sexta-feira, 30 de março de 2012

Um passeio mundial pelos gráficos

O post desta sexta-feira será um pouco diferente dos demais. Em um único dia tivemos os fechamentos diários, semanais, mensais e trimestrais. Este encontro atípico acabou elevando a importância do dia 30/03/2012 para os diversos tipos de análises temporais. Portanto vamos aproveitar a análise de encerramento da semana para focarmos apenas nos gráficos mensais dos principais índices mundiais e conseqüentemente abordarmos uma visão de longo prazo para o mercado.

Vamos começar desembarcando em Wall Street para dar uma olhada na matriz. O índice Dow Jones fechou o mês de março com um candle de alta confirmando o rompimento do último topo ascendente (aqueles famosos 12.9k, lembram?) da tendência de alta iniciada em 2009. É mais um pivot de alta para manter a tendência intacta no longo prazo. São boas as chances para testar o topo histórico (região dos 14.2k) em alguns meses ou talvez no próximo ano.

   
Ainda passeando por Wall Street vamos fazer uma visita ao S&P500, índice mais abrangente pois reúne as 500 maiores empresas americanas listadas em bolsa (ao contrário do índice Dow Jones, composto pelas 30 maiores). Antes de começarmos reparem como os dois índices de Wall Street são completamente diferentes em uma visão de longo prazo. O S&P500 trabalha dentro em uma zona de congestão há mais de uma década, entre 750 e 1.550 pontos.


A máxima conquistada no ano 2000 jamais foi superada, duas tentativas de rompimento foram realizadas em 2007 e 2008 sem sucesso. Isso demonstra como o timming faz muita diferença mesmo para os investidores que aplicam em réplicas de índices. Se você entrou no timming errado (1999, 2000, 2007, 2008) e resolveu carregar suas posições para longo prazo, fez um péssimo negócio. Perdeu dinheiro com os crashs (o prejuízo da queda é maior do que o lucro da alta. Façam as contas: quanto você perde com uma queda de 50% e quanto você ganha com uma alta de 50%), perdeu dinheiro com a inflação e ainda vai ter que esperar o índice romper o topo histórico para ficar pelo menos no zero a zero nominal.

Levando em consideração que o volume de investidores pessoas físicas aumenta bastante nas regiões de topo, muita gente que investe numa réplica do S&P500 nos Estados Unidos pode estar há mais de 10 anos sem saber o que é tirar dinheiro do mercado.

Para os próximos meses as perspectivas para o S&P500 são boas. LTB rompida, tendência de alta sendo mantida desde 2009, com um recente upgrade do pivot de alta acionado este ano. Então é hora de comprar S&P500? A tendência não mostra sinais de esgotamento, mas se você não comprou em 1.100 há poucos meses atrás, porque vai querer pagar mais caro agora nos 1.400 pontos? A não ser que você queira entrar para pagar a conta da festa. Compras acima de 1.450 pontos são de risco consideravelmente alto no S&P500.

Agora vamos viajar para Europa, rumo à Frankfurt na Alemanha e aproveitarmos para tomarmos um chopp enquanto observamos o índice DAX logo abaixo:


Calma, você não está enxergando duas coisas, um chopp não faz este efeito. Este não é o S&P500, é o DAX mesmo. Mostrando também uma congestão de longo prazo que já dura mais de uma década. É o mesmo caso no qual comentamos anteriormente. A diferença é que o DAX ainda não rompeu sua LTB e não acionou pivot de alta este ano, mas mantêm a tendência de alta no longo prazo podendo testar esta grande zona de congestão em alguns anos. Há bastante espaço para uma realização de lucros, que poderá acontecer nos próximos trimestres, sem comprometer a tendência de alta.

Mas vamos fugir da Europa porque os países estão em austeridade fiscal, algumas economias estão em recessão e ainda existem sérios problemas nos déficits fiscais e rolagem das dividas a serem resolvidos. Vamos para o outro lado da moeda, onde o crescimento econômico transformou alguns países nos motores do mundo moderno. Observem logo abaixo o gráfico da bolsa de Xangai, na China.


Estranhou? Achou que seria uma longa tendência de alta refletindo a boa fase da economia chinesa? Muito pelo contrário, as tendências de médio e longo prazo são de baixa. Este gráfico é importante para demonstrar que não existe uma relação obrigatória entre economia e bolsa de valores. Os dados econômicos podem influenciar, algumas vezes, a oscilação dos índices no curto prazo, mas não passa disso. A bolsa de Xangai segue dentro de um forte canal de baixa desde 2009. Pode voltar a tocar na mínima do crash em 2008 em alguns meses ou no ano que vem. Não esboça nenhum sinal de reação.

Um dos índices mais parecidos com o nosso Ibovespa está na Índia. O índice Bombay possui praticamente o mesmo traçado de longo prazo do Ibovespa. Está um pouco mais distante do topo histórico e ainda não conseguiu romper sua LTB, mas continua mantendo a tendência de alta no longo prazo. O fato de não ter rompido esta LTB e ter deixado um candle de pavio longo no mês passado seguido por um candle de baixa renovando mínima, poderá jogar o índice para testar uma LTA que vem do fundo de 2009 em alguns meses. Possui bastante espaço para testar a LTA de longo prazo, formada em 2003, nos próximos anos.


