sexta-feira, 29 de junho de 2012

Um pequeno grande passo


A desacreditada reunião dos líderes europeus encerrada nesta sexta-feira conseguiu enfim encontrar o caminho para reestruturação do euro lançando um programa extenso, complexo e de longo prazo rumo à união fiscal, bancária, política-econômica e democrática.

Após 14 horas de intensas discussões, os líderes da zona do euro concordaram com uma série de medidas para sustentar a união monetária e reduzir os custos de empréstimo dos países em dificuldade de captação de recursos no mercado. Uma jogada política (blefe inteligente) entre os líderes espanhóis e italianos garantiu o primeiro passo de um grande avanço dentro do euro. Os governantes destes países ameaçaram impedir a criação do pacote de medidas para promover o crescimento na zona do euro (pacote de 120 bilhões de euros levantado recentemente com aval da Angela Merkel) para pressionar a Alemanha aceitar as medidas propostas na reunião e aliviar os custos de empréstimos que Espanha e Itália estão enfrentando.

Com isso os líderes europeus concordaram em permitir que os fundos de resgate injetem recursos diretamente nos bancos problemáticos da zona do euro a partir de 2013 (sem precisar de passar pelos governos dos respectivos países), além de estarem liberados para intervenções nos mercados de títulos públicos para dar suporte aos países em dificuldades de emissão.

A primeira grande crise do euro está abrindo os caminhos para a criação de uma união bancária (com a criação de uma supervisão bancária europeia), fiscal e política. Para isso as autoridades deverão propor um calendário de longo prazo para criação de um Tesouro nacional (envolvendo toda a zona do euro), abrindo novas portas para implementação do eurobônus. A união política permitirá vetos a orçamentos nacionais e limites à emissão de dívida dos países.

Mesmo saindo derrotada da reunião, Angela Merkel disse que o Parlamento alemão manterá poder de veto sobre qualquer proposta de uso do fundo de regaste e/ou mudanças no modo de atuação. A chancelar alemã também destacou que liberar assistência financeira aos países-membros não significa abandono das medidas de austeridade fiscal, que por sua vez deverão ser cumpridas conforme as exigências da União Europeia.

Ainda restam muitas dúvidas a serem esclarecidas ao mercado (principalmente quanto as condições de ajuda), além de muito trabalho pela frente. A crise da Europa não chegou ao fim, as dívidas soberanas não podem ser deletadas do sistema e a recessão se faz presente em boa parte das economias do bloco. Porém este pode ser o primeiro passo de uma longa caminhada rumo à união entre países nunca antes vista na história do capitalismo. Se vai dar certo ou não isso é outra história, para ser contada daqui ha um bom tempo.

As bolsas de valores ao redor do planeta reagiram muito bem com esta notícia na Europa. O mercado asiático foi o primeiro a abrir após o término da reunião dos líderes europeus. A bolsa de Xangai na China recuperou nesta sexta-feira boa parte das perdas sofridas na semana, mas não foi suficiente para fechar no azul. O candle de fechamento não pode ser considerado um martelo de fundo, porém deve-se prestar relevância ao pavio longo inferior colado na banda de bollinger próximo a região de forte suporte em 2.1k.


Na Índia o principal índice da bolsa de Bombay fechou a semana em forte alta rompendo a linha central de bollinger dando seqüência à pernada de alta iniciada a partir do fundo sobre a média móvel simples de 200 períodos. Deverá testar a LTB formada a partir do topo em 21k nas próximas semanas.


Na Europa os mercados fecharam a semana em alta mostrando um movimento de forte recuperação nesta sexta-feira. O índice DAX fechou na máxima, colado na zona de resistência em 6.4k e LTB de curto prazo. Passando por esta região terá caminho livre para testar a linha central de bollinger nas próximas semanas.
  
   
Em Wall Street o índice Dow Jones também fechou a semana em alta, colado na máxima, bem próximo a zona de resistência psicológica dos 13k. Conseguiu se afastar da LTB rompida que vêm do topo histórico após um bear trap (voltando pra dentro da linha e retomando-a logo em seguida). Se o índice conseguir passar pela região dos 13k terá boas chances de testar novamente o topo deste ano na região dos 13.3k.


No Brasil o índice Bovespa fechou a semana em baixa, mas isso não tirou o brilho da invertida de mão no mercado. A região de suporte em 52.5k foi testada e respeitada formando um fundo duplo e mostrando aparecimento da força compradora que estava ausente desde os 57.6k.


A LTA de 2008 conseguiu segurar mais uma vez o movimento de queda no índice, mesmo após o início de rompimento que não foi confirmado justamente no último pregão da semana. O candle de fechamento é um martelo colado na banda inferior de bollinger em região de forte suporte. Esta formação vai abrir espaço para testar com mais força a LTB que vêm do topo em 69k (aumentando as probabilidades de rompimento).

Bom pessoal, vamos encerrando nossa análise por aqui. Desejo a todos vocês um excelente final de semana! Segunda-feira estaremos de volta.

Posts da semana:

quinta-feira, 28 de junho de 2012

O sinal amarelo dos bancos centrais


Assim como o Federal Reserve (banco central dos Estados Unidos), o Banco Central do Brasil aumentou recentemente suas preocupações com o crescimento econômico mundial e conseqüentemente suas projeções para economia brasileira estão mais pessimistas do que antes.

Na semana passada Ben Bernanke, presidente do FED, se mostrou mais pessimista em seu discurso após o termino da reunião do comitê de mercado aberto.  As estimativas de crescimento do PIB americano foram reduzidas, bem como as projeções de melhorias no mercado de trabalho.

