quinta-feira, 31 de maio de 2012

Tem tubarão na praia


O último dia útil do mês é sempre o dia preferido dos gestores para acerto de carteira. A mídia descobriu este “motivo” (até que enfim!) e adora utilizá-lo nas análises de encerramento do mês, hoje não foi diferente. Apesar de estarem corretos, análises deste tipo são bastante limitadas se não observarmos outros pontos importantes.

Os players sabem da existência desta “data oficial”, portanto podem fazer movimentações de grande importância no mercado que não serão “pegos” pela mídia, pois as análises “pré-fabricadas” se concentram na informação do acerto de posições e nada mais. Mas basta ampliarmos um pouco a visão para suspeitarmos de que algo está sendo armado no mercado.

Primeiro: o volume financeiro superou os 10 bilhões de reais (atípico, até para o último dia útil do mês). Segundo: o mercado abriu em baixa em meio ao pessimismo do noticiário, o que por sua vez causa impacto psicológico (medo) nos investidores pessoa física, favorecendo as condições para o abandono de posições. Terceiro: os players foram extremamente cuidadosos com a região de suporte nos 53k, esta linha não foi perdida e o start para abertura de posições compradas começou aí (percebe-se claramente através do aumento substancial do volume financeiro a partir desta região).

Mas e daí, onde estou querendo chegar com isso tudo? Pode ser que alguns players aproveitaram a oportunidade (da característica do dia, dos padrões técnicos e das condições macroeconômicas desfavoráveis) para montaram posição comprada nesta linha sem serem percebidos, acreditando em um repique próximo.

Pelo gráfico diário do Ibovespa pode-se observar que formamos o terceiro candle de pavio longo inferior bem acima da principal região de suporte no curto prazo: os 53k. Há uma LTB rápida que deverá ser atacada amanhã. Se esta linha for rompida, o índice ganhará impulso para atacar os 55k e posteriormente acionar um pivot de alta no intraday.


A situação para o médio e longo prazo é bem diferente. O gráfico mensal mostra a força da queda durante o mês de maio, um candle de alta relevância confirmando perda da média móvel simples de 20 períodos. A LTA de 2008 foi testada e respeitada, o que em tese seria também um bom ponto de compra (acreditando pelo menos em um repique) com stop barato. Mas nada garante que esta linha conseguirá segurar a queda do índice Bovespa. Em caso de perda ficará difícil para a linha dos 50k/48k fazer o trabalho de amortecedor da queda, bem como reversão da tendência.

  
Nos Estados Unidos o índice Dow Jones realizou teste sobre a região de suporte nos 12.3k. Após tocar esta linha, o índice conseguiu se recuperar. O candle de fechamento é um spinning top e sugere indecisão, com isso Dow Jones também vai se lateralizando no curto prazo.


Na Europa tivemos mais um dado negativo para tirar o sono do governo espanhol. O banco central do país registrou recorde de fuga capitais em março, devido à deterioração da confiança dos investidores na economia e no sistema financeiro. Observe o período, bem antes do agravamento da crise no país. Isto significa que a situação atual pode estar bem pior. A saída líquida de investimentos em março foi de 66,2 bilhões de euros.

Finalizando com a agenda no Brasil, o IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística) divulgou hoje que a produção industrial no país recuou 0,2% em abril, ante o mês de março deste ano. Na comparação com abril de 2011, a produção caiu 2,9%. Vale observar que neste período (abril de 2011) a taxa básica de juros estava em 12,00% ao ano, o dólar oscilava na casa dos 1,80 e mesmo assim a produção foi significativamente maior. O problema é câmbio e taxa de juros ou as pessoas que fazem a política econômica do país? Tirem as suas próprias conclusões.

quarta-feira, 30 de maio de 2012

Reduzindo a calibragem


O Copom (Comitê de Política Monetária) acabou de reduzir a taxa selic de 9% para 8,5% ao ano, reduzindo assim o ritmo de corte na taxa básica de juros. Este é o menor patamar de juros em toda a história do Banco Central e provavelmente não será o fundo histórico, a taxa poderá cair novamente na próxima reunião do Copom. Segue o breve comunicado divulgado após a reunião:

“O Copom considera que, neste momento, permanecem limitados os riscos para a trajetória da inflação. O Comitê nota ainda que, até agora, dada a fragilidade da economia global, a contribuição do setor externo tem sido desinflacionária. Diante disso, dando seguimento ao processo de ajuste das condições monetárias, o Copom decidiu reduzir a taxa Selic para 8,50% a.a., sem viés”.

Percebe-se que o Banco Central continua se apoiando no cenário externo para justificar os cortes na taxa selic, já que a inflação segue puxada, sem sinal de alívio e com projeções de fechamento anual fora do centro da meta (4,5%), mais uma vez. Como não houve indicações sobre fim do ciclo de afrouxamento monetário, deveremos ter pelo menos mais um novo corte sobre a taxa selic na próxima reunião do Copom (10 e 11 de julho). Vamos obter mais informações após a divulgação da ata na semana que vem.

Os mercados foram abalados nesta quarta-feira com os resultados de uma nova pesquisa eleitoral na Grécia apontando o partido radical Syriza (contra a austeridade fiscal) com 24,4% das intenções de voto. Em segundo lugar aparece o partido Nova Democracia com 23,7% e terceiro lugar o Pasok com apenas 14% das intenções de voto.

Ainda na Europa, o ministro das Finanças espanhol, Luis de Guindos, detalhou o plano de resgate para o Bankia, dizendo que pagará o socorro de 19 bilhões de euros com dinheiro levantado por meio de um leilão de bônus do Tesouro. O yield dos títulos soberanos espanhóis de 10 anos saltaram para 6,64%. O prêmio de risco da Espanha (diferencial entre o bônus espanhol e o alemão, ambos de 10 anos) também saltou para novo recorde historio aos 525 pontos.

A tensão aumentou nos mercados e Wall Street virou a mão na venda. O índice Dow Jones (assim como S&P500) fechou com um forte engolfo de baixa marcando topo em 12.6k, originando a formação de uma nova LTB. Poderá buscar a próxima linha de suporte em 12.3k.