Vamos encerrar o nosso passeio visitando este belíssimo país chamado Brasil, repleto de belezas naturais. Mas nem tão belo assim está o nosso índice Bovespa. O candle de fechamento mensal é uma estrela cadente, localizada bem abaixo da forte zona de resistência nos 68k, mesma região por onde passa uma LTB de um triângulo simétrico. Não foi um bom fechamento mensal e pode indicar que mais quedas poderão aparecer nos próximos meses, inclusive para jogar o índice de volta aos 60k ainda este ano. De qualquer forma a tendência no longo prazo é de alta, mesmo estando perto de fazer aniversário de 4 anos sem romper o topo histórico.

Fim do nosso passeio. Agora vamos descansar. Bom final de semana a todos vocês!

quinta-feira, 29 de março de 2012

Martelou e virou

O movimento de queda iniciado na terça-feira desta semana enfim atingiu o seu objetivo inicial (mais rápido do que se esperava) ao testar a forte linha de suporte na região dos 64k. Os padrões técnicos estão sendo respeitados com uma certa rigorosidade (acima do normal), colaborando ainda mais com o movimento especulativo de curto prazo.

A Queda rápida até os 64k foi uma senhora oportunidade para abertura de posições compradas de curto prazo. Primeiro porque era o ponto (mais provável) de saída daquelas operações executadas ao final do pregão deterça-feira, logo a pressão vendedora passaria a exercer uma pressão compradora ao liquidar suas posições. Segundo porque 64k é a principal linha de suporte no curto prazo (ponto de abertura de operações compradas), atua como um divisor de águas e dificilmente seria rompido antes de um repique. Terceiro porque os gráficos intradiários estavam socados no chão, pedindo por um alívio.

Mas quem esperou os 64k cravados pra pular na compra perdeu o bonde. Quando o índice chegou nos 64.1k muitos investidores começaram a antecipar suas operações, formando um fundo nesta região. Isto normalmente acontece quando o mercado respeita demais os padrões técnicos e acaba se tornando óbvio, além de aumentar a confiança do operador. Quem não antecipou, ao perceber que o mercado estava virando e não iria nos 64.000 pontos, começou a correr com as operações engatilhadas, pegando o bonde andando ainda na primeira marcha. Por isso houve essa correria no final.

  
Conforme podemos observar no gráfico acima, o índice Bovespa fechou martelando em cima da banda inferior de bollinger e linha de suporte nos 64k. O movimento de repique (alta) está visível no intraday sem nenhum sinal de esgotamento. A tendência é buscar um toque na LTB de curto prazo, para posterior análise sobre um topo descendente ou rompimento da mesma.

A presidente Dilma Rousseff acabou colaborando com este movimento ao dizer que pretende anunciar novas medidas de estímulo econômico quando voltar para o Brasil, na terça-feira da semana que vem. "Essas medidas têm por objetivo justamente assegurar através de questões tributárias e financeiras maior capacidade de investimento para o setor privado". Dilma também reafirmou que planeja investir mais recursos no programa "Minha Casa, Minha Vida”.

Nos Estados Unidos o índice Dow Jones fechou com um martelo bem acima da LTA de médio prazo, respeitando mais uma vez esta importante linha de tendência. Pode respirar um pouco no curto prazo, mas há pouco espaço para oscilar antes de uma definição de tendência, pois está ficando espremido entre a LTA e linha de resistência em 13.3k.


quarta-feira, 28 de março de 2012

Bears 2 x 0

O pregão desta quarta-feira foi apenas uma sequência do que ocorreu ao final dos negócios no dia anterior. O mercado confirmou o movimento dos players que conseguimos detectar na terça-feira, portanto a análise de hoje será curta. Os motivos e o porquê dos acontecimentos estão relacionados no post de ontem.

Não saiu nenhuma notícia relevante para justificar a queda nos mercados, o movimento foi puramente técnico e orquestrado nas diversas praças mundiais. O mercado asiático (são os primeiros a abrir) emitia sinais de que o movimento vendedor estava disseminado pelas bolsas ao redor do planeta. Na China, a bolsa de Xangai recuou 2,65%. Passando pela Europa, o índice DAX (Alemanha) cedeu 1,1%, na Inglaterra o FTSE caiu 1% cravado.

No Brasil a queda foi de 1,45%. Os players fizeram o serviço logo no início do pregão, conseguiram detonar o pivot de baixa rapidamente jogando o índice para testar a linha intermediária de suporte em 65k. Pode aparecer algum repique de curtíssimo prazo em cima desta zona de suporte (fraca), mas a tendência de baixa no curto prazo foi confirmada hoje com primeiro objetivo nos 64k. Região de suporte forte, além de ser a principal barreira para impedir uma queda maior até os 60k.

  
Nos Estados Unidos o índice Dow Jones também fechou em baixa e mais uma vez foi testar a LTA de toda esta tendência de alta iniciada em outubro do ano passado. Já é o terceiro teste em menos de 30 dias, mostrando que o impulso da força compradora após respeitar a linha é muito pequeno. Não está aparecendo força suficiente para formar uma puxada maior, isso acaba denunciando a fraqueza de curto prazo da força compradora. Corre sério risco de perder esta LTA e as vendas aumentarem com o movimento subsequente da massa. Bears 2 x 0.


terça-feira, 27 de março de 2012

O calote que incomoda o Banco Central

Mesmo com as políticas de afrouxamento monetário e baixo nível de desemprego na economia, a inadimplência resiste em ser reduzida no Brasil e isso está incomodando o Banco Central. No mês de fevereiro a inadimplência média manteve-se em 5,8%, levemente acima do número registrado em janeiro deste ano (5,6%).