O Relatório Trimestral de Inflação do Banco Central do Brasil divulgado nesta quinta-feira mostra uma redução na previsão para o crescimento da economia brasileira neste ano. A estimativa caiu de 3,5% (último relatório) para 2,5% devido à lenta recuperação da atividade econômica. Este número, se confirmado, será menor do que o fraco crescimento registrado no ano passado.

O documento revela uma nítida preocupação do BC com relação à piora no cenário externo. “O cenário econômico mundial continua com perspectivas de baixo crescimento por um período de tempo prolongado”. A palavra “prolongado” utilizada no relatório é bastante preocupante pois indica que a desaceleração na economia mundial está longe do fim.

As projeções para a inflação em 2012 também pioraram. Segundo o BC, o IPCA fechará este ano em 4,7% (portanto, fora da meta de 4,5%), ante previsão anterior de 4,4% (dentro da meta). Esta é a primeira vez que o Banco Central admite, mais uma vez, não conseguir fazer a inflação convergir para o centro da meta.

O barulho provocado no mercado pelas ações das empresas do Sr. Eike Batista acabou desviando, de certa forma, atenção dos investidores. E não é pra menos, uma grave crise de confiança e credibilidade relacionado ao Eike Batista estourou no mercado e as cotações de suas empresas estão sendo duramente penalizadas. Alguns ativos esboçam movimentos de pânico generalizado que lembram os momentos de crash nas bolsas de valores.

Os negócios envolvendo as ações OGXP3, por exemplo, foram paralisados duas vezes durante o pregão de hoje para tentar acalmar o mercado. Mesmo assim as ações fecharam o dia com uma queda superior a 19%. MMXM3 perdeu 17%, OSXB3, CCXC3 e PRTX3 fecharam com uma queda superior a 10%, enquanto LLXL3 e MPXE3 caíram cerca de 8% e 2% respectivamente.

Com este peso o índice Bovespa fechou mais um dia em queda testando a última região de suporte (52.5k) capaz de evitar uma nova pernada de baixa no médio prazo. Houve início de rompimento desta linha, mas a falta de volume não confirmou o movimento. Amanhã é o último dia útil do mês e vamos poder observar se os gestores estarão animados (ou terão bala na agulha) para levantar os rendimentos das carteiras. Lembrando que a maioria trabalha para fechar acima do Ibovespa, portanto se as carteiras estiverem com uma certa folga em relação ao benchmark, não haverá necessidade da famosa “puxadinha de final de mês”.

  
Nos Estados Unidos o índice Dow Jones fechou o pregão em leve baixa após uma rápida recuperação no final por conta de um possível pacto de crescimento no valor de 120 bilhões de euros cogitado na reunião de cúpula da União Europeia. Houve um falso rompimento da LTA de curto prazo que ajudou na forte recuperação perto do fechamento levando os stops das operações vendidas abertas hoje.


quarta-feira, 27 de junho de 2012

Um elefante incomoda muita gente


O índice Bovespa fechou o pregão desta quarta-feira com uma queda de 1,35%, totalmente descolado dos mercados internacionais, por conta de uma adversidade interna relacionada com as ações da OGX. A empresa havia divulgado após o fechamento dos mercados na terça-feira que a vazão de óleo nos primeiros poços perfurados é de 5 mil barris por dia, apenas um terço do que os analistas esperavam.

Poucos são os investidores que entendem a parte técnica da extração de petróleo, porém o estrago nas cotações foi gigantesco. Apesar de ser uma notícia negativa para os investidores da empresa, porque o estrago foi tão grande? Tudo começou no leilão de abertura, onde grandes players de mercado venderam uma quantidade de papel suficientemente necessária para assustar o mercado gerando um efeito psicológico sem precedentes. A abertura dos negócios começou com uma queda de 29% no preço do papel.

Após o término do leilão, o índice Bovespa (que operava em leve alta) caiu cerca de 0,70% por conta das ações da OGX que ficaram com quase 20% de todo o volume financeiro girado na Bovespa. O que chama atenção é uma empresa como OGX possuir participação de 5,06% no índice Bovespa, devido à metodologia de seleção e peso dos ativos na carteira teórica.

Um papel como esse, de alta volatilidade e alto giro financeiro, acaba sendo um elefante que incomoda muita gente dentro do Ibovespa, além de ser um convite à especulação pesada. Por conta da OGX o desempenho do Ibovespa foi consideravelmente prejudicado. É difícil ver uma blue chip fechar o dia com uma queda de 25%, mesmo nos períodos de crash.

Com isso o índice Bovespa fechou perigosamente colado na região de suporte em 53k, onde os bears irão fazer de tudo para detonar esta região para baixo e de preferência levar a última prega em 52.5k.

  
Ainda no cenário nacional o governo brasileiro anunciou hoje novas medidas de estímulo à economia. A TJLP (Taxa de Juro de Longo Prazo) caiu de 6% para 5,5% ao ano. Essa taxa é usada pelo BNDES (Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico Social) como referência na concessão de empréstimos. Serão investidos também 8,5 bilhões de reais na compra de motocicletas, ambulâncias, furgões odontomóveis, vagões de trens urbanos, perfuratrizes para perfuração de poços, etc. São compras governamentais que fazem o papel de “mercado consumidor” na tentativa de reanimar a economia brasileira.

Nos Estados Unidos o índice Dow Jones fechou o dia com uma boa alta confirmando fundo ascendente sobre a linha central de bollinger. A partir deste fundo podemos traçar uma LTA poderá garantir uma certa sustentação a esta nova pernada que poderá ir de encontro com a LTB que vem dos 13.3k.


terça-feira, 26 de junho de 2012

Inadimplência recorde


O Banco Central divulgou hoje através do chefe do departamento econômico da instituição, Tulio Maciel, que a inadimplência total no Brasil atingiu o nível recorde de 6%. Este é o maior patamar da série histórica iniciada em junho de 2000.