  
No Brasil o índice Bovespa fechou o pregão em baixa respeitando a LTB de curto prazo. O suporte intermediário dos 54k não agüentou a pressão vendedora na abertura do pregão e agora o índice poderá retestar mais uma vez a linha dos 53k. Se esta linha for perdida o Ibovespa poderá buscar a região dos 50k (psicológico) em algumas semanas.


terça-feira, 29 de maio de 2012

Bateram carteira dos nacionais


A Bovespa devolveu nesta terça-feira praticamente todo o ganho obtido no pregão de ontem quando Wall Street estava fechada e Europa que havia fechado o dia em queda. O Ibovespa fechou em baixa de 1,05% e só não caiu mais devido o contrapeso da Vale (principalmente) e Petro que fecharam no azul. Esses papéis possuem peso relevante na composição da carteira do índice (22,86% no total).

Os demais ativos do índice sofreram com o movimento de queda, principalmente as construtoras. O JPMorgan reduziu nesta terça-feira a recomendação para os papéis da Gafisa, PDG e MRV. Ultimamente as ações da PDG estão apresentando um alto giro de posições por parte de um player estrangeiro. A queda de hoje lembrou os tempos de crash em 2008. Quando você acha que não vai cair mais (ou que fez um fundo temporário no intraday), o papel leva mais um tombo. A pancada de hoje foi a maior desde 6 de novembro de 2008.

Com isso o índice Bovespa acabou não conseguindo romper a LTB rápida de curto prazo (ensaiou um falso rompimento no início da manhã) e fechou perto da mínima do dia. Apesar da queda, amanhã haverá outra tentativa de ataque à LTB que está ficando cada vez mais forte e conseqüentemente ameaçando o suporte na região dos 54k.

  
Nos Estados Unidos o índice Dow Jones fechou em alta mesmo com a queda no índice de confiança do consumidor norte-americano. O índice marcou 64,9 pontos no mês de maio ante 68,7 do mês anterior. Este número veio bem abaixo das expectativas do mercado, esperava-se um avanço para 69,8 pontos. Sinal de que o mercado está comprado no rompimento da LTB do Dow Jones, que pode jogar o índice para fazer pullback na região dos 12.7k.


Na Europa os mercados também fecharam em alta com exceção da Espanha. Os conselhos de administração das caixas econômicas Liberbank, Ibercaja e Caixa 3 aprovaram nesta terça-feira sua fusão (para evitar insolvência), que dará lugar à sétima maior entidade financeira espanhola por volume de ativos. Lembrando que o Bankia é resultante de uma fusão para evitar insolvência, que evidentemente não deu certo pois está dependendo de recursos do governo para não quebrar.

As especulações de que a China irá anunciar medidas para impulsionar o crescimento econômico do país poderá reanimar os mercados no curto prazo. Mas tudo dependerá de como serão essas medidas, pois a China também luta contra a inflação.

segunda-feira, 28 de maio de 2012

Subindo na surdina


O mercado nacional aproveitou a ausência dos norte-americanos, devido ao feriado nos Estados Unidos, para levantar o índice na surdina. Ultimamente os investidores estrangeiros estão desovando parte das posições no mercado à vista e mais recentemente voltaram a montar operações de venda no índice futuro. O menor volume do ano (R$ 3,1 bilhões) revela pequena participação da massa especulativa que ficou concentrada em poucos players europeus.

A agenda econômica na Grécia foi positiva mas as bolsas fecharam no negativo. Novas pesquisas de intenção de voto mostraram que o partido Nova Democracia (favorável aos acordos de austeridade fiscal) reassumiu a liderança com 23,3% a 25,8% dos votos. A coalizão com o  Pasok (partido também favorável aos acordos de austeridade e permanência da Grécia na zona do euro) poderia alcançar a maioria no parlamento grego. A pressão dos líderes europeus (principalmente Alemanha) frente aos eleitores gregos parece estar funcionando.

A Espanha acabou azedando o desempenho das bolsas europeias. A taxa de risco do país (índice que mede o diferencial entre o bônus espanhol e o alemão, ambos de 10 anos) superou nesta segunda-feira o teto de 500 pontos base. Na Alemanha o índice DAX caiu 0,26%, na França o CAC perdeu 0,16%, na Itália o índice FTSE-MIB teve queda de 0,74%, na Espanha o Ibex despencou 2,17%. Inglaterra fechou de lado (pequeno ganho de 0,09%).

No Brasil o índice Bovespa fechou o pregão com uma boa alta, 1,38%, se compararmos com o desempenho dos mercados externos. A região dos 55k foi superada, mas observem no gráfico que ficamos esbarrados na LTB rápida dos 62k. Se esta LTB não for rompida o índice vai permitir entrada de operações vendedoras podendo devolver os 55k mirando teste sobre o  fundo de curto prazo em 53k.


A briga vai ser boa amanhã com a reabertura de Wall Street. Leilão de abertura poderá definir o movimento do dia na Bovespa e chamar entrada tanto na ponta compradora quando na ponta vendedora. Passando por cima da LTB, o pivot de alta no intraday ganha força para testar a resistência em 56.7k.

sexta-feira, 25 de maio de 2012

Fúria no futebol e na economia


Cuidado que lá vem a fúria. Era assim que os comentaristas, torcedores e telespectadores costumavam dizer ao transmitir e/ou assistir os jogos da seleção espanhola durante a última copa do mundo Fifa 2010 realizada na África do Sul. A seleção que encantou o mundo naquele ano conseguiu trazer o troféu pra casa e proporcionar um dos últimos momentos de alegria para a população daquele país.

Atualmente a economia da Espanha também pode ser apelidada de fúria. Uma fúria das mais de 5,6 milhões de pessoas (ou 25% da população) desempregadas no país. A fúria de alguns bancos que lutam para se manterem solventes em um sistema combalido. A fúria dos CDS (credit default swap, uma espécie de seguro contra calote) que estão batendo recordes de alta. A fúria para rolagem da dívida pública, que voltou a ficar cara demais. A fúria de uma economia que não consegue mais crescer e gerar empregos.

