sexta-feira, 30 de novembro de 2012

Uma piada que se tornou vexame


O IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística) divulgou hoje que a economia brasileira cresceu apenas 0,6% no terceiro trimestre deste ano em relação ao trimestre anterior. O resultado foi decepcionante e veio abaixo do esperado pelo governo e pelo mercado (esperava-se um número em torno de 1,2%).

Com este resultado abaixo do esperado no terceiro trimestre, o mercado irá refazer suas projeções para o fechamento do PIB de 2014. Ao que tudo indica, o nosso crescimento deverá fechar o ano ao redor de míseros 1%.

O resultado deste ano será pior do que o registrado no ano passado (expansão de 2,7%), já considerado baixo para os padrões brasileiros ou de países enquadrados na categoria emergente. A economia brasileira é a maior prova da total falta de planejamento e visão de mercado do governo. A previsão inicial do ministro da Fazenda para o crescimento deste ano era de 4,5%. Mas com os dados decepcionantes corriqueiros dos últimos trimestres a estimativa foi caindo gradualmente. Chegou a ser reduzida para 3% em agosto e depois para 2% em setembro.

Outro reflexo deste total despreparo e excesso de arrogância (típico de políticas populistas) foi o episódio lamentável envolvendo o ministro Mantega e a equipe de economistas do banco Credit Suisse. Em junho deste ano o banco suíço reduziu de 2% para 1,5% sua projeção de crescimento para economia brasileira.

Além da previsão considerada pessimista na época, o banco divulgou um relatório explicando que a redução drástica no ritmo de investimentos (de míseros 4,7% em 2011 para insignificantes 0,3% em 2012) e esgotamento no consumo das famílias (por consequência impacta o setor de serviços) foram os motivos que levaram a tal redução nas projeções de crescimento.

Ao invés de ler o relatório com cuidado, pois são exatamente estes pontos que prejudicaram o crescimento no terceiro trimestre, o ministro Mantega criticou duramente as projeções do Credit Suisse. “’É uma piada. Vai ser muito mais do que isso”, disse Mantega. Nesta época o ministro enchia o peito para dizer que iríamos crescer 4% este ano (redução de 0,5% da projeção inicial).

O ministro do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior (Fernando Pimentel) fez coro às declarações de Mantega dizendo que “a visão que os europeus têm é necessariamente negativa influenciada pelo clima por lá” e ainda completou afirmando que “os brasileiros têm razoes para estarem mais otimistas diante do dinamismo da economia do país”.

O que será que os senhores ministros tem a dizer neste momento? Mesmo com uma visão negativa, porque será que alguns países na Europa, no auge da crise financeira, conseguem crescer mais do que o Brasil? Onde está o dinamismo da economia brasileira para superar a crise financeira internacional? Nas montadoras de automóveis?

Ou mesmo se o governo avaliava que um crescimento de 1,5% era uma verdadeira piada (e realmente é), o que será que o senhor ministro teria a dizer diante de uma expansão inferior aos 1,5% em 2012? Obviamente esta avaliação deveria ocupar um degrau inferior ao nível de piada. Eis uma boa sugestão para o nosso “novo PIB”: um verdadeiro vexame!

Um vexame na gestão dos recursos públicos, um vexame de falta de planejamento e visão de mercado, um vexame de medidas e mais medidas adotadas nos últimos anos, o vexame da infraestrutura brasileira, da carga tributária, da burocracia, da educação, da relação com o mercado externo. Senhores, quando é que vamos arregaçar as magas para trabalhar na resolução dos problemas estruturais brasileiros?

Culpar a crise externa é tapar os olhos para os gargalos da economia brasileira que irão barrar o nosso crescimento, ou impedir uma sequencia de expansão sustentável, até o momento em que alguém decida se comprometer com os verdadeiros interesses da nação. Se não sabemos por onde começar, vamos aprender com os nossos vizinhos Chile, Peru ou México, países que estão dando uma “senhora aula” de crescimento sustentando, mesmo sendo afetados pela crise financeira internacional.

No mercado de capitais tivemos uma semana bem volátil nas principais bolsas mundiais, fato que resultou em alguns fechamentos distintos entre mercados de mesmo segmento.