O volume de crédito também está atingindo níveis históricos no país. A relação crédito x PIB (Produto Interno Bruto) superou no mês de maio deste ano o patamar de 50% do PIB.

Tanto a inadimplência, quanto o volume de crédito estão elevados. Mas o que preocupa mesmo são os calotes aumentando mesmo com nível baixo de desemprego. Teoricamente a inadimplência deveria estar reduzindo, pois inúmeros postos de trabalho foram criados nos últimos meses/anos aumentando a renda das famílias.

Esta é uma das preocupações do BIS (Banco de Compensações Internacionais), que por sinal soltou um alerta nesta semana sobre o patamar elevado do endividamento no país. Se o mercado de trabalho mostrar uma estagnação devido ao fraco crescimento do PIB, ou voltar reduzir os postos de trabalho, será uma tarefa dura para o Banco Central controlar o nível de inadimplência.

Esta piora no cenário provocou uma alteração nas projeções do BC para acomodação do nível de inadimplência no Brasil. Esperava-se uma pequena redução dos níveis de inadimplência no segundo semestre deste ano, porém agora a instituição já fala que o problema só começará a se reverter no final deste ano.

Na Europa tivemos mais uma rodada de leilões de títulos dos governos espanhol e italiano. O Tesouro italiano captou 3 bilhões de euros em títulos de dois anos e para isso teve que conceder uma taxa de juros de 4,71%, contra os 4,03% ofertados no dia 28 de maio deste ano. O Tesouro espanhol captou 1,6 bilhão de euros em títulos de três meses com juros de 2,5%, bem superior aos 0,87% do leilão anterior. Outros 1,47 bilhão de euros foram captados em títulos de seis meses, com juros de 3,36%, contra 1,17% do último leilão realizado em maio deste ano.

Os mercados europeus fecharam esta terça-feira em baixa, diferentemente do que aconteceu em Wall Street. O índice Dow Jones abriu o pregão em baixa mais conseguiu se recuperar no início da tarde fechando o dia acima da linha central de bollinger novamente. Está tentando confirmar fundo sobre esta linha.

  
No Brasil o índice Bovespa fechou de lado devido ao repique de Vale e Petro que seguraram a pancadaria nos bancos (motivo: alta na inadimplência). O candle de fechamento é um doji de indecisão localizado levemente acima da linha de suporte em 53k. Pode indicar uma região de respiro no curtíssimo prazo. Este é o terceiro doji de indecisão dos cinco últimos pregões, sendo que os dois últimos dojis foram seguidos por marubozus de baixa. Imaginar um novo marubozu de baixa seria algo bastante improvável para o momento, pois formaria um padrão de candles no mínimo curioso e muito difícil de encontrar.


segunda-feira, 25 de junho de 2012

Mais um tombo na Bovespa


O índice Bovespa fechou esta segunda-feira com uma queda de 2,95% aos 53.895 pontos, porém este não foi o único tombo do dia. Falhas no sistema de envio de cotações travaram inúmeras plataformas operacionais e Home Brokers. A partir das 13:13h (que número mais propício não?) ninguém mais conseguia enxergar as oscilações nos preços dos ativos, apenas os corretores nas mesas de operações.

Apesar desta falha grave no sistema, não houve paralisação dos negócios. As ordens foram aceitas normalmente para os investidores que resolveram operar no escuro ou com o corretor narrando o pregão pelo telefone. Esta pane no sistema acabou comprometendo a análise do dia, o volume financeiro (estava consideravelmente alto até o momento da falha) ficou abaixo dos 5 bilhões e certamente alguns players deixaram de operar ou prorrogaram suas estratégias para amanhã.

Quem estava com operações abertas para encerramento no dia sentiu-se forçado a liquidar suas posições no escuro, apesar de que o índice praticamente andou de lado desde o momento da pane. Com esta queda o índice Bovespa acabou perdendo sua linha central de bollinger e rompendo mais uma vez dois suportes para baixo: 55k e 54k. O fechamento ficou em 53.895 (reparar que no gráfico o fechamento está 84 mais abaixo) e a próxima região de suporte está na linha dos 53k e última prega em 52.5k. Aguardar confirmação amanhã, com os negócios voltando ao normal.


Nos Estados Unidos o índice Dow Jones fechou em baixa com uma leve recuperação no final onde a Bovespa não acompanhou devido à pane no sistema. O fechamento ficou exatamente colado na linha central de bollinger fazendo o papel de suporte. Se esta linha for perdida o índice poderá testar a região dos 12.4k (próximo da média móvel simples de 200 períodos).

  
As bolsas na Europa também fecharam em queda dando seqüência à pernada de baixa iniciada na semana passada. A renúncia do novo ministro de Finanças da Grécia, Vasilios Rapanos (tomou posse na semana passada), por problemas de saúde, poderá desfalcar a Grécia em uma “importante” reunião de cúpula da zona do euro a ser realizada na quinta-feira desta semana.

Nesta reunião será discutida a possibilidade da Grécia poder renegociar alguns dos termos do pacote de ajuda ao país, mas sem a presença do ministro das Finanças a Grécia poderá sair perdendo.

