sexta-feira, 28 de setembro de 2012

Godlman Sachs, a salvação dos chineses e decepção dos brasileiros


As declarações de Jim O'Neill, presidente do conselho de administração do Goldman Sachs (um dos maiores bancos de investimentos do mundo), são a prova mais concreta para confirmarmos a debandada de investidores estrangeiros do mercado brasileiro. O'Neill disse nesta sexta-feira que as melhores oportunidades de investimento entre os países do BRIC (Brasil, Rússia, Índia e China) estão na China.

As recentes intervenções do governo brasileiro sobre diversos setores da economia, ataques aos países desenvolvidos inflamados pelos discursos baseados nas teses de “tsunamis monetários” e “guerras cambiais” (sequer chamam a atenção da mídia internacional, tamanha insignificância destas acusações) e as ameaças ao capital estrangeiro são fatores que certamente pesaram na decisão do Goldman Sachs em deixar os ativos brasileiros de lado (relativamente baratos) para escolher os “micos chineses”.

A bolsa de Xangai subiu quase 5% apenas nos últimos dois dias, praticamente o inverso do que aconteceu com a Bovespa nos últimos dias de quedas descoladas do mercado internacional. Não houve queda significativa em nenhum índice de país emergente nos últimos dias, a não ser o Brasil. Portanto há possibilidade de que estamos perdendo fluxo de capital para a bolsa de Xangai, marcando o início de uma realocação de recursos dos investidores (aquele capital destinado à exposição em ativos de países emergentes) do Goldman Sachs seguindo a recomendação do banco.

Gráfico diário da bolsa de Xangai na China

O gráfico diário (acima) da bolsa de Xangai confirma entrada forte de força compradora representada por dois candles bullish de alta relevância. O'Neill salienta que a reorientação da economia chinesa (mais voltada ao mercado doméstico e menos focada nas exportações) poderá gerar ganhos relevantes aos ativos negociados na bolsa de Xangai posicionados em setores que se beneficiam com o aumento da renda da classe média do país (papéis atrelados ao consumo e saúde por exemplo).

O presidente do Goldman Sachs ainda disse para os clientes evitarem papéis emergentes balizados por grandes indústrias e commodities, justamente setores de grande peso no índice Bovespa.

O resultado final desta equação só poderia ser uma grande decepção para os investidores brasileiros, que lutam para sobreviver no mercado onde predomina a lei do “bull market político”. No gráfico semanal do Ibovespa podemos observar um forte candle de baixa levando, com extrema facilidade, o patamar psicológico de 60k e média móvel simples de 200 períodos.

Gráfico semanal do índice Bovespa

Caso não haja uma reação rápida da força compradora para tentar retomar a média de 200 períodos semanal, a confirmação deste rompimento poderá jogar o índice para testar a linha de suporte em 57.6k, resultando também na perda da LTA da tendência de alta iniciada em 52.5k.

Apesar do cenário bearish de curto prazo, ainda é muito cedo para descartamos a tendência de alta no médio prazo. Até os 52.5k existirá possibilidade de formação de um novo fundo ascendente, porém esta possibilidade diminuirá bastante caso ocorra formação de um pivot de baixa no semanal.

O gráfico mensal mostra uma seqüência de três candles de alta após um doji de indecisão marcado no fundo em 52.5k. Porém os dois últimos candles de alta mostram formação de pavio longo superior relevante, indicando certo esgotamento para o mercado manter o ritmo de subida. O pavio do candle de agosto respeitou a média móvel simples de 20 períodos e o pavio do candle de setembro mostrou falso rompimento, aumentando ainda mais a possibilidade de um candle de baixa nos próximos meses.

Gráfico mensal do índice Bovespa

Em contrapartida, o gráfico semanal da bolsa de Xangai soltou sinalização de fundo com um candle de força altista, exatamente acima do patamar psicológico em 2k. A tendência é que o índice continue subindo nas próximas semanas para buscar a LTB intermediária dentro do canal de baixa de longo prazo.

Gráfico semanal da bolsa da China

A semana para o mercado indiano foi levemente positiva, mas de poucas oscilações. O principal índice da bolsa de Bombay soltou um pequeno spinning top (que pode indicar indecisão) após o rompimento da importante zona de resistência em 18.5k. Mesmo que apareça um movimento de realização de lucros, o índice segue bem armado para manter a tendência de alta no médio prazo e testar a resistência em 20k. Setembro foi um mês de forte alta na Índia.

Gráfico que revela a situação do mercado asiático. Índice Bombay

No México podemos observar que o mercado segue relutante em realizar lucros após uma forte pernada de alta. O índice da bolsa mexicana fechou a semana em alta, após um movimento de recuperação. Segue firme mirando teste sobre a última resistência antes do topo histórico, mesmo em caso de realização de lucros. Há bastante espaço para correções sem comprometer a tendência de alta no médio prazo.

Mercado mexicano 2012

Passando para o grupo dos mercados de países desenvolvidos, podemos observar um panorama completamente diferente dos países emergentes (exceto o “patinho feio” da Bovespa). Começando pelos Estados Unidos, o índice Dow Jones fechou a semana em baixa se aproximando da principal zona de suporte no curto prazo em 13.3k. O rompimento desta importante linha de suporte poderá acelerar o movimento de queda.
 
principal índice de Wall Street
  
Na Alemanha o índice DAX também fechou a semana em baixa, porém em maior intensidade. Um marubozu de baixa confirmando resistência da LTB que vem do topo histórico indicando que o suporte em 7.2k poderá ser perdido nas próximas semanas. Índice extremamente sobrecomprado e com bastante espaço para manter movimento de correção.

principal índice do mercado europeu

Na França a queda foi maior pois o presidente François Hollande confirmou que vai taxar temporariamente em 75% as receitas acima de 1 milhão de euros e 45 % para receitas acima de 150 mil euros. Este forte aumento de impostos (atingindo os mais ricos entre empresas e pessoas físicas) vai garantir uma quantia em torno de 20 bilhões de euros para complementar o orçamento de 2013 e colaborar para redução no déficit fiscal.

