quarta-feira, 31 de outubro de 2012

Situação da Grécia piora cada vez mais


O governo grego reduziu em mais da metade sua estimativa de superávit orçamentário em 2013, as vésperas de uma reunião decisiva, que ocorrerá no dia 12 de novembro, para garantir o recebimento da próxima parcela de empréstimo do pacote de socorro acertado juntamente com a UE (União Europeia) e FMI (Fundo Monetário Internacional).

As medidas de austeridade fiscal estão afundando o país cada vez mais na recessão. Estima-se uma contração econômica na Grécia de 4,5% em 2013, o que deverá elevar a dívida pública do país para um recorde insustentável de 189% do PIB (Produto Interno Bruto). A necessidade de financiamento para o país se manter solvente nos próximos 2 anos aumentou para 30 bilhões de euros conforme estudo realizado recentemente pela troika.

A Grécia precisará realizar uma série de reformas econômicas e aumentar os cortes nos gastos públicos até a reunião do dia 12 de novembro para convencer os credores internacionais liberarem o pagamento da próxima parcela de empréstimo. A única certeza é que o país terá de receber esta parcela de empréstimo para evitar um default e /ou ruptura com a zona do euro.

Opções como alongamento no vencimento das novas dívidas contraídas, juntamente com a redução nas taxas de juros dos empréstimos concedidos (permitindo assim a rolagem da dívida), é a carta na manga que ainda resta para a Europa manter a Grécia respirando até que haja uma reestruturação organizada na zona do euro. Um novo corte na dívida grega (default parcial) está fora de cogitação e praticamente confirmaria uma moratória disfarçada na Grécia.

Nos Estados Unidos o dia foi marcado pela volta das negociações na bolsa de valores de Nova York. O índice Dow Jones oscilou bastante mas fechou próximo à estabilidade marcando novamente um candle de indecisão. Ainda há uma tentativa de formação de fundo levemente acima da linha de suporte psicológico em 13k, mas com o clima de aversão ao risco provocado pelos eventos técnicos das duas semanas anteriores, a força compradora em Wall Street continua fraca até mesmo para engatar um repique.

Bolsa de Nova York
  
No Brasil o índice Bovespa fechou o dia devolvendo toda a alta de ontem provocada pelos investidores institucionais nacionais (na intenção de levantar os rendimentos das carteiras). Os cartuchos foram queimados ontem aproveitando-se da ausência dos investidores estrangeiros, mas o mercado (diga-se players estrangeiros) corrigiu este movimento nesta quarta-feira. Ao contrário do que muitos dizem por aí, não houve nova tentativa de puxar as cotações no último dia útil do mês, o volume na Bovespa ficou abaixo dos 6 bilhões de reais sem qualquer reação relevante de força compradora nos minutos finais do pregão.

Bovespa diário

O gráfico mensal do Ibovespa revela que a média móvel simples de 20 períodos continua apontando para baixo após barrar o movimento de alta iniciado em 52.5k. A queda deste mês confirma a formação de topo abaixo desta referida média juntamente com os pavios longos superiores dos candles de agosto e setembro.

Bovespa mensal

O engolfo no gráfico diário poderá jogar o índice para retestar o fundo de curto prazo marcado em 56.6k. Caso esta linha (fraca) não consiga segurar o movimento vendedor, o suporte na região dos 56.2k ficará comprometido pois a força vendedora irá aumentar com a formação de um pivot de baixa nos gráficos intradays.

A perda do suporte em 56.2k representará rompimento da LTA de longo prazo iniciada em 2008, fortalecendo ainda mais o viés de baixa do mercado. Ibovespa parece ter entrado em uma sinuca de bico para impedir continuação da tendência de baixa com o casamento das consequências dos movimentos técnicos nos gráficos intradays, diário, semanal e mensal.

terça-feira, 30 de outubro de 2012

Sandy vai embora e carrega junto o sensacionalismo da mídia


O impacto econômico causado por uma das piores tempestades dos últimos tempos nos Estados Unidos será, felizmente, bastante limitado. De acordo com a rede de TV CNBC, os prejuízos estimados giram em torno de 10 bilhões ao dia. Este é um número sensivelmente baixo se observamos o nível de gravidade relevante deste evento climático atípico atingindo uma das regiões mais populosas e produtivas do planeta.

O PIB (Produto Interno Bruto) dos Estados Unidos poderá sofrer uma ligeira queda no curto prazo (praticamente insignificante). Isso porque os prejuízos econômicos serão recompensados pelos esforços para reconstrução imediata da infraestrutura, residências e prédios afetados, entre outros danos causados pela tempestade.

Felizmente o Furacão Sandy foi rebaixado para categoria ciclone nesta terça-feira, perdendo força ao entrar no continente (como normalmente ocorre), o que certamente evitou um desastre de proporções maiores e permitirá que a cidade de Nova York retorne à sua rotina a partir de amanhã, inclusive com a reabertura de Wall Street.