A cada dia que passa a situação da Espanha fica mais delicada, as sujeiras vão aparecendo conforme levantamos o tapete. Um bom exemplo está na recente operação de salvamento do Bankia. Estudos apontavam que seria necessário injetar 4,5 bilhões de euros para cobrir o rombo dentro da instituição financeira. Pouco tempo depois observaram que este valor não seria suficiente, o montante então subiu para 9 bilhões. Mas quanto mais se descobria sobre os ativos podres do banco, mais a quantia subia. O valor então saltou para 15 bilhões de euros.

Humn... isso não está me cheirando bem, pensou o governo. Não eram 4,5 bilhões quando ficou decidido que iríamos salvar o banco? E agora este valor já subiu pra 15 bilhões de euros? Ok, vamos fazer esta “doação” logo antes que suba novamente. E não é que subiu de novo? Hoje o Bankia informou que será necessário 19 bilhões de euros do governo para evitar a quebra da instituição financeira.

Se somarmos com a “doação” anterior de 4,46 bilhoes de euros já efetuada pelo governo, teremos um valor total de 23,4 bilhões de euros que foram “pelo ralo” somente para cobrir o rombo do Bankia. Este é o resgate financeiro mais caro da história da Espanha.

O governo autônomo da Catalunha (uma das regiões mais prósperas da Espanha) resolveu abrir o bico também ao dizer nesta sexta-feira que precisa de uma ajuda financeira urgente do governo espanhol. Artur Mas, governador da região, disse aos jornalistas que “o estado espanhol deve emitir títulos de dívida nacional para financiar a dívida regional da Catalunha”. Valor desta brincadeira? 13 bilhões de euros. Mas o governador não está tão “exigente” assim, ele reiterou depois dizendo que não interessa como, mas precisa de dinheiro para cumprir os seus compromissos no final do mês. Não há como retomar a confiança perdida para o mercado desta forma, aumentando ainda mais as dificuldades do país para conseguir rolar sua dívida.

A agência de classificação de risco S&P revisou nesta sexta-feira sua nota de risco econômico para a Espanha e informou considerar que a economia do país está dando um segundo mergulho na recessão, o que deverá provocar considerável aumento na quantidade de ativos problemáticos. A avaliação subiu de "risco elevado" para "risco muito elevado”. Além disso 5 bancos espanhóis foram novamente rebaixados pela S&P, são eles: Banco Popular Espanhol, Bankinter, Banca Cívica, Bankia, Banco Financiero e de Ahorros.

Analisando o fechamento dos principais índices mundiais, podemos observar que no geral os mercados de economias desenvolvidas conseguiram fechar a semana em leve alta enquanto os mercados emergentes fecharam a semana em leve baixa ou em indecisão.

Olhando o gráfico do índice Dow Jones percebe-se que apesar do aumento na volatilidade, o candle semanal mostrou sinal de um certo alívio após a queda forte da semana anterior. Este alívio temporário pode se estender pela próxima semana pois o fundo está sendo mantido até então.


Na Europa o índice DAX (Alemanha) fechou a semana em alta, conseguindo se manter acima de uma importante linha de suporte. Duas semanas seguidas trabalhando fundo em 6,2k pode resultar em uma pernada de repique. A conferir.


Na China a bolsa de Xangai fechou a semana em leve baixa perdendo a linha central de bollinger indo de encontro ao teste da LTA de curto prazo formada a partir do fundo em janeiro deste ano. 

  
No Brasil o índice Bovespa fechou a semana em leve baixa (praticamente de lado), mas oscilou bastante devido ao aumento da volatilidade. O candle de fechamento é um doji de indecisão fora das bandas de bollinger (colado na LTA de 2008) que pode indicar esgotamento desta forte pernada de baixa iniciada nos 69k. É uma queda em linha reta praticamente sem repique algum.


Tendência de baixa continua forte e inalterada. O fato de repicar ou lateralizar no curto prazo não invalida a tendência no médio prazo.

Bom pessoal, semana bem puxada e de volatilidade alta na bolsa. Por isso mesmo todos vocês merecem um descanso em baixa volatilidade neste final de semana. Aproveitem! Até segunda!

Posts da semana:

quinta-feira, 24 de maio de 2012

Um alto falante em Wall Street


Luis Stuhlberger, diretor de investimentos do maior fundo hedge do Brasil, o Credit Suisse Hedging-Griffo Verde (com um patrimônio líquido de 15 bilhões de reais), falou poucas e boas sobre a realidade econômica brasileira para agência de notícias Dow Jones. Segundo ele o enfraquecimento do real reflete a exaustão do modelo de crescimento brasileiro que infelizmente é totalmente voltado para expansão do consumo interno.

A seqüência de vexames dos resultados trimestrais brasileiros (quando comparado com outras economias emergentes), mesmo com as políticas de afrouxamento monetário, revelam uma falha enorme na política econômica do país. Stuhlberger aponta que o Brasil não fez reformas extremamente necessárias, como fiscais e sociais, e afirma que os anos de baixo investimento implicam que o modelo de crescimento impulsionado pelo consumo está perdendo o fôlego.

Stuhlberger ainda ressaltou que “apesar de gerar incertezas, a desaceleração da China ou a crise de dívida da Europa não são as culpadas pela saída de capital do Brasil. Os gregos, italianos, chineses e espanhóis não devem ser culpados pelos problemas. O Brasil é vítima dos seus próprios erros". Será que ele andou lendo o Finanças Inteligentes? Escrevemos basicamente a mesma coisa na análise do dia 17 de maio: “Mais uma vez bear market”.

Ainda no cenário macroeconômico, tivemos hoje a divulgação de indicadores importantes da atividade industrial. O Índice de Gerentes de Compras do setor manufatureiro da China registrou mais uma vez contração na atividade industrial. O indicador ficou em 48,7 pontos no mês de maio, resultado inferior ao de abril, que foi de 49,3 pontos. Na zona do euro, o índice composto baseado em uma pesquisa de gerentes de compras, mostra que a produção nas indústrias caiu para 45,9 em maio ante 46,7 pontos em abril.