Hoje a Espanha entrou com um pedido formal de ajuda europeia para seus bancos, mas não revelou maiores detalhes. Com certeza não agradou a agência de classificação de risco Moody’s que está com o dedo no botão para rebaixar novamente o rating dos bancos espanhóis. O ministro da Economia da Espanha, Luis de Guindos, apenas disse em sua carta que gostaria de aceitar a oferta de 100 bilhões de euros da UE (União Europeia) e que espera concluir o pacote até o dia 9 de julho. Que beleza heim? É só isso que precisa fazer pra receber 100 bilhões de euros?

sexta-feira, 22 de junho de 2012

Fechamento da semana


A sexta-feira de agenda fraca e poucas novidades no cenário macroeconômico praticamente não alterou o panorama desta última quinta-feira. A única novidade na Europa foi a reunião dos líderes de Itália, França, Espanha e Alemanha onde ficou acertado que será apresentado um pacote de medidas de crescimento estimado em 130 bilhões de euros na cúpula da União Europeia que acontece na próxima semana.
Não foram divulgados maiores detalhes deste pacote, mas parece que a intenção é tentar compensar os efeitos negativos das medidas de austeridade que estão sendo adotadas em diversos países da zona do euro.
Internamente o Credit Suisse divulgou um relatório de análise sobre a situação dos bancos brasileiros. O cenário, segundo o relatório, é negativo e afirma que as instituições financeiras estão entrando em uma era de baixa rentabilidade devido aos juros baixos, spreads em queda e inadimplência alta. O Credit Suisse projetou que o ROE (retorno sobre o patrimônio líquido) médio dos bancos brasileiros ficarão em torno de 15% a 16%, sendo que a média dos últimos anos era de 18%. Segundo a instituição este poderá ser o maior declínio em mais de uma década.
Ainda no cenário interno a Petrobras divulgou agora pouco um reajuste de 7,83% para o preço da gasolina e de 3,94% para o preço do diesel. Para impedir que este aumento chegue às bombas de combustíveis e conseqüentemente pressione os indicadores de inflação, o Ministério da Fazenda informou que reduziu a zero a alíquota do CIDE (Contribuição de Intervenção no Domínio Econômico - imposto incidente na comercialização destes combustíveis).
Em seu comunicado a Petrobras disse que “esse reajuste foi definido levando em consideração a política de preços da companhia, que busca alinhar o preço dos derivados aos valores praticados no mercado internacional em uma perspectiva de médio e longo prazo.

Acontece que este comunicado da Petrobras não bate com a realidade da commodity no mercado. O último reajuste de combustíveis da Petrobras aconteceu em outubro do ano passado quando o preço do barril de petróleo tipo light estava oscilando na casa dos 80,00 dólares. Este reajuste também foi compensado por uma redução na alíquota do CIDE pelos mesmos motivos apresentados nos parágrafos anteriores. Hoje a companhia anunciou um novo reajuste e olha só onde está a cotação do barril de petróleo.


Novamente em 80,00 dólares, praticamente no mesmo lugar. A diferença é que neste período o preço subiu e corrigiu recentemente. Curiosamente em outubro de 2010 o preço do barril também estava na casa dos 80,00 dólares. E adivinha onde o barril de petróleo estava em outubro de 2009? Não é possível, 80,00 dólares? É isso mesmo, estava lá oscilando na casa dos 80,00 dólares o barril.

Ao que tudo indica o novo reajuste de combustíveis anunciado pela Petrobras está relacionado com o plano de investimento da companhia para o período de 2012 a 2016 que leva em consideração esta correção (aumento) nos preços para fortalecer o caixa da empresa. Sem este aumento não haveria recursos suficientemente necessários para a Petrobras colocar em prática o seu plano de negócios/investimentos.

Vamos agora analisar o fechamento das principais bolsas mundiais começando pelo índice Dow Jones nos Estados Unidos. Candle de baixa colado abaixo da resistência psicológica dos 13k, mesma região por onde passa a linha central de bollinger. Em um primeiro momento é natural aparecer força vendedora neste ponto do gráfico, mas se o mercado não conseguir passar por esta região teremos a formação de um topo descendente no semanal.


Na Alemanha o índice DAX sentiu a LTB que vem do topo histórico deste ano e fechou com um candle de pavio longo superior que indica indecisão ou possível sinalização de topo. Se esta linha de tendência de baixa não for rompida, a média móvel simples de 200 períodos poderá ser testada nas próximas semanas.
  
  
Na China o principal índice da bolsa de Xangai fechou a semana em forte baixa, renovando nova mínima e alimentando a tendência de queda no curto prazo. Deverá testar o suporte em 2.2k já na próxima semana e se esta linha não agüentar, o índice irá acionar pivot de baixa com objetivo inicial para testar o fundo histórico deste ano.


No Brasil o índice Bovespa fechou a semana com um candle de pavio longo superior relevante, mas não pode ser considerado uma estrela cadente (sinal forte de reversão) pois há um pavio longo inferior visível e sua localização não está em um possível topo de tendência (semanal, apenas 3 candles).


Mas não podemos desprezar o sinal do pavio longo superior bem abaixo da LTB que vem do topo em 69k. Revela claramente que houve uma inversão no mercado com abertura de posições vendidas nesta última quinta-feira bem no ponto de pullback da LTA do ano passado.

Bom pessoal vamos encerrando por aqui nossas atividades. Desejo a todos vocês um excelente final de semana!

Posts da semana:

quinta-feira, 21 de junho de 2012

Os ursos apareceram


A possível sinalização de topo no curto prazo deixada pelos diversos índices mundiais na quarta-feira foi confirmada hoje com uma forte queda generalizada. Poderíamos dizer que esta queda foi apenas uma realização de lucros após o bom desempenho das bolsas nas duas últimas semanas, mas ao que tudo indica não foi só isso.

Marubozu de baixa, seguido de um candle de indecisão, formado por um giro financeiro alto onde pode-se observar abertura de posições vendidas durante todo o pregão, que por sua vez não esboçou nenhuma reação de repique no intraday. Este detalhe ainda revela que as vendas não estão descobertas e quem vendeu quer dormir na posição acreditando em mais queda pela frente. Portanto o mercado virou a mão no curtíssimo prazo e os ursos apareceram.