Nos Estados Unidos o índice Dow Jones fechou a semana com um candle que lembra um enforcado (costuma aparecer em regiões de topo), mas a formação de pavio superior desconfigurou um pouco a relevância do candle. A formação de pavio longo inferior revela, de certa forma, a relutância do mercado em voltar a cair. Mas deve-se destacar que nesta semana os índices foram duramente afetados pelas notícias vinculadas ao abismo fiscal.

Dow Jones

No principal mercado europeu, o índice DAX fechou a semana em forte alta, iniciando rompimento da LTB que vem do topo histórico. Caso seja confirmado este movimento na próxima semana, o índice caminhará para testar a próxima resistência nos 7.6k (última barreira forte antes do topo histórico).

DAX

Na China a bolsa de Xangai perdeu a principal linha de suporte de curto e médio prazo aumentando a gravidade da tendência de baixa de médio e longo prazo. A perda da região psicológica dos 2k acelera o caminho para o índice buscar as mínimas do crash de 2008. Próximo suporte encontra-se na região de 1.8k.

Bolsa de Xangai

No Brasil o índice Bovespa fechou a semana com um doji de tamanho relevante bem abaixo da linha central de bollinger. Segue espremido entre a LTA formada a partir do fundo de 2008 e a região dos 58k. Até o momento o gráfico mostra uma boa reação da força compradora sempre quando ocorre teste sobre a referida LTA, mas esta reação não está sendo suficiente para alavancar uma pernada de alta mais consistente.

Ibovespa

Caso a linha central de bollinger seja superada, o índice poderá engatar uma boa arrancada rumo aos 60k e “pagar” o rally de natal que ficou devendo aos investidores nos últimos anos.


41 comentários:

  1. FI,

    O governo tem o dedo de Midas ao contrário: tudo que toca vira merda!

    Após pressão por queda dos juros, resultado de bancos prejudica PIB

    g1.globo.com/economia/noticia/2012/11/apos-pressao-por-queda-dos-juros-resultado-de-bancos-prejudica-pib.html

    E o dólar já está nos R$ 2,13. Esse governo dá bolsa família, bolsa BNDES e bolsa dólar. É o que sabe fazer.

    Abraços,
    Sir Income

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    1. Olá, O PT tem projeto de poder, ano que vem começa a compra de votos descarada aqui no nordeste, é uma vergonha!!
      FI, vejo vç meio otimista para este fim de ano, más pra mim com essa retirada dos gringos acho meio difícil, com esse gráfico meio complexo temos de chamar "mãe Diná"....rsrsrs
      Viu ai a Elet6 na mão de insiders, acho que hoje venderam tudo e os minoritários ficaram órfãos em muito breve, literalmente sem para-quedas;
      Semana que vem meu radar é a Petro, a cúpula da empresa vão fazer de tudo para não perder o fundo triplo, Elpl4 continua acumulando para provável derrocada até a região dos R$ 10,xx;
      As siderúrgicas estão na onda de perspectivas positivas para o ano que vem, pura manobra pois sabemos que 2013 será muito ruim aqui no Brasil, o Pib raquítico ainda continuará pois o aumento da renda está sendo dilapidada pela inflação que não para de subir;
      Bom final de semana à todos vçs!!
      Ivan
      Ivan

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    2. Sir Income,

      É impressionante, parece que o governo toma as medidas sem saber avaliar as consequências/impactos. A idéia por si só é muito boa, o spread bancário precisava (e ainda precisa) ser reduzido. Mas na hora de colocar a idéia em prática começa o show de horror, um erro atrás do outro.

      Não duvido nada que agora irão jogar o dólar pra 2,20 ou até mesmo 2,30. E mais uma vez não irá resolver o problema da indústria.

      Abcs, bom final e semana!

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    3. Ivan,

      Que nada rsrs.. Tento não ser otimista, nem pessimista. Dezembro pode ser bull ou bear, por mim tanto faz, o importante é que apareçam boas oportunidades de trade para nós. Mas esse fundo nos 55k ficou bonito, com bear trap rápido na LTA de 2008. Se romper esta linha central de bollinger acho que podemos chegar lá nos 60k. Você tocou num ponto importante, a inflação está corroendo o aumento de renda da população. E pior, estamos conseguindo fabricar inflação com esse PIB raquítico. Política econômica do governo precisa ser refeita.

      Abcs, bom sábado!