Milhões de famílias foram afetadas nos Estados Unidos e infelizmente um número pequeno de pessoas acabaram morrendo com a passagem da tempestade. Apesar de tudo estamos mais do que acostumados a ver imagens de inundações no Brasil causadas por uma chuva de 30 minutos. Um metrô que é subterrâneo obviamente sofrerá inundação. Árvores evidentemente serão arrancadas/derrubadas por enchentes ou qualquer outro motivo. Carros não foram feitos para andar sob a água e serão inundados por motoristas aventureiros independente de qualquer situação. E por último, a imagem de um guindaste que não caiu, pendurado no prédio (talvez simbolizando a superação do otimismo e perseverança), é uma forma de dizer “cala boca” à todos que se aproveitaram desta situação para “vender um desastre que não aconteceu”. Para finalizar, vale a reflexão: a mídia é sensacionalista, mas nós a sustentamos.

O que realmente aconteceu foi uma aula de organização e integração entre diversos órgãos do governo para prevenção de um desastre sem precedentes em uma região extremamente populosa. Isso no final das contas é o que realmente importa e não a contagem dos poucos que infelizmente, faleceram.

O pregão na Bovespa funcionou mais uma vez com baixo volume financeiro devido à ausência dos investidores estrangeiros norte-americanos. Alguns investidores institucionais nacionais podem estar aproveitando esta brecha no mercado para levantar alguns papéis, já que o desempenho do índice (refletindo também as carteiras) este mês é negativo até o presente momento.

Entre o fundo de ontem (56.6k) e a máxima de hoje (57.6k), são 1.000 pontos de alta no índice Bovespa. Com a reabertura de Wall Street na próxima quarta-feira, podemos esperar aumento de volatilidade aqui no Brasil e acerto de algumas posições. Na verdade a semana começa “pra valer” amanhã, mas esta alta de hoje favoreceu à confirmação do fundo desenhado levemente acima do suporte em 56.2k.

Gráfico diário do índice Bovespa

segunda-feira, 29 de outubro de 2012

Furacão Sandy fecha Wall Street


A NYSE Euronext, em conjunto com a SEC e participantes do mercado, decidiram nesta segunda-feira fechar completamente os pregões físico e eletrônico em Wall Street devido à passagem do furacão Sandy pela costa leste dos Estados Unidos.

"Nós apoiamos o consenso dos mercados e da comunidade reguladora de que as perigosas condições que se desenrolam como resultado do Furacão Sandy tornarão extremamente difícil garantir a segurança das nossas equipes e comunidades, e a segurança precisa ser a nossa maior prioridade".

A agenda de indicadores econômicos também será modificada e o pregão na bolsa de Nova York permanecerá fechado na terça-feira onde será emitido um novo comunicado. Com isso ficamos impossibilitados de fazer uma análise de mercado em decorrência deste evento atípico.

Na teoria o gráfico diário do Ibovespa revela a tentativa de formação de fundo levemente acima da linha de suporte em 56.2k. Porém devemos esperar a reabertura dos mercados em Wall Street para definição do movimento nas bolsas.


sexta-feira, 26 de outubro de 2012

Mercado não se anima nem com PIB dos EUA


O clima de aversão a risco continua tomando conta do mercado impedindo uma reação positiva das bolsas de valores referente à melhora nos indicadores macroeconômicos, que em tese poderiam animar os pregões. A sinalização de reversão de tendência nos principais índices de Wall Street na semana passada, bem como a perda de importantes pontos de sustentação no Dow Jones e S&P500 nesta semana, estão contribuindo para o desempenho negativo das bolsas mundo afora.

Hoje o Departamento de Comércio dos Estados Unidos informou, através de sua primeira estimativa, que o PIB (Produto Interno Bruto) do país cresceu a uma taxa anualizada de 2,0% no terceiro trimestre deste ano. Este resultado superou as expectativas do mercado, que giravam em torno de 1,8%.

Embora o ritmo de crescimento tenha decepcionado as autoridades do FED (Federal Reserve) e governo federal, a economia norte-americana mantêm trajetória de expansão há 13 trimestres consecutivos. O crescimento no terceiro trimestre de 2012 foi sustentado pela elevação nos gastos dos consumidores, do governo (investimentos em defesa militar saltaram 9,6%, ante uma queda de 0,2% no segundo trimestre) e melhora do mercado imobiliário.

O índice Dow Jones fechou a semana em baixa mostrando um candle de força relevante após o sinal de topo deixado na semana passada. A linha central de bollinger não conseguiu segurar a pressão vendedora e agora o índice caminha para testar a LTA iniciada em outubro de 2011 (fundo em 10.5k, região que ficou famosa por formar bear trap mais famoso dos últimos anos em Wall Street).


Na continente europeu a Espanha divulgou novo recorde na taxa de desemprego. De acordo com o Instituto Nacional de Estatísticas do país, o número de desempregados atinge 5,7 milhões de pessoas. A taxa de desemprego subiu de 24,63% no segundo trimestre deste ano para 25,02%.

