terça-feira, 11 de dezembro de 2012

Um novo Banco Central em 2013


As últimas declarações de Alexandre Tombini, presidente do Banco Central, estão indicando maior ênfase da autoridade monetária com relação à política de metas de inflação e menos entusiasmo com relação às medidas expansionistas defendidas e aplicadas pelo governo nos últimos anos. Na última sexta-feira já havíamos comentado sobre a mudança de postura do Banco Central com relação à política monetária e parece que a autoridade monetária de 2013 poderá ser bem diferente “daquela” de 2012 e 2011.

Hoje o presidente do Banco Central disse que "em nada adianta termos um cambio nominal, se aquilo que se ganha com a desvalorização do câmbio, se perde com inflação. Não se ganha competitividade.” Tombini ainda completou dizendo que ter um câmbio nominal desvalorizado "certamente não é o objetivo do Banco Central."

Perceberam a mudança de postura? Se antes Banco Central ouvia os choros do ministro Mantega, juntamente com a FIESP, para ver o real se desvalorizar, agora passará a não ouvir mais. A inflação, que estava sendo jogada para segundo, ou terceiro plano, passará a ser o primeiro plano do Banco Central em 2013. A instituição precisa retomar o seu prestígio no mercado e já faz alguns anos que a autoridade monetária não consegue carregar a inflação para o centro da meta.

O mercado, eu me incluo nesta conta também, errou novamente (tal como no PIB e mais recentemente na taxa básica de juros) ao acreditar que o Banco Central iria permitir uma desvalorização maior do real frente ao dólar. Alguns analistas chegaram a projetar o câmbio na casa dos 2,30, em decorrência do fraco resultado do terceiro trimestre, para ganhar competitividade e favorecer as exportações.

Se por um lado o dólar alto favorece as exportações, do outro lado encarece e reduz a oferta de produtos importados no mercado brasileiro, abrindo vantagem para os produtores nacionais se aproveitarem do excesso de demanda, elevando os preços. As indústrias que utilizam componentes importados na fabricação de seus produtos também são afetadas e repassam este custo do câmbio ao consumidor final. Além disso, grandes empresas (não são poucas) que possuem dívidas no exterior são duramente atingidas com uma alta repentina no câmbio.

As declarações de Tombini são condizentes com atuação do Banco Central no mercado de câmbio. Desde a semana passada a autoridade monetária está tomando medidas (entrando no mercado através de leilões) para frear a alta do dólar e manter a moeda oscilando entre os R$ 2,00 e R$ 2,10.

No cenário macroeconômico os investidores tiveram uma grande surpresa com o indicador de sentimento econômico da Alemanha que registrou melhora significativa em dezembro, passando de -15,7 pontos para 6,9, na base mensal. O resultado veio bem superior ao esperado pelo mercado (-11,4 pontos), atingindo o primeiro número positivo desde maio deste ano.

Os mercados europeus se animaram e fecharam mais um dia em alta. O mesmo aconteceu em Wall Street. Atenção especial para o índice Dow Jones que já testou e sentiu a força da resistência em 13.3k juntamente com a LTB que vem do topo em 13.6k. Poderá aparecer movimento de realização de lucros nos próximos pregões e testar novamente a LTA de curto prazo iniciada em 10.4k

Principal índice do mercado de ações nos Estados Unidos

No Brasil o índice Bovespa também fechou em alta acompanhando o desempenho positivo dos demais índices mundiais. Já nos aproximamos do patamar psicológico de 60k, ponto de realização de lucros das operações compradas de curto prazo e entrada de posições vendidas. Há espaço de sobra para correção sem comprometer a pernada de alta iniciada em 55.1k.

Principal índice do mercado de ações no Brasil

Amanhã teremos vencimento de contratos futuros sobre o índice Bovespa, coincidindo com o mesmo dia de reunião do Federal Reserve. Pregão promete ser bem volátil, como tem acontecido nos últimos dias.

19 comentários:

  1. Pois é, FI!

    O mercado já estava começando a desistir do Banco Central...

    Também não consigo entender que, já que existe uma meta da inflação e a mesma está vindo ACIMA, pq diabos o BACEN tá reduzindo a taxa de juros...

    Enfim, o mercado esperava alta, saiu o PIB esperou baixa e agora ele fala isso, dando a entender que vai apertar o cerco.

    Mercado fica doido! kkkkkk

    O negócio é fazer um mix de LFT e LTN pra garantir!! rsrsrsrs

    Torço muito para que o Bacen faça o seu trabalho e assim o Brasil recupere algum prestígio que a Dilma fez questão de jogar pelos ares este ano com as intervenções em todos os setores.

    []s!

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    1. É a politicagem por tras que faz essas coisas, pode acreditar que tem alguem lucrando muito com essas medidas descabidas.