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    4. Com relação à Petro a observação do Ivan é boa. No caso de perda do fundo triplo a projeção de queda seria de 60,5% em PETR4 e 76,4% em PETR3. Para quem já esta agonizando isto é pá de cal. Assim, é bem possível haver ali um repique razoável

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    5. Verdade.

      Eu vou ficar de olho nela pra ver se encaixa um trade nesse suporte. Vamos ver.

      Abcs, bom descanso!

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    6. Sintetizando o quê foi postado por todos:

      "Desde 2002, com o boom das comodities, nossa economia subia a ventos pujantes; com a queda, devido a crise mundial, está sendo penalizada, normal; o problema é que não fizemos as reformas necessárias para, em caso de crise, sairmos dela mais forte....o seja essa crise um dia passará, e nós, como sempre, estaremos na rabeira do mundo, pois não fizemos, nem o básico, e pelo visto, não faremos"

      Refletindo:
      "Como um país com a maior carga tributária do mundo, e a maior concentração de renda do mundo, pode ir prá frente"
      Se alguém tiver a resposta, posta ai prá nós!

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    7. Anônimo,

      Perfeito. Sobre a pergunta, acho que nem um milagre caberia à resposta.

      Abcs, boa semana

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  2. Eu falei que isso iria acontecer; podem conferir. Sei que é um comentário pedante - e até peço desculpas por isso -, mas não tenho como deixar de fazê-lo.

    Falei e continuo falando: a economia brasileira entrou em processo de desaceleração e minha única dúvida é se entraremos em uma crise aguda e de menor duração ou se teremos longos anos de baixo crescimento.

    Estruturalmente (digo saúde, educação, infraestrutura, serviços públicos, etc...), nada, absolutamente nada, mudou no Brasil desde 2003. Estamos "retornando à média", estamos voltando a ser o que sempre fomos, estamos acordando de um sonho em que acreditávamos que havíamos mudado de patamar. É uma pena.

    Bom, voltando ao tema PIB, creio que o do quarto tri de 2012 deve melhorar por conta das compras de final de ano, das contratações de natal, etc..., mas, do segundo tri de 2013 para frente, podem se preparar.

    Detalhe: o desemprego ainda nem começou a aumentar.

    Falando em desemprego, só para lembrar outro "pequeno" detalhe de um dos setores da moda: o pico de entrega de imóveis comerciais e residenciais será em 2013, sendo que as construtoras, percebendo o arrefecimento da demanda e o início do esvaziamento da bolha especulativa, estão diminuindo drasticamente os lançamentos de novos empreendimentos.

    Então, fica a pergunta: para onde vai toda essa mão-de-obra, em sua grande maioria desqualificada? Não me venham dizer que ela será deslocada para as grandes obras de infraestrutura recentemente prometidas pelo governo, pois, em primeiro lugar, não há como tais obras absorverem esse contingente de trabalhadores e, em segundo lugar, até as concessões serem ultimadas e essas grandes obras começarem, muito, mas muito tempo irá se passar.

    Vejam: só estou falando da construção civil. E os demais setores?

    Bom, vou ficando por aqui e desde já peço desculpas a todos pelo tamanho do texto.

    abço a todos

    Henrique

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    1. Henrique, pra mim vc falou tudo agora, estamos acordando de um sonho que começou em 2003, e se vc parar pra pensar realmente o que mudou de verdade no Brasil daquela época? acho que nada que seja significante que poderia melhorar o rumo do Brasil.Infelizmente somos a periferia do mundo e parece que não vamos mudar tão cedo assim. Pra fechar com chave de ouro o Brasil nem deveria ser da BRIC, acho que tem outros emergentes mais qualificados pra tal, isso pra mim parece mais progaganda com algum outro motivo que eu desconheço.
      IvanC.

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    2. Henrique,

      É verdade. Pelo contrário, você deve inclusive participar mais. Concordo, no quatro trimestre vamos ter uma puxada no consumo (que não significará retomada de crescimento), mas mesmo assim não conseguirá mudar muita coisa no resultado acumulado de 2012, que deverá ficar abaixo de 1,5%. Acho que a tendencia é esta mesmo, redução no número de lançamentos e ainda prorrogação máxima da entrega das chaves, para tentarem manter a demanda aquecida. Mas concordo que, no geral, os níveis de preços atingiram um pico. Não acho que exista uma bolha, mas concordo que podem aparecer correções nos preços de alguns imóveis super valorizados. Acho que o grande problema não vai ser o remanejamento desta mão de obra, pois falta mão de obra (boa e barata) em alguns setores, mas sim a desqualificação da mesma. Este é outro problema estrutural que reduz a competitividade das empresas brasileiras. Pagar caro por isso (salário), capacitar sua mão de obra (demanda tempo e dinheiro) e ainda aceitar o alto giro de funcionários devido ao aquecimento do mercado de trabalho da mão de obra base.