O índice DAX (Alemanha) sofreu novamente pressão vendedora da LTB que vem do topo histórico e fechou a semana em forte baixa. Apesar da queda o índice conseguiu se manter acima da principal linha suporte de curto prazo (região dos 7.2k) por tempo limitado, pois as chances de rompimento para baixo são maiores.

  
Na China a bolsa de Xangai fechou a semana em baixa após uma sequência de 4 candles de alta. A pressão vendedora apareceu exatamente sobre a linha de resistência em 2.1k, recebendo ajuda da linha central de bollinger. Com isso temos a formação de um topo de curto prazo. Poderá ocorrer nova tentativa de rompimento a partir de um fundo ascendente formado acima da principal linha de suporte no curto prazo.


Destaque para o grande número de empresas asiáticas (principalmente de Japão, China e Coréia do Sul) que estão revisando para baixo as previsões de faturamento para os próximos meses. Além da crise na Europa, os diretores estão citando o próprio mercado asiático como responsável pela previsão de redução no faturamento.

No Brasil o índice Bovespa fechou a semana em forte queda, mostrando predomínio do mercado vendedor de curto prazo e confirmando a configuração de topo deixada na semana anterior. A linha central de bollinger foi rompida com extrema facilidade, o que sugere um teste sobre a LTA de 2008 nas próximas semanas.


Bom descanso a todos e um ótimo final de semana! Até segunda!

Posts da semana:

quinta-feira, 25 de outubro de 2012

A um passo de finalmente pedir socorro


O Partido Popular, maioria absoluta no Parlamento Espanha, divulgou hoje uma emenda de um projeto de lei sobre a reforma do setor financeiro espanhol para ser votado nos próximos dias. O documento mostra que a Espanha poderá formalizar o pedido de socorro no valor de 60 bilhões de euros à União Europeia para finalmente recapitalizar seus bancos em dificuldades.

Um teste de estresse independente publicado no mês passado mostrou que os bancos espanhóis precisam de cerca de 60 bilhões de euros para resistirem à eventos adversos, como uma forte retração da economia por exemplo.

O Santander passou no teste de estresse e não precisará ser recapitalizado, porém o presidente da instituição disse hoje que o governo espanhol precisa concretizar o pedido de resgate para permitir redução nos custos de financiamentos aos credores em dificuldades. "Uma situação em que o financiamento do Tesouro está sendo auxiliado por linhas de crédito contingentes oferecidas por qualquer corpo internacional, produzirá uma queda no prêmio de risco do crédito soberano e, como consequência, uma queda no prêmio de risco dos bancos”, disse Alfredo Sanez presidente do Santander.

Os bancos espanhóis estão sendo forçados a realizar uma faxina contábil para limpar os ativos podres do sistema financeiro. O lucro do Santander no terceiro trimestre despencou para 100 milhões de euros, ante um lucro de 1,8 bilhão de euros no mesmo período do ano passado, em decorrência das baixas contábeis realizadas neste trimestre.

Ainda na Europa o governo britânico informou que sua economia cresceu 1% no terceiro trimestre deste ano em comparação com o trimestre anterior. Este é o ritmo de crescimento mais forte verificado nos últimos cinco anos.

Estas notícias não animaram os mercados europeus que fecharam próximo à estabilidade. O mesmo aconteceu nos Estados Unidos onde o índice Dow Jones conseguiu interromper a sequência de queda e respirar um pouco no curtíssimo prazo empurrando o candle (do tipo spinning top que significa indecisão) para dentro das bandas de bollinger.

  
O boato de que a agência de classificação de risco Fitch Ratings poderia seguir a S&P e cortar o rating dos Estados Unidos não colou no mercado. Provavelmente a fonte é duvidosa. É bastante improvável tal evento ocorrer ainda este ano.

No Brasil o índice Bovespa conseguiu se descolar do mercado externo com o bom desempenho das ações da Vale (principalmente), além do pânico no call de abertura das ações da OGX, que tirou alguns vendedores do mercado e permitiu elevação do índice logo na abertura do pregão.

Com este fechamento pode-se observar uma tentativa de formação de fundo na região dos 57.2k. Porém o movimento de repique só deverá pegar força com a retomada da linha de pivot em 58.1k.


quarta-feira, 24 de outubro de 2012

Prévia do PMI chinês apresenta melhora significativa


O instituto Markits, em conjunto com o banco HSBC, divulgou nesta quarta-feira as prévias dos níveis de atividades industriais das principais economias mundiais. A grande surpresa ficou por conta da China, onde a prévia do índice gerente de compras (PMI) atingiu os 49,4 pontos no mês de outubro, número bem superior aos 47,9 pontos do mês anterior.

Apesar de ser um resultado abaixo dos 50 pontos, revelando retração na atividade manufatureira, percebe-se que a contração na atividade está perdendo força com a elevação da pontuação do PMI. Pode-se observar, a partir desta prévia, que o pior momento do setor manufatureiro chinês já passou (pelo menos no curto prazo).

