quarta-feira, 29 de fevereiro de 2012

Confiança brasileira despenca no exterior

A pesquisa 2012 do Trust Barometer divulgada hoje em Nova York revela uma queda acentuada na confiança brasileira no exterior. Para os que não conhecem o Trust Barometer é um índice que mede exatamente a confiança em várias instituições e empresas de um país. Vale destacar que não tem relação direta com a bolsa de valores.

A queda do índice foi generalizada entre os países da América Latina que participaram da pesquisa (México, Argentina e Brasil), porém, para variar, a queda no Brasil foi bem mais acentuada. O país perdeu pontos, ou seja confiança, em todas as quatro instituições pesquisadas que fazem parte do Trust Barometer (organizações não governamentais, empresas, mídia e governo). Em 2011 o Trust Barometer brasileiro media 80 pontos, mas este ano este índice despencou para 51.

Sair de 80 para 51 pontos no Trust Barometer significa que deixamos de ser classificados como confiantes para neutro. Apenas 32% dos brasileiros incluídos na pesquisa disseram confiar no governo, provavelmente devido aos escândalos de corrupção e demissões de ministros no ano passado. Mas o que assusta é que 58% dos representantes no Brasil disseram que é preciso haver mais regulamentação do governo sobre o setor privado. Isso não é nada bom para o segmento de commodities.

Segundo Michel Leonard, economista da Alliant, “numa economia que já é bastante regulamentada em comparação com outros países, o próximo passo é a reestatização. E isso é o que nós tememos". Particularmente acho que a reestatização já ocorreu “dilaceradamente”. O governo já é acionista controlador ou possui participações expressivas nas maiores empresas do país.

Mudando o foco para o continente europeu, ficamos sabendo nesta quarta-feira que os bancos tomaram 530 bilhões de euros na segunda parte da oferta de financiamentos de três anos do BCE (Banco Central Europeu). Nada mais nada menos que 800 bancos europeus recorreram a esta “linha de ajuda” (1% ao ano é dinheiro de graça) junto ao banco central. Somando as duas operações de liquidez são mais de 1 trilhão de euros despejados dentro do sistema financeiro.

Esta operação do BCE garantiu que os bancos voltassem a recomprar títulos da dívida soberana de países como Itália, Espanha, França, etc, gerando um spread entre 4%, 5% na operação (o famoso carry-trade -  toma emprestado a 1% e aplica em títulos com bônus de 5%, 6%.) e derrubando o bônus pago pelos governos, devido ao aumento na demanda. Parte desta liquidez procura naturalmente também o caminho para o mercado de capitais, o paraíso para as instituições financeiras com dinheiro em caixa. Por este motivo pode-se observar uma alta generalizada entre os diversos ativos do mundo inteiro nos últimos meses, até mesmo o ouro (considerado investimento defensivo).

   
Observem no gráfico acima que o movimento de alta do ouro começou exatamente após a primeira parte da operação de liquidez do BCE. Recuperação no final de dezembro de 2011 e forte alta a partir do início de 2012.

No índice Dow Jones (assim como nas demais bolsas mundiais) este movimento também ficou registrado no gráfico. Mas observando o curto prazo o índice está estagnado, praticamente não saiu do lugar. Duas zonas de congestões compostas por candles pequenos e de indecisão. Mantém a mesma análise dos dias anteriores, nada de novo.



No Brasil o índice Bovespa fechou o pregão desta quarta-feira em leve baixa deixando um candle de indecisão bem abaixo da resistência de curto prazo na região dos 66.4k. Foi mais uma tentativa de rompimento sem sucesso. Muita atenção dentro desta pequena zona de congestão de curto prazo pois o mercado começou a ficar mais arisco. Iniciou o dia abrindo forte dando a entender que iria romper a resistência mas devolveu todo o movimento altista em poucos minutos.


terça-feira, 28 de fevereiro de 2012

Olé!

Antes de começar gostaria de destacar o meu erro cometido na análise de ontem para curtíssimo prazo. A queda do índice Bovespa não durou mais do que um pregão, o mercado virou a mão rapidamente contrariando as minhas expectativas de movimentos de curtíssimo prazo. Gosto quando isso acontece, pois demonstra a superioridade do mercado. Errar e acima de tudo assumir o erro faz parte do processo de sobrevivência no mercado. Por mais que a sua análise esteja impecável, com um ótimo risco x retorno favorável à decisão do investidor/operador, vai existir sempre um porém. O que estudamos aqui não é uma ciência exata e sim um estudo de projeções e possibilidades.