Não há uma justificativa técnica para explicar este nível de inadimplência, justamente porque a política monetária atual é de expansão do crédito, ou seja, dinheiro mais fácil na mão do consumidor brasileiro. A justificativa realista fica por conta da ignorância financeira presente na maioria das famílias brasileiras. A grande maioria da população não sabe administrar recursos/dívidas.

Os atrasos de pagamentos com mais de 90 dias ficou em 7,6% para pessoas físicas no mês de fevereiro e 4,1% para empresas. O principal causador para o aumento do calote no segmento de pessoas físicas é o financiamento de veículos. Não é por acaso que o número de veículos novos circulando pelas ruas das cidades aumentaram à olho nu. A facilidade em financiar um veículo, com parcelas baixas e prazos longos, coloca em dúvida a capacidade do devedor em cumprir com as suas obrigações no médio e longo prazo.

A taxa de desemprego se manterá baixa durante todo este período de tempo permitindo ao devedor pessoa física honrar com suas dívidas? Porque a inadimplência não caiu mesmo com o mercado de trabalho fortemente aquecido? São perguntas que o próprio Banco Central se enrola para responder.

Se o calote não diminuir, os bancos não irão reduzir os juros (absurdos) mesmo com os cortes recentes na taxa selic. As instituições financeiras são as primeiras a se blindarem em um cenário adverso, resistem em diminuir a taxa de juro com medo da inadimplência. Mesmo assim o governo está determinado em reduzir os estratosféricos spreads bancários utilizando o Banco do Brasil e a Caixa Econômica Federal como “cobaias”. Isto é, redução forçada nas taxas de empréstimos dos bancos estatais para forçar a concorrência (bancos privados) a fazer o mesmo.

No mercado de capitais houve uma reviravolta ao final dos pregões que funcionavam aproximadamente no mesmo horário de Wall Street. Dow Jones, com a faca e o queijo na mão para romper importante zona de resistência no curto prazo escorregou no final e fechou em leve baixa. Ainda não perdeu a briga mas o placar, no curto prazo, está 1 x 0 para os bears.


No Brasil o índice Bovespa fechou em baixa, movimento definido no final do pregão. Típico de ação para forçar uma queda no índice, pois as vendas só foram aparecer ao final do dia, concentradas em ativos específicos (previamente selecionados), talvez para pegar a parte compradora “desprevenida”. Agiram bem rápido para formar o que havíamos comentado na análise de ontem: um topo descendente abaixo dos 68k. O ponto escolhido foi um nível técnico bem relevante, abaixo da linha central de bollinger.


Os mesmos players que socaram no final do pregão desta terça-feira deverão estender a operação com objetivo de detonar pivot de baixa em uma possível perda dos 65.5k. É um movimento arrojado, pois não entraram à descoberto (o que rotineiramente costumam fazer). Não apareceram sinais de que estas operações vendedoras foram liquidadas ao final do dia, isto é, alugaram papel pra poder socar e carregar a posição. Estão apostando no pivot de baixa, neste momento somente um forte contra-ataque da força compradora (empurrar o índice acima dos 67k) para evitar que os 64k sejam testados em alguns dias ou na próxima semana. Briga boa na Bovespa, mas os bears saíram na frente.

segunda-feira, 26 de março de 2012

O show de anedotas do IPI

Por mais conhecido que seja, o ministro Guido Mantega com os seus 6 anos de atuação no Ministério da Fazenda, ainda consegue surpreender o mercado. Nestes últimos 6 anos foram milhares de medidas, intervenções, anúncios, planejamentos, estratégias e entre outros. Mas por incrível que pareça ele ainda consegue se superar a cada dia que passa.

Guido Mantega anunciou hoje que será prorrogado por mais três meses a diminuição do IPI (Imposto sobre Produtos Industrializados) para algumas mercadorias da linha branca. O fabricante de tanquinhos (isso mesmo, tanquinhos! Setor de “grande representatividade” em nossa economia) será o grande beneficiado com o incentivo fiscal do governo já que será mantida a alíquota zero por mais três meses. O fabricante de fogões também continuará com alíquota zero até o final de junho. Geladeiras continuarão sendo tributadas em 5% de IPI e máquinas de lavar em 10%, neste “excelente” prazo de 3 meses.

Outros setores famosos por empregarem “milhares de trabalhadores” em seus “extensos parques industriais” serão beneficiados com esta magnífica redução de 3 meses no IPI. Anotem aí os novos setores “ganhadores da tele sena”: luminárias, laminados/revestimentos e móveis.

Para as luminárias a alíquota baixará de 15% para 5%. Nos laminados de 15% para 0%. Papel de parede receberá uma redução de 20% para 10%. Nos móveis o corte será de 5% para zero.

A tão sofrida indústria de transformação, base do crescimento econômico e sustentado e grande formadora da massa salarial, ficou de fora mais uma vez. Evidentemente estas medidas servem para incentivar o consumo interno da população, na tentativa de elevar o PIB do Brasil nos próximos trimestres e não fazer feio no fechamento de 2012. Mas o leitor pode estar pensando: aumento do consumo + baixa competitividade (saiba porquê no próximo paragrafo) = inflação. O governo indiretamente responde: Sim, mas e daí? A “meta” é 6,5%.

Pior do que implementar estas medidas é ocupar o posto de economia mais fechada (ou seja, a mais protecionista) do G-20. Segundo a Câmara Internacional de Comércio, o Brasil tem praticamente a mesma abertura de mercado da Venezuela, Paquistão, Argélia e Sudão. De 2008 a junho de 2011, o Brasil foi o segundo país que mais iniciou ações antidumping contra importações no mundo (somando um total de 80), só sendo superado pela Índia, com 137.

