terça-feira, 4 de dezembro de 2012

A promessa não será cumprida

O secretário-executivo do Ministério de Minas e Energia, Márcio Zimmermann, disse hoje que o governo projeta uma redução de 16,7% nas tarifas de energia elétrica a partir de 2013 (esta conta leva em consideração que 100% das concessões de transmissão com vencimento entre 2015 e 2017 serão renovadas e 60% das de geração).

O governo prometeu no período de campanha eleitoral deste ano que a conta de luz seria reduzida, a partir de janeiro de 2013, em aproximadamente 20% para pessoas físicas e jurídicas. Mas faltando um mês para que a promessa seja cumprida, o próprio governo já mostrou, novamente, sua incapacidade de executar aquilo que propõe. A forma como o programa está sendo conduzido só poderia resultar no fracasso da promessa.

Este é apenas mais um exemplo recente que evidencia a incapacidade de gestão e planejamento do governo. Ao invés de assumir o erro, em prometer algo que não pode, Zimmermann culpou a Cesp, Cemig e Copel por não optarem (sendo que este era um direito das empresas e não uma obrigação) em prorrogar os contratos de geração de algumas de suas hidrelétricas.

Curiosamente Cesp, Cemig e Copel são companhias estatais administradas pelos estados de São Paulo, Minas Gerais e Paraná (respectivamente), todos governados pelo PSDB. Portanto, dentro deste processo de reajuste nas tarifas de energia elétrica, pode estar havendo uma dura queda de braço entre PT e PSDB.

Ainda no cenário doméstico, o governo federal anunciou hoje um pacote de medidas para o setor de construção civil. Haverá desoneração na folha de pagamento que será substituída por uma cobrança de 2% sobre o faturamento. Além disso, o governo estará disponibilizando uma linha de crédito, no valor total de 2 bilhões de reais, para capital de giro com taxa de 0,94% ao mês.

Apesar dos incentivos, o setor de construção civil deverá crescer cerca de 4% ao ano este ano. Nada mal para uma economia que patina em torno de 1% ao ano. O mercado de trabalho neste setor segue extremamente aquecido e as construtoras sofrem com a mão de obra escassa, cara e desqualificada. Será que este segmento está realmente precisando de incentivos?

No cenário externo, o presidente dos Estados Unidos disse (em referência ao abismo fiscal) que um acordo orçamentário completo não será feito em apenas duas semanas e que a proposta inicial dos republicamos “não funciona e está desequilibrada”. Jogo normal, como qualquer negociação do tipo, entra-se com muito no início, criando uma espécie de margem para cortes/recusa, até que se chegue em um acordo entre ambas as partes.

O índice Dow Jones fechou o pregão em leve baixa nesta terça-feira realizando teste sobre a LTA de curto prazo formada a partir do fundo em 55.1k. Nos próximos pregões teremos indicação da próxima pernada com o rompimento para cima da linha psicológica em 13k, ou perda da LTA de curto prazo.

Principal índice acionário do mercado de Nova York
  
Já o índice Bovespa fechou em baixa revelando aumento considerável de força vendedora na linha dos 58.2k. O giro financeiro do pregão foi de 9,5 bilhões de reais (bem acima da média diária). Com esta queda o Ibovespa voltou a encostar na LTB rompida ontem. Se o índice voltar para dentro desta linha (bull trap), o movimento de queda poderá ganhar força nos próximos pregões.

Principal índice do mercado brasileiro de ações

7 comentários:

  1. Respostas
    1. dimarcinho,

      Sim e ainda não acabou. Acho que essa briga vai parar na justiça.

      Abcs, bons investimentos

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  2. Sou fã do site. Por isso, essa é uma crítica construtiva. Repare na seguinte construção:

    "Um acordo completo não será feito em apenas duas semanas e que a proposta inicial do governo não funciona e está desequilibrada. Jogo normal, como qualquer negociação do tipo, entra-se com muito no início, criando uma espécie de margem para cortes/recusa, até que se chegue em um acordo entre ambas as partes".