A seqüência de contrações na atividade industrial dentro da zona do euro está cada vez mais forte mostrando que este será um ano de baixo crescimento e recessão em alguns países membros. Estes dados ruins não impactaram o desempenho das bolsas europeias nesta quinta-feira, índices em correções técnicas fecharam em alta.

Nos Estados Unidos o índice Dow Jones também fechou em leve alta após uma boa recuperação ao final do pregão. O candle de hoje não é um martelo mas confirmou o doji libélula de ontem com fundo marcado em 13.3k.

  
No Brasil o índice Bovespa fechou mais um dia em baixa, mas novamente pode-se observar uma recuperação ao final do pregão. Agora podemos observar dois candles seguidos de pavio longo inferior basicamente sobre a mesma região de suporte recém criada, os 53k. Estes pavios denunciam que neste ponto do gráfico está aparecendo força compradora ou que as vendas estão perdendo força. O mercado pode estar tentando trabalhar um fundo nesta região para enfim engatar uma pernada de repique mais consistente. A conferir.


quarta-feira, 23 de maio de 2012

Mantenha o sangue frio, a tensão aumentou


A sensibilidade dos mercados quanto às notícias e boatos divulgados na Europa está proporcionando um aumento de volatilidade nas diversas bolsas mundiais. Essas fortes oscilações nos preços de curtíssimo prazo demonstram como aumentou o nível de tensão nos pregões.

Qualquer informação ou boato (por mais inexpressivo que seja) pode causar um grande alvoroço nas negociações. Isso ocorre devido à alteração na parte emocional dos operadores (alto nível de tensão), que acabam agindo por impulso gerando movimentos bruscos típicos de manada.

Tudo começou quando saíram boatos de que as "autoridades da zona do euro" avisaram aos países membros para prepararem planos de contingência na eventualidade de a Grécia deixar o bloco. Acontece que esta suposta informação foi levantada na segunda-feira durante uma teleconferência da equipe de trabalho do Eurogrupo. Antes de espalhar o terror por aí, a mídia deveria informar que esta equipe de trabalho é formada por funcionários que trabalham para os ministros das Finanças do bloco. Ou seja, não há nenhuma autoridade aí. Além do mais, faz parte de qualquer equipe de trabalho levantar estudos e preparar planos de ação para qualquer eventualidade. Seja ela boa ou ruim.

Mas esta notícia caiu como uma bomba nos mercados altamente sensíveis a qualquer acontecimento na Europa, mais precisamente com o futuro da Grécia. Os índices então despencaram rapidamente.

Esta informação foi desmentida em um comunicado curto e grosso ao final da tarde pelo Ministério das Finanças da Grécia. "Essas informações não somente são falsas, como prejudicam os esforços da República Helênica (Grécia) para enfrentar seus desafios nesse momento crítico". Os operadores que abriram posição vendida foram obrigados a fechar posição e a volatilidade se encarregou do resto permitindo esta rápida recuperação ao final dos pregões que ainda estavam funcionando.

O Bundesbank também soltou um relatório nesta quarta-feira destacando que a situação na Grécia é altamente preocupante e se o país não manter os seus compromissos acordados no plano de resgate, terá de arcar com as graves conseqüências. O banco central alemão ainda destacou que o impacto sobre a zona do euro em uma possível ruptura com a Grécia seria significativo, mas contornável. Na verdade os alemães estão cruzando os dedos para que a Grécia continue dentro da zona do euro mantendo as políticas de austeridade fiscal. Este relatório do Bundesbank é uma forma indireta de pressionar os eleitores gregos.

Este show de volatilidade proporcionou a formação de um candle que pode emitir novo sinal de fundo no Ibovespa. Um martelo bem em cima da linha inferior de bollinger. A massa compradora deverá reabrir suas posições a partir do rompimento da linha nos 55k (se houver). Este rompimento confirmaria o martelo de hoje e superação da linha de resistência.

  
Nos Estados Unidos o índice Dow Jones também fechou o pregão em recuperação deixando um doji tipo libélula, mas que acaba lembrando um martelo. Descartamos o traçado da LTB rápida devido a seqüência de dois dojis no gráfico diário que indicam indecisão. O movimento poderá ser definido com os resultados dos índices de atividade industrial que serão divulgados amanhã.


terça-feira, 22 de maio de 2012

300% preparado? Então o buraco é mais embaixo


"Posso assegurar para vocês que estamos 100% preparados, 200% preparados, 300% preparados". Esta frase, mencionada pela presidente Dilma Rousseff, não caiu muito bem no mercado e somada com as medidas de urgência anunciadas ontem a noite, acabou revelando um certo desespero do governo em relação as projeções de crescimento para este ano.

Os problemas internos de nossa economia, constantemente abordados em nosso blog, continuam não recebendo devida atenção do governo federal. Em contrapartida, o pacote de 2,7 bilhões de reais anunciado ontem pelo ministro Guido Mantega para estimular o consumo (através do corte de impostos na linha de produção de carros e no financiamento de veículos, além da redução no compulsório) irá apenas minimizar a grande decepção do nosso PIB em 2012.

Um relatório divulgado hoje pela CNI (Confederação Nacional da Indústria) revela que a indústria brasileira enfrentou em abril um cenário de elevados estoques, queda da produção, baixa atividade e retração nas expectativas. O indicador da CNI que mede a atividade industrial ficou em 45,3 pontos no mês passado, o que representa uma queda de 9,3 pontos em comparação com o mês de março.

A impressão que fica com essas declarações e medidas de urgência (de curto prazo e impacto limitado) é que a ficha está começando a cair para o governo e por isso mesmo o mercado entende que o buraco pode estar mais embaixo. As projeções de crescimento do ministro da Fazenda para este ano estavam (e ainda estão) otimistas demais. Além disso, deve-se reconhecer que deterioração do cenário interno poderá se agravar com a recessão (Europa) e desaquecimento (China) no cenário externo.

Na bolsa de valores o índice Bovespa fechou em forte baixa devido à nova entrada de operações vendedoras no mercado. Os ursos não quiseram esperar chegar nos 58k para formar a linha “de ataque” e derrubaram o índice nas proximidades dos 57k, ponto curioso pois é uma área limpa no gráfico.