Bom, agora vamos tentar consertar as distorções da análise anterior. De fato, os investidores estrangeiros continuam realizando lucros, evidenciado pelos saldos vendedores de corretoras estrangeiras ao final do pregão. Mas o índice não caiu mesmo assim porque obviamente apareceu uma força compradora que superou o volume de venda das corretoras estrangeiras. Provavelmente foram os investidores institucionais que puxaram o índice, para induzir o fechamento do mês de fevereiro com um bom desempenho nas carteiras, já que amanhã será o último dia de negócios para o mês. Não me atentei para este fato, que é bastante comum.

O mercado provou que o timming para a correção mais forte seguindo os movimentos de Bombay na Índia estava errado, porém o mesmo só será invalidado caso ocorra rompimento da resistência em 66.4k no índice Bovespa. Enquanto esta linha não for rompida, continuará existindo uma boa possibilidade de realização de lucros, tal como ocorre na bolsa da Índia.

Por fim, o fechamento de hoje mostra um engolfo do candle anterior de baixa. A linha central de bollinger foi “violinada” com o fechamento novamente acima da mesma, não é incomum este acontecimento pois o índice está lateralizado e as médias perdem relevância no curto prazo. Um ponto positivo é que esta congestão de curto prazo do Ibovespa pode estar perto do fim com o estreitamento das bandas de bollinger. Hoje elas se fecharam bastante e se continuarem neste ritmo em algumas semanas poderá haver estouro para algum dos lados (para cima, rompendo 66.4k, ou para baixo perdendo 64k). Portanto, estejamos preparados com as estratégias já boladas para ambos os casos e não sermos surpreendidos pelo mercado.

  

A agenda do dia nos Estados Unidos acabou divulgando um dado que surpreendeu positivamente o mercado. A confiança do consumidor americano, medida pelo Conference Board, melhorou em fevereiro. O índice saiu de 61,5 pontos em janeiro para 70,8 pontos neste mês. O número veio bem acima do esperado pelo mercado que indicava elevação para 63,1 pontos. Com isso o índice Dow Jones acabou fechando em leva alta superando o patamar psicológico dos 13k. Mesmo assim continua perigoso para especulações na ponta compradora.


segunda-feira, 27 de fevereiro de 2012

A fila anda, somos o segundo.

A queda do Ibovespa no pregão desta segunda-feira deixou mais uma vez a mídia e os analistas de plantão sem saber o que fazer para justificar o movimento de baixa. Logicamente “a culpa” caiu no colo da reunião dos ministros de Finanças do G-20, realizada neste fim de semana, no México. Não houve acordo sobre o aporte de recursos para o FMI (Fundo Monetário Internacional) ajudar a Europa. A decisão foi adiada para o mês de março. Na conjuntura macro atual, adiamentos não são uma novidade e sim uma rotina.

Mas então porque o Ibovespa cedeu, destoando-se de Wall Street? Se observarmos a trinca de mercados emergentes que mais subiram este ano (Índia, Brasil e China - basicamente devido ao intenso fluxo de investidores estrangeiros do hemisfério norte seguindo orientações das suas mesas de operações), a queda do índice Bovespa não está nem um pouco “desvirtuada do mercado”.

A bolsa de Bombay na Índia foi a primeira da fila a entrar em fase de realização de lucros pelos mesmos investidores que compraram há um mês atrás quando o índice marcava 15.5k. Ao tocar os 18.5k, na semana passada, o índice Bombay começou a ceder e já está abaixo dos 17.5k. O pregão desta segunda-feira marcou o seu quarto dia consecutivo de queda. E parece que chegou a vez do Ibovespa corrigir, talvez pelos mesmos investidores e fundos hedge que entraram no mercado indiano.

Uma resistência que era fraca (66.4k) acabou ganhando força devido as inúmeras tentativas de rompimentos sem sucesso no curto prazo. Com este movimento de queda mais acentuada, originando na perda da linha central de bollinger, pode-se esperar que a região de suporte nos 64k seja novamente testada em alguns dias.