Na Bovespa o dia foi de alta no pregão desta segunda-feira, seguindo o fluxo de Wall Street. O doji de indecisão na sexta-feira da semana passada deixou o jogo aberto para o próximo pregão e acabou gerando um repique retomando a linha dos 66k. Este repique pode virar uma perna de alta, desde que não deixe marcado um topo descendente abaixo dos 68k. Caso esta puxada seja barrada antes de se aproximar dos 68k, abrirá um novo ponto de venda nos gráficos com objetivo de detonar os 66k para baixo acionando pivot de baixa.

  

Nos Estados Unidos o índice Dow Jones subiu mais uma vez após respeitar sua LTA. Pegou um bom impulso para romper os 13.3k e acionar mais um pivot de alta. Está com a faca e o queijo na mão para romper esta linha e aumentar a força compradora de curto/curtíssimo prazo.


sexta-feira, 23 de março de 2012

Fechamento da semana

No post de hoje iremos abordar apenas os fechamentos técnicos semanais dos principais índices mundiais devido à ausência de notícias relevantes e/ou novidades nesta sexta-feira. Vamos começar então pela matriz Dow Jones. Sinalização de realização de lucros na semana após o teste na região dos 13.2k (ante penúltima resistência até o TH - topo histórico). Até o momento conseguiu se manter acima do suporte psicológico dos 13k, mesmo ponto onde está passando a LTA de toda esta pernada de alta iniciada em outubro do ano passado. Região complicada, se perder estas duas linhas de sustentação na próxima semana, a força dos ursos poderá aumentar em Wall Street.


Na Europa, o índice DAX (Alemanha) também fechou a semana em baixa confirmando topo ascendente na região dos 7.2k. A próxima parada está na linha de suporte em 6.8k. Ainda tem bastante gordura pra queimar dentro desta pernada de alta de médio prazo.


Na ala dos emergentes o fechamento semanal foi pior ainda. O índice da bolsa de Xangai, na China, perdeu sua LTA de sustentação formada no inicio deste ano e tenta se manter acima da linha central de bollinger. Situação delicada, não há sinal de fundo no curto prazo. Tendência de baixa permanece para médio e longo prazo.

  
No Brasil o fechamento semanal do Ibovespa confirma mais uma vez a força da resistência em 68k. Houve uma nova tentativa de rompimento que foi completamente rechaçada derrubando o índice para abaixo dos 66k. São quatro semanas seguidas de tentativas infrutíferas de rompimento. Com isso temos mais um candle de topo no gráfico semanal que só será invalidado se passarmos por cima dos 68k, tarefa bem difícil e bastante improvável no momento.


Um pouco abaixo da atual pontuação do Ibovespa, temos uma pequena zona de apoio nos 65k, porém a principal zona de suporte está na região dos 64k. Esta linha é decisiva para impedir uma queda mais expressiva rumo aos 62k e posteriormente 60k.

Bom pessoal, hoje foi só pra repassar os gráficos. O mercado ficou estagnado, nada de novo aconteceu. Então vamos ficando por aqui. Um ótimo final de semana à todos vocês! Bom descanso!

Posts da semana:

quinta-feira, 22 de março de 2012

Todo mundo já sabia. Mas então porque caiu?

Dados econômicos importantes divulgados nesta quinta-feira revelaram como está o processo de desaceleração da economia mundial. Começando pela Ásia, o índice gerentes de compras do setor manufatureiro na China registrou mais uma vez retração na atividade industrial ao atingir os 48,1 pontos em março, ante os 49,6 pontos registrados no mês passado. O simples fato de fechar abaixo de 50 pontos demonstra contração na atividade, mas fechar bem abaixo do nível registrado no mês anterior revela que a desaceleração continua ganhando força.

Na Europa a situação não foi diferente. O índice gerente de compras do setor manufatureiro na zona do euro também registrou uma queda significativa em um único mês. O indicador saiu de 49 pontos em fevereiro para fechar em 47,7 pontos neste mês.

Apesar de tudo os indicadores negativos não são nenhuma surpresa. O processo de desaceleração das economias asiáticas está sendo observado desde o final do ano passado. Algumas importantes economias europeias estão passando por um processo de recessão neste exato momento, evidenciado desde o final do ano passado com o reflexo das políticas de austeridade fiscal e crise da dívida soberana. Mas então porque o mercado cai quando são divulgados esses indicadores mesmo quando todos já sabemos que serão negativos?

Efeito psicológico da notícia aliado à uma pressão vendedora. Como todos nós já sabemos, existem pessoas e instituições que sobrevivem da especulação no mercado. No topo desta nata da especulação estão localizados o que chamamos de players de mercado. São aqueles que possuem o poder de girar uma quantia considerável de alguns bons milhões em suas operações. Este profissional faz o mercado acontecer e utiliza todos os artifícios para arrancar um bom spread na operação. Um deles é o efeito da notícia.

Basta ter uma notícia negativa nas mãos e entrar com as pesadas ordens de venda no leilão de abertura, à descoberto mesmo. Nada mais, o ingrediente é simples e o show tem bilheteria garantida. Uma pancada na abertura obriga a massa de investidores procurar por notícias na mídia. Ao encontrar a notícia você não percebe, mas já está emocionalmente abalado pela força do movimento de baixa. Então o conjunto de fatores: notícia ruim + movimento de baixa irá inevitavelmente alterar o comportamento do ser humano. Na maioria dos casos o medo faz-se presente no processo de tomada de decisão, influenciando as vendas da massa de investidores. Quando a massa vende no desespero, o player está recomprando sua carteira, liquidando-a. Dificilmente dormem na posição nesses casos.