  
A abertura do pregão de amanhã será decisiva para esta pernada de repique, isso porque será testada a linha de suporte em 55k juntamente com a LTA de curtíssimo prazo melhor visualizada no intraday de 60 minutos (ameaçando romper). Se estas linhas não agüentarem a pressão vendedora (pode-se observar que as posições ainda estão abertas), o fundo em 54k poderá ser testado novamente.


Nos Estados Unidos o índice Dow Jones fechou com um doji de indecisão bem no rompimento da LTB rápida que vem desde o topo em 13.3k. Não confirmou o movimento e deverá se decidir amanhã.



segunda-feira, 21 de maio de 2012

Se ficar o bicho come


A correria para encerramento dos contratos de opções nesta segunda-feira garantiu um forte movimento de repique na Bovespa com o movimento especulativo saindo de posições vendidas de curtíssimo prazo tanto no mercado à vista, quanto no mercado de opções. O pânico de alta esteve basicamente concentrado em ativos de alta liquidez, os preferidos para operações de alta freqüência e opções. Não foi por acaso que só as blue chips explodiram para cima.

A abertura do pregão foi bem tranqüila, índice operando em leve alta sem nenhuma novidade. Mas em dias de vencimentos de contratos de opções ou índice futuro você deve prestar bastante atenção nos movimentos do mercado pois sabe que há uma grande quantidade de especuladores com o dedo no gatilho. Basta um “espirro na agenda econômica” ou um rompimento técnico e você vai ver um movimento parecido com a largada da São Silvestre, todo mundo correndo.

Do lado macroeconômico não aconteceu nada que surpreendesse os mercados, nem mesmo a reunião do G8 (por sinal este encontro foi bastante emocionante. Os líderes políticos fizeram uma pausa importante para assistir a final da UEFA Champions League. Acredite é verdade). Então o que aconteceu foi um movimento técnico importante. Para entender melhor vamos abrir o gráfico de 60 minutos do Ibovespa.

  
Observem no candle de sexta-feira passada. Um spinning top bem abaixo da LTB rápida de curto prazo (é a linha de tendência que originou todo este derretimento desde os 60k). Spinning top significa indecisão, ou seja, o fechamento do último pregão não indicou tendência para o próximo dia, justamente com vencimento de contratos de opções. Por este motivo a abertura dos negócios foi bem fraca, mesmo assim as negociações normais (até então o pessoal das opções estavam só monitorando) empurraram o índice para um novo encontro com esta LTB.

Estas negociações permitiram o início de rompimento da LTB e a partir daí foi dada a largada da São Silvestre. Aperta o gatilho, salve-se quem puder. A massa especulativa em posições vendidas bateu em retirada. O movimento deu seqüência no mercado à vista com a confirmação de fundo nos 54k, originando assim uma perna de alta.

No gráfico diário podemos observar também a configuração de fundo pelos candles. Um hamari de fundo que originou um candle de forte alta nesta segunda-feira engolfando o candle de quinta-feira. Não significa que esta pernada de baixa iniciada em 69k chegou ao fim, mas houve uma virada de mão no mercado e a pernada agora é pra cima, rumo à próxima LTB e posteriormente os 58k. Observar a pernada pelo intraday em 60 minutos, fundo ascendente pode abrir novo ponto de entrada.


O mercado em Wall Street também fechou em alta, mas não tão forte quanto o nosso devido aos fatores internos citados logo acima. Os índices repicaram com novos resultados das pesquisas de opinião do final de semana na Grécia. Os dados mostram que os conservadores do Partido Nova Democracia e os socialistas do Pasok estão recuperando alguns votos, onde juntos (hipótese) podem conseguir formar um governo de coalizão que manterá a política econômica no país.

Com isso o índice Dow Jones conseguiu fechar em alta formando um fundo descendente na região dos 12.3k. Existe uma LTB rápida que poderá ser rompida amanhã. O possível rompimento desta linha abre espaço para um movimento de pullback sobre a linha de resistência em 12.7k.


sexta-feira, 18 de maio de 2012

O credor na mão do devedor


Alexis Tsipras, chefe da Coligação da Esquerda Radical (também conhecida como Syriza) e forte candidato a primeiro-ministro do país nas próximas eleições, está conseguindo se impor perante a União Européia antes mesmo de ser, possivelmente, eleito. Radicalismos a parte, podemos estar observando a ascensão de um político que há muito tempo não se via no mercado.

Alexis conhece muito bem as regras do jogo e por isso mesmo joga duro, sabe atacar os pontos fracos de seus adversários (leia-se cúpula da zona do euro) ao mesmo tempo em que defende os interesses nacionais. Ele disse hoje que um colapso na Grécia arrastaria todo o restante da zona do euro (em partes ele tem razão) e se a Europa cortar o financiamento ao país ele vai dar calote nos seus credores.

"Nossa primeira opção é convencer nossos parceiros europeus de que, no seu próprio interesse, o financiamento não deve ser interrompido. Não temos a intenção de tomar iniciativas unilaterais. Mas, se eles tomarem iniciativas unilaterais, ou, em outras palavras, se cortarem o nosso financiamento, então seremos forçados a parar de pagar nossos credores, a fazer uma suspensão dos pagamentos aos credores."

Olha onde a Europa foi se meter. Perceberam como Alexis colocou toda a zona do euro no mesmo barco que a Grécia está? Eu estou te devendo, mas para o seu próprio bem você terá que continuar me emprestando mais dinheiro, caso contrário eu não vou pagar nada do que devo à você e todos nós vamos afundar juntos.

O governo do Reino Unido realizou um estudo de contingência para avaliar o impacto da saída da Grécia da zona do euro. O prejuízo estimado chegaria em torno de 1 trilhão de euros. Isso é munição suficiente para jogar os mercados em um crash tão violento quanto o de 2008 causado pela quebra do Lehman Brothers. O efeito cascata sobre as dívidas de outros países periféricos da zona do euro e algumas instituições financeiras altamente expostas em dívida grega são inestimáveis, mas evidentemente desastrosas. A Europa não está preparada para uma saída desorganizada da Grécia da zona do euro. Alexis sabe disso.