Com isso o Ibovespa confirmou topo em 57.6k, voltou pra dentro da LTB e perdeu dois suportes fracos em um só dia: 56.7k e 55.8k (56k). A próxima linha de suporte está em 55k e poderá ser testada amanhã, juntamente com a linha central de bollinger. Este é o primeiro ponto de suporte expressivo que poderá fazer frente à pressão vendedora. Há bastante espaço para o índice trabalhar um fundo ascendente sem comprometer a pernada iniciada em 52.5k, mas é bom ficar de olho no movimento dos ursos pois entraram com a “pata pesada”.

  
Nos Estados Unidos o índice Dow Jones também fechou o dia em forte baixa perdendo a região de suporte em 12.7k, que acabou acelerando o movimento de queda. Como a subida foi rápida e forte existem poucas linhas de sustentação relevantes para amortecer a queda. As possibilidades para formação de fundo ascendente estão na linha central de bollinger e média móvel simples de 200 períodos.


Fora dos pregões teremos uma disputa importante e no mínimo curiosa amanhã. Alemanha e Grécia irão se enfrentar nas quartas de final da Eurocopa e esta briga não se restringe somente ao esporte. Jornais de ambos os países fizeram provocações durante toda a semana envolvendo o mix de futebol, política e economia.

De um lado temos a Alemanha, país representado por uma boa seleção de futebol, uma forte economia e uma política influente dentro da zona do euro. Do outro lado temos a Grécia, país representado por uma fraca seleção de futebol, uma economia deteriorada (em recessão) e política desorganizada.

A Alemanha é sem dúvida a grande favorita. Mas será que os alemães vão levar a melhor no futebol, na política e na economia? Na política os gregos conseguiram se reerguer após a formação recente de um governo de coalizão garantindo a permanência do país na zona do euro. Na economia a Grécia está conseguindo apoio dos demais países para afrouxar sua política de austeridade fiscal (onde os alemães são contra) e tentar voltar a crescer. E no futebol? Bom, isso vamos saber amanhã nesta disputa que promete ser emocionante.

quarta-feira, 20 de junho de 2012

FED mais pessimista


O presidente do FED (Federal Reserve - banco central dos Estados Unidos) anunciou hoje, ao final da reunião do comitê de mercado aberto, a prorrogação da Operação Twist até o fim de 2012. Este programa foi implantado no ano passado e estava com prazo de encerramento para este mês. Isto significa que o FED vai continuar vendendo títulos de curto prazo e recomprando títulos de longo prazo até dezembro deste ano para continuar baixando as taxas de juros de longo prazo.

Não houve anúncio do “tão esperado” QE3 (quantitative easing 3), derrubando a tese simplória de que os mercados subiram nestas duas últimas semanas por expectativas quanto à novos programas de relaxamento quantitativo do FED. De fato os mercados até subiram (em tese deveriam desabar já que a expectativa não foi confirmada, não é mesmo senhores analistas da mídia em geral?) após o anúncio de que não teríamos QE3, apenas a prorrogação da Operação Twist.

O FED ainda se mostrou mais pessimista ao reduzir sua estimativa para o crescimento do PIB (Produto Interno Bruto) deste ano para a faixa de 1,9% a 2,4%. Lembrando que a última previsão do FED para o crescimento deste ano estava na faixa de 2,4% a 2,9%. As previsões de expansão para 2013 e 2014 também foram reduzidas.

Ben Bernanke afirmou também que o banco central estava otimista demais com a recuperação da economia e que os dados econômicos mais recentes estão um pouco decepcionantes. Sobre o mercado de trabalho, o FED reconhece que a recuperação está mais lenta do que o previsto. A taxa de desemprego poderá fechar este ano levemente acima dos 8% (continua alta).

Mesmo assim os mercados subiram ignorando por completo este pessimismo ou mesmo a falta de um QE3. Quando Bem Bernanke começou a falar os mercados operavam em baixa de aproximadamente 1%, em poucos minutos após o seu discurso as bolsas dispararam devolvendo praticamente toda a perda do dia.

O índice Dow Jones fechou em leve baixa deixando um spinning top que indica indecisão. A LTA de curto prazo, mesmo com sua inclinação bem íngreme, ainda consegue fazer pressão compradora sempre quando o índice chega perto ou realiza o toque. Esta linha não se sustentará por muito tempo, mas já fez um belo dever de casa mostrando a força de um mercado bull (curto prazo) desde o toque nos 12k.

  
No Brasil o índice Bovespa também terminou o dia indicando indecisão, a diferença está no candle de fechamento: um doji, que por sua vez carrega uma relevância maior além de estar posicionando em um possível topo ascendente de curto prazo. A linha de suporte em 56.7k foi respeitada, bem coma a LTA que vem dos 52.5k e LTB dos 69k. O mercado respeitou tudo hoje, mas como o espaço acabou entre estas linhas poderemos ter uma indicação amanhã se iremos realmente formar um topo ascendente de curto prazo a partir da pernada iniciada em 52.5k.


terça-feira, 19 de junho de 2012

Não estamos na mão do FED


Hoje começou a reunião do FED (Federal Reserve – banco central dos Estados Unidos) que deverá se encerrar amanhã com o discurso do presidente Ben Bernanke, onde muitos aguardam ansiosamente o anúncio de um novo quantitative easing (QE). Conforme já havíamos destacado anteriormente, é improvável que o FED anuncie um QE3, o que podemos esperar é uma prorrogação da Operação Twist.

Há mais de duas semanas este tem sido o motivo, da mídia, para explicar porque os mercados estão subindo. Parece difícil entender porque os mercados são compradores em meio a um cenário econômico adverso e pessimista, sobra então o recurso da expectativa. Felizmente sabemos analisar os movimentos técnicos, possuímos os gráficos que não mentem e todos nós já sabemos porque os mercados estão subindo há mais de duas semanas.