Desta forma o índice Bovespa abriu estourando a linha central de bollinger para baixo, perdendo região de apoio. A próxima parada será a linha de suporte (fraco) nos 65k, em caso de perda teremos teste importante nos 64k, principal zona de suporte no curto prazo.


Nos Estados Unidos o índice Dow Jones segue confirmando análise dos últimos dias, buscando a zona de suporte psicológico nos 13k. O teste está coincidindo com a LTA de toda esta tendência de alta. O segundo teste da linha de tendência de alta em pouco tempo reflete uma certa fraqueza da força compradora no mercado.


quarta-feira, 21 de março de 2012

A jogada dos samurais

A recente inundação de ienes promovida pelo banco central japonês está voltando a inflar um dos carry trades mais famosos da década de 90, o carry trade do iene. A operação é bastante simples: toma-se dinheiro emprestado em ienes (a juros baixos, ou praticamente nulos) para posterior troca por moedas de países de juros altos, como Brasil, Austrália e México. A diferença do spread entre as moedas (uma desvalorizada e outra valorizada) garante o lucro da operação. O carry trade também pode ser feito tomando emprestado ienes a juros baixos e comprando títulos da dívida pública de países como Brasil e México que possuem yelds altos. A diferença entre as taxas garante a lucratividade da operação.

Esta operação só é permitida devido à política monetária do BoJ (banco central japonês), de manter uma forte injeção de liquidez no sistema (leia-se ienes). Quanto mais ienes no mercado, maior será a desvalorização da moeda, além de manter os juros baixos devido ao excesso de crédito. Os japoneses acabam ganhando nas duas pontas, com a desvalorização de sua própria moeda (gerando um valor menor ao liquidar o empréstimo) e com a valorização das moedas/título públicos comprados dos países citados acima.

Evidentemente os investidores europeus e americanos também fazem carry trade. Os bancos centrais destes países utilizam a mesma política monetária (taxa de juro zero e desvalorização de moedas) do BoJ. Acontece que o Japão está se destacando pela agressividade na injeção de moeda no sistema financeiro. Só neste ano, o iene já caiu 8% em relação ao dólar.

As moedas de países emergentes estão subindo mais em relação ao iene do que em relação ao dólar. O peso mexicano saltou quase 20% em relação ao iene este ano, em comparação com um ganho de 9% em relação ao dólar. O rand sul-africano subiu 16% contra o iene e apenas 7% contra o dólar. No Brasil, o real subiu 11% contra o iene e míseros 2,5% contra o dólar.

Portanto o ministro Guido Mantega deve ficar atento quanto à especulação “mande in Japan” e não prejudicar os parceiros comerciais do Brasil. Faz parte da cultura do investidor japonês aprender a especular com moedas no mercado externo, eles são os mestres em câmbio e carry-trade, é como se fosse uma poupança para o investidor brasileiro. Isso ocorre porque há muito tempo o Japão não tem uma taxa de juros minimamente aceitável para remunerar investimentos, devido ao longo processo de deflação na economia. Desta forma os japoneses tiveram que aprender, mesmo que na marra, a sair das fronteiras do país para buscar por investimentos mais rentáveis ao redor do planeta.

O dia em Wall Street foi de poucas novidades. Dow Jones fechou em leve baixa mantendo o caminho rumo ao teste sobre a linha dos 13k.

  

No Brasil o índice Bovespa também fechou em baixa, colado sob a linha central de bollinger. Amanhã é um dia propício para o reaparecimento da força compradora afim de se evitar a perda desta linha. O problema é que o mercado está fraco e sem investidor pra financiar uma nova puxada (dependendo dos estrangeiros). Se a queda continuar o movimento poderá acelerar rumo à principal linha de suporte no curto prazo: os 64k.


terça-feira, 20 de março de 2012

Sobrou pra BHP

O presidente da divisão de minério de ferro da gigante australiana BHP Billiton, principal concorrente da Vale, mau sabia que seus slides poderiam causar um tremendo mal estar no mercado. Ao fazer uma apresentação rotineira sobre as operações da BHP na China, Ian Ashby disse que a demanda por minério de ferro está se achatando à medida que a economia do país desacelera. Esta frase foi suficiente para impactar os preços das commodities no mercado externo, arrastando os demais índices mundiais que estavam com a retaguarda aberta após a calmaria de ontem.
A especulação aproveitou a oportunidade para tirar o atraso do pregão anterior e socaram BHP Billiton (queda de 4,1%), bem como os demais ativos de exportadores de commodities (principalmente empresas com grande exposição em minério de ferro). Aqui no Brasil evidentemente não poderia ser diferente, queda do mercado puxada pelas ações da Vale.
De certa forma há uma razão lógica por trás desta queda, mas infelizmente as informações não são repassadas de forma correta pela mídia. Ian Ashby queria dizer em sua apresentação que no curto prazo há sim uma certa cautela em relação à demanda por minério de ferro na China, mas no longo prazo não. Muito pelo contrário, a perspectiva de demanda chinesa pela commoditie no longo prazo continuará forte e não sofreu alterações.
O aumento do preço da gasolina (+7%) e diesel (+7,8%), pela segunda vez em 6 semanas, na China acabou incomodando o mercado. Enquanto os países do ocidente continuarem caindo no jogo do Irã (grande exportador de petróleo e principal beneficiário de toda esta alta nos preços), o barril continuará subindo. Aumento nos preços dos combustíveis inibe o crescimento econômico e impulsiona a inflação, exatamente o contrário do que o mundo precisa atualmente. 
O Irã está fazendo "guerra econômica" em ano de eleições presidenciais nos Estados Unidos. As chances de um ataque do ocidente são altamente remotas, bem como a probabilidade  de boicote sobre o petróleo do Irã com esta inflação pré-fabricada em economias de recuperação (principalmente nos Estados Unidos). Seria um tiro pela culatra ver o petróleo disparar juntamente com a inflação, os iranianos sabem disso.
Nos Estados Unidos o índice Dow Jones fechou em baixa mas se mantendo acima dos 13k. Está mirando um teste sobre a linha central de bollinger, que por sinal é a mesma região do patamar psicológico em 13k.