E ainda não acabou. O líder da esquerda radical quer abandonar o programa de austeridade fiscal e implementar um pacote de estímulo para impulsionar a economia grega. Vários líderes europeus deixaram claro, algumas semanas atrás, que o programa de austeridade fiscal é condição essencial para que a Grécia receba as parcelas restantes do pacote de ajuda.

Quem vai ceder? Diante desta virada de jogo, o credor ficou na mão do devedor. A Grécia, um pequeno país de PIB inexpressivo dentro da Europa, conseguiu “roubar” o controle remoto de implosão do euro e ameaça apertar o botão se as suas reivindicações não forem aceitas. Alexis Tsipras, se for eleito, vai entrar para história como o homem que colocou Merkel e companhia pra dançar o Sirtaki em cima do euro.

A semana foi bastante turbulenta nas diversas bolsas de valores espalhadas pelo planeta. Vamos começar a nossa jornada partindo da matriz. Observem logo abaixo que o índice Dow Jones fechou a semana em forte baixa devido a perda da região de suporte em 12.7k. Índice segue caminhando para testar a próxima região de suporte em 12.2k. A velocidade da queda indica futuras dificuldades para esta linha nos 12.2k conseguir segurar o movimento vendedor.


Na Europa o índice DAX (Alemanha) também fechou a semana em forte baixa invalidando o martelo da semana anterior. Este movimento pegou muitos alemães no contrapé, pois era um excelente sinal de fundo acima da LTA. O índice deverá testar na próxima semana a fraca região de suporte em 6.2k. Caso esta linha não segure o movimento vendedor a média móvel simples de 200 períodos ficará ameaçada.


Na China a bolsa de Xangai também fechou a semana em baixa voltando para dentro de uma LTB intermediária. Ao que tudo indica, o índice poderá perder a linha central de bollinger e realizar teste sobre a LTA de curto prazo. 

  
Mas os movimentos de quedas fortes que atingiram as bolsas mundiais na semana ficam pequenos quando comparados com o candle horroroso no gráfico semanal do índice Bovespa.

O Ibovespa capotou feio ao perder a média móvel simples de 200 períodos devido ao encerramento de posições compradas mais longas de investidores expressivos (em sua maioria estrangeiros). A queda foi tão forte que a linha dos 55k (último suporte forte) foi rompida facilmente com o mesmo candle.


A tendência de baixa está com força total (com repiques, claro) e o próximo alvo está na fraca região de suporte nos 52k. Abaixo disso temos o patamar psicológico em 50k que deverá fazer pressão compradora juntamente com os 48k.

Bom pessoal, depois de uma semana dessas na bolsa a única coisa que posso dizer é desejar um ótimo final de semana para todos vocês! Recarreguem bem as baterias porque segunda-feira já começa com vencimento de opções. Forte abraço e até mais!

Posts da semana:

quinta-feira, 17 de maio de 2012

Mais uma vez, bear market


A bolsa brasileira conseguiu realizar a façanha de entrar novamente em bear market num período inferior a 12 meses. A queda já superou os 20% (percentual que caracteriza um bear market técnico) desde o topo registrado no mês de março deste ano, na região dos 69k. Diferentemente do último bear market em 2011, este novo mercado de baixa mostra-se mais respaldado do que o anterior pois conta com a deterioração nos fundamentos de diversas empresas que participam do índice Bovespa.

Outra diferença está no intervencionismo do Estado sobre a economia. A influência do governo sobre algumas empresas, bem como na economia como um todo, aumentou consideravelmente obrigando investidores de posições mais longas a se retirarem parcialmente (ou totalmente em alguns casos) do mercado.

Medidas e intervenções no câmbio para inibir o movimento especulativo e desvalorizar o real artificialmente também fizeram com que muitos investidores estrangeiros (bem como os japoneses experts) partissem em retirada do mercado brasileiro em busca de outros países emergentes com políticas econômicas mais estáveis.

A não realização das reformas estruturais tão necessárias para o crescimento econômico e sustentado da economia nacional também desagradam alguns investidores que apostam no crescimento do país. O fato do setor industrial não conseguir crescer em uma nação emergente, com um excelente mercado interno a ser explorado, revela falhas graves na política econômica do país. Fechar 2012 com PIB inferior a 4% (e mesmo assim inflado pelo aumento do gasto, endividamento e inadimplência das famílias, via política de afrouxamento monetário) pode significar uma tremenda derrota para o Brasil.

Não vamos adentrar nos demais fatores macroeconômicos, bem como padrões técnicos, para não sermos repetitivos. O fato é que novamente entramos em um bear market perfeitamente justificável. Nas atuais condições, o mercado não está sendo nem um pouco irracional. Reparem que não foi necessário apontar a crise na Europa, o baixo crescimento nos Estados Unidos ou a desaceleração na China para justificar o bear market brasileiro. Estamos descendo a ladeira por motivos (em sua maioria) internos.

Observem que desde o teste na LTB (região dos 62k) houve apenas um único dia em que o índice conseguiu fechar em alta, e mesmo assim foi um movimento bastante tímido. Pode-se dizer então que descemos 8.000 pontos praticamente sem parar.

  
O Ibovespa sequer esboçou reação compradora na região de suporte relevante dos 55k, ponto por onde passava também a LTA do fundo em 48k. Abaixo dos 55k as linhas de suportes são mais fracas e o mercado fica à mercê da incerteza ou de um bear trap para tentar engatar um repique de alta.

No cenário macro tivemos o anúncio de rebaixamento no rating de 16 grandes bancos espanhóis pela Moody’s, devido a rápida deterioração de qualidade dos ativos, restrições no acesso ao mercado e menor solvência financeira do país. Eis a lista:  Banesto, Santander UK, BBVA, CaixaBank, La Caixa, Caja Rural de Navarra, Banco Cooperativo Espanhol, Bankinter, CECA, Caja Rural de Granada, Liberbank, Cajamar, Lico Leasing, Unicaja, Banco Popular e Banco Sabadell. Nem o Santander e BBVA conseguiram escapar.

A Agência de classificação de risco Fitch também apareceu em cena ao rebaixar o rating da Grécia para “CCC”, devido ao elevado risco de que o pais seja expulso da zona do euro. Esta condição está vinculada ao resultado das próximas eleições, onde as pesquisas apontam maioria dos partidos radicalistas anti-austeridade.