  
Quem ainda não realizou lucros é a bolsa de Shangai na China. Mas tudo indica que o mercado chinês está logo atrás do mercado brasileiro na fila da realização de lucros. Nesta segunda-feira a bolsa de Sanghai fechou com um baita doji de indecisão indicando possível reversão de tendência de curto/curtíssimo prazo após a pernada de alta das últimas semanas.

Nos Estados Unidos o índice Dow Jones fechou no “zero a zero”. Apesar de estar conseguindo se manter acima do suporte dos 12.9k, continua deixando candles de indecisão dentro de zonas de congestões curtas. Perigoso para comprar.


Após o fechamento dos mercados, como de costume, a agência de classificação de risco S&P rebaixou o rating da Grécia de CC para SD, o que significa um default seletivo. Traduzindo seria como se fosse um calote organizado e parcial da dívida grega. Para nós, isto não é novidade.

sexta-feira, 24 de fevereiro de 2012

FED, we have a problem

A recuperação da economia americana vai esbarrar em seu primeiro obstáculo, a inflação ocasionada pela disparada do petróleo. O preço do barril de petróleo tipo Light está pegando carona na disparada do petróleo tipo Brent (negociado na Europa), devido às tensões no Oriente Médio envolvendo o Irã. As ameaças do Irã em interromper o comércio mundial de petróleo (obviamente é puro blefe, na verdade é uma tática de má fé adotada pelo país para elevar o preço de seu principal produto) e dos temores de um possível ataque de Israel ao Irã para eliminar seu programa nuclear (outro blefe porém perigoso, a intenção é fazer pressão sobre o Irã para que interrompa o seu programa nuclear) acabam sendo um prato cheio para os especuladores em commodities.

Por isso mesmo que devemos ficar alertas, pois não são apenas os fatores geopolíticos que estão influenciando a alta do petróleo. Caso contrário porque o barril do tipo Light (negociado nos Estados Unidos) está acompanhando a disparada do barril do tipo Brent (negociado na Europa)? Os fornecedores do Light não são os mesmos do Brent, mas os fatores geopolíticos regionais que influenciam o preço do Brent atingem em cheio o barril do Light? Como isso é possível? A resposta é uma só: o mercado.

Wall Street está nadando no petróleo e o preço da cotação do Light atingiu, nesta sexta-feira, um ponto preocupante no gráfico mensal visualizado logo abaixo desde o ano de 2003:



A arrancada da commoditie acabou rompendo a LTB que vêm do topo histórico marcado em 2008. O rompimento desta linha configura também o rompimento de um triângulo simétrico para cima. A reta horizontal azul indica pontos de compra onde os fundos hedge começam a montar posição comprada no petróleo tipo Light (entre 72,00 e 76,00 dólares o barril). O preço atual de 107,83 começa a ser entrada técnica da massa especuladora devido aos rompimentos citados acima e aumento nas tensões no Oriente Médio. A força do movimento pode estar apenas começando com a entrada da massa e o barril do tipo light tem tudo para buscar os 116 dólares, acima disso é pânico de alta.

As autoridades do FED (Federal Reserve - Banco Central norte-americano) estão em alerta, pois uma alta puxada pelo barril de petróleo desequilibra a retomada da economia, encarecendo a produção, minimizando investimentos e o principal: alimentando a inflação em uma economia de juro zero. O FED não pode perder o seu controle sobre as pressões inflacionárias (mantê-las baixas) por dois motivos: primeiro porque pode ser uma faísca perto de uma pólvora para gerar uma disparada nos preços em uma economia de baixo crescimento, segundo porque a autoridade monetária ainda considera medidas de incentivo à economia como carta na manga para manter a recuperação econômica americana (produzindo indiretamente ainda mais inflação).