Portanto não se espantem caso o FED não anuncie o “tão esperado QE3”. O mercado pode ser afetado no curtíssimo prazo, porém com impacto limitado. Em praticamente todos os índices mundiais pode-se observar uma pernada forte de alta, não houve sequer a formação de um fundo ascendente bem trabalhado nos gráficos diários. Isso porque as realizações de lucros nas últimas semanas estão sendo rápidas esboçando sinal de força compradora relevante.

Os boatos de que o BCE (Banco Central Europeu) estaria comprando bônus do governo espanhol ajudou a impulsionar os mercados. Mesmo que esta hipótese seja remota, a taxa de risco da Espanha caiu de 574 para 551 pontos básicos, mas mesmo assim os bônus dos títulos de 10 anos continuaram acima dos 7% nesta terça-feira.

Os Estados Unidos esboçaram apoio para que o programa de resgate à Grécia seja revisado (leia-se suavizado) mesmo com a chanceler alemã, Angela Merkel, batendo o pé dizendo que isso seria inaceitável. Parece que os alemães estão sozinhos nessa e continuam sendo pressionados para que a política de austeridade fiscal seja revisada.

Wall Street fechou em alta nesta teça-feira com o índice Dow Jones se afastando da zona de suporte em 12.7k. A LTA de curto prazo está muito inclinada e poderá ser testada (ou até mesmo perdida), porém deve-se desconsiderar esta linha de tendência e priorizar as regiões de suporte. Esta forte inclinação acaba sendo insustentável, futuramente será possível traçar uma nova LTA a partir de um fundo ascendente melhor trabalhado.

  
No Brasil o índice Bovespa continua dominado pela força compradora. A linha de resistência em 56.7k, que poderia dar trabalho no curto prazo, foi rompida facilmente. O giro financeiro do pregão foi alto (mais uma vez) e passou dos R$ 8 bilhões. A LTB principal já está sendo testada e provavelmente será rompida nos próximos dias devido à força demonstrada por esta pernada de alta. Após o rompimento desta LTB a próxima parada será a média móvel simples de 200 períodos.


segunda-feira, 18 de junho de 2012

Segue o jogo


Os mercados operaram relativamente tranqüilos nesta segunda-feira ignorando completamente tudo o que foi veiculado na mídia nestes últimos dias e ao mesmo tempo frustrando aqueles investidores que apostaram em uma forte baixa/forte alta nesta segunda-feira por conta do resultado da eleição grega. Muitos acabaram se surpreendendo com o que aconteceu: nada.

O índice Bovespa chegou apresentar volatilidade momentos antes do vencimento dos contratos de opções, o que não deixa de ser um movimento atípico pois isso ocorre rotineiramente em dias de vencimentos de opções.

Conforme podemos observar no gráfico abaixo, o Ibovespa já realizou teste sobre a região de resistência nos 56.7k, atingindo o objetivo de curtíssimo prazo com o rompimento dos 55.8k. Após o teste nesta nova barreira do índice, houve um pequeno movimento de realização de lucros formando um candle no gráfico diário do tipo spinning top que significa indecisão. O mercado sinalizou hoje que fez uma pausa, colado no topo de uma zona de congestão de curto prazo. Portanto teremos indicação do próximo movimento após a perda da LTA (pra baixo) ou rompimento da resistência/congestão em 56.7k (pra cima).


Nos Estados Unidos o índice Dow Jones fechou o dia em leve baixa após o rompimento da zona de resistência em 12.7k na semana passada. O candle de fechamento pode ser considerado um enforcado de média relevância, significa que há possibilidades de reversão da tendência de alta caso o índice não consiga se manter acima da linha de suporte em 12.7k. Destaque para o giro financeiro em Wall Street que ficou abaixo da média nesta segunda-feira.


O baixo volume de negócios após um evento que a mídia (e muitos analistas) considerava como “decisivo para sobrevivência do euro” revela o real sentimento do mercado quanto aos últimos acontecimentos.

O partido conservador Nova Democracia conseguiu uma vitória apertada neste domingo. Antonis Samaras, líder do partido, deverá formar um novo governo de coalizão nesta semana, mas voltou a afirmar que vai querer renegociar o duro programa de austeridade fiscal mesmo com a oposição da Alemanha. Samaras deverá pedir também aos credores do país mais dois anos para atingir suas metas fiscais. Estas são as primeiras indicações de que a novela grega está longe de terminar.
  

Na Espanha a situação continua muito delicada. O prêmio de risco do país voltou a disparar nesta segunda-feira e bateu um novo recorde na era do euro: 574 pontos básicos. O bônus espanhol de 10 anos subiu para 7,15% pela primeira vez na história do euro. Este patamar é insustentável para rolar dívida. Os bônus devem voltar a abaixar em caráter de urgência, caso contrário a Espanha terá de pedir ajuda novamente à União Europeia.

sexta-feira, 15 de junho de 2012

Um show à parte das bolsas


Ignorando a sequência de dados negativos da agenda econômica semanal ou mesmo o sensacionalismo da mídia com relação as eleições gregas deste domingo, as bolsas deram um show à parte nesta semana para deixar qualquer analista de queixo caído. O desempenho dos índices está sendo positivo e não é pra menos. Para evitarmos sermos repetitivos sugerimos releitura do post publicado no dia 06/06/2012: Esperança ou arrastão global?

Esta semana nada mais é do que uma continuação do movimento que se iniciou no início deste mês. O mais importante, e serve como aprendizado, é reconhecer a superioridade do mercado, bem como a indicação de seus movimentos. Macroeconomia não é uma plataforma de negociação, mas sim apenas uma das variáveis que podem influenciar, ou não, o desempenho dos mercados. Não cabe a nós, investidores/especuladores, adivinhar para onde o mercado vai (pra isso existem os gurus) e sim tentar aproveitar as oportunidades dentro das nossas limitações e estratégias.