Bolsa da França, mostra a situação de um dos principais mercados europeus

O principal índice da bolsa de Paris fechou a semana em forte baixa, aumentando a força da tendência de queda no curto prazo após o topo confirmado na região dos 3.6k na semana anterior.

Pessoal, vamos encerrando por aqui o nosso fechamento semanal. Peço desculpas pela quantidade de gráficos apresentados, mas considero o momento importante para estudo e análise de cada um deles. Um ótimo final de semana a todos vocês e até segunda!

Posts da semana:

quinta-feira, 27 de setembro de 2012

Descolamento vira pra baixo novamente


O desempenho do mercado nacional voltou a decepcionar os investidores que acreditam no potencial de valorização dos ativos brasileiros. Recentemente (últimos dois meses) o índice Bovespa começou a diminuir esta grande diferença de desempenho em comparação com a matriz Dow Jones. Porém, nesta semana, o spread voltou a ficar negativo de novo (para nós) mostrando queda no desempenho do Ibovespa.

Spread entre Ibovespa e Dow Jones

O gráfico acima mostra o saldo desta diferença entre Ibovespa e o índice Dow Jones. Quando a pontuação cai, significa que Dow Jones está subindo mais (em variação percentual) do que nós ou caindo menos do que nós. Quando a pontuação sobe, significa que nós estamos subindo mais do que Dow Jones, ou caindo menos.

A queda no spread mostra, na maioria das vezes, fatores internos prejudicando o desempenho do índice Bovespa. Os últimos dois anos vergonhosos dispensam comentários entre tantas idas e vindas de IOFs para os estrangeiros, mudanças e intervenções no câmbio, na política econômica, “sucateamento” do setor produtivo e por aí vai.

Mas o que aconteceu, nos últimos dias ou semanas, para fazer o spread ficar negativo novamente? Primeiro o ministro da Fazenda consegue a proeza de atacar os Estados Unidos, chamando-os de protecionistas, sendo que este país é um dos principais compradores de produtos brasileiros no mundo. O motivo dos ataques, embasado no quantitative easing 3, não faz muito sentido pois qualquer reaquecimento no maior mercado consumidor do mundo vai gerar impacto nas nossas exportações (irão aumentar) e consequentemente seremos beneficiados.

Entrando no mérito da questão cambial, que pode sim fortalecer o real, o senhor ministro não esperou sequer uma reação negativa do câmbio (talvez abaixo de R$ 2,00) para ameaçar retornar com as “medidas drásticas”, entre elas o famoso IOF sob aplicações estrangeiras. Talvez não havia necessidade de avisar o mercado que o nosso terreno não deixou de ser um campo minado para o fluxo de capital estrangeiro, já que o Banco Central está conseguindo segurar o dólar acima de R$ 2,00 e caso aumente o clima de aversão ao risco no cenário externo, o dólar tende a subir, pressionando uma desvalorização do real.

O Relatório Trimestral de Inflação do Banco Central divulgado hoje também não veio muito bom. A autoridade monetária está admitindo formalmente que a inflação deverá fechar 2012 em 5,2%, portanto fora do centro da meta de 4,5%. Além disso o Banco Central reduziu a previsão de crescimento para este ano de 2,5% para 1,6%. Cenário de aceleração na inflação e desaceleração no crescimento desagrada sensivelmente os investidores.

Sob estas condições o índice Bovespa fechou o pregão desta quinta-feira em baixa de 0,39% deixando um spinning top que significa indecisão. A região de fundo em 59.7k continua sendo respeitada juntamente com a linha central de bollinger e média móvel simples de 200 períodos. Amanhã será um dia decisivo para definição de posição no fechamento mensal (atentar para média móvel simples de 20 períodos).

Desempenho gráfico da bolsa de valores

Nos Estados Unidos o dia foi de notícias extremamente negativas, mas nem por isso os índices em Wall Street caíram. O PIB (Produto Interno Bruto) expandiu a uma taxa anualizada de 1,3%, ritmo mais lento desde o terceiro trimestre de 2011 e abaixo da previsão do mês passado de 1,7%. Além disso, as novas encomendas de bens duráveis despencaram 13,2% no mês de agosto (a maior queda em três anos e meio), indicando sinais de uma forte desaceleração da atividade industrial.
 
Desempenho gráfico da bolsa de Nova York

A “lógica burra” de Wall Street, onde notícia ruim para economia é boa para o movimento especulativo, pois reforça a possibilidade de uma maior injeção de capital por parte do FED (Federal Reserve), sustentou a alta de hoje. Dow Jones fechou o pregão marcando fundo levemente acima da linha central de bollinger e região de suporte em 13.3k.

quarta-feira, 26 de setembro de 2012

Espanha vai aumentar austeridade fiscal


A onda de protestos na Espanha, ou mesmo a greve dos servidores gregos, estão longe de causar algum impacto nos mercados financeiros mundiais. Mesmo assim os veículos de comunicação atribuíram a queda dos índices europeus aos eventos citados no início deste parágrafo.

