quinta-feira, 20 de dezembro de 2012

Fechamento das bolsas


Devido ao tempo limitado, a análise de hoje ficará um pouco comprometida. O dia no mercado foi positivo, abrimos o pregão com entrada de operações vendedoras, responsáveis por jogar o Ibovespa aos 60.5k. Porém o movimento não se sustentou, mostrando que o mercado ainda é bull mesmo se aproximando dos níveis elevados de sobrecompra.

Nos Estados Unidos o presidente da Câmara, John Boehner, afirmou que vai continuar trabalhando em uma solução para o abismo fiscal, mas criticou a postura do presidente Obama, que poderá vetar a proposta dos republicanos.

Os republicanos querem aprovar na câmara a proposta de elevar impostos para os americanos com renda superior a 1 milhão de dólares/ano. Os democratas querem elevar os impostos para os americanos com renda superior a 250 mil dólares/ano. As negociações não evoluíram nos últimos dias e se esta proposta (dos republicanos) for aprovada, a situação complicará bastante para a Casa Branca pois o prazo para evitar o abismo fiscal está se esgotando.

A notícia, nada positiva para economia, sequer fez efeito em Wall Street. Os índices fecharam a quinta-feira com uma boa alta. Dow Jones conseguiu se apoiar na LTA formada a partir do fundo em 12.4k e fechou o dia colado na máxima, mas tem pela frente uma zona de resistência importante (13.3k).

Índice Dow Jones

No Brasil o índice Bovespa também fechou colado na máxima, mostrando uma boa recuperação na parte da tarde. Apesar de trabalhar em nível elevado de sobrecompra, ainda não há sinalização de topo de curto prazo.

Índice Bovespa


7 comentários:

  1. Com o Dow Jones se aproximando dessa resistência nos 13.3 k vale a pena ficar de olho no surgimento de futuros vermelhos. A volatilidade americana ultimamente está bem correlacionada com as manchetes sobre o fiscal cliff, mesmo que na prática isso não signifique muita coisa. Eu pessoalmente vejo que esse abismo pode significar até uma redução da dívida na prática, já que a captação de dinheiro pelo governo americano a custo próximo de zero é um instrumento de política monetária que tem como objetivo estimular a economia. Enquanto não surgir indicativos de uma stagflation, não poderemos dizer que essa política expansiva está totalmente equivocada, pois mesmo que a injeção dos recursos não aqueça o crescimento econômico (lembremos que boa parte desse capital está sendo injetado como M1 gerando pouco investimento real além de confiança), a oferta de liquidez poderá ter um efeito levemente inflacionário reduzindo a dívida pré-fixada como um todo (e a pós-fixada em menor grau) e isso pode forçar um pequeno aumento na demanda dos consumidores nos próximos trimestres. A grande preocupação deve ser com o déficit público para não fazer dessa discussão um mero adiamento do inevitável como tem sido feito esses anos todos desde o fim de Clinton. Não dá para simplesmente seguir aumentando teto da dívida como fariam vários governos. A discussão da política fiscal de Obama pelo menos tem esse mérito.

    No Brasil, o IBOV tem caminho para seguir em alta, porém poderão haver oscilações vindas do exterior, principalmente do DJ. Os frequentes leilões do banco central tendem a pacificar o dólar abaixo de 2,10.

    Para operar agora tanto na compra quanto na venda o ideal é estar de olho no mercado, pois enquanto a tendência é de alta, o patamar do IBOV também não remete muita segurança. E drivers externos podem ocasionar uma virada para cima ou para baixo a qualquer momento.

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    1. Neomalthusiano,

      Concordo com o seu comentário. Muito bom! Acho que Obama, agora com a garantia de mais 4 anos no poder, vai acertar algumas contas herdadas dos governos anteriores. Pelo menos até agora é isso que tenho observado, ele está mais agressivo e decidido a mudar alguns absurdos do passado e ainda aumentar a regulação do sistema financeiro (por isso grande parte das firmas de Wall Street patrocinaram fortemente a campanha de Mitt Romney).

      O grande peso do Ibov para o médio prazo é o Dow Jones. Nós estamos mais descontados e com uma boa margem pra subir, cenário diferente dos índices de Wall Street que estão mais caros (P/L) e próximos de regiões de topo histórico. No curto prazo o mercado está bom pra operar, mas devido as condições de mercado (período de correção), risco e volatilidade alta, é desejável ao operador reduzir consideravelmente o spread da operação.

      Abcs, bons negócios

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    2. Grande WT, parece que após um momento de indecisão, o mercado se decidiu pela alta representada pelo fim (temporário) do fiscal cliff.