Se o mercado passou a ser comprador, por mais que os dados negativos continuem aparecendo na agenda econômica, ele vai continuar comprador até o dia em que esta tendência seja revertida. Isso aconteceu recentemente no início deste ano, quando as bolsas subiram forte (com um certo respaldo da injeção de liquidez do BCE) e a crise na Europa continuou a mesma de sempre. Os problemas no mercado interbancário e da dívida soberana são os mesmos do ano passado.

Portanto vamos focar naquilo que está influenciando o desempenho das bolsas recentemente: o repique técnico, que por sinal é um evento global.

Começando pela matriz Dow Jones podemos observar mais um candle semanal de forte alta dando seqüência ao movimento de repique iniciado a partir do fundo na região de suporte forte dos 12k. Quase 700 pontos reconquistados pelo movimento de repique em apenas duas semanas, não é pouca coisa. Outro fator importante é a retomada da LTB que vem do topo histórico do Dow Jones (região dos 14.2k), marcando um bull trap no gráfico. Índice segue no movimento de repique, sem sinal de fundo e rumo a barreira de resistência nos 12.9k/13k (barreira psicológica)


Na Europa os principais índices acionários fecharam a segunda semana consecutiva em alta. A bolsa de Atenas na Grécia subiu mais de 10% nesta semana e até mesmo o índice DAX fechou em alta, mesmo com a situação apertando para Alemanha flexibilizar sua política dentro da zona do euro. Com o fundo confirmado na região dos 6k, colado na média móvel simples de 200 períodos, o índice DAX segue no movimento de repique rumo a próxima resistência em 6.5k.


Na Ásia a bolsa de Xangai (China) também fechou a semana em alta, mesmo após o rompimento da LTA de curto prazo na semana passada. Ficou impossível sustentar esta onda de baixa na China (curtíssimo prazo) com todo esse movimento de repique nas bolsas ao redor do planeta. No médio e longo prazo a história é outra, tendência de baixa. 

   
O principal índice do mercado indiano também fechou mais uma semana em alta após o fundo confirmado sobre a média móvel simples de 200 períodos. Houve bear trap sobre a LTA de 2009, que limpou as operações vendidas do mercado (tal como aconteceu aqui) e agora o índice caminha para testar a linha central de bollinger.


No Brasil o índice Bovespa emplacou o seu segundo candle consecutivo de alta no semanal confirmando fundo (com bear trap) sobre a LTA de 2008. Os pregões continuam bem voláteis mas a tendência de alta (curto prazo) segue prevalecendo. O movimento de repique ganhou força adicional após o rompimento do pivot de alta no gráfico intraday. Neste ritimo o índice segue para atacar a sua LTB principal que vem do topo em 69k.


Quando tudo estiver incerto e confuso, foque nos gráficos e deixe o mercado te guiar. Aconteça o que acontecer você estará preparado e saberá o que fazer, pois quem estará te guiando é um simpático senhor que comanda todo esse show. O senhor Mercado.

Com a Grécia pegando fogo ou soltando foguetes, o importante mesmo é que todos vocês tenham um ótimo final de semana!

Posts da semana:

quinta-feira, 14 de junho de 2012

Bancos centrais de prontidão


A agência de notícia Reuters divulgou ao final da tarde desta quinta-feira que os bancos centrais estão preparando uma ação coordenada para combater o stress dos mercados financeiros (se houver) após as eleições gregas deste final de semana. Esta informação não foi confirmada pelas autoridades monetárias, porém foi suficiente para mexer ainda mais com a volatilidade das bolsas ao final dos pregões que ainda estavam funcionando.

Esta ação coordenada citada na matéria seria basicamente uma cobertura de liquidez aos mercados. Os dados fracos divulgados nos Estados Unidos também voltaram alimentar a velha desculpa para justificar a subida nas bolsas de valores: “expectativa de que o FED (Federal Reserve) anuncie novas medidas de estímulo à economia na reunião da próxima semana”. O conto de fadas do improvável quantitative easing 3. O máximo que pode-se esperar é uma prorrogação da operação Twist.

Enquanto a mídia perde tempo com os boatos para tentar entender porque os índices estão subindo (“muito prazer, eu sou a análise técnica e esse é meu amigo especulador”), o mercado de dívida soberana segue pegando fogo.

Os rendimentos dos títulos de 10 anos do governo espanhol subiram para 6,91%. O nível de 7% já é considerado um ponto crítico para quem quer rolar dívida no mercado, são juros altos que geram uma dívida insustentável. Por este motivo Grécia, Irlanda e Portugal tiveram que pedir socorro as autoridades europeias. Os títulos públicos italianos também não param de subir, o rendimento dos títulos de três anos saltaram para 5,3%, ante 3,91% do leilão anterior. Os rendimentos dos títulos com vencimento em 2019 subiram de 5,21% (do leilão anterior) para 6,1%.

Nos Estados Unidos o índice Dow Jones conseguiu furar a LTB que vem do topo em 13.3k, chamando por mais força compradora, provocando um teste sobre a região de resistência dos 12.7k. Conseguiu sair da congestão de curto prazo mas continua muito volátil e abaixo da principal linha de resistência.

