O post desta sexta-feira será um pouco diferente dos demais. Em um único dia tivemos os fechamentos diários, semanais, mensais e trimestrais. Este encontro atípico acabou elevando a importância do dia 30/03/2012 para os diversos tipos de análises temporais. Portanto vamos aproveitar a análise de encerramento da semana para focarmos apenas nos gráficos mensais dos principais índices mundiais e conseqüentemente abordarmos uma visão de longo prazo para o mercado.
Vamos começar desembarcando em Wall Street para dar uma olhada na matriz. O índice Dow Jones fechou o mês de março com um candle de alta confirmando o rompimento do último topo ascendente (aqueles famosos 12.9k, lembram?) da tendência de alta iniciada em 2009. É mais um pivot de alta para manter a tendência intacta no longo prazo. São boas as chances para testar o topo histórico (região dos 14.2k) em alguns meses ou talvez no próximo ano.
Ainda passeando por Wall Street vamos fazer uma visita ao S&P500, índice mais abrangente pois reúne as 500 maiores empresas americanas listadas em bolsa (ao contrário do índice Dow Jones, composto pelas 30 maiores). Antes de começarmos reparem como os dois índices de Wall Street são completamente diferentes em uma visão de longo prazo. O S&P500 trabalha dentro em uma zona de congestão há mais de uma década, entre 750 e 1.550 pontos.
A máxima conquistada no ano 2000 jamais foi superada, duas tentativas de rompimento foram realizadas em 2007 e 2008 sem sucesso. Isso demonstra como o timming faz muita diferença mesmo para os investidores que aplicam em réplicas de índices. Se você entrou no timming errado (1999, 2000, 2007, 2008) e resolveu carregar suas posições para longo prazo, fez um péssimo negócio. Perdeu dinheiro com os crashs (o prejuízo da queda é maior do que o lucro da alta. Façam as contas: quanto você perde com uma queda de 50% e quanto você ganha com uma alta de 50%), perdeu dinheiro com a inflação e ainda vai ter que esperar o índice romper o topo histórico para ficar pelo menos no zero a zero nominal.
Levando em consideração que o volume de investidores pessoas físicas aumenta bastante nas regiões de topo, muita gente que investe numa réplica do S&P500 nos Estados Unidos pode estar há mais de 10 anos sem saber o que é tirar dinheiro do mercado.
Para os próximos meses as perspectivas para o S&P500 são boas. LTB rompida, tendência de alta sendo mantida desde 2009, com um recente upgrade do pivot de alta acionado este ano. Então é hora de comprar S&P500? A tendência não mostra sinais de esgotamento, mas se você não comprou em 1.100 há poucos meses atrás, porque vai querer pagar mais caro agora nos 1.400 pontos? A não ser que você queira entrar para pagar a conta da festa. Compras acima de 1.450 pontos são de risco consideravelmente alto no S&P500.
Agora vamos viajar para Europa, rumo à Frankfurt na Alemanha e aproveitarmos para tomarmos um chopp enquanto observamos o índice DAX logo abaixo:
Calma, você não está enxergando duas coisas, um chopp não faz este efeito. Este não é o S&P500, é o DAX mesmo. Mostrando também uma congestão de longo prazo que já dura mais de uma década. É o mesmo caso no qual comentamos anteriormente. A diferença é que o DAX ainda não rompeu sua LTB e não acionou pivot de alta este ano, mas mantêm a tendência de alta no longo prazo podendo testar esta grande zona de congestão em alguns anos. Há bastante espaço para uma realização de lucros, que poderá acontecer nos próximos trimestres, sem comprometer a tendência de alta.
Mas vamos fugir da Europa porque os países estão em austeridade fiscal, algumas economias estão em recessão e ainda existem sérios problemas nos déficits fiscais e rolagem das dividas a serem resolvidos. Vamos para o outro lado da moeda, onde o crescimento econômico transformou alguns países nos motores do mundo moderno. Observem logo abaixo o gráfico da bolsa de Xangai, na China.
Estranhou? Achou que seria uma longa tendência de alta refletindo a boa fase da economia chinesa? Muito pelo contrário, as tendências de médio e longo prazo são de baixa. Este gráfico é importante para demonstrar que não existe uma relação obrigatória entre economia e bolsa de valores. Os dados econômicos podem influenciar, algumas vezes, a oscilação dos índices no curto prazo, mas não passa disso. A bolsa de Xangai segue dentro de um forte canal de baixa desde 2009. Pode voltar a tocar na mínima do crash em 2008 em alguns meses ou no ano que vem. Não esboça nenhum sinal de reação.
Um dos índices mais parecidos com o nosso Ibovespa está na Índia. O índice Bombay possui praticamente o mesmo traçado de longo prazo do Ibovespa. Está um pouco mais distante do topo histórico e ainda não conseguiu romper sua LTB, mas continua mantendo a tendência de alta no longo prazo. O fato de não ter rompido esta LTB e ter deixado um candle de pavio longo no mês passado seguido por um candle de baixa renovando mínima, poderá jogar o índice para testar uma LTA que vem do fundo de 2009 em alguns meses. Possui bastante espaço para testar a LTA de longo prazo, formada em 2003, nos próximos anos.
Vamos encerrar o nosso passeio visitando este belíssimo país chamado Brasil, repleto de belezas naturais. Mas nem tão belo assim está o nosso índice Bovespa. O candle de fechamento mensal é uma estrela cadente, localizada bem abaixo da forte zona de resistência nos 68k, mesma região por onde passa uma LTB de um triângulo simétrico. Não foi um bom fechamento mensal e pode indicar que mais quedas poderão aparecer nos próximos meses, inclusive para jogar o índice de volta aos 60k ainda este ano. De qualquer forma a tendência no longo prazo é de alta, mesmo estando perto de fazer aniversário de 4 anos sem romper o topo histórico.
Fim do nosso passeio. Agora vamos descansar. Bom final de semana a todos vocês!




