Nos Estados Unidos a atividade industrial continua mostrando sinais de expansão. A preliminar do mês de outubro fechou em 51,3 pontos, levemente acima da estimativa do mês anterior (51,1 pontos).

Apesar das notícias positivas os mercados reagiram negativamente seguindo a tendência de queda no curto prazo. Sinal da soberania do mercado vendedor. Mesmo com os gráficos intradays esticados na venda, o mercado segue caindo pois não há volume comprador suficiente (ou mesmo condições técnicas que justifiquem o movimento especulativo operar na ponta compradora) para reverter a tendência.

Nos Estados Unidos a ata do Fomc (comitê de política monetária do FED - banco central norte-americano) não revelou nenhuma novidade ao mercado. O índice Dow Jones fechou o pregão em leve baixa com um candle totalmente fora das bandas de bollinger, o que sugere uma possibilidade de repique ou lateralização de curtíssimo prazo.

Bolsa de valores em Wall Street
  
No Brasil o índice Bovespa fechou em queda de 0,92%, movimento que pegou força no final do pregão com o pânico de baixa nas ações da OGX (perda de uma importante linha de suporte no curto e médio prazo). Com isso o índice Bovespa caiu pelo quinto pregão consecutivo ainda sem mostrar sinal de fundo no curto prazo. Esta queda de hoje provocou início do movimento de abertura da banda inferior de bollinger, abrindo espaço para tendência de baixa.

Bolsa de valores na Bovespa

terça-feira, 23 de outubro de 2012

Referência do mercado perde ponto de sustentação


Os principais índices de Wall Street fecharam o pregão desta terça-feira em forte queda arrastando as demais bolsas mundiais para o campo negativo. As reduções nas projeções de lucro da 3M, DuPont e United Technologies colaboraram para aumentar o pessimismo no mercado, mas somente a análise técnica pura e simples pode explicar todo esse movimento de sell-off em Wall Street.

Dow Jones e S&P500 perderam pontos importantes de sustentação e as vendas entraram com mais força na bolsa de valores de Nova York. Na verdade tudo começou na última sexta-feira, onde a primeira pancada no mercado resultou na perda da linha de tendência de alta de médio prazo.

Hoje a segunda pancada apareceu e os índices perderam as principais linhas de suporte de curto prazo. Em ambos os casos foram acionados pivots de baixa aumentando a força da tendência de queda. Com esta tendência confirmada pode-se esperar que a região de suporte psicológico do índice Dow Jones (em 13k) será ser testada em breve, juntamente com a média móvel simples de 200 períodos diária.


Inevitavelmente o índice Bovespa também fechou em baixa, o sell-off em Wall Street dominou todo o mercado. A perda da importante região de suporte em 58.1k acionou o pivot de baixa, aumentando a força da tendência de queda no curto prazo. Este movimento colabora para perda de contato com a média móvel simples de 200 períodos, indicando supremacia do mercado vendedor.

  
O índice ainda conseguiu fechar colado na linha de suporte (fraca) em 57.6k, devido ao encerramento de algumas posições vendidas ao final do pregão. Mesmo com respiros ocasionais de curtíssimo prazo, pode-se esperar teste sobre a linha de suporte em 56.2k nos próximos dias/semanas.

Finalizando o Banco Mundial divulgou nesta terça-feira um levantamento onde mostra que o Brasil continua sendo um dos piores lugares para fazer negócios entre os países desenvolvidos ou em desenvolvimento. O Brasil ocupa vergonhosamente a 130ª posição em um ranking composto por 185 países. No ano anterior ocupávamos o 126º lugar, revelando que a nossa “atratividade” piorou mesmo com a queda na taxa básica de juros. Precisamos usar binóculos para enxergarmos o Chile na 37ª posição, país que por sua vez continua dando uma aula de política econômica na América Latina.

sexta-feira, 19 de outubro de 2012

Merkel diz não e os espanhóis vão ter que pagar


A chanceler alemã Angela Merkel, que até então estava um pouco sumida do noticiário europeu, reapareceu com tudo na reunião de cúpula dos líderes europeus realizada na quinta e sexta-feira desta semana. O mercado esperava algum avanço na criação do supervisor bancário para zona do euro e assim permitir que os bancos espanhóis possam ser recapitalizados diretamente pelo ESM (Mecanismo Europeu de Estabilidade Financeira).

Mas a chanceler alemã colocou ordem na casa e disse que levará mais de dois meses para desenvolver um novo supervisor bancário. “Nós devemos nos prender a uma certa sequência de eventos. Primeiramente devemos resolver a estrutura legal, então nós precisamos estabelecer um órgão de supervisão e somente quando este estiver operacional, os bancos poderão ser recapitalizados diretamente pelo ESM”.

Angela Merkel ainda fez questão de ressaltar que os bancos não poderão ser recapitalizados retroativamente por meio do ESM. Em outras palavras, não há outra saída para Espanha a não ser formalizar o pedido de resgate junto à União Europeia e socorrer os seus bancos assumindo uma dívida pública, “socializada” para todos os cidadãos da Espanha.