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    2. dimarcinho,

      Sim o Banco Central foi peça chave para os planos do governo em impulsionar o PIB via incentivo ao consumo. Reduz a taxa, abre o crédito, irriga o sistema e todo mundo sai gastando. A diretoria do BC nega, mas na minha opinião houve um claro sinal de interferência do governo dentro da autoridade monetária. Mas como este modelo de crescimento já está mostrando sinais de esgotamento, o Banco Central poderá aproveitar a "oportunidade" para voltar a ser o que era antes. Zelar pela política de metas de inflação (um dos tripés que sustentam a estabilidade econômica: câmbio flutuante, superávit fiscal e política monetária.

      Acho bom ficarmos de olho nos pré-fixados ano que vem, precificando (talvez) possível alta dos juros no início de 2014. Mas acho que na primeira metade de 2013 o mercado de juros será bem fraco, com pouca volatilidade.

      Abcs, bons investimentos

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  2. De novo: o governo está numa sinuca de bico!
    cobertor tá ficando curto demais.

    Se atacar inflação, reduz crescimento, e ai.....
    Se atacar baixo crescimento, aumenta inflação....

    E ai Mantega, saia dessa, vivo...

    Enquanto isso: reformas estruturais, nada!

    Sobre juros:
    Os estrangeiros não estão confiando muito na redução dos juros em 2013, seu saldo vendedor está com mais de 1.500.000 contratos, viche!

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    1. Exatamente,

      Mas como há expectativa de retomada do crescimento em 2013, então é de se esperar que o Banco Central volte a olhar para inflação com mais cuidado.

      Abcs, bons investimentos

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  3. Esqueçam aumento de juros em ano eleitoral (2014). É por isso que estão se "preocupando" com a inflação agora.
    Abs
    Henrique

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    1. É a mesma opinião que eu tenho. Inclusive já tinha postando isto algum tempo atrás.

      Seria até melhor para o país, porque quanto antes aumentar os juros, menos eleva. A perda da confiança em relação a inflação é muito cara politicamente.

      Passada as eleições municipais, agora o BC pode mudar todo o discurso. Muito conveniente! rs

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    2. Henrique,

      Tem essa também. Deixar pra subir os juros em 2014 só com a popularidade alta da presidente e olhe lá. Levando em consideração a perda de autonomia por parte do Banco Central.

      Abcs, bons negócios

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    3. Sir Income,

      Sim, é bem mais conveniente rsrs... Mas acho que o BC vai segurar um pouco a taxa selic neste patamar, teremos eventos que irão aliviar as pressões inflacionárias no começo do próximo ano (redução nas contas de luz, reajuste menor do salário mínimo, etc). A partir do segundo semestre de 2013 as coisas podem começar a clarear.

      Abcs, bons investimentos

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  4. Alguém acha que um equilíbrio poderia ser alcançado com:

    - dólar a R$ 2,30;
    - inflação em 4,5 - 5,0%;
    - PIB de 4,0%;

    Vocês acham que isso poderia ser alcançado com a redução do 'custo-Brasil', ou o dólar (p.ex.) teria que ficar fora dessa?

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    1. José Wilson,

      Acho que esse equilíbrio existe só na cabeça do Mantega rsrs..

      Abcs, bons trades

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    2. Inclusive agora tão rolando boatos de q o Mantega vai sair e vai entrar o Gerdau!

      Boatos.... rsrsrs

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    3. Será?

      Pelas declarações da Dilma parece que vamos ter que aguentar mais algum tempo o Mantega como ministro da Fazenda.

      Mas foi preciso uma mídia de fora pra abrir os nossos olhos, mais uma vez.

      Abcs,

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  5. FI, vc que anda olhando a Elpl, acha que formou fundo e deu ponto de compra? (No grafico semanal parece estar formando um desenho interessante)

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    1. Galo da Comarca,

      Pelo menos no curto prazo ela parou de cair. Mas ainda é muito cedo pra dizer que o papel irá inverter a tendência de médio/longo prazo. O que aconteceu é que a ELPL lateralizou e está tentando romper o topo desta congestão em 13,90/13,95. Em congestões, o melhor ponto de compra é na base (no caso da ELPL em 13,20) pois o risco é menor (perde-se menos com stop loss) e o retorno pode ser maior.

      Outra opção (mais arriscada e mais cara, pois o ponto de saída está abaixo dos 13,20) para o operador seria entrar na formação do fundo ascendente (melhor visualizado nos 15 minutos), pois o papel acionou pivot de alta indicando formação de uma pernada pra cima.

      Abcs, bons trades

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  6. Olá Fi, trade encerrado na Elpl4, entrada em R$ 13,40 antes de ontem, saída em R$ 13,90 hoje, base gráfica os 60 min. No diário ao meu ver é questão de tempo para ir buscar fundos de 2008;
    Ivan

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    1. Ivan,

      Boa! Liquidou no topo da zona de congestão do gráfico horário. É isso aí, operação tranquila e lucro no bolso. Parabéns!

      Abcs, bons trades

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  7. Ivan, obrigado por compartilhar.É um papel que estou começando a acompanhar.

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  8. FI, num ano como 2012 que foi gasto com obras por conta da Copa o PIB vai fechar uma mereca, o que esperar dos próximos anos? ( se não tivesse COPA nosso PIB viria quase no 0 esse ano?)
    abraço
    IvanC.

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