Os índices asiáticos e as bolsas europeias fecharam em baixa nesta quinta-feira repercutindo a queda de Wall Street ocorrida na tarde de ontem, onde estes mercados já haviam encerrado expediente.

Para os agentes do mercado financeiro, esta onda de protestos na Espanha é um bom sinal, pois indica que o governo está providenciando novas medidas de austeridade para reduzir o déficit público, um dos principais problemas desta crise na zona do euro.

Mariano Rajoy, presidente da Espanha, disse que amanhã será anunciado a criação de uma autoridade fiscal no país para controlar o cumprimento dos orçamentos por parte de todas as administrações. Além disso, o governo espanhol vai impor restrições sobre programas que possibilitam que os trabalhadores se aposentem mais cedo. É por este motivo que as pessoas estão saindo para protestar na Espanha, ninguém quer perder as absurdas regalias oferecidas por tanto tempo no país, entre elas conseguir aposentar antes dos 60 anos.

Atualmente, o que pode estar gerando alguma preocupação na Espanha, são as eleições antecipadas na Catalunha, pois a região (economicamente a mais importante) está pedindo autonomia. Atualmente a Catalunha transfere 15 bilhões de euros de sua atividade econômica para o resto da Espanha.

Os índices em Wall Street fecharam o pregão desta quarta-feira em leve baixa mantendo a tendência de queda no curto prazo. Dow Jones se aproxima da linha central de bollinger onde poderá encontrar um ponto de respiro ou reversão caso o suporte em 13.3k seja mantido.


Há numa grande novidade que está pra chegar de Wall Street na próxima semana, presenteando todos que operam mercados futuros no Brasil. O investidor brasileiro terá acesso facilitado para operar um dos índices mais respeitados do mundo, onde a análise técnica se encaixa como uma luva. Os contratos futuros do índice S&P 500 começarão a ser negociados na BM&FBovespa na próxima segunda-feira. Acabaram-se os problemas com os movimentos especulativos (e jogadas dos grandes players), que se aproveitam da facilidade provocada pela baixa liquidez na Bovespa. Em contrapartida será lançado o contrato futuro do Ibovespa na Bolsa de Chicago, a partir de 22 de outubro.

No Brasil o índice Bovespa virou a mão no pregão desta quarta-feira marcando fundo sobre a região dos 59.7k (região da média móvel simples de 200 períodos e linha central de bollinger). O candle de fechamento não pode ser considerado um martelo em decorrência da ausência de corpo no candle, formando desta forma um doji libélula que pode indicar sinal de fundo, porém a relevância de um martelo nestas ocasiões é bem superior.


Com esta formação, pode-se esperar que o Ibovespa continue respeitando a média móvel simples de 200 períodos e busque um teste sobre a LTB que vem do topo em 63.4k.

Para finalizar este post, gostaria de alertar à todos os amigos(as) do Finanças Inteligentes quanto à mudança na política de tarifas dos bancos comerciais. Suspeita-se (não podemos afirmar, pois as diretorias dos bancos não admitem) que para compensar a redução no spread bancário, os bancos estão elevando suas tarifas. Esta hipótese ganha força ao observarmos uma elevação absurda de 191% nas tarifas máximas de bancos públicos e privados em diversos produtos e serviços bancários.

As cobranças indevidas também podem aumentar. Um caso recentemente aconteceu comigo neste mês, onde a minha conta foi presenteada com a cobrança de uma tarifa referente a um serviço que eu não autorizei ou sequer solicitei. Portanto recomendo acompanharem os lançamentos nos extratos e exijam estorno e reembolso imediato sobre qualquer cobrança indevida ou não autorizada. Caso haja alguma recusa por parte da instituição financeira, basta registrar uma reclamação no Banco Central. Fiquem atentos!

terça-feira, 25 de setembro de 2012

Bovespa derrapa com bancos e siderúrgicas


O banco Bradesco anunciou ontem, após o pregão, uma redução de 50% nos juros cobrados nas operações de compras parceladas e crédito rotativo. Esta queda nos juros do cartão de crédito já era esperada, seguindo tendência de cortes iniciada pelo Banco do Brasil e Caixa Econômica Federal no início do mês de setembro.

Ainda no mês de agosto, o banco Itaú havia criado uma modalidade de cartão na qual o juro máximo também caía pela metade. Hoje, o presidente deste mesmo banco afirmou que terá taxas de juros máximas de um dígito no cartão de crédito para todos os clientes até o final do ano.

Não é novidade para ninguém, até mesmo para os que estão fora do ambiente de mercado, que o governo está pressionando os bancos para redução do spread bancário (absurdamente alto no Brasil). Uma a uma, as taxas foram sendo reduzidas em diversas modalidades de crédito e financiamento, portanto era apenas uma questão de tempo para que as taxas de juros dos cartões de crédito acompanhassem esta redução.

Apesar de tudo o mercado reagiu de forma eufórica, como se a notícia fosse uma surpresa de grande impacto. A verdade é que a notícia pouco importa, o mercado estava procurando um motivo para realização dos lucros. As ações de bancos subiram bastante nos últimos meses mesmo com o governo declarando guerra ao spread bancário. Consequentemente as margens serão reduzidas a partir de um spread menor, esta informação inclusive foi confirmada hoje pelo presidente do Itaú ao dizer que “os bancos devem apresentar rentabilidade menor no Brasil nos próximos”.