      O grande porém que eu vejo nessa atuação coordenada de bancos centrais é que essa injeção de capitais acaba criando fortes distorções. O poder inflacionário acaba criando ativos de risco que são sustentados a preços irreais devido a confiança depositada nos bancos centrais. De um lado esse pensamento é fundamentado, pois se os bancos centrais falharem, quem poderá proteger o investidor da inflação? Toda essa política expansiva acaba criando uma demanda de investimentos mais arrojados até mesmo em investidores que deveriam ser muito conservadores, como fundos de pensão, que estarão obrigados cada vez mais a trocar seus títulos por debêntures e ações se quiserem continuar a existir de forma viável.

      Por outro lado, o fato de todo esse investimento não criar empregos novos diretamente, faz com que seja fundamentada essa alternância entre pânico e euforia. Recentemente eu fiz um paralelo gráfico entre o IBOV de hoje e o Dow Jones durante o bear market dos anos 1970 e a alternância entre topos e fundos não está tão diferente, no sentido em que quando pensamos que o pior já passou, surge uma nova crise (Espanha, Grécia, dívida americana, fim do euro, hard landig na China, etc...) para instalar novamente os ursos no comando. Acredito que 2013 não será muito diferente disso.

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    3. Também acho válido comentar a grande consequência para nós que gostamos de operar no mercado é que essa alternância de confiança acaba também mascarando o mercado financeiro de longo prazo como um mundo da fantasia. Não vejo como impossível que se amanhã os grandes players do mercado tiverem a visão que acabou a crise e saírem comprando, o resto do mundo pode concordar e passarmos a viver o início do próximo bull market. O problema é que o contrário também é verdadeiro e outro crash como o de 2008 não é impossível.

      Vivemos num mundo de notícias dicotômicas, com um EUA com desemprego alto, PIB sem convencer e atuação forte do FED para tentar acabar com a crise. Uma Europa com sérias dificuldades de manutenção do welfare state, mas que ainda assim não tem tanta dificuldade para promover leilões de títulos. A China ameaçada de hard landing, por não ter mais tanta demanda para exportação, o que deprecia as commodities para gente, mas mesmo assim cresce 7%.

      Essas possibilidades de interpretações diferentes do cenário atual são muito ardilosas, pois variam com o sabor da confiança dos investidores. Por isso não vejo hoje como operar pensando em longo prazo, pelo menos não da mesma forma que fazíamos no passado. No Brasil tivemos dois grupos de empresas que se valorizaram de forma absurda:

      1 - Três empresas top, com vantagem competitiva de longo prazo clara e mercado defensivo: Ambev, Souza Cruz, Br Foods.

      2 - As de consumo, voltadas para o mercado interno.

      Assim como o ouro, entendo que elas refletem valores irreais, inflacionados pelo medo que o mercado tem, o que faz surjir a necessidade de se abrigar em ativos considerados seguros e defensivos.

      As boas midcaps acabaram seguindo o mesmo caminho e hoje estão cotadas a preços que não refletem o fato de estarmos numa crise.

      Sobram por um preço razoável praticamente apenas aquelas mais especulativas, arrojadas, cujas cotações variam mais ao sabor da crise. Quem comprou Vale em 2012 pode estar rindo a toa, se comprou aos 35 ou ainda no prejuízo, se comprou aos 43. Isso para fazer uma comparação justa, pois se eu mencionar as elétricas ou os bancos, chega a ser uma covardia.

      Acredito que mais do que nunca é necessário operar de forma dinâmica tentando antecipar qual será o próximo passo do mercado.

      Um grande abraço para você e feliz 2013!

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    4. Grande Neomalthusiano, seus comentários são uma verdadeira aula!

      Complementando a sua análise, as elétricas (também defensivas) estavam bem infladas antes das notícias da intervenção do governo federal. O mercado está muito técnico, fundos de pensão precisam investir o dinheiro em caixa (que aumentou com a queda do desemprego. Mais pessoas empregadas, maior a quantidade de pensionistas privados) e as boas opções (ativos bons e baratos) não existem atualmente. Os gestores foram "obrigados" a se posicionarem em papéis defensivos e esta procura elevada ($$$) se encarregou de inflar muitas ações de empresas boas, que passaram a se tornar ativos de alto risco devido à disparidade entre preço/valor. Acho que nós precisamos operar de forma defensiva também, mas não entrando em ativos considerados defensivos, e sim no sentido de se proteger o capital primeiramente contra estes ativos inflados de risco elevado e segundo contra a inflação. Não temos muitas opções. É basicamente NTN-B e posições especulativas de curto prazo em algumas blue chips (que não estão tão caras). Enfim, é assunto de sobra para debatermos durante as próximas semanas e meses.

      Abcs, bons investimentos em 2013!

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  2. Finanças tudo Certo ?
    Você Saberia me Informar se a Compra da Nyse pela ICE
    Já foi Concretizada,ou Precisa da aprovação pelos orgãos
    Regulamentadores do Estados Unidos ?
    Grande Abraço.

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    1. Opa! Tudo bom macr3 e aí?

      Sim, tenho quase certeza que precisa de aprovação rsrs.. Esta operação de compra será concretizada na segunda metade de 2013.

      Abcs, bons trades

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