Essas são apenas duas peças no jogo de xadrez, a terceira peça envolve a Casa Branca e o preço do galão de gasolina. Vejam logo abaixo o que está acontecendo com o preço da gasolina nos Estados Unidos:

Disparada forte nos últimos meses em um dos principais produtos de primeira necessidade dos Estados Unidos. Preço spot da gasolina girando em torno de 3,32 significa que nas bombas dos postos americanos este preço pode estar ultrapassando os 4 dólares/litro. Forte alta da gasolina em pleno ano eleitoral não agrada muito os eleitores e desta vez Obama não tem muito o que fazer pois, como observamos nos parágrafos acima, este feito é uma “obra prima” do Sr. Mercado e não apenas oriundos de fatores geopolíticos.

O fechamento semanal do índice Dow Jones foi bem positivo para a força compradora. Conseguindo se manter acima do último topo ascendente da tendência de alta mesmo com a fraqueza de curto prazo demonstrada pelos candles. O próximo obstáculo será a resistência dos 13.1k. No médio prazo, mantendo-se acima dos 13.1k, teremos apenas mais duas resistências fortes para superar o TH, são elas: 13.8k e 14.2k (topo histórico).


No Brasil, o índice Bovespa fechou a semana em leve baixa representado por um sipinnig top. Não surpreende pois é consequência de um forte candle de alta da semana anterior. A realização de lucros é normal e poderá ser intensificada até o suporte de curto prazo nos 64k que será perfeitamente saudável para manter a tendência de alta no médio prazo. Muito distante da linha central de bollinger, tende a se aproximar nas próximas semanas.


Posts da semana:


A todos vocês um ótimo final de semana!

quinta-feira, 23 de fevereiro de 2012

A velha dança do câmbio está de volta

As recentes políticas de afrouxamento monetário dos últimos meses adotadas em diversos países ao redor do mundo estão trazendo de volta a tão famosa guerra cambial, termo adotado pelo ministro da Fazenda Guido Mantega.

Do Japão aos Estados Unidos, passando pela Europa (política agressiva de injeção de capital do BCE nas instituições financeiras da zona do euro e mais recentemente o Banco da Inglaterra entrou na roda anunciando uma senhora injeção de libras na economia) e países emergentes. Cada banco central regional encontrou a sua forma de afrouxar a economia de sua região, uma forma de tentar combater a crise na Europa. Os emergentes estão em melhor situação devido à margem para se cortar a taxa básica de juros e/ou reduzir o compulsório (permitindo que mais dinheiro circule na economia).
 
Os países desenvolvidos adotaram outra estratégia, mesmo porque não há como cortar uma taxa de juro praticamente nula. O afrouxamento (ou injeção de capital no sistema) está sendo mais radical, atacando indiretamente suas respectivas moedas para que estas se desvalorizem. Isto, por sua vez, torna suas exportações mais competitivas, além de remeter capital especulativo (e “fabricar inflação”) para os países emergentes que ainda oferecerem ativos com rendimentos maiores.

Um bom exemplo está na Coca-Cola, a empresa tem deixado boa parte de seu caixa fora dos Estados Unidos, em resposta ao nível baixíssimo dos juros no país, e o Brasil tem sido um destino freqüente. Dos 13 bilhões de caixa da empresa, cerca de 10 bilhões estão aplicados em países emergentes, deste total entre os emergentes, 3 bilhões estão apenas no Brasil. Outro exemplo recente está no Bradesco, a instituição financeira anunciou uma captação de 1 bilhão de dólares no exterior com vencimento em 10 anos.

Até o próprio afrouxamento monetário da política econômica brasileira (além dos incentivos tributários) acaba atraindo mais dólares para o país, justamente por incentivar o crescimento da economia favorecendo o ingresso de investimento estrangeiro direto. Ou seja, a taxa de juros pode continuar caindo, que os dólares continuarão entrando. O Brasil poderá ser um dos poucos países a apresentarem crescimento no PIB de 2011 para 2012, isso também acaba atraindo investimentos.

A questão é complexa e derruba a tese de que a taxa de juros alta é a grande responsável pela entrada de dólares no país. Seria simples demais para evitar a valorização do câmbio, na verdade tudo está entrelaçado e envolve políticas monetárias adotadas em diversos países do mundo inteiro.

