quinta-feira, 8 de novembro de 2012

Reduzir o déficit pra quê?


Nunca a expressão “preocupações com abismo fiscal” foi tão utilizada pela mídia, desastrada (ops, especializada) em cobrir o mercado financeiro, nos últimos dois dias. A forma como as matérias estão sendo vinculadas induz aos investidores acreditarem que os Estados Unidos podem realmente entrar no abismo fiscal.

Realmente, a Casa Branca, a Câmara e o Senado entraram em férias coletivas. Os políticos (pagos exatamente para trabalhar estas questões como o abismo fiscal) compraram passagens para o Havaí e só retornam ao trabalho em 2013. Ninguém vai fazer nada para evitar um desastre econômico e os Estados Unidos irão entrar em recessão a partir do primeiro trimestre do ano que vem.

Se você não acredita na hipótese ridícula do parágrafo anterior, também não deveria acreditar no que a mídia escreve em relação ao abismo fiscal e suas projeções de impacto econômico na ocorrência de tal evento, pois não há muita diferença no contexto abordado, foram apenas utilizadas outras palavras.

Conforme explicamos na análise de ontem, é praticamente certo que o abismo fiscal nos Estados Unidos seja evitado. Além disso, o mercado não está nem um pouco preocupado com o abismo fiscal, pois esta possibilidade já era de conhecimento geral desde o final de 2011, resultante de um acordo entre os partidos políticos para aprovação da elevação do limite de endividamento dos Estados Unidos.

O mercado, diga-se especulador profissional, está simplesmente aproveitando que o assunto veio à tona, juntamente com o bom momento técnico para abrir operações vendedoras e ganhar com a queda dos índices. Na verdade tudo começou no dia 23 de outubro, quando os principais índices de Wall Street perderam ponto de sustentação.

Também não faz sentido observar todo esse escândalo em torno do endividamento dos Estados Unidos. Para exemplificar melhor vou fazer uma pergunta simples ao amigo(a) leitor: Se você pudesse pegar um empréstimo de longo prazo no valor de 3 bilhões de dólares pagando juros quase zero, iria rejeitar ou aceitar? É dinheiro de graça. Pois é exatamente o que acontece com os Estados Unidos atualmente. O país toma emprestado do mercado (emite dívida) cerca de 3 bilhões de dólares por dia e paga os juros mais baixos da sua história.

Portanto não há necessidade alguma na redução da dívida do governo norte-americano no curto prazo. Ela precisa sim ser reduzida, mas gradativamente no médio/longo prazo. Isso significa que o governo pode optar por reduzir o orçamento lentamente, limitando o impacto do aperto fiscal na economia.

No momento, a redução da taxa de desemprego é mais importante do que a redução da dívida do governo federal. Por este motivo o FED (banco central norte-americano) resolveu vincular a expansão monetária com a taxa de desemprego atingindo diretamente o mercado imobiliário desaquecido (fonte importante na cadeia de criação de empregos). O banco central só irá interromper o quantitative easing 3 quando a economia voltar a criar empregos suficientes para a taxa ser reduzida consideravelmente.

Se a taxa de desemprego permanecer alta por um longo período (mais 3 ou 4 anos), boa parte destes trabalhadores desempregados estarão definitivamente fora do mercado de trabalho. Ou seja, os gastos do governo com benefícios sociais aumentariam de forma drástica, comprometendo boa parte do orçamento público.

Algumas críticas relacionadas à atuação do FED pecam nesta visão de planejamento de médio e longo prazo. O banco central e o governo federal estão trabalhando hoje para evitar, entre outros motivos, um desequilíbrio insustentável nas contas públicas daqui há 3 ou 4 anos.

Será que existe algum sentido em jogar fora todo este trabalho do banco central para permitir uma redução drástica e desnecessária no déficit de 2013 (abismo fiscal), aceitando tomar a pancada dura de uma recessão e ainda permitir a multiplicação do valor da conta a ser paga pela sociedade nos próximos 3 ou 4 anos? A resposta é tão lógica quanto a pergunta.