Será muito arriscado deixar o sistema financeiro espanhol no aguardo da criação efetiva do supervisor bancário europeu, já que o mesmo não deve sair do papel antes do início de 2013. Somente quando o BCE (Banco Central Europeu) se tornar o supervisor dos bancos na zona do euro, o ESM estará liberado para injetar capital diretamente em bancos problemáticos sem somar valor às dívidas dos governos.

Não aconteceu nenhum progresso, nestes dois dias de reunião de cúpula dos líderes europeus, sobre a situação da Espanha ou mesmo para liberação da próxima parcela de empréstimo do plano de socorro à Grécia.

Apesar de tudo, a queda verificada nesta sexta-feira entre os principais índices europeus não foi suficiente para reverter o bom desempenho da semana. Os mercados continuam sobrecomprados próximo às maximais anuais. Na Alemanha, o índice DAX segue lutando contra a LTB do topo histórico. A briga já dura 6 semanas consecutivas, fortalecendo a resistência, onde  até o momento não há indicação de rompimento.

Mercado de ações alemão

O desempenho semanal de Wall Street não foi tão bom quanto o desempenho dos mercados europeus. S&P500 e Dow Jones fecharam a semana em leve alta, porém deixando uma estrela cadente indicando sinal de topo no gráfico após 6 semanas de tentativas de rompimento das máximas anuais. A principal linha de suporte no curto prazo (região dos 13.3k) corre o risco de ser perdida, aumentando a força da tendência de baixa.

Mercado de ações norte-americano
   
Na China a bolsa de Xangai fechou mais uma semana em alta encostada na principal zona de resistência de curto prazo (2.1k). Poderá encontrar resistência nesta região, provocando um movimento de correção no curto prazo. Movimento saudável, pois permitirá que o índice trabalhe um fundo ascendente acima do patamar psicológico dos 2k.

Mercado de ações brasileiro

No Brasil o índice Bovespa fechou a semana em leve baixa sentindo a pressão da média móvel simples de 200 períodos semanal e diária, além do patamar psicológico dos 60k. O pavio longo superior no candle sugere uma estrela cadente formando um topo descendente abaixo dos 63.4k. A formação gráfica indica novo teste sobre a principal linha de suporte no curto prazo: 58.1k. Caso esta linha não consiga segurar a pressão vendedora, teremos agravamento da tendência de baixa no curto prazo.

Mercado de ações chinês

No mercado interno o Banco Central decretou intervenção no banco BVA, em decorrência da delicada situação financeira da instituição, que se mostrou insolvente para continuar operando no sistema financeiro. Outras quatro instituições financeiras sofreram intervenções semelhantes nos últimos dois anos. Este fato colabora para gerar uma queda de confiança do mercado em relação aos bancos de pequeno e médio porte.

Vale a pena ressaltar que estes eventos são insignificantes perto do volume total de ativos do sistema financeiro e não desestabiliza o mercado interbancário brasileiro. O BVA possui apenas 0,17% dos ativos do sistema financeiro nacional e 0,24% dos depósitos. Se somarmos com as outras intervenções nos últimos dois anos, o volume total chega a 0,40% dos ativos do sistema financeiro e 0,60% dos depósitos.

Portanto não há qualquer ameaça à solidez do sistema financeiro brasileiro. Fica apenas um alento quanto à fiscalização do Banco Central, que não observou as irregularidades previamente ou demorou demais para tomar uma atitude em relação aos últimos acontecimentos.

Bom pessoal, encerramos por aqui a nossa análise de sexta-feira. Desejo a todos vocês um excelente final de semana!


Observação: Ficarei devendo o post de segunda-feira. As análises serão retomadas a partir do dia 23/10/2012, terça-feira. Até mais!


Posts da semana:

quinta-feira, 18 de outubro de 2012

Ciclo de afrouxamento monetário chegou ao fim


O mercado pode apreciar nesta quinta-feira a última ata da reunião do Copom (Comitê de Política Monetária) realizada na semana passada onde Comitê decidiu cortar a taxa básica de juros em 0,25 p.p., de 7,5% para 7,25% ao ano. O documento mostra que o ciclo de afrouxamento monetário pode ter chegado ao fim e a partir de agora o Banco Central deverá manter a taxa selic no patamar de 7,25%.

Os membros do Comitê que votaram a favor do corte (5 diretores votaram pelo corte e 3 pela manutenção) disseram que o cenário para a inflação ainda comportava um último ajuste das taxas devido às incertezas quanto ao ritmo de recuperação da atividade econômica. Evidentemente este raciocínio não se enquadra ao cumprimento meta de inflação no ano que vem (lembrando que para 2012 a meta não será mais alcançada, tal como ocorreu em 2010 e 2011).

O cenário de desaquecimento da economia global foi novamente ressaltado na ata. A autoridade monetária espera que a perspectiva de fragilidade da atividade econômica seja mais prolongada do que estimado anteriormente. “Ainda não há uma solução definitiva para a crise europeia. O cenário para importantes economistas emergentes se apresenta mais desafiador do que se esperava antes”.