      Abcs, bom sábado!

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    3. IvanC,

      O Brasil talvez seja hoje a maior decepção entre as economias emergentes. Temos recursos disponíveis para agregar valor aos nossos produtos, necessidades (e oportunidades) de investimentos em diversos setores, inclusive na infraestrutura precária (atrai investidores externos), população com espírito empreendedor, etc. Poderia citar uma lista longa de motivos para crescermos de forma constante e sustentada. Mas de nada adianta termos os recursos se não sabemos administrá-los. Se o governo não fizer sua parte vamos continuar sendo a mesma decepção de sempre.

      Abcs, bom final de semana!

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  3. Não mudou merda nenhuma como os amigos falaram. Foi um boom externo que enriqueceu a população que consumiu a rodo. Agora esgotou-se esse modelo e continua a mesma merda, cagar tributária, burocracia e infraestrutura lixo. Nossas comoditties não dão conta mais do crescimento devido o clima lá fora.

    Estamos voltando a mesma merda de sempre.

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    1. Pobretao,

      Não soubemos aproveitar o boom das commodities na década passada. Agora o ciclo já passou, o preço das commodities atingiram pico em fevereiro de 2011 e desde então trabalham movimento de correção da pernada de alta (boom) que começou em 2002-2003. Para se ter uma idéia, neste período a pontuação das commodities saíram de uma mínima em 203,00 para uma máxima em 1.130,00.

      Abcs, bom sábado!

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  4. FI,

    Nunca te vi tão puto quanto nesse post hehe.

    Não esquenta não, governos vão e vêm, o lance é aproveitar os bons e se proteger dos ruins.

    Abs,

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    1. Fala meu caro!

      Hehe que nada. Só adotei uma crítica um pouco mais dura pois governo está precisando rsrs... O problema é que os efeitos de um governo considerado ruim são piores e mais prolongados do que os efeitos de um governo considerado bom. Mas vamo que vamo, aproveitando as oportunidades na medida do possível.

      Abcs, bom descanso

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  5. Infelizmente, o Brasil tem fases boas e fases ruins e solamente isso.
    Como o colega citou acima, o que mudou desde 2002? e desde 1900 ou 1500?
    Eterna país do futuro que nunca chega.

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    1. Andre,

      O "futuro" estava vindo pra cá, mas aterrizou no Chile..

      Abcs, bom final de semana!

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    2. Essa da terrisagem do futuro foi ótima. Mas o pior é que foi lá que aterrizou mesmo. kkkkkkkkkkkk

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    3. Anônimo,

      E ainda deram tchauzinho pra gente lá do avião rsrs..

      Abcs, bom descanso

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  6. kkkkkkk,Calma Finanças.Este Mantega é 171 ta Levando um Dinheiro.Tudo Perdido neste PT,Enquanto Existir a Massa Ignorante deste Pais que Vive as Custas de Bolsa e Etc.
    Os Expertos Sobrevivem.
    Financas esta Semana dei um Tiro Bom na Gafisa,Lembra já Valeu + de R$ 17,00.Isto é Bolsa,Coitada da Petrobras com este Governo.
    Grande Abraço,Olha o Coração.rsr

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    1. macr3,

      kkkkkk... muito difícil eu ficar nervoso com qualquer coisa, tá tudo tranquilo! O post foi apenas uma crítica mesmo. Tinha até esquecido dessa Gafisa, não estava no meu radar, estou vendo aqui no gráfico deu uma bela puxada na quinta. Parabéns pelo trade! É isso aí, agora é torrar o lucro no final de semana rsrs..

      Abcs,

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  7. Caro Finanças Inteligentes,

    O îndicador que utilizo para medir o comportamento da economia é o ibovespa.

    De maneira prática se a economia vai bem o ibovespa vai bem e o inverso é verdadeiro.

    Chegamos ao topo em 2008 e desmontamos em 2008, recuperamos em 2009 e estamos na mesma pontuação de 2007.