O mesmo raciocínio pode ser adaptado para as ações do setor siderúrgico. A forte queda de hoje é uma conseqüência da realização de lucros (mais acentuada) das empresas do setor, onde algumas chegaram a subir quase 100% nos últimos meses, como Usiminas por exemplo.

A notícia de que o Goldman Sachs rebaixou sua recomendação para as ações da Usiminas (de compra para neutro), além da intenção de compra da CSA (empresa do grupo ThyssenKrupp, que por sinal fechou 2011 com um prejuízo de quase 8 bilhões de reais) pela CSN, ajudaram a reforçar o clima eufórico do mercado.

Em decorrência deste aumento na volatilidade, o índice Bovespa acabou fechando o pregão desta terça-feira em forte baixa de 2,27%. A perda da linha de suporte de curto prazo em 61k armou um pivot de baixa em busca da região psicológica dos 60k e média móvel simples de 200 períodos.

  
Nos Estados Unidos o índice Dow Jones também fechou em baixa anulando os ganhos observados no início do pregão em decorrência da melhora no índice de confiança do consumidor americano (saltou de 61,3 pontos no mês passado para 70,3 neste mês). A perda do suporte em 13.5k aumentou a força da tendência de baixa no curto prazo projetando agora um pullback sobre a região dos 13.3k.


Os yields dos títulos públicos espanhóis voltaram a subir após um período de forte queda no mercado. O tesouro foi obrigado a subir os bônus dos títulos de três meses de 0,98%, do leilão anterior, para 1,25% no leilão desta terça-feira. Já nos títulos de seis meses os juros subiram de 2,1% para 2,3%. O mercado parece ter enviado um recado ao governo espanhol: formalize logo o seu pedido de socorro junto à União Europeia.

segunda-feira, 24 de setembro de 2012

Despedida da Redecard patrocinou descolamento da Bovespa


A segunda-feira de notícias ruins no cenário macroeconômico impactou negativamente o desempenho dos mercados na Europa e nos Estados Unidos. A queda na confiança do empresário alemão (caiu para o menor nível desde fevereiro de 2010) reforçou a percepção de agravamento no processo de desaquecimento da economia mundial.

Christine Lagarde, diretora-gerente do FMI (Fundo Monetário Internacional), também reforçou esta hipótese ao dizer que o relatório da entidade, a ser divulgado em outubro, deverá mostrar piora nas perspectivas de crescimento da economia mundial. Nem mesmo a boato vazado pela revista alemã Der Spiegel (poder de fogo do fundo de resgate poderá aumentar para 2 trilhões de euros), conseguiu animar os mercados.

Mas nada disso afetou o desempenho do índice Bovespa devido à operação de fechamento de capital da Redecard pelo banco Itaú Unibanco. Foram compradas quase 299 milhões de ações da Redecard ao preço de 35 reais por papel, gerando assim um volume líquido financeiro de 10,46 bilhões de reais na transação.

Grande parte deste recurso pode ser considerado “dinheiro novo” entrando na Bovespa, pois os antigos detentores das ações estão agora com caixa disponível para reinvestir em outros ativos. Como a Redecard é um ativo que tinha por característica atrair gestores de fundos value investing, significa que boa parte destes gestores tiveram que fazer a realocação de suas carteiras (para seguir as regras do estatuto) com este recurso proveniente da venda das ações ao banco Itaú Unibanco.

Por este motivo o índice Bovespa conseguiu se descolar do mundo e fechar o pregão desta segunda-feira com uma alta de 0,96%. O bom desempenho do setor de petróleo e gás foi responsável por levantar o Ibovespa. Aparentemente não há informação pública para justificar uma alta no setor, o preço do barril de petróleo inclusive fechou em baixa hoje no mercado internacional.

Com esta alta o índice Bovespa conseguiu fechar colado na LTB de curto prazo traçada a partir do topo em 63.4k. Foi confirmado suporte de curto prazo (fraco) na região dos 61k. Caso esta LTB curta seja rompida, poderemos ter a continuação desta perna de alta rumo aos 63.4k. Porém, se a mesma for respeitada podemos ter um novo teste sobre a região de suporte em 61k, onde a perda deste patamar jogará o índice para testar a região psicológica dos 60k.

  
Nos Estados Unidos o índice Dow Jones fechou o pregão em leve baixa soltando um spinning top, indicando indecisão. O índice segue perigosamente em região de sobrecompra mostrando divergência de baixa no curto prazo. Situação (curto prazo) melhora para os touros apenas com o rompimento dos 13.6k.


sexta-feira, 21 de setembro de 2012

O risco do IOF está de volta


Fatos marcantes ocorridos durante este mês colaboraram para manutenção da tendência de alta (para o médio prazo) no índice Bovespa. As decisões político-econômicas beneficiaram os mercados de capitais e estimularam os investidores a comprarem ativos em bolsa. Este bom momento do mercado é muito bem vindo ao investidor brasileiro devido à falta de opções para remuneração digna de carteira fora da bolsa de valores.

Mas estava tudo tranqüilo, fácil e bom demais para ser verdade. Os investidores estrangeiros entraram pesado na Bovespa durante as duas primeiras semanas do mês de Setembro. Saltamos de 56.2k (mínima) até os 63.4k (máxima) com grande ajuda deste “dinheiro novo” entrando no mercado. Porém, o governo monitora todo este fluxo de capital e muito provavelmente o ministro da Fazenda está de posse destes dados, pois as suas declarações realizadas nesta sexta feira já indicam um ataque verbal do governo contra o capital especulativo estrangeiro que entrou no país nas últimas semanas.