A seguir, podemos observar a parte mais importante da ata, que destaca esta nova postura de manutenção na taxa básica de juros: “o colegiado entende que a estabilidade das condições monetárias por um período de tempo suficientemente prolongado é a estratégia mais adequada para garantir a convergência da inflação para a meta.”

Mas e se houver ameaça da inflação acumulada dos últimos 12 meses chegar perto do limite máximo da meta em 6,5%, já que a economia entrará na fase de reaquecimento no ano que vem? Nem o governo e nem o Banco Central estão mostrando possibilidade de elevação dos juros em 2013. Por outro lado existem outras opções macroprudenciais (não tão eficientes quanto a elevação nos juros) que o Banco Central poderá utilizar, como aumento do compulsório por exemplo. O governo federal também poderá colaborar para reduzir as pressões inflacionarias adotando uma postura fiscal menos expansionista.

Ainda no cenário interno, a agência de classificação de risco Fitch disse hoje, em um evento sobre economias emergentes em São Paulo, que o Brasil não caminha para receber uma nota “A”, que significa um novo patamar de classificação nas agências de risco. Segundo a Fitch, os problemas com a inflação, baixa diversidade econômica (país basicamente exportador de commodities), fraqueza na política fiscal (gasta muito e investe pouco) e casos de corrupção estão entre os principais problemas a serem enfrentados no Brasil para que possamos entrar para o grupo de países nota “A”.

O índice Bovespa fechou o pregão desta quinta-feira em baixa de 0,59% sentindo a pressão da média móvel simples de 200 períodos. Apesar da queda, o fechamento foi importante pois o índice conseguiu se manter acima da região dos 59.7k (suporte intraday e linha central de bollinger no diário), ponto que permite novos ataques à média de 200 períodos. Porém, se esta linha for perdida amanhã, deveremos ter um teste sobre a nova LTA que vem do fundo em 52.5k.

Gráfico do mercado de ações brasileiro
  
Nos Estados Unidos o grande destaque do dia ficou por conta da queda acentuada das ações do Google. As negociações envolvendo as ações da empresa foram interrompidas no pregão da Nasdaq para minimizar o efeito do pânico sob os preços das cotações. Os resultados trimestrais da companhia foram divulgados indevidamente durante o pregão (todos os resultados devem ser divulgados após o fechamento do mercado), reportando uma forte queda de 20% no lucro em relação ao mesmo período do ano passado.


O grande número de ações do setor de tecnologia que compõe a carteira do índice Nasdaq reduziu o efeito da queda envolvendo as ações do Google. O índice encerrou o dia com uma baixa de 1,01%. Dow Jones, índice que não conta com a participação do Google na carteira teórica, fechou o dia próximo à estabilidade. Doji de indecisão acima da linha central de bollinger e próximo da zona de resistência em 13.6k joga um viés de baixa no curto prazo.

Gráfico do mercado de ações norte-americano

quarta-feira, 17 de outubro de 2012

Na terceira tentativa pode funcionar


Bem Bernanke, presidente do FED (Federal Reserve - banco central norte-americano), tem motivos de sobra para comemorar, mesmo que modestamente, os dados recentes da economia americana. Ele está mostrando ao mercado que desta vez a autoridade monetária pode ter acertado a mão com a terceira rodada de relaxamento quantitativo (quantitative easing 3, ou QE3).

Os programas anteriores de relaxamento quantitativo (QE1 e QE2) eram baseados na compra de bônus do Tesouro Americano dentro do sistema financeiro e as operações tinham prazos predeterminados de vencimentos. O percentual de eficácia desta estratégia era relativamente baixo, boa parte da liquidez injetada via compra de bonds não saiu do mercado financeiro.

A diferença do QE3 para os demais programas está na forma como estes recursos estão sendo injetados no sistema. O FED mudou sua tática e resolveu atacar o problema diretamente na ferida. O quantitative easing 3 não é a terceira rodada de um programa de compra de títulos públicos públicos no mercado, é a primeira (e talvez única) fase de um programa de compra de dívidas hipotecárias, que por sua vez faz parte da terceira rodada de relaxamento quantitativo.

A grande jogada foi “limpar” os papéis de agências oficiais lastreadas em hipotecas. Ao comprar estes títulos a autoridade monetária delimita o caminho para o crédito atingir o mercado imobiliário norte-americano. O comprometimento ilimitado para reduzir a taxa de desemprego, a partir das compras de dívidas hipotecárias, prece óbvio. Facilitando, incentivando e barateando o crédito no mercado imobiliário, as pessoas e empresas retomam projetos de construção. Estima-se que cada casa construída nos Estados Unidos emprega em média 3 pessoas no mercado de trabalho.