Resta ao Banco Central brasileiro tentar se defender tentando controlar artificialmente a taxa de câmbio. E parece que um novo piso fictício foi estipulado dentro do Banco Central, os famosos 1,70. Só hoje foram dois leilões pesados de compra de dólares, um no mercado futuro e outro no à vista. A operação conseguiu evitar que dólar fechasse abaixo dos 1,70. Abaixo deste nível os exportadores começam a “chiar na orelha do governo”. Para nós, resta apenas aguardar as cenas do próximo capítulo, enquanto o mundo caminha debilmente para o protecionismo comercial.

Os mercados nesta quinta-feira ficaram desalinhados com a matriz Dow Jones. O índice Bovespa acabou seguindo o movimento das bolsas europeias e fechou em baixa pois foi barrado pela resistência dos 66.4k, onde mais uma vez houve teste sem rompimento. Principal linha de suporte no curto prazo está na região dos 64k e poderá ser retestada caso o rompimento da resistência apontada logo acima não se configure nos próximos dias.


 
Nos Estados Unidos o índice Dow Jones fechou em leve alta conseguindo se manter acima do suporte em 12.9k. Precisa esboçar uma alta mais forte, caso contrário poderá perder esta linha de suporte.

quarta-feira, 22 de fevereiro de 2012

Retorno sem novidades

O ritmo fraco da retomada dos negócios na Bovespa ditou o rumo do mercado nesta quarta-feira de Cinzas. O índice praticamente não oscilou devido a agenda fraca no exterior. O dia acabou sendo propício para acerto de posições.

O acordo para garantir um novo pacote de socorro de 130 bilhões de euros à Grécia foi fechado na terça-feira confirmando as expectativas do mercado. Especula-se que os credores privados da dívida grega concordaram “voluntariamente” em conceder um desconto de 53,5% no valor de face dos seus títulos a receber (em troca de novos títulos gregos com vencimentos de longo prazo).

A agência de classificação de risco Fitch considera que a proposta de reduzir a dívida pública da Grécia, por meio de uma troca de bônus com credores privados, vai constituir um default e por isso mesmo cortou mais uma vez o rating da Grécia de CCC para C.

A novidade nos Estados Unidos ficou por conta das vendas de moradias usadas que subiram 4,3% em janeiro deste ano, na comparação com dezembro do ano passado. Este dado reforça o artigo que publicamos na sexta-feira passada.

O índice Dow Jones fechou o dia em leve baixa, mas está conseguindo se manter acima do suporte em 12.9k.



No Brasil, o índice Bovespa praticamente não saiu do lugar. A oscilação do índice foi irrelevante deixando um doji de indecisão para amanhã. Resistência em 66.4k barrando o movimento altista.

sexta-feira, 17 de fevereiro de 2012

Subprime agora desperta interesse

Alguns bancos e corretoras começaram a abrir fundos de investimentos nos Estados Unidos dedicados à compra de títulos de alto risco lastreados em hipotecas americanas. Alguns administradores de fundos enxergaram uma oportunidade de fazer bons lucros com os títulos subprime, já que os preços destes títulos de alto risco alcançaram rentabilidade de 14% este ano. Este prêmio (os 14%) reflete uma alta previsão de inadimplência, por isso está tão alto se comparado as taxas de juros praticadas neste país.

Acontece que esta previsão tão negativa pode não acontecer, é nisso que os gestores de fundos estão apostando. A probabilidade de um colapso no setor imobiliário (mesmo porque o setor já está na lona há alguns anos) ou outra queda significativa está diminuindo a cada dia em que a economia dos Estados Unidos mostra sinais de melhoras consistentes.

Um exemplo recente aconteceu na unidade regional do Federal Reserve em Nova York. A instituição conseguiu vender títulos subprime comprados em 2008 durante o resgate da seguradora American International Group Inc. O valor de face da venda foi de 13 bilhões de dólares, adquiridos por dois bancos de Wall Street (Goldman Sachs e Credit Suisse) através de leilões de grande escala.

Até para nós brasileiros, acostumados com a melhor taxa de juros do mundo, apostar parte dos recursos em títulos subprime com um prêmio de 14% não seria um péssimo negócio, desde que o risco seja gerenciado. Estes títulos, vendidos pelo FED (Federal Reserve), são garantidos por pagamentos de grandes grupos de empréstimos imobiliários.