Nos pregões das principais bolsas de valores não aconteceu nada de novo. Os operadores estão seguindo a cartilha adotando posições vendidas, aproveitando-se do ambiente técnico e jornalístico favorável. O índice Dow Jones fechou mais um dia de queda, distanciando-se da média móvel simples de 200 períodos diária. Há uma expectativa de teste na próxima região de suporte dos 12.6k em alguns dias/semanas.


O índice Bovespa também caiu, mantendo a tendência de baixa no curtíssimo prazo. O índice também retornou para dentro da antiga LTB rompida, invalidando o rompimento. Por este motivo adotamos o traçado de uma nova LTB. A linha central de bollinger também foi perdida deixando o índice sem ponto de suporte até a região dos 56.6k.


8 comentários:

  1. FI, O dólar começa a esboçar os primeiros sinais de uma reação técnica de alta. Você acha que valeria a pena para o governo segurar esta reação para manter o câmbio amarrado como temos visto ultimamente? Isto poderia ficar muito caro você não acha?
    grande abraço

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    1. Anônimo,

      Não gosto desta estratégia de manter o câmbio amarrado. Não garantirá competitividade suficiente aos produtos brasileiros no mercado externo. Nossa indústria além de estar defasada sofre com o péssimo ambiente de negócios dentro do Brasil. Já custou caro levantar o câmbio até os 2,00, o Bano Central aumentou bastante suas reservas na época que a taxa selic estava perto dos 11%. Ou seja, emitimos uma dívida alta pra poder comprar dólar no mercado. Como já fizemos toda essa lambança no câmbio, acho que o Brasil deveria queimar parte de suas reservas quando o dólar se aproximar dos 2,10 e não deixar passar dos 2,20. Mas se houver uma fuga de capitais do Brasil ficará muito difícil manter este patamar juntamente com o movimento do dólar no mercado externo. Vamos queimar cartuchos demais correndo o risco de ficar com as reservas baixas.

      Não correríamos este problema hoje caso a cotação estivesse na casa dos 1,70. Mas já que levantaram artificialmente o câmbio, terão de segurá-lo artificialmente ao se aproximar dos 2,20. Câmbio muito alto não é muito bom para a economia, inflação, desenvolvimento, modernização do parque industrial sucateado brasileiro, etc.

      Abcs, bons investimentos

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  2. Contagem regressiva: 56, 55, 54... Traçe uma paralela à LTB e irás enxergar um canalzão de baixa com topos e fundos consecutivos.

    Não brigue com os ursos, seja amigo deles enquanto há tempo.

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    1. Hehe, já está na contagem regressiva? Sim, no curto prazo segue em tendência de baixa, topo formado em 63.4k.

      Não podemos brigar nem com os ursos, nem com os touros. Somos amigos de todos rss. Ambos os lados podem colaborar para o sucesso de nossas operações/estratégias.

      Abcs, bons trades

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  3. paulo baptista


    Eu concordo com o nosso amigo FI
    Esta correção tem os dia contados,para a proxima semana acredito vai virar touro furioso...So espero é que o ursinho faça o seu trabalho logo de uma vez,porque ai então vai por nossas cabeças confusas para encontrar a hora de entrar.

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    1. Paulo Baptista,

      Não sei se vira touro furioso, mas não vejo o porquê de tanto escândalo da mídia em relação ao abismo fiscal. Economia dos Estados Unidos vai caminhando lentamente, mas pelo menos está crescendo. Precisa agora gerar mais empregos. Mas no mercado de capitais a situação é outra. Dow Jones e S&P500 estão sem ponto relevante de sustentação. Entraram em uma tendência de baixa que pode se prolongar para os próximos meses, ou quem sabe para os próximos anos. Vamos monitorando.

      Abcs, bons negócios

      PS: Fiquei pensando hoje no VIX, subiu bastante desde aquele dia que nós comentamos sobre aquele produto que remunerava 2x o desempenho do VIX no S&P500.

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  4. Fui observar no grafico,mas o tal TVIX(VelocityShares Daily 2x VIX Short Term ETN) nao subiu assim tanto ta a a fazer uma banda lateralizada entre os 1,25 e 1,60.Mas aproveito para falar na apple que tem vindo a cair dos 700 US esta muito perto de um suporte importante 530.Se este titulo furar este suporte,(o que duvido muito que aconteça)mas ai nao sei ja começo a desconfiar que poderá haver algo ruim para acontecer...

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