O índice Bovespa também fechou em baixa, porém já realizou teste sobre a linha central de bollinger. Houve uma reação da força compradora após o toque desta linha, reduzindo a queda do dia. 66.4k atuando como principal suporte de curtíssimo prazo, se esta linha for perdida o índice ganha um passaporte para visitar os 65k.

segunda-feira, 19 de março de 2012

O despertador falhou

A segunda-feira foi um pouco atípica para o mercado nacional. Em pleno dia de vencimentos de contratos de opções a bolsa brasileira praticamente não saiu do lugar. O volume não foi tão baixo na Bovespa, mas com Ásia, Europa e Wall Street praticamente estagnadas no primeiro pregão da semana, fica um pouco difícil para a especulação dar um rumo aos negócios por aqui.

No cenário macro também não apareceram novidades. Destaque apenas para um relatório do Bank of América feito no encontro reservado com investidores realizado no último sábado onde confirma o que ressaltamos no post de quinta-feira da semana passada: “Fundo da Selic: 9% a.a.” Luiz Awazu Pereira, diretor de Assuntos Internacionais e de Gestão de Riscos Corporativos do Banco Central (Brasil), confirmou que a taxa básica de juros irá cair para um nível ligeiramente superior às mínimas históricas, traduindo: 9% a.a.

Com os mercados mundiais parados e sem novidades no cenário macroeconômico, o índice Bovespa fechou praticamente do mesmo jeito que abriu, mesmo com o vencimento de contratos de opções. A linha dos 68k continua fazendo pressão como resistência. O candle de fechamento foi um doji de indecisão de pouca relevância.

  

Nos Estados Unidos o índice Dow Jones também fechou de lado e praticamente não oscilou. Esta segunda-feira foi tão inexpressiva que quase não podemos enxergar o candle no gráfico diário. Vamos ver se os mercados acordam amanhã porque hoje a roleta não girou.


sexta-feira, 16 de março de 2012

Cadê a desoneração da folha?

O ministro Guido Mantega ainda não anunciou o que estava prometendo há algumas semanas atrás. Os empresários já começaram a pressionar, e com razão, exigindo a desoneração da folha de pagamentos para mais setores da indústria brasileira. Espera-se que esta notícia seja anunciada dentro de no máximo duas semanas juntamente com um indicativo de maior flexibilidade em relação à alíquota sobre o faturamento das empresas que substituirá a contribuição patronal de 20% para o INSS.

A desoneração beneficiará principalmente a indústria que exporta pelo menos uma parte de sua produção (os grandes exportadores serão altamente beneficiados), além de atuar como um incentivo à exportação das indústrias que se fecham para o mercado externo. Porque? Quando se retira a contribuição da folha de pagamentos, transferindo-a para o faturamento, a incidência do imposto será somente sobre as vendas do mercado interno. As exportações são livres de impostos, portanto a migração não pode atingir as vendas do mercado externo, produzindo assim um bônus à empresa via desoneração da folha. Segundo o ministro, a desoneração será compensada ao governo via aumento da arrecadação decorrente da venda de produtos e contratação de mais funcionários.

O governo também anunciou hoje que reduziu a zero a alíquota do IOF nas operações de hedge cambial com contratos de derivativos dos exportadores. Operação muito utilizada pelas indústrias que vendem no exterior para se protegerem da variação cambial e garantir uma taxa boa quando a conversão da moeda for feita. Não é uma grande medida de incentivo, mas pelo menos libera o hedge do IOF, permitindo que mais empresas utilizem este mecanismo.

O mercado ficou de lado nesta sexta-feira aguardando por novidades do governo. Houve uma nova tentativa, sem sucesso, de retomada da importante linha dos 68k. Fechamento semanal abaixo da linha de resistência mostrando um pavio longo superior continua não sendo um bom sinal, tal como foi o fechamento da semana anterior. O índice se desgrudou da banda superior de bollinger, linha que permitiu todo este rally de alta em 2012. Ainda não há confirmação de novo topo ascendente dentro da tendência de alta mesmo com a grande maioria dos ativos do índice sobrecomprados. Ponto permite apenas abertura de operações mais curtas. Setor industrial, principalmente siderúrgicas, continua sendo o destaque.


Nos Estados Unidos, o índice de preços ao consumidor norte-americano fechou o mês de fevereiro com a maior alta em dez meses devido ao aumento dos preços da gasolina. O aumento da inflação nos Estados Unidos confirma o que antecipamos na análise do dia 24 de fevereiro no post: “FED, we have a problem”.