Mantega disse que não irá permitir a valorização do real (provocada pelo ingresso de dólares no país) e que está preparado para utilizar toda sua artilharia para proteger o câmbio.

É inevitável que uma parte dos recursos despejados no sistema financeiro mundial, através da injeção de liquidez dos principais banqueiros centrais, procurem ativos em países emergentes, pois estes atuais mercados operam com um spread negativo em relação aos mercados de países desenvolvidos. Ou seja, há um espaço para subirmos mais no médio prazo. Wall Street está colada no topo histórico, enquanto os emergentes estão bem mais distantes.

Portanto a partir de agora temos que trabalhar com estas duas premissas. Estamos atrativos aos investidores estrangeiros (títulos públicos, ativos, debêntures, etc), mas o ministro da Fazenda já deu o seu primeiro recado, “a minha artilharia está carregada”.

Atualmente o governo está mostrando no mercado câmbio um calibre de menor impacto. O Banco Central já está comprando dólares nas operações de swaps. Se estas compras não forem suficientes para impedir a queda do dólar, o calibre poderá aumentar no mercado de derivativos e no mercado futuro.

Caso estas operações não consigam interromper o fluxo excessivo de capital especulativo, o governo poderá retornar com as tarifas de IOF (Imposto sobre Operações Financeiras) e cobrar aquele famoso pedágio (2%, 4%, 6%) do investidor estrangeiro que resolver entrar no Brasil com capital de curto prazo.

É de se esperar que os mercados emergentes continuem recebendo fluxo de capital especulativo com o aumento generalizado da liquidez no sistema financeiro. O Banco Central terá muito trabalho pela frente pra tentar segurar o dólar na casa dos R$ 2,00, e mesmo assim, com boas chances de perder esta briga.

O risco do IOF está de volta e apesar de alguns apostarem na ineficácia desta medida, o que prejudica mesmo são as mudanças nas regras. Este é o ponto delicado que gera desconfiança no mercado e pode espantar os investidores estrangeiros para outras bandas.

O destaque desta semana no mercado de capitais ficou por conta da forte queda no preço do barril de petróleo. A desaceleração da economia mundial (projeta menos consumo da commoditie), o aumento dos estoques nos Estados Unidos, e o anúncio de que a Arábia Saudita (maior produtor de petróleo do mundo) irá elevar a sua produção, foram os responsáveis pela queda no preço do barril.


Interessante destacar que o petróleo entrou em uma zona crítica de definição de tendência, pois está encurralado entre a LTB de 2008 e LTA de 2009. O candle semanal mostra que esta LTA terá dificuldades em segurar o movimento de queda e caso a mesma seja rompida, o barril poderá voltar para casa dos 80,00 dólares.

Nos Estados Unidos o índice Dow Jones fechou a semana de lado, mostrando um candle de indecisão após a forte alta da semana passada. Tem espaço para fazer pullback sobre a última resistência rompida em 13.3k.


Na Alemanha o índice DAX fechou a semana em alta mais uma vez. Impressionante o desempenho dos mercados europeus. Rompendo importantes linhas de resistências e sem deixar qualquer sinal de topo ascendente. Apesar de tudo, o risco continua alto para compras na Europa, pois os movimentos de forte reversão costumam aparecer na seqüência dos rallys de alta.
 

Quem continua muito mal é o índice da bolsa de Xangai na China. Semana de forte baixa testando a principal região de suporte de curto e médio prazo. Caso esta linha seja perdida mais um pivot de baixa será acionado.


No Brasil o índice Bovespa também fechou a semana em baixa, porém em menor intensidade (em comparação com os chineses). O topo formado em 63.4k permitiu o traçado de uma nova LTB intermediária. A tendência de queda continua no curto prazo, aumentando as possibilidades de pullback sobre a região de suporte psicológico em 60k e média móvel simples de 200 períodos. No médio prazo a tendência de alta segue inalterada, mas devemos prestar bastante atenção, a partir de agora, aos eventos relacionados ao mercado de câmbio.


Desejo à todos vocês um ótimo final de semana! Bom descanso e até segunda!

Posts da semana:


quinta-feira, 20 de setembro de 2012

Estamos perdendo a noção do perigo


O “ataque histérico” do governo brasileiro contra os produtos importados, culminando na elevação de tarifas de importação, já está gerando um tremendo mal estar no comércio internacional. A gota d’agua aconteceu há duas semanas atrás, quando o ministro Mantega anunciou elevação dos impostos de importação para cem linhas tarifárias diferentes.

O primeiro país a se queixar abertamente foi justamente os Estados Unidos. Recebemos uma carta ingrata da Casa Branca demonstrando plena insatisfação com relação às medidas protecionistas (termo utilizado pelos americanos) adotadas pelo Brasil. O governo americano fez questão de ressaltar que estas medidas ameaçam a cooperação entre os dois países na área comercial.

O governo americano fez um apelo para que o Brasil volte a reduzir as tarifas de importação e abandone esta política protecionista. A repercussão internacional esta atitude é negativa e pode estimular outros países adotarem barreiras contra os produtos brasileiros, além de gerar impacto negativo sobre a economia.

Mas ao invés de tentar acalmar esta situação delicada, o nosso ministro da Fazenda concede uma entrevista ao Financial Times dizendo que o quantitative easing 3 do FED (Federal Reserve) é uma medida protecionista e vai dar início a uma nova guerra cambial com consequências potencialmente desastrosas para o resto do mundo. Postura no mínimo lamentável do senhor ministro, jogou mais gasolina no fogo.