    O texto acima foi escrito para descrever a relação do partido republicano e do partido democrata. MAS serve em gênero/número/grau para caracterizar a disputa entre PT e PSDB em torno da queda do preço da energia elétrica. A politização do tema é o elemento inerente desse tipo de negociação envolvendo concessão pública.

    Do ponto de vista político, o governo foi extremamente hábil nessa negociação. Desde o princípio, ele sabia que o PSDB ia recusar. Isso lançou o oponente CONTRA o empresariado (vale lembrar que eles são os grandes patrocinadores das campanhas eleitorais). Lucrou politicamente porque prejudicou o adversário e vai lucrar do ponto de vista eleitoral ao CUMPRIR A PROMESSA. Essa foi a grande sacada da história: se o governo tirar PIS/Cofins da tributação (coisa que ele poderia ter feito de princípio) a queda na conta chegará ao valor mágico desejado.

    Não concordo com a estratégia. Sou acionista de empresas do setor. MAS RECONHEÇO: o governo jogou xadrez ciente de todos os movimentos possíveis aos adversários. Xeque-mate. Pra nós acionistas, inclusive.

    Abraços,
    TR

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  3. TR,

    Bem observado. Me pegou no xeque-mate também pois não reparei nesta tacada do governo rsrs. Mas você não acha que foram arrojados/arriscado demais? Este caso quase que seguramente vai parar na justiça. E se o governo realmente cortar PIS/Cofins como ficará o superávit primário de 2013? Tributação nova para nós ou redução de gastos?

    Abcs, parabéns pela sacada!

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  4. FI, Dilma reafirmou nesta quinta o compromisso de cumprir a meta de 20% de desconto na energia, apesar dos estados governados pelo PSDB: “Tivemos não colaboradores nessa missão. Quando se tem não colaboradores, eles deixam no seu rastro uma falta de recursos. Essa falta de recursos vai ser bancada pelo governo federal, pelo Tesouro do governo federal”. A viúva vai pagar a conta. Tava na cara.

    Não sei se você vai ter tempo pra ler isso, mas enfim:

    Desde que comecei a investir na bolsa, descobri que não existe risco demais. Existe risco calculado. O governo sabia o tamanho do risco que corria. Presidente sério nenhum no mundo iria em rede nacional prometer uma coisa pra não cumprir 2 meses depois. Seria um prato cheio para a oposição. Tenho certeza que ela sabia o que estava fazendo.

    Corte de PIS/Cofins é UMA alternativa. É a mais simples e viável porque mexe em um tributo que o governo já prometeu reformar em 2013. Por outro lado, reduzir PIS/Cofins não agrada muito o setor industrial que já abate o imposto com outros benefícios. Seria como um 0 a 0 fora de casa. Empate fora de casa é até bom, mas não ajuda muito. Melhor seria ganhar. Por isso, devemos ficar de olho em COMO o governo pretende chegar nos 20%. Se for ônus do Tesouro a dívida vai ser socializada. Se for queda de imposto vai ser mais focada. Enfim...

    Tenho notado, não sou especialista, uma polarização no campo da Economia. Você tem de um lado europeus com a tese da "destruição criativa" e de outro os americanos com o governo agindo não só como "emprestador de última instância", mas também como "investidor de última instância". É um passo além do que deveria ter sido feito em 1929.

    Uma das consequências práticas dessa polarização é o tratamento dado ao déficit/superávit fiscal. O Brasil parece mais próximo da ideia de reduzir o superávit para alcançar algum crescimento. Particularmente concordo com o ponto de vista. Foi a expansão do mercado consumidor em 2009 que deu razão ao Lula e a marolinha. Concordo que esse é um modelo esgotado. O governo já sabe disso e está abrindo ferrovias/estradas e agora portos para a iniciativa privada. Vai funcionar? Não sei. Sei que é o caminho certo.

    Abraços,
    TR

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  5. Obrigado TR,

    Parabéns, cantou a pedra!

    Abcs, bons investimentos

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  6. FI, quem agradece sou eu. Primeiro pelo elogio, fico lisonjeado. Depois porque você é muito perspicaz nas suas análises. Compartilha-las conosco é sempre um ato de bondade seu. Obrigado.

    Abraços,
    TR

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