Nos Estados Unidos o índice Dow Jones fechou em baixa invalidando o candle do dia anterior. Segue rumo para o teste na região dos 12.2k, mesma região por onde passa a importante média móvel simples de 200 períodos.


quarta-feira, 16 de maio de 2012

O fantasma do corralito grego


Em dezembro de 2001 o ex-presidente da Argentina, Fernando de la Rua, entrou para a história mundial ao decretar uma medida de desespero para tentar impedir a quebra do sistema financeiro do país. O corralito foi criado para interromper a onda de saques nos caixas eletrônicos. Os argentinos estavam comprando dólares ou enviando dinheiro ao exterior para evitar a perda de recursos dentro das instituições financeiras. Evidentemente o corralito não funcionou, a Argentina quebrou e foi obrigada a declarar moratória.

Os saques volumosos dos últimos dias estão aumentando o risco de pânico dentro do sistema financeiro da Grécia. Clientes temendo o “corralito grego” ou mesmo a perda considerável de capital em uma conversão à moeda antiga (dracma) estão limpando suas contas bancárias nos bancos.

Desde a última segunda-feira, estima-se que foram retirados entre 700 bilhões de euros a 1,2 bilhão de euros em dinheiro por clientes dentro sistema financeiro do país. O Financial Times foi mais longe e afirmou que os saques já teriam superado 1,2 bilhão de euros desde a segunda-feira.

O Banco Central da Grécia está monitorando a onda de saques com bastante preocupação porque o sistema financeiro do país é um dos mais frágeis da Europa. Esta informação ficou evidente após os testes de estresse coordenados pelo BCE (Banco Central Europeu). Alguns bancos gregos não estão conseguindo operar com o BCE, as portas foram fechadas para instituições que não foram recaptalizadas.

Hoje também tivemos a divulgação da ata da última reunião do FED (Federal Reserve) nos Estados Unidos. A autoridade monetária sinalizou maiores preocupações com a política fiscal do país e seus impactos sobre a economia. O índice Dow Jones fechou em leve baixa com um martelo invertido que pode indicar fundo temporário de curto prazo.


No Brasil tivemos a divulgação de mais um dado negativo para a economia. Segundo a Serasa Experian, a inadimplência do consumidor cresceu 4,8% em abril, em relação ao mês anterior. Na  comparação com o mesmo período do ano passado, o indicador registrou forte alta de 23,7%. Para o mês de abril esta é a maior elevação dos últimos 10 anos.

O índice Bovespa fechou o pregão em baixa após iniciar um movimento de repique forte na primeira hora de pregão. Após se aproximar da região dos 58k, a força vendedora apareceu rapidamente derrubando o índice para as mínimas em 55.4k. Este movimento culminou na perda da LTA que vem do fundo em 48k. Apesar de tudo tivemos um spinning top fora das bandas de bollinger que pode indicar fundo temporário no gráfico.


terça-feira, 15 de maio de 2012

Grécia vai realizar novas eleições


"Pelo amor de Deus, vamos partir para algo melhor e não para algo pior". Essa é a situação da Grécia neste exato momento. Esta frase foi dita pelo líder do partido socialista, Evangelos Venizelos, após mais uma tentativa fracassada de formar um governo de coalizão no país.

O Parlamento grego está totalmente dividido entre os partidos que apóiam os pacotes de ajuda da UE (União Europeia) e do FMI (Fundo Monetário Internacional) e os partidos que são contra a ajuda internacional.

A Grécia deverá realizar novas eleições no próximo mês e a situação está piorando cada vez mais. As pesquisas de intenção de voto apontam que o partido radical de esquerda Syriza (contra os pacotes de resgate) deverá ser o provável vencedor nestas novas eleições.

A chanceler alemã, Angela Merkel e o novo presidente francês, François Hollande, se reuniram hoje para discutirem assuntos relacionados à Grécia e também sobre a retomada do crescimento econômico da zona do euro. As propostas poderão ser apresentadas na reunião de cúpula do mês que vêm. Merkel disse ainda que os dois líderes querem que a Grécia permaneça na zona do euro.

O índice Bovespa fechou mais um pregão em forte baixa sendo impactado pela debandada de investidores estrangeiros de nosso mercado. Somente hoje o giro financeiro fechou em 7,98 bilhões, bem acima da média. Reflete a saída de posições compradas mais longas devido à perda da média móvel simples de 200 períodos.

  
A LTA formada em agosto do ano passado deverá ser testada no pregão de amanhã e com isso oferecendo uma oportunidade para o índice repicar. Mas por enquanto não há nenhum sinal de fundo, nem nos gráficos intradays. Mesmo que o repique apareça, ficará difícil para o índice se manter acima desta LTA. Haja vista que alguns papéis que compõe a carteira do Ibovespa já perderam a LTA de sustentação formada a partir do fundo desta mesma crise no ano passado.

Nos Estados Unidos o índice Dow Jones não conseguiu se manter acima da linha de suporte em 12.7k. Pivot de baixa foi acionando e arrebentou a congestão de curto prazo para baixo. Deverá testar a região dos 12.2k nas próximas semanas.


segunda-feira, 14 de maio de 2012

Grécia, sempre ela


Ano após ano a macroeconomia grega continua sendo o principal driver bear para o mercado. Quer derrubar os mercados mas não sabe como? “Seus probrema se acabaram-se”! Entre em contato com o “Seu Creysson da Zoropa” e agende uma visita. “Possuímiu excelentis opções em nosso estoquiu, pronta pra seris utilizadias!” Brincadeiras a parte, o que acontece na Grécia não é surpresa para ninguém, mas os players ainda a utilizam para contar com o efeito psicológico em suas estratégias de posições vendedoras.

O que acontece atualmente é o seguinte: se e o presidente da Grécia, Karolos Papoulias, não conseguir formar uma coalizão até quinta-feira, novas eleições serão realizadas em junho. Fora a velha especulação de que o país pode ser expulso da zona do euro. Em contrapartida o chefe do Eurogrupo, Jean-Claude Juncker, afirmou hoje que a Grécia deveria permanecer na zona do euro e que faria o possível para que conseguisse isso. Lembrando que o país deve manter as reformas acertadas com as autoridades europeias para se manter dentro da zona do euro.