Mantega ainda disse que os Estados Unidos, Europa e Reino Unido são mais protecionistas do que o Brasil, obrigando-o a tomar uma série de medidas, entre elas, as cambiais. Parece que estamos aprendendo direitinho como se faz com os nossos companheiros Hugo Chávez, Evo Morales e Cristina Kirchner. Isso porque estamos atrás dos investidores estrangeiros, pois sem eles torna-se praticamente impossível melhorar a infraestrutura deficitária brasileira.

No cenário externo tivemos divulgação preliminar dos níveis de atividades industriais das principais economias mundiais. O índice gerente de compras da China subiu para 47,8 pontos, mas ainda se mantendo na zona de contração. Na zona do euro este indicador caiu para 45,9 em setembro, o menor nível desde junho de 2009.

Os mercados não gostaram da prévia dos índices de atividades industriais e cederam pela manhã. Na parte da tarde houve movimento de recuperação, com a notícia de que a Espanha já estaria negociando nos bastidores seu pacote de socorro junto à União Europeia.

Nos Estados Unidos o índice Dow Jones fechou o pregão em leve alta. O candle de fechamento mostra o sinal de recuperação dos mercados na parte da tarde, porém está numa zona de topo em região sobrecomprada, o que pode ser interpretado como um enforcado (padrão de reversão da tendência de alta para baixa).

  
A recuperação também apareceu no Ibovespa, porém no final do pregão tivemos uma onda de realização de lucros resultando um candle de fechamento do tipo doji, que significa indecisão. Este candle permitiu a formação de uma LTA que vem do fundo intermediário em 56.2k e uma LTB de curtíssimo prazo que vem do topo em 63.4k. O rompimento de algumas destas linhas poderá indicar a direção do mercado para curtíssimo prazo, bem como abrir janela para operações curtas.


quarta-feira, 19 de setembro de 2012

Dole uma, dole duas. Quem dá mais?


O BoJ (Banco Central do Japão) anunciou hoje que irá injetar mais liquidez no sistema financeiro para tentar estimular a economia do país, em  mais uma demonstração de que os principais banqueiros centrais mundiais estão agindo sob forma coordenada.

Nas duas últimas semanas tivemos uma enxurrada de medidas governamentais totalmente voltadas para irrigar o sistema financeiro e assim estimular a economia. Os chineses anunciaram uma injeção de 150 bilhões de dólares no sistema para financiar novos projetos de infraestrutura no país. Na Europa, o BCE (Banco Central Europeu) lançou um novo programa de compras ilimitadas para títulos públicos no mercado secundário. Nos Estados Unidos o FED (Federal Reserve) anunciou o quantitative easing 3 sem limites.

Dentre o grupo dos banqueiros centrais mais poderosos do mundo, só estava faltando o BoJ jogar as suas cartas. E os japoneses chegaram com tudo, serão destinados 10 trilhões de ienes (128 bilhões de dólares) adicionais ao programa de compras de bônus no mercado.

Este “pequeno” adicional de 10 trilhões eleva o programa do BoJ para 80 trilhões de ienes (cerca de 1,01 trilhão de dólares). Todo este recurso será injetado no sistema financeiro japonês até meados de 2013. Masaaki Shirakawa, presidente do BoJ, disse que “as economias estrangeiras têm desacelerado de forma mais acentuada”.

A convicção de Bernanke ao dizer que toda esta injeção de liquidez não irá despertar a inflação nos EUA, ou mesmo Mario Draghi conseguir o aval dos alemães para ligar as impressoras do BCE, e agora, Masaaki Shirakawa dizendo que o processo de desaceleração está mais acentuado, são fortes indicativos de que as projeções de crescimento dos banqueiros centrais pioraram bastante para justificar tamanha atuação coordenada e agressiva. Pode-se trabalhar até mesmo a possibilidade de que virá chumbo grosso no primeiro trimestre de 2013.

Certamente este “tripé monetário mundial” (FED, BCE e BoJ) sabe de algo ainda desconhecido pelo mercado. Toda esta injeção de liquidez é extremamente benéfica para as posições em ativos. Porém o investidor deve ficar alerta, pois esta perna de alta patrocinada pelo quantitative easing 3 poderá não ser tão longa quanto às versões anteriores.

Nos Estados Unidos o índice Dow Jones fechou o pregão novamente com um candle de indecisão (a diferença é que este lembra uma estrela cadente) após a esticada na abertura patrocinada pelo BoJ. Pode estar formando uma situação delicada abaixo da resistência em 13.6k devido ao aparecimento de candles de indecisão nesta região de topo.

  
No Brasil o índice Bovespa também abriu forte, seguindo a onda do BoJ. A LTB no intraday foi rompida garantindo cerca de 700 pontos de alta para o índice. O candle de fechamento pode ser considerado uma estrela cadente que reforça o sinal deixado na sexta-feira da semana passada. A zona de apoio do índice está na região dos 61.4k. Caso esta linha seja perdida será acionado um novo pivot de baixa, dando continuidade à tendência de curto prazo.


terça-feira, 18 de setembro de 2012

Espanha volta ao centro das atenções


O BCE (Banco Central Europeu) estendeu a mão aos países em dificuldades na periferia da zona do euro, mas a Espanha parece estar querendo as duas mãos e os dois pés da autoridade monetária. O governo espanhol tem informado apenas que está avaliando “suas possibilidades” (como se houve outra opção para captação de recurso no mercado), mas na verdade o que estão tentando fazer é afrouxar as condições, nos bastidores, para o recebimento do pacote de ajuda.