Agora vamos passar por um giro rápido nos fechamentos semanais das principais bolsas mundiais. Começando pela matriz Dow Jones podemos perceber que o índice iniciou rompimento do último topo ascendente (12.8k) da tendência de alta iniciada nos 10.4k. Mais um pivot de alta sendo armado alimentando a tendência no médio prazo.

 
Na Europa parece que a Grécia está mais perto de um acordo sobre um novo pacote de resgate. O socorro deverá permitir ao país iniciar uma troca de dívida com credores privados e evitar um calote desordenado. O índice DAX na Alemanha mantêm o movimento de alta com uma bonita pernada e alta no semanal. Segue forte e comprador.

Na China a bolsa de Xangai também está em um movimento de reação, não tão frenético quanto as demais bolsas (inclusive com seus pares brasileiros e indianos), mas pelo menos conseguiu romper sua LTB de médio prazo. No momento tenta romper a linha central de bollinger no semanal, passando por esta resistência tem espaço para buscar os 2.5k. 

No Brasil o índice Bovespa segue mantendo o seu rally de alta desde o rompimento dos 60k. Reparem na ausência de linhas entre os 60k e 70k, justamente por não demonstrar resistências fortes relevantes, por isso mesmo pode-se traçar um retângulo que mostra uma grande zona de congestão entre essas regiões. Tem caminho livre para testar os 70k nos próximos meses. A média móvel simples de 20 períodos (ou linha central de bollinger) está pronta para cruzar a média móvel simples de 200 períodos, é mais um sinal que mantêm o mercado comprador. A banda de bollinger superior continua abrindo gerando espaço para este rally de alta. Apesar do nível de sobrecompra, não há nenhum sinal de topo ou mercado vendedor. Talvez os ursos só voltem aparecer com mais força nos 70k.

Um ótimo carnaval a todos os foliões do Finanças Inteligentes! Aproveitem bastante o tempo livre, com ou sem samba no pé. Quarta-feira estaremos de volta. Grande abraço a todos!

quinta-feira, 16 de fevereiro de 2012

Uma virada curiosa

O pregão desta quinta-feira foi no mínimo atípico e emocionante para os que puderam acompanhar. Os negócios começaram azedos, derrubando o índice, mantendo a análise de fechamento que havíamos postado ontem. Tudo caminhava dentro da normalidade quando algo atípico aconteceu envolvendo as ações da Petrobrás às 11:59h: em frações de segundos os papéis ordinários (PETR3) da empresa despencaram 7,13% (de 25,11 para 23,32). Imediatamente as negociações foram paralisadas pela BM&F, para entrar em leilão de reabertura de negócios 37 minutos depois.

Mas o que ocorreu para as ações da PETR3 despencarem tanto a ponto de interromper os negócios? A corretora Convenção, não se sabe se por um erro ou não, descarregou pesadas ordens de venda no papel. Se foi um erro, a ordem de venda que provavelmente seria fracionada, foi enviada de uma só vez fazendo todo este estrago no papel. O mercado acabou traduzindo que a estratégia deste player seria comprar PETR3 ao mesmo tempo em que derrubava o papel na ponta vendedora. Por isso as ações da Petrobrás subiram tanto após este acontecimento, a massa pegou carona na possível estratégia deste player.

Apesar de não ser uma corretora conhecida entre os pequenos investidores, a Convenção tinha/tem fama de ser referência em operações com derivativos e conta com investidores institucionais em sua carteira de clientes. A corretora que era do Sr. Eduardo Rocha Azevedo, ex-presidente da Bovespa e fundador da BM&F, foi adquirida em 2009 pela britânica Tullet Prebon (uma das maiores corretoras internacionais de renda fixa e derivativos e presta serviços para grandes investidores). Portanto, existe uma grande possibilidade de que a estratégia de um importante player fora revelada (por um erro no envio da ordem ou não) e o mercado virou puxado pelas ações da Petrobrás.

Se toda a estratégia deste player durasse cerca de uma hora para adquirir a quantidade desejada de ações da Petrobrás, ele seria “curiosamente” recompensado por esta notícia que saiu em torno das 13:00h: “Conselho da Petrobrás propõe pagamento de R$12 bi em dividendos”.

