobre as empresas e concordo com voce. Nao da pra saber se esta caro ou barato ainda, pois o resultado real dessa revisao tarifaria ainda vai demorar para aparecer. Portanto, nao investirei em eletricas ate o primeiro resultado trimestral cheio com tarifas revisadas.

      Eu nao sei o que teria feito se tivesse por exemplo uns lotes de Cemig no meio do ano, mas todo mundo avisou que o mercado nao receberia bem a noticia da revisao. Talvez eu tivesse mantido e agora estaria reduzindo o PM, mas so passando por isso pra saber o que eu faria. Voce manteria na sua carteira as eletricas?

      Abracos e parabens pelo blog, sempre muito informativo.

      Excluir
    3. L,

      Correto. Na verdade essa novela de revisão tarifária vem desde o ano passado, mas o mercado praticamente ignorou estes aspectos importantes e os ativos do setor tiveram um ótimo desempenho em 2011, chamando atenção da massa do mercado. Criaram um ambiente de euforia e os players transferiram suas posições para a massa (alguém tinha que pagar a conta). São mestres nisso.

      Eu estou há quase 2 anos "bloqueado" para investir e operar no setor de energia elétrica. É uma regra puramente psicológica que eu criei para evitar de cair na tentação do mercado. Mas mesmo se eu fosse um investidor indisciplinado e tivesse desrespeitado minha própria regra, de forma alguma manteria as posições na minha carteira e não esperaria muito pra pular fora. "Quando o barco começar a afundar, não reze. Abandone-o", este é um dos meus axiomas preferidos.

      Um movimento de queda é duas vezes pior do que um movimento de alta, você perde muito mais segurando um papel na queda e ganha menos quando segura o papel na alta. Então pra quê segurar na queda? Veja por exemplo a CMIG4, que você citou. O papel ficou oscilando umas 3 semanas na casa dos 40,00. Quem pagou esse preço e resolveu segurar, perdeu quase 50% do capital. Agora pior do que perder 50% é ter que torcer pra subir praticamente 100% pro investimento ficar no 0 x 0. Esta situação praticamente obriga o investidor fazer outra bobagem, injetar mais dinheiro em um ativo em tendência de baixa. Ou seja, você já entra no papel perdendo dinheiro. Recurso que poderia ser alocado em outro ativo com boas condições de retorno do investimento. Preço médio funciona quando as perspectivas para o setor são boas e a taxa de crescimento do lucro líquido é boa. Se as perspectivas para o setor são ruins e o lucro líquido tende a diminuir, o investimento passa a se tornar uma aposta numa "virada de jogo" nas piores condições.

      Por estatística, a maioria dos ativos em tendência de queda dificilmente consegue retomar uma tendência de alta num curto período de tempo. E alguns jamais voltarão a atingir os preços negociados no passado. Faz parte do ambiente de negócio, dificilmente as empresas irão produzir "lucros eternos". Por isso, quando o negócio começa a desandar, é melhor pular fora.

      Abcs, bons investimentos

      Excluir