  
No Brasil o índice Bovespa fechou o pregão em leve baixa de 0,54%. Apesar da queda ser pequena a volatilidade se manteve alta. Quedas fortes e subidas rápidas, muitos giros de posições gerando um volume atípico de 7,34 bilhões. O Ibovespa segue lutando para romper de vez a região dos 56k e conta com o apoio da LTA de curto prazo iniciada a partir do fundo em 52.5k. O rompimento desta resistência pode gerar um novo upside até os 56.7k e posteriormente teste sobre a LTB dos 69k.


quarta-feira, 13 de junho de 2012

Derrubaram o vinagre na salada grega


Antonis Samaras causou uma reviravolta política as vésperas das eleições gregas a ser realizada neste final de semana. O líder do partido Nova Democracia afirmou nesta quarta-feira que se vencer as eleições deste domingo, seu principal objetivo será modificar o acordo de austeridade com a UE (União Europeia). A disponibilização imediata dos 100 bilhões para Espanha, sem qualquer contrapartida ou medida adicional de austeridade fiscal, motivou o Samaras a fazer o mesmo pela Grécia, que luta com as imposições da UE para receber as parcelas do pacote de ajuda.

Até então o partido Nova Democracia atuava como um potencial aliado ao Pasok para formar o novo governo de coalizão na Grécia favorável ao pacote de ajuda internacional vinculado ao cumprimento das medidas de austeridade fiscal impostas pela UE. O partido radical Syriza era o único, entre os grandes, que defendia a permanência do país no bloco, mas com a renegociação dos termos do pacote de ajuda, principalmente no que se refere às duras medidas de austeridade.

Com base nos resultados das últimas pesquisas eleitorais divulgadas no dia 30/05/2012 (a legislação grega proíbe pesquisas de intenção de voto as vésperas das eleições), o partido Nova Democracia segue com ligeira vantagem seguido pelo partido radical Syriza. A disputa está entre estes dois partidos pois o Pasok está em terceiro lugar, porém muito distante. Portanto é de se esperar que o novo representante grego irá bater de frente contra as medidas de austeridade que Angela Merkel já avisou: “não são negociáveis”.

Ainda na Europa o Tesouro italiano teve que oferecer nesta quarta-feira um forte aumento na taxa de juros (bônus) para rolar títulos da dívida com prazo de um ano. As taxas de juros passaram de 2,34% da emissão de maio para 3,97% nesta quarta-feira.

Os mercados continuam ignorando, até certo ponto, a agenda econômica. As bolsas na Europa fecharam mistas, relativamente de lado. Nos Estados Unidos o clima de faroeste continua rolando solto em Wall Street e os índices caíram ao final do pregão (não influenciados pelas notícias que saíram na parte da manhã). Dow Jones chegou a testar a LTB mas fechou em baixa se mantendo dentro “círculo do bang bang”. Pregão imprevisível para amanhã.

  
O índice Bovespa fechou o dia com uma boa alta de 1,09% totalmente influenciado pelo vencimento do índice futuro. Volatilidade alta durante o pregão para acerto de posições/abertura/rolagem originou um giro recorde inacreditável de 35,78 bilhões. Briga de cachorro grande e das mais violentas. Atenção triplicada para os próximos dias mesmo com o pivot de alta acionado no gráfico. Em tese há espaço para teste sobre a resistência em 56.7k dando prosseguimento ao movimento de repique.


Atenção sobre um dado negativo para as principais produtoras de commodities do país, divulgado hoje pelo Banco Central. O fluxo cambial revela que mesmo com o dólar na casa dos R$ 2,00 há várias semanas, o ingresso da moeda estrangeira pela mão dos exportadores é o mais baixo desde janeiro de 2011, quando o dólar era negociado na casa dos R$ 1,60. Este dado confirma a queda nos preços das commodities bem como possível queda nas vendas devido ao processo de desaceleração da economia global.

terça-feira, 12 de junho de 2012

Quem manda é o Sr. Mercado


O noticiário econômico desta terça-feira esteve repleto de pessimismo, mas mesmo assim os mercados fecharam o dia com uma boa alta. A ausência de justificativas para este movimento nas bolsas praticamente obrigou a mídia levantar novamente a hipótese, bastante remota, de que o FED (Federal Reserve) poderá agir com um novo quantitative easing na intenção de estimular a economia norte-americana. As autoridades do FED se reunirão nos dias 18 e 19 de junho e provavelmente não haverá anúncio de um novo pacote de estímulo econômico.

A agência de classificação de risco Fitch rebaixou o rating de 18 bancos espanhóis nesta terça-feira devido à possibilidade de deterioração ainda maior das carteiras de certos bancos do país. "Isso é particularmente verdade para os bancos cujas carteiras de empréstimos são pesadamente expostas aos setores de construção e bens imóveis, e para aqueles com base de capital baixas", disse a agência.

O Banco Mundial divulgou hoje que a economia global crescerá 2,5% este ano, abaixo da expansão de 2,7% registrada no ano passado. “Os mercados globais de capitais e o sentimento dos investidores provavelmente permanecerão voláteis no médio prazo, dificultando a adoção de medidas de política econômica”, disse o diretor de projeções de desenvolvimento do Banco Mundial, Hans Timmer. Ele ainda completou dizendo que “neste ambiente, os países emergentes devem concentrar-se em reformas que melhorem a produtividade e os investimentos em infraestrutura ao invés de reagirem a variações cotidianas no ambiente internacional”.

O mercado não deu a mínima pois Wall Street está em ritmo de faroeste. Pregão ao estilo bang-bang com o mercado dando tiro para os dois lados. Observem o sobe e desce dos quatro últimos candles no Dow Jones, deixando qualquer especulador, que está dormindo na posição, de cabelos em pé. Este movimento também está presente no índice S&P500. Agora temos um forte candle de alta no Dow Jones bem acima da linha central de bollinger projetando teste sobre a LTB e conseqüentemente os 12.7k em caso de rompimento da linha de tendência.

  
No Brasil o índice Bovespa fechou o pregão com uma boa alta confirmando suporte de curto prazo na região dos 54k, além de formar fundo ascendente no gráfico horário. A linha central de bollinger foi retomada e se rompermos esta região dos 55.4k (preferência levando também os 55.8k) teremos pivot de alta acionado jogando mais força no movimento de repique.


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