Nesta quinta-feira o país terá de encarar o mercado para fazer um leilão de títulos de 10 anos. Este é o tipo de bônus onde o BCE não está autorizado a comprar no mercado (somente títulos com prazo de até 3 anos), mesmo se a Espanha estivesse enquadrada no plano de resgate. Os yields espanhóis de fato caíram bastante desde quando Mario Draghi resolveu entrar em cena para defender o euro, mas se os espanhóis continuarem relutando em formalizar o pedido de socorro, a demanda poderá ser reduzida nos leilões e consequentemente o preço dos títulos voltarão a subir.

O BCE só poderá comprar títulos públicos espanhóis no mercado secundário caso o governo deste país formalize o pedido de socorro junto ao fundo de resgate da zona do euro. A partir deste momento serão impostas as condições, evidentemente impopulares, para a Espanha estar apta a receber o pacote de ajuda.

O presidente do Eurogrupo, Jean-Claude Juncker, afirmou hoje que estas condições só serão informadas após a formalização do pedido de resgate. Esta indefinição quanto à Espanha é um dos poucos motivos que o mercado está encontrando para manter o movimento de realização de lucros após o rally das últimas semanas.

Os índices europeus fecharam o pregão desta terça-feira em leve baixa, enquanto Wall Street fechou o dia perto da estabilidade. O volume financeiro no Dow Jones caiu bastante refletindo uma indefinição de curtíssimo prazo nos mercados. O doji deixado no gráfico sinaliza esta indecisão.


No Brasil o índice Bovespa também fechou o pregão desta terça-feira com um doji de indecisão. O volume financeiro no pregão também caiu bastante em comparação com os dias anteriores, mostrando também uma indefinição do mercado.

  
O ponto mais interessante está no gráfico intraday de 60 minutos do Ibovespa. Podemos observar a formação de topos e fundos descendentes mostrando a tendência de queda no curto prazo. Porém o índice está perto de uma definição de movimento que poderá abrir ponto de entrada novamente. Caso a LTB seja rompida poderemos ter um respingo para cima, podendo até mesmo testar a resistência em 62.7k. Caso o suporte em 61.4k seja perdido teremos a continuação da tendência de baixa no curto prazo com um novo pivot acionado.


O doji no gráfico diário encaixou muito bem no desenho técnico do gráfico intraday. Portanto a calmaria de hoje dever se encerrar amanhã com esta definição de movimento, que poderá gerar oportunidade de entrada para operações curtas.

segunda-feira, 17 de setembro de 2012

Escutou alguém gritando "arriba" por aí?


Caros amigos(as) do blog Finanças Inteligentes, se me permitem gostaria de começar o post de hoje fazendo uma pergunta simples: A desaceleração da economia chinesa está afetando o desempenho das demais economias mundiais. Certo? Errado. O modelo de crescimento econômico do México (baseado na forte expansão do setor industrial) parece estar dando certo e tem atraído, cada vez mais, atenção dos investidores e do mercado em geral.

O México está se tornando uma solução viável contra aos aumentos salariais que estão ocorrendo na China, elevando sensivelmente o custo de produção no gigante asiático. O México já é considerado um lugar mais barato para se fabricar uma série de produtos destinados ao mercado americano. Segundo o Boston Consulting Group, o salário industrial médio da China já supera a média mexicana.

Um reflexo deste otimismo com o México pode ser observado através do principal índice do mercado acionário mexicano. Há uma certa semelhança com o Ibovespa, a diferença é que a recuperação recente da bolsa do México está muito mais forte do que a nossa. A pernada de alta iniciada no final de 2011 já superou o topo de 2010 e se aproxima rapidamente do topo histórico do índice, restando apenas duas resistências pela frente.


A ascensão da economia mexicana provoca comparações com a economia brasileira, a maior da América Latina. Porque o Brasil não está acompanhando o bom desempenho dos mexicanos? Nossa economia foi muito beneficiada com a explosão nos preços das commodities, iniciada em 2002, provocada principalmente pelo forte crescimento da economia chinesa.

Mas com a desaceleração da China e a percepção de que as commodities não irão “bombar pra sempre”, o que será da economia brasileira daqui alguns anos se continuarmos nesta política de exportação de commodities e produtos agrícolas? É por isso que todos os esforços do governo devem estar centralizados para que o setor industrial possa voltar a ganhar competitividade, para primeiramente não perder atividade industrial que ainda opera, de forma heróica, dentro do nosso país e posteriormente atrair novas indústrias fazendo uma concorrência com o México.

Nos mercados o dia foi de leve baixa para os principais índices mundiais, seguindo a tendência de queda no curto prazo iniciada na sexta-feira da semana passada. Nos Estados Unidos o índice Dow Jones fechou o pregão em leve baixa após respeitar milimetricamente a linha de retorno do canal de alta.