    A partir da interferência na petrobrás com a capitalização a interferência governamental apareceu e posteriormente só aumentou.

    Interferência na vale, nos bancos, nas telefônicas, no setor elétrico e etc.

    Se um setor apresenta um resultado considerado elevado como o bancário ou as elétricas lemos declarações que o lucro é excessivo.

    Bem se o objetivo é reduzir o lucro como a economia vai crescer?

    Tem sido extremamente difícil investir no mercado acionário. Uma empresa rentável de uma hora para outra vira a pior alternativa e você não tem tempo ou alternativa para reduzir o prejuízo. Portanto não é surpresa nenhuma a atual conjuntura. Só estamos colhendo aquilo que não plantamos.

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    1. Olá Anônimo,

      Só discordo quanto ao indicador para medir o comportamento da economia (o índice sofre outros tipos de variações/interferências que não são, necessariamente, econômicas. O índice da bolsa de Xangai é um bom exemplo disso), mas quanto ao resto do seu comentário eu concordo plenamente com você.

      A interferência do estado tem prejudicado bastante várias empresas do índice. Está certo que alguns setores operavam no céu de brigadeiro apresentando resultados extraordinários. Mas pode ter certeza que esta redução na lucratividade (desde que de forma racional, evitando radicalismos como alguns casos de empresas que dificilmente terão um lucro minimamente satisfatório para manter o negócio em crescimento) de alguns setores não será entrave para o crescimento, pelo contrário pode agregar competitividade na economia.

      Boa parte desta dificuldade de investimentos no mercado acionário vêm das intervenções do governo na economia. Mercado de ações se tornou um "campo minado" para o investidor, pois não se sabe onde o governo irá atacar. Isso gera incerteza e sabemos que os estrangeiros odeiam isso. E sem o capital dos estrangeiros não vamos a lugar algum. A solução que eu encontrei (e acho que devo continuar assim por um bom tempo) é manter apenas operações de curto prazo na bolsa e formar carteira em renda variável apenas nas quedas fortes do mercado. Na verdade não foi o governo que me motivou utilizar esta estratégia, pois tenho adotado esta postura desde o final de 2009, foi o próprio mercado.

      Abcs, bons investimentos

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    2. FI, vc citou Xangai que não segue a economia do país, isso vale para o Nikkei também?
      abraços
      IvanC

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    3. FI, A sua estratégia é exatamente a mesma que também tenho adotado. Entretanto, observo que mesmo nas quedas fortes do mercado a formação de carteira ainda carrega uma forte dose de insegurança devido as constantes intervenções do governo na economia. Assim, conservo apenas a primeira parte da estraégia (trades de curto prazo e com cuidado).
      Abraços e bom fim de semana.

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    4. IvanC,

      Boa pergunta, pois a economia japonesa é deflacionada. Então é de se esperar que, no geral, os produtos de investimentos no mercado financeiro mantenham uma rentabilidade nula ou levemente negativa. Se por ventura o Nikkei disparar pra cima, seria uma verdadeira fábrica de dinheiro, muita gente ficaria rica no Japão. Mas por outro lado a queda brusca no gráfico não reflete o desempenho da economia japonesa. Mesmo com a deflação as empresas manteram suas atividades no país, a taxa de desemprego não subiu muito (a ponto de chegar num nível alarmante) e o Japão continuou ocupando o grupo das maiores economias do planeta. Portanto a minha resposta é sim.

      Abcs, bom sábado

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    5. Anônimo,

      Legal, temos estratégias parecidas. Concordo totalmente. Mas é neste ponto que entra o fator psicológico. As circunstancias nunca serão favoráveis para comprarmos nas quedas fortes do mercado e o nosso pessimismo (medo) tende a aumentar cada vez mais. Por isso é importante estarmos preparados (talvez a palavra certa seria "adestrados") para agirmos com racionalidade nos momentos que o nosso psicológico joga contra. E para isso acho que precisamos de uma estratégia exclusiva para os momentos de crash do mercado. Estas intervenções do governo não podem se prolongar por muito tempo, a economia já está chiando e as críticas começam a pesar. Uma hora terão que mudar a forma de conduzir a política.

      Abcs,

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    6. Interferência nos Bancos para reduzir um pouco as taxas de juros mais altas do mundo

      Interferência nas Elétricas para reduzir um pouco a energia elétrica mais cara do mundo

      Interferência na Petrobras para garantir uma alta na gasolina, e segurar a inflação

      Os investidores dos "dividendos fáceis" choram, mas a economia brasileira e o setor privado agradecem

      Adotar o Estado Mínimo não é o caminho.