Uma prova de que o QE3 está funcionando é o próprio aquecimento do mercado imobiliário. O Departamento de Comércio dos Estados Unidos anunciou nesta quarta-feira que as construções de novas moradias dispararam 15% somente no mês de setembro, comparando-se com o mês anterior (ritmo mais rápido desde julho de 2008). As licenças para construir somaram 894 mil em setembro, 11,6% acima da taxa de verificada em agosto. Na comparação com setembro do ano passado, o aumento foi de 45,1%.

O avanço no setor de construção civil é um passo importante para recuperação da economia americana, que ainda está em marcha lenta. Ao primeiro momento parece que enfim o FED acertou na estratégia, o dólar está comportado (até o momento não aconteceu nenhum “tsunami monetário”) e Wall Street não subiu o quanto deveria com esta nova injeção de liquidez. São os primeiros sinais de que desta vez a crédito não está irrigando a especulação no mercado financeiro.

Notícia extremamente positiva para economia, mas não tão boa para os especuladores em Wall Street. Como sustentar Dow Jones e S&P500 (ambos os índices trabalham próximos às máximas históricas), sem dinheiro novo do FED na bolsa? Só mesmo criando um ambiente de euforia de alta (última pernada antes da queda) para chamar a massa ao mercado e repassarem suas posições. Caso contrário a porta de saída será pequena para a quantidade de fundos e grandes investidores posicionados em ações nos Estados Unidos.

O índice Dow Jones fechou o pregão desta quarta-feira em leve alta pressionado pelos papéis da IBM. O candle pode ser considerado um enforcado de topo, porém de baixa relevância devido à posição gráfica. O índice deve seguir pressionado entre a linha de resistência em 13.6k e LTA do canal de alta.

Industrial Dow Jones

No Brasil o índice Bovespa conseguiu fechar o dia com uma boa alta de 0,57%. Nos minutos finais de encerramento o índice despencou rapidamente para 59.6k no mercado à vista, na briga pelo índice futuro. A reação da força compradora foi imediata, levantaram o índice no leilão provocando um fechamento levemente acima do patamar psicológico dos 60k.

Ibovespa

O índice ainda briga para superar média móvel simples de 200 períodos. Rompendo esta região de forte resistência o Ibovespa terá caminho livre para retestar o último topo ascendente em 63.4k.

terça-feira, 16 de outubro de 2012

Esquenta briga pelo índice futuro


Novamente o mercado brasileiro conseguiu se descolar dos principais índices mundiais nesta terça-feira (desta vez para o lado negativo) devido ao vencimento de contratos sobre o índice futuro a ser realizado no próximo pregão.

Acompanhando o movimento de alta dos mercados na parta da manhã, o índice Bovespa conseguiu superar momentaneamente as barreiras importantes da média móvel simples de 200 períodos, patamar psicológico dos 60k e linha central de bollinger. O mercado pegou impulso com a saída de posições vendidas de pequenos operadores que venderam bolsa nos últimos dias ou na última semana (“baby bears”).

Porém este movimento de alta começou ameaçar as posições vendidas de alguns operadores de grande porte do mercado (“ursos capa preta”), o que provocou uma reação por parte desta elite especulativa. Os “capa preta” esquentaram a briga pelo índice futuro e derrubaram o Ibovespa com extrema facilidade (vendas rápidas e pesadas) para fazer a defesa de suas posições vendidas nos contratos futuros, bem como no mercado à vista.

As vendas se concentraram na petro, aproveitando o noticiário sobre a novela do reajuste dos combustíveis, e na OGX. Pode-se observar realização de lucros de algumas destas operações ao final do pregão, salvando munição para o grande dia e indicando que a intenção era apenas fazer um estrago no índice. A ponta compradora fez a defesa de posições utilizando os papéis da Vale. Todos estes ativos possuem alta correlação com o índice Bovespa.

A briga está bonita mas os ursos saíram com a vantagem pois conseguiram marcar o gráfico com um candle bear bem abaixo da média móvel simples de 200 períodos, linha central de bollinger e patamar psicológico dos 60k. Amanhã será o dia mais importante do mês para os operadores do mercado futuro, portanto não podemos descartar nenhuma possibilidade. Neste dia vale tudo, o pregão abre sem direção. E se a briga já esquentou hoje, é porque vem chumbo grosso amanhã.

Gráfico da bolsa
  
No cenário externo os mercados fecharam o pregão desta terça-feira com uma boa alta seguindo Wall Street apoiada na safra de balanços corporativos melhores do que o esperado. A produção industrial dos Estados Unidos, medida pelo FED, também colaborou e subiu 0,4% no mês passado. O mercado esperava uma alta de 0,2%. É mais um resultado que superou as expectativas dos analistas e ajudou impulsionar o ínice Dow Jones que está no caminho para testar novamente a máxima do ano, na região dos 13.6k.