  

No Brasil o índice Bovespa fechou o pregão em queda de 0,48%, deixando um spinning top, confirmando o mercado vendedor de curto prazo. Com esta queda o índice retornou para dentro das bandas de bollinger, porém não há região de suporte relevante até os 60k. Para os próximos dias (e talvez semanas) o índice deverá trabalhar dentro de uma possível nova zona de congestão entre 63.4k e 60k (não altera a tendência de alta no médio prazo), com manutenção da perna de baixa no curtíssimo prazo.


sexta-feira, 14 de setembro de 2012

BC brasileiro na onda da liquidez


O Banco Central do Brasil resolveu seguir a estratégia adotada pelos principais banqueiros centrais mundiais e anunciou nesta sexta-feira uma alteração nas regras do depósito compulsório afim de proporcionar uma injeção de 30 bilhões de reais no sistema financeiro nacional. Esta medida também colabora para aliviar a pressão do mercado sobre os bancos pequenos, que ficou deteriorada após a quebra do Banco Cruzeiro do Sul e Prosper anunciada hoje.

O depósito compulsório nada mais é do que uma obrigação dos bancos comerciais a depositarem, nos cofres do Banco Central, parte de suas captações em depósitos à vista, bem como parte das captações em depósitos a prazo.

O Banco Central eliminou completamente a alíquota adicional do depósito compulsório que incide sobre os depósitos à vista. Anteriormente esta alíquota era de 6%. Para as captações realizadas em depósitos a prazo, a alíquota adicional foi reduzida de 12% para 11%.

A intenção desta medida é aumentar as operações de empréstimos dos bancos e fazer o crédito irrigar a economia, para impulsionar o crescimento. Com a redução no volume de recursos que deveriam ser enviados aos cofres do Banco Central, os bancos passam a trabalhar com mais dinheiro em caixa, aumentando assim a sua disponibilidade de capital para as linhas de crédito e financiamento. 

O Banco Central já sinalizou também que irá defender o patamar de câmbio em torno de R$ 2,00. As medidas de estímulo de alguns dos principais banqueiros centrais mundiais poderão provocar um aumento no fluxo de capital especulativo em direção ao Brasil. Só hoje foram realizados dois leilões de swap cambial reverso para amortecer/impedir a queda do dólar.

Apenas o anúncio de que uma nova onda de liquidez irá irrigar o sistema financeiro foi o suficiente para os ativos dispararem nas bolsas. Nos Estados Unidos o índice Dow Jones fechou a semana superando a máxima do ano, acionando pivot de alta e rompendo importante resistência na região dos 13.3k. A linha dos 13.7k é a última zona de resistência importante antes do provável teste no topo histórico do índice.


Ainda nos Estados Unidos, o índice S&P500 (mais abrangente, pois engloba as 500 principais empresas listadas em Wall Street) também realizou movimento semelhante ao Dow Jones. Destaque para abertura das bandas de bollinger, mostrando a força da pernada de alta rumo ao teste do topo histórico. Envergadura da média móvel simples de 200 períodos apontando para cima.


No mercado de commodities, podemos observar através do índice CRX, o importante movimento de rompimento da LTB principal. As duas semanas seguidas de fortes altas mostraram o movimento de recuperação nos preços das commodities, que por sinal já trabalhavam acima da média móvel simples de 200 períodos semanal. Mesmo com uma correção saudável de curto prazo, a trajetória tende a se manter ascendente no médio prazo.


Na Alemanha o índice DAX está em pânico de alta. A pontuação do índice está subindo em linha reta desde o fundo marcado na região dos 6k. A linha de resistência em 7.2k foi rompida e mais um pivot de alta foi acionado no principal mercado europeu. Caso a LTB do topo histórico seja rompida, o índice terá espaço para atacar a próxima zona de resistência em 7.6k.


Apesar da proximidade com as regiões de topo histórico, as bolsas de valores dos países desenvolvidos estão entrando em um nível alto de sobrecompra, aumentando o risco do mercado para abertura de novas posições compradas. Até o presente momento não há nenhum sinal de topo descendente nos índices destes países, porém o investidor deverá ficar atento na próxima semana para caso ocorra alguma indicação de correção.

Passando para o grupo de mercados emergentes, vamos analisar a situação da bolsa de Xangai na China. O canal de baixa segue firme e forte indicando a tendência para o médio e longo prazo. No curto prazo houve uma pequena recuperação que pode ser observada no candle da semana passada, porém o índice não acompanhou o movimento de euforia das demais bolsas mundiais nesta semana e fechou com um candle de indecisão.
 
  
Na Índia a situação é bem diferente. O principal índice da bolsa de Bombay fechou a semana em forte alta acompanhando todo o movimento de euforia nos mercados. Foi acionado pivot de alta no curto prazo, alimentando a tendência e se distanciando da principal LTB rompida no mês passado. As bandas de bollinger se abriram acompanhando o movimento ascendente. Caso a resistência em 18.5k seja rompida, o índice abrirá espaço para testar a resistência (e patamar psicológico) dos 20k.


Finalizando com o Brasil, podemos observar movimento de euforia também na Bovespa. Candle semanal de forte alta rompendo importante média móvel simples de 200 períodos, linha de resistência e patamar psicológico dos 60k, e acionando pivot de alta. Estes rompimentos contribuíram para manutenção e aumento de força na tendência de alta de médio prazo.


O aumento da força foi tão grande que jogou o índice para a região dos 63.5k, onde foi deixado um sinal de topo de curto prazo, indicando movimento saudável de correção. Espera-se que nos próximos meses (talvez este ano ainda) a LTB principal do Ibovespa seja testada. Atualmente esta linha passa na região dos 67.5k.

Vamos encerrando por aqui as nossas atividades. Mais uma semana muito importante para os mercados e definição de tendência. Desejo à todos vocês um ótimo final de semana!

Posts da semana:

Azedou a sobremesa
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