Agora vamos analisar o que aconteceu no índice. O candle de ontem foi desconfigurado. O índice se armou para testar novamente o topo da zona de congestão de curto prazo em 66.4k. Se esta resistência de curto prazo for rompida teremos mais um pivot de alta formado, o que jogaria mais um gás à tendência de alta iniciada em agosto do ano passado.



Nos Estados Unidos o índice Dow Jones devolveu toda a queda de ontem e fechou com uma boa alta. Ainda está mantendo a zona de congestão de curto prazo, mas está colado para romper para cima (assim como ficou colado ontem para romper para baixo). Resumindo é sobe e desce em uma lateralização que deixa o operador doido da cabeça, o rompimento para algum dos lados vai indicar abertura de posições e com isso definir a próxima pernada.

quarta-feira, 15 de fevereiro de 2012

Corte será de 55 bilhões

O governo brasileiro anunciou hoje um corte de 55 bilhões de reais no Orçamento de 2012. O valor é superior ao contingenciamento efetuado no ano passado (50 bilhões de reais) e teoricamente visa garantir mais os investimentos de longo prazo. Os recursos para o Programa de Aceleração do Crescimento (PAC), Minha Casa Minha Vida e Brasil sem Miséria serão mantidos. 
O ministro da Fazenda, Guido Mantega, afirmou que o corte permitirá ao país cumprir tranquilamente a meta do superávit primário para este ano, de 139,8 bilhões de reais. Obviamente tranqüilo não será, mas é perfeitamente possível que a meta de superávit seja alcançada desde que não apareçam surpresas pela frente. O que provavelmente ficará comprometida é a “fictícia” meta de inflação. Para um corte modesto no Orçamento, visando manter a política expansionista com foco num crescimento de 4,5% para este ano, a meta de inflação dificilmente será alcançada já que o Banco Central deverá manter a sua política de afrouxamento monetário até que a taxa básica de juros seja derrubada para casa de um dígito.
No cenário externo a China resolveu entrar em cena após o presidente do banco central chinês, Zhou Xiaochuan, afirmar que vai aumentar suas reservas em euro. Boa notícia para os especuladores de câmbio. O presidente chinês (e “melhor amigo” de todos os representantes políticos europeus), Hu Jintao, disse também que seu governo vai participar de uma ação internacional para dar apoio à Europa. O “mestre Hu” não é ingênuo, ele sabe que a Europa é um dos principais mercados consumidores das bugigangas chinesas e depende diretamente da economia do velho continente para manter sua indústria aquecida e balança comercial extremamente favorável.
O anúncio das autoridades chinesas parecia estar programado para ser feito no dia de hoje, na intenção de abafar a recessão técnica (dois trimestres seguidos de contração econômica) de cinco países europeus: Holanda, Itália, Portugal, Grécia e Bélgica. Além disso, a economia da zona do euro encolheu 0,3% no quarto trimestre de 2011, em comparação com o terceiro trimestre do ano passado. A tática funcionou e os mercados financeiros europeus fecharam em alta nesta quarta-feira.
No Brasil, o índice Bovespa fechou o pregão em leve alta mantendo suas oscilações dentro da zona de congestão de curto prazo entre 66.4k e 64k. O candle de fechamento não ficou muito bonito para os comprados, uma estrela cadente que pode jogar o índice de volta para a região dos 64k. Se esta linha de suporte for perdida a intensidade da queda deverá se prolongar até as regiões de suporte mais abaixo em 62k (fraco) e 60k (forte).



Nos Estados Unidos o índice Dow Jones acordou um pouco, mas acabou indo para o campo negativo. O índice conseguiu está lutando para se manter acima da linha central de bollinger, amanhã poderá definir, perdendo esta linha a congestão de curto prazo será rompida para baixo intensificando o movimento de correção.

terça-feira, 14 de fevereiro de 2012

Um elefante que incomoda

A famosa cantiga “um elefante não incomoda muita gente...” não se aplica em alguns ativos que compõe a carteira do Ibovespa. A elevada participação das ações da Petrobrás no índice Bovespa (10,72% somando ONs e PNs) acabaram arrastando a bolsa inteira para o campo negativo no pregão desta terça-feira, dia em que o resto do mundo fechou perto da estabilidade. Tudo começou após a teleconferência da empresa com analistas para tentar explicar o péssimo resultado no quarto trimestre de 2011.