A economia grega é irrelevante para a União Europeia como um todo, o risco maior está no contágio entre outros países periféricos via dívida soberana (aumento do custo destes países para captar recursos no mercado financeiro). Enquanto a situação não se definir na Grécia, os mercados continuarão instáveis, o que acaba sendo um prato cheio para a especulação girar uma posição maior no curto prazo.

Na Bovespa o agravante maior foi a perda da média móvel simples de 200 períodos diária e semanal. Esta linha disparou stops e deu saída de muitas posições compradas de investidores com posições mais longas nas carteiras. Isso porque a média móvel simples de 200 períodos funciona como um divisor de águas para muitos fundos e investidores da praça. A maioria considera que o mercado é bull quando o índice opera acima desta média e bear quando opera abaixo desta média móvel.

  
Queda forte e candle de alta relevância. Passaportes carimbados para visitar a região dos 55k. Não significa que o teste será feito de forma imediata, repiques intermediários podem aparecer dentro da tendência de baixa.

Nos Estados Unidos o índice Dow Jones fechou iniciando perda da importante linha de suporte em 12.7k. O custo do seguro da dívida da Espanha contra default (o famoso CDS) atingiu um novo recorde nesta segunda-feira. O custo financeiro para o país conseguir emitir dívida no mercado também subiu atingindo níveis de dezembro/2011 devido as preocupações com o sistema financeiro local.


Teste de fogo para o Dow Jones amanhã. Se não mostrar uma reação em cima desta linha de suporte, vai acionar pivot de baixa e detonar esta congestão para baixo. Alvo inicial em 12.2k.

sexta-feira, 11 de maio de 2012

J.P. Morgan e o “baleia de Londres”


James Dimon, diretor-presidente do J.P. Morgan Chase & Co, soltou uma bomba no mercado após a teleconferência de última hora realizada na noite de quinta-feira. Dimon disse que o banco teve 2 bilhões de dólares em prejuízos com operações nas últimas seis semanas e pode perder mais 1 bilhão de dólares no segundo trimestre por causa de aplicações equivocadas em derivativos na mesa de gestão de balanço do banco.

Os negócios com derivativos faziam parte de uma estratégia do J.P. Morgan para compensar eventuais perdas com empréstimos e títulos de dívida.  O banco armou a operação de maneira estranhamente confusa e errada, o que na prática acabou intensificando ainda mais as suas perdas. Compraram seguro contra prejuízo em títulos da dívida privada, via derivativos de créditos (ganham valor quando aumenta o risco de calote). Ao mesmo tempo, apostaram com derivativos no evento contrário (redução do risco de calote).

O presidente do banco reconheceu que o hedge foi mal executado e mal monitorado. Por enquanto, esta foi a única informação disponibilizada ao mercado. Será feita uma investigação interna para apurar o caso, já que a mesma foi efetuada com os recursos do próprio banco. Os clientes não foram prejudicados.

Tudo indica que o corretor londrino Bruno Michel Iksil, mais conhecido no mercado como “baleia de Londres”, pode ser um dos responsáveis por este rombo no banco. Iksil trabalha na unidade do J.P. Morgan dedicada a minimizar os riscos do mercado e investir os excessos de fundos do banco. De acordo com a imprensa britânica, este sujeito podia movimentar sozinho o mercado de derivados (o paraíso da especulação).

O baleia de Londres estaria extremamente comprado em uma posição onde os fundos hedge estariam na ponta oposta. Este apelido ganhou fama no mercado porque Iksil efetuava operações muito volumosas que ocasionaram perdas milionárias na outra ponta.

Curioso é observar que o J.P. Morgan luta contra a tentativa das autoridades de aumentar a regulamentação para coibir aplicações arriscadas no mercado financeiro e a própria instituição foi vítima desta não regulamentação. Os bancos norte-americanos continuam livres para brincar no mercado financeiro, parece que o mercado não aprendeu nada com as lições de 2008.

O fechamento da semana ficou no vermelho em diversos índices mundiais. Nos Estados Unidos o índice Dow Jones iniciou a perda da linha central de bollinger indo de encontro para o teste na linha de suporte dos 12.7k. Ainda está dentro de uma zona de congestão de curto prazo, se o rompimento for para baixo deverá acelerar o movimento de queda e buscar sem muita cerimônia a região dos 12.2k.


No principal mercado europeu, o índice DAX na Alemanha fechou a semana em leve alta e deixou um candle de reversão bem acima da linha inferior de bollinger. Este tipo de candle não confirma a perda da LTA pois é um atrativo para os movimentos de repiques e está bem acima da região de suporte em 6.4k

  
Na China, o principal índice da bolsa de Xangai fechou em queda devolvendo todos os ganhos da semana anterior e marcando possível topo abaixo da resistência em 2.4k. Poderá fazer pullback na LTB rompida ou mesmo testar LTA mais abaixo.


No Brasil o índice Bovespa fechou mais um semana em queda perdendo importante linha de suporte dos 60k. Desde o topo marcado em 69k foram sete semanas de queda e apenas uma de alta. Mercado nacional continua extremamente vendedor, os repiques não aparecem pois não há força compradora suficiente para mantê-los por muito tempo, ou nos últimos casos, os repiques estão durando apenas algumas horas.


A média móvel simples de 200 períodos é a nova linha de suporte para tentar fazer o índice engatar um repique que o leve ao menos para um teste sobre a LTB bastante inclinada. Ainda não há nenhum sinal de fundo temporário no gráfico e se esta média móvel for perdida (atualmente em 58.8k) iremos testar a LTA do fundo do crash do ano passado (iniciada nos 48k). Alguns ativos de peso no índice já estão testando suas LTAs do crash do ano passado e não fecharam a semana soltando sinal de fundo.

Bom pessoal, então é isso. Por hoje é só. Desejo a todos vocês um ótimo final de semana! Bom descanso e até segunda!

Posts da semana:

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