O índice de preços ao consumidor avançou 0,4% em fevereiro deste ano, após subir 0,2% no mês anterior. Simplesmente dobrou porque a gasolina foi responsável por mais de 80% do aumento dos preços no índice. O FED (Federal Reserve) reconheceu que o recente aumento nos custos de energia deverá pressionar temporariamente a inflação, mas garante que no longo prazo a inflação deve ficar igual ou abaixo de sua meta de 2%. Só vendo pra crer, o FED tem pouca margem de manobra, já que há uma promessa de se manter a taxa básica de juros zerada até o primeiro semestre de 2014.

O índice Dow Jones, pegando carona no importante rompimento do Nasdaq, fechou a semana em forte alta acompanhado pelo bom desempenho do S&P500. O candle de topo da semana anterior foi anulado com um candle de força espantando os ursos de Wall Street. Segue forte na pernada de alta respaldado pela LTA iniciada no fundo em 10.4k.


Os ursos que tentaram se animar nas semanas anteriores também tiveram que bater em retirada do mercado europeu. Na Alemanha, o índice DAX fechou a semana em forte alta rompendo a faixa dos 6.8k e mirando a próxima resistência em 7.4k. O índice nem tomou conhecimento do patamar psicológico dos 7k, passou lotado durante a semana sem oferecer resistência alguma. Efeito do reaparecimento mais forte da força compradora.
 
  
Na China a bolsa de Xangai segue aos trancos e barrancos iniciando perda da LTA formada no início deste ano a partir do fundo em 2.1k. Fechamento semanal em baixa complica a situação para retomada na próxima semana. Esperança aos comprados é tentar trabalhar um fundo ascendente sob a linha central de bollinger em 2.3k.


Chega de mercado né pessoal? Agora vamos desligar a tomada porque chegou a parte boa: final de semana! Grande abraço a todos!

Posts da semana:

quinta-feira, 15 de março de 2012

Fundo da selic: 9% a.a.

A grande agitação dos mercados de juros futuros logo pela manhã desta quinta-feira já indicava que algo de novo apareceu na ata do Copom (Comitê de Política Monetária - Banco Central) divulgada hoje. Os contratos de juros futuros, exageradamente precificados para baixo, começaram a subir por conta deste conteúdo expresso no documento da ata:

"Considerando os valores projetados para a inflação e o balanço de riscos associado, o Copom atribui elevada probabilidade à concretização de um cenário que contempla a taxa Selic se deslocando para patamares ligeiramente acima dos mínimos históricos, e nesses patamares se estabilizando”.

Para melhor entendimento vamos destrinchar este trecho (o mais importante) da ata. A mínima histórica da taxa básica de juros foi 8,75% a.a., que vigorou no período de julho de 2009 a abril de 2010. Patamares ligeiramente acima da mínima histórica significa 0,25 p.p. acima. Logo 8,75 + 0,25 = 9,00. Após encostar nos 9,00% a.a., a intenção do Banco Central é parar de cortar a taxa básica de juros e deixá-la estabilizada neste patamar. Resumindo então, o fundo da taxa selic será 9,00% a.a. Quem está afirmando isso é o próprio Banco Central e com bastante clareza, que é uma novidade muito boa. Palavras utilizadas na ata, tais como: “elevada probabilidade”, transmitem uma segurança maior aos agentes do mercado financeiro que poderão projetar suas estratégias para 2012 sem maiores surpresas.

Sobre o último corte de 0,75 p.p. o Copom entendeu que o ajuste feito na Selic se sustentou pela desaceleração da economia brasileira no segundo semestre de 2011, falta de uma solução definitiva para a crise na zona do euro e riscos por conta da desalavancagem de bancos, famílias e de governos nos principais blocos econômicos.

Além disso, a taxa selic se firmando em 9% (ou futuramente acima, devido as pressões inflacionárias que poderão aparecer no segundo semestre deste ano) prorroga a necessidade de alteração no rendimento da caderneta de poupança. Mexer na “boa e velha caderneta poupança” do brasileiro é um assunto extremamente delicado e muito dificilmente seria feito em ano eleitoral.

O Ibovespa fechou em baixa por conta da ata do Copom. Agora todo mundo já sabe que o ciclo de afrouxamento monetário está próximo de terminar (mais uma ou duas reuniões) e que a selic não ficará abaixo de 9,00% a.a. A linha dos 68k foi perdida e caso não apareça alguma reação no pregão de amanhã, os ponteiros irão apontar para a linha de suporte em 66.4k/66.5k (mesma região da linha central de bollinger).

  
Nos Estados Unidos o índice Dow Jones fechou em leve alta subindo conforme a banda de superior de bollinger vai se abrindo. Ainda não há nenhum sinal de topo no curtíssimo prazo. Volume alto por três pregões seguidos pode indicar rebalanceamento de carteira de alguns bancos devido à provável liquidação de treasuries comprados nos anos anteriores (o bônus subiu nos últimos dias “milagrosamente” com uma ajudinha do “patrão” - FED).


quarta-feira, 14 de março de 2012

A mancha do Goldman Sachs

Greg Smith, um alto diretor do Goldman Sachs, entrou para a história dos grandes bancos de investimentos ao renunciar nesta quarta-feira a seu cargo de uma forma pouco convencional, por meio de um pesado artigo publicado no The New York Times. Smith acusa a instituição de persuadir os seus clientes a comprar as ações ou ativos de que o banco tenta se livrar ou fazer com que os clientes negociem aquilo que vai gerar maior lucro para o Goldman Sachs. Esta é uma forma de, segundo Smith, tratar os clientes do banco como se fossem “fantoches”.