A teleconferência foi tão horrorosa quanto o resultado da empresa. A diretoria da Petrobrás não foi convincente em suas explicações para o decepcionante resultado trimestral. O mercado não perdoa e desceu a lenha nas ações da empresa. Como os papéis haviam subido bem no pregão de ontem, estava fácil ganhar no stop de quem entrou na petro, pois as compras estavam fresquinhas e com spreads apertados. Para os players, é como vigiar um doce na mão de uma criança. A teleconferência foi o recheio caramelado deste doce, um bônus para aumentar o medo dos especuladores recém-comprados no papel.

O efeito psicológico da pancadaria nas ações da Petrobrás se espalhou por outras ações do índice, atingindo principalmente a Vale, justamente por divulgar os resultados amanhã após o pregão. Com isso o índice Bovespa fechou o dia com um candle de baixa, mas não desconfigurou o marubozu em cima da linha de suporte em 64k, que mira o último topo desta pernada de alta iniciada em agosto do ano passado. Porém podemos perceber que é jogo aberto entre 66.4k e 64k, o índice poderá manter esta lateralização por mais alguns dias/semanas.



Nos Estados Unidos o índice Dow Jones está praticamente parado no lugar há mais de 7 pregões. Poucas novidades macroeconômicas e poucas oscilações, mantendo a análise de ontem.

segunda-feira, 13 de fevereiro de 2012

Retomando as análises

Grandes amigos (as) do Finanças Inteligentes! Como estão todos vocês? Espero que tenham realizado bons negócios nestes últimos trinta dias e conforme combinado, estamos retomando hoje nossas atividades aqui no blog.

Bom, para início de conversa este movimento altista do Ibovespa foi amplamente sustentado pelo investidor estrangeiro desde o início deste ano. Provavelmente algumas corretoras lá foram recomendaram seus clientes a reforçarem ou abrirem posição comprada em emergentes, incluindo obviamente o Brasil que não cobra mais o pedágio do IOF. Esta recomendação de compra em ativos pode estar respaldada na decisão do BCE (Banco Central Europeu) de injetar capital (emprestar a juros baixos) em 523 bancos europeus, gerando um repasse ao sistema financeiro de quase meio trilhão de euros na primeira fase desta operação. A segunda fase será dia 29 de fevereiro.

Investidor estrangeiro quando abre posição pesada deve procurar papel de giro alto, que tenha bastante liquidez para socar na ponta vendedora e montar posição comprada do outro lado, para evitar que ocorra um estouro nas cotações encarecendo sua compra. Os papéis que aceitam essa entrada de capital são as blue chips, justamente a classe de ativos que mais apanharam nos últimos anos.

A alta do índice Bovespa no pregão desta segunda-feira pegou carona na decisão do Parlamento grego que saiu ontem. Foram aprovadas novas medidas de austeridade que a Grécia precisa executar para garantir o recebimento de um segundo pacote de ajuda internacional. O índice subiu puxado pelas blue chips, em especial a Petrobrás, que após divulgar um balanço horroroso na última semana, anunciou hoje a Sra. Maria das Graças Foster, nova presidente da Petrobrás.

A nova presidente da companhia deverá manter “o famoso diálogo de prosperidade” junto ao controlador (governo), mas com foco nos resultados dos acionistas minoritários. A empresa deverá manter uma gestão de continuidade, mas a presidente afirmou que seguirá metas precisas. "Sabemos para onde vamos", disse Graça. Está aí a esperança para curar sofrimento do acionista minoritário da Petrobrás.

Pelo gráfico do Ibovespa podemos perceber um topo (fraco) de curto prazo na região dos 66.4k. O índice engolfou em cima da região dos 64k sem nem mesmo encostar ma linha central de bollinger. Sinal de mercado forte comprador, mesmo em níveis elevados de sobrecompra.



Nos Estados Unidos o rally não foi tão forte assim. O índice Dow Jones está subindo devagar em relação ao Ibovespa. As especulações em Wall Street estão um pouco travadas devido ao encontro da linha de resistência em 12.8k, topo de 2011. O rompimento desta linha seria mais um carimbo para a tendência de alta iniciada na região dos 10.4k ano passado, projetando teste sobre o topo histórico em 14.2k.

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