      Temos que escolher governantes que não partidarizem a máquina pública, como PT/PSDB/DEM/PMDB/PSD, etc.

      A culpa da nossa desgraça é NOSSA.

      Em 2012, 70% dos eleitores solicitaram a manutenção da dupla PT/PSDB. E o resultado não poderia ser outro.

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    7. Interferência na Petrobras para EVITAR uma alta na gasolina, e segurar a inflação

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    8. Caro Finanças inteligentes,

      Peço licença para discordar. Quando mencionei que uso o ibovespa para indicar a situação da economia é que na minha humilde opinião e para uso próprio é um indicador que me possibilita ver que há algo de podre no reino das jabuticabas. Os resultados do ibovespa em 2011 e até agora em 2012 foram ruins e representaram o que ocorreu. Se pegarmos os principais setores, tirando os de consumo, não veremos bons resultados.

      Nem o ibc-br apresentou a situação indicada pelo ibge. Agora informar que não pensavam que o setor de serviços não cresceria depois de tanta pancada no setor financeiro é estranho.

      Atenciosamente,

      anonimo investidor

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    9. No livro do Jeremy Siegel, ele demonstra que quando o PIB do país é alto, o retorno das ações é baixo...

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    10. Saulo,

      Infelizmente parece que o partidarismo tomou conta do país dentro e fora da política. Um exemplo disso são alguns economias que defendem um ideal político, fugindo da ética, imparcialidade e da própria profissão.

      Abcs, boa semana!

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    11. Anônimo investidor,

      Boa observação. Realmente é muito estranho o ICB-Br, com tantas informações precisas do BC, não ter considerado a projeção de queda no setor de serviços. Depois que saiu o resultado é muito fácil dizer isso, mas estava mais do que óbvio que o setor de serviços iria sentir o impacto das medidas do governo. Esse não é um tipo de erro que o Banco Central costuma cometer. É por essas e outras que suspeitamos da influência excessiva do governo dentro da instituição, o BC emitiu dados extremamente otimistas curiosamente próximo do período eleitoral.

      Abcs,

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    12. dimarcinho,

      O Goldman Sachs também soltou um estudo parecido no âmbito global mostrando este descompasso entre PIB x mercado acionário. Segundo este estudo a variável com maior poder de influência no desempenho das ações é a taxa de juros. Mas é claro, longe de ser uma regra (esta última frase já é por minha conta).

      Abcs, boa semana

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  8. Excelente texto, FI!

    Brasil como sempre, não fazendo a lição de casa. Deixamos passar de aproveitar os tempos de bonança e agora o governo fortemente populista (acho q pior q no Lula), botando pra f**** na Bolsa.

    Senhor Guido Mantega está fazendo m*** atrás de m***.

    Antes achava q o governo via essas coisas, mas não estava nem aí, acreditando num ideal populista mesmo.

    Hj já me pergunto se é incompetência mesmo...

    []s!

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    1. Opa!

      Valeu! Infelizmente a nossa capacidade de gestão é sofrível. Ingerência administrativa e financeira, não tem como gerar resultados diferentes do que estamos vendo. O Brasil é um ótimo país para investimentos, principalmente na área de infraestrutura. Mas ao invés de melhorar as condições de negócio para que os investidores pisem aqui dentro, nós fechamos o nosso mercado pro cenário externo, não temos um crescimento estável, mudamos a regra do jogo a todo momento, criamos um ambiente de incerteza, e por aí vai.

      Abcs,

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  9. FI,
    o Governo tenta adivinhar, e como qualquer tentativa de prever o futuro é furada o Governo errou, e feio.
    Não preciso falar das políticas erradas, pois você já as listou no texto.
    O Governo brasileiro é uma piada, e nosso crescimento econômico é coerente com a postura do nosso Governo.

    Abraço!

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    1. Jônatas,

      Erraram feio em todos os sentidos. Nas projeções, na gestão, no planejamento. Vamos ver se com este banho de água fria o governo muda sua postura.

      Abcs, bons investimentos

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  10. The Truth About the B in BRIC

    http://www.youtube.com/watch?feature=player_embedded&v=ukewr16HFAw

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