O ex-diretor ainda disse que a instituição financeira tornou-se um lugar "tóxico e destrutivo" como nunca tinha visto. "Eu fico doente em ver como as pessoas insensivelmente tratam seus clientes. Nos últimos 12 meses eu vi cinco diferentes diretores referirem-se aos seus próprios clientes como fantoches", disse Smith. Nas reuniões que o diretor participava ultimamente, não era gasto um só minuto para se analisar como ajudar os clientes, pois tudo o que importava era "como tirar o máximo de dinheiro possível deles".

Greg Smith era diretor de derivativos em renda variável do banco na Europa, Oriente Médio e África. As suas declarações agridem sensivelmente a imagem do Goldman Sachs, que por sua vez foi acusado, há dois anos atrás, de fraude pelas autoridades reguladoras do mercado nos Estados Unidos.

A renúncia de Greg Smith é no mínimo curiosa, pois foram justamente as operações com derivativos em renda variável que quase arrasaram com o sistema financeiro em 2008 e o Goldman Sachs estava totalmente envolvido nestas operações. Greg Smith, com seu cargo de alta direção dentro do Goldman, foi no mínimo conivente com as perigosas operações de derivativos. Se o ex-diretor não estava contente com a situação dentro do banco porque só foi apresentar sua carta de renúncia à Lloyd Blankfein (líder do Goldman Sachs) após o término da tempestade? Esta carta chegou no mínimo 4 anos atrasada, escrita por um vilão que parece querer se tornar o mais novo mocinho do mercado.

O dia nos mercados foi de poucas novidades após a euforia de ontem. Dow Jones fechou praticamente do mesmo jeito que abriu se mantendo acima do suporte na região dos 13k.

  

No Brasil o índice Bovespa fechou em leve baixa deixando um candle de indecisão acima da linha de suporte em 68k. Movimentação normal após a força do candle de rompimento no dia anterior. Destaque para as empresas de siderurgia, confirmando o que comentávamos nos dias anteriores. A realização de lucros está ocorrendo de forma parcial e heterogênea, portanto atenção redobrada aos setores específicos onde os trades estão abertos. Operações de positions e holds estão na direção do vento, não há com o que se preocupar, apenas administrar o lucro com stops.




Dica: Todas as quarta-feiras às 16:00h passa um programa sobre educação financeira na TV UOL, feito pela GoBlue Investments. Recentemente fizeram um programa exclusivo para abordar o assunto sobre imposto de renda. Aos interessados basta acessar a página da GoBlue Investments para maiores informações.

terça-feira, 13 de março de 2012

Nasdaq Day

Um índice que renasceu das cinzas após o crash das empresas de tecnologia há mais de 10 anos atrás começa a ganhar espaço novamente nos mercados chamando atenção de muitos investidores e especuladores.

Aquela febre de investimento do Nasdaq em 1999, favorecendo empresas pouco lucrativas, é bem diferente do que está acontecendo atualmente. Hoje, as 100 maiores empresas do índice Nasdaq têm caixas gordos e quase metade destes papéis pagam dividendos. A relação preço/lucro é bem inferior ao daquela época mesmo com as empresas 10 vezes mais alavancadas do que em 1999. Algumas empresas podem ser até mesmo comparadas com o topo de Wall Street, os 30 maiores ativos que compõe o índice Dow Jones.

Pouco fez diferença o comunicado do FED (Federal Reserve) no desempenho dos mercados nesta terça-feira, apesar da mídia insistir neste ponto. O FED reconheceu os sinais recentes de retomada na economia americana e redução das dificuldades no mercado financeiro. Ou seja, nenhuma novidade para o mercado, e nenhum sinal de QE3. O grande responsável pelo alvoroço nas bolsas foi o “novo” Nasdaq, tanto é que os índices já estavam subindo antes mesmo de sair o comunicado do FED. Para entender o porque desta agitação no mercado vamos abrir o gráfico mensal do Nasdaq: 


Visível não? Movimento técnico de extrema relevância para o médio e longo prazo. Você pode desenhar um OCOI, triângulo, traçar médias, ou o que for. Tudo vai indicar forte movimento de padrão altista. O topo histórico de 2008 foi rompido acionando pivot de alta clássico no gráfico. E o principal, o “novo” Nasdaq acima dos 3.000 pontos é um índice que trabalhará com poucas zonas de resistência, justamente por englobar a faixa de pontuação do crash em 2000 onde as quedas eram rápidas e portanto não “fabricaram” linhas relevantes.

E o Nasdaq não fez barulho sozinho no mercado, a sua força empurrou o S&P 500 para romper o último topo ascendente do ano passado e acionar importante pivot de alta no gráfico diário e semanal. Movimento muito importante para o mercado norte-americano, S&P500 aumentando a força da tendência de alta no médio prazo. No índice Dow Jones também pode-se observar um rompimento importante, da zona de congestão de curto prazo, acionando pivot de alta.

  
No Brasil também tivemos forte movimento altista na Bovespa mostrando entrada de força compradora acima do normal. Os negócios giraram 8,18 bilhões. O mercado utilizou a Vale como trampolim para romper último topo ascendente do Ibovespa e importante resistência nos 68k. Esta puxada no índice espantou os ursos que estavam posicionados logo abaixo dos 68k, por isso fechamos com mais de 3% de alta. As posições vendedoras foram varridas pelo mercado.


A superação dos 68k é um movimento de suma relevância. Esta linha era uma das barreiras mais importantes para impedir que o índice caminhe rumo ao TH em sua tendência de alta no médio prazo. Acima dos 68k a próxima parada de curto prazo é o patamar psicológico dos 70k.
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