Gráfico da bolsa

Na Europa a agência de classificação S&P rebaixou nesta terça-feira o rating do banco Santander, BBVA, Banesto, Banco Popular, Bankia-BFA, Banco Sabadell e Caixabank. Todos espanhóis. Além disso saiu um boato de que o primeiro-ministro da Espanha, Mariano Rajoy, negou os comentários de que o país está estudando requerer uma linha de crédito do Mecanismo de Estabilidade Europeu. 

segunda-feira, 15 de outubro de 2012

Varejo norte-americano levanta Wall Street


O Departamento do Comércio dos Estados Unidos divulgou hoje que as vendas no varejo subiram 1,1% em setembro na comparação com o mês anterior. Na comparação com o mesmo mês do ano passado, o avanço foi de 5,4%. O dado é positivo, pois a economia dos Estados Unidos é bastante dependente do consumo interno e mostra que os consumidores americanos não estão preocupados com o risco do abismo fiscal.

Além disso, e talvez o mais importante, é que o resultado saiu acima do esperado. O mercado esperava um aumento na faixa de 0,7%. O resultado trimestral do Citibank, divulgado nesta segunda-feira, também saiu acima do esperado. Esta surpresa positiva para os investidores era o que estava faltando para o índice Dow Jones repicar na linha de suporte mais importante de curto prazo.

Observem no gráfico abaixo que o mercado estava aguardando um gatilho na agenda econômica para iniciar o movimento de repique. O índice Dow Jones vêm de uma sequência de dois candles de indecisão /reversão colado justamente no suporte técnico mais importante de curto prazo. Este gatilho saiu hoje e os índices subiram puxando uma perna de alta (a princípio de curtíssimo prazo) para testar a linha central de bollinger.

Gráfico do índice Dow Jones

No Brasil o índice Bovespa também subiu conseguindo superar a LTB formada a partir do topo em 63.4k. Este movimento praticamente jogou o índice para testar a média móvel simples de 200 períodos posicionada na mesma região da linha central de bollinger. Pode aparecer resistência forte nesta região e amanhã podemos ter briga boa com defesa de posições vendidas. O rompimento destas linhas inviabiliza o mercado para operações vendedoras de baixo risco.

Gráfico do Índice Bovespa
  

No cenário macroeconômico não tivemos nenhuma novidade a partir da reunião de líderes financeiros mundiais realizada em Tóquio nesta última semana. As ações não estão coordenadas e percebe-se uma disparidade entre as posturas adotadas pelos países emergentes, Europa, Estados Unidos e Japão. Estas diferenças acabaram provocando acusações entre os líderes sobre quem estaria adotando as medidas corretas e quem estaria tomando as medidas erradas.

quinta-feira, 11 de outubro de 2012

Segurando no chifre


O rebaixamento do rating espanhol pela agência de classificação de risco S&P, anunciado no final da tarde de ontem, não surtiu efeito sobre os mercados nesta quinta-feira. Apesar da gravidade e situação de risco, os operadores ignoraram por completo a notícia e acabaram se convencendo de que a Espanha está sem saída e vai solicitar o pedido de socorro junto à União Europeia.

O número de pedidos de auxílio-desemprego divulgado hoje caiu em 30 mil (melhor do que o esperado pelo mercado, que aguardava recuo de 1 mil solicitações) e ajudou impulsionar as bolsas na parte da manhã, além dos bons resultados corporativos que estão surpreendendo as projeções mais pessimistas dos analistas.

Porém o movimento de alta na parte da manhã não se sustentou e Wall Street acabou virando a mão na parte da tarde. A partir deste momento o mercado brasileiro conseguiu se descolar de Wall Street, as vendas não apareceram no Brasil e os touros conseguiram segurar o índice “no chifre”.

O motivo pode estar relacionado com a briga para o vencimento de contratos de opções que acontece na próxima segunda-feira e ainda sobre vencimento do índice dois dias depois. De qualquer forma não deixa de ser um movimento importante para o índice Bovespa pois invertemos o spread com Wall Street no curto prazo. O nosso desempenho melhorou.

Logo abaixo podemos apreciar o fechamento semanal do Ibovespa, que tenta confirmar fundo sobre a região de suporte em 58.1k. O candle de fechamento é um spinning top que significa indecisão, ou mesmo um respiro, após a pernada de baixa no curto prazo iniciada em 63.4k.

Bolsa de valores do Brasil

Ainda é prematuro dizer que este é o terceiro fundo ascendente da tendência de alta iniciada em 52.5k, porém não deixa de ser um sinal positivo. É necessário retomar a média móvel simples de 200 períodos para atrair a força compradora com aumento de volume nas operações. Abaixo desta linha, o risco de novas quedas permanecerá alto.

Na Europa, o FMI (Fundo Monetário Internacional) decidiu enfrentar os alemães (estes por sinal estão perdendo poder de influência política na zona do euro) ao dar apoio nesta quinta-feira à ampliação do prazo para que Grécia e Espanha reduzam seus déficits públicos. O fundo ainda fez uma crítica aos cortes orçamentários excessivos e rápidos demais. A Alemanha logo reagiu e disse que recuar nas metas de redução das dívidas prejudicaria a confiança no mercado.

Nos Estados Unidos o índice Dow Jones fechou o pregão em queda escorregando levemente abaixo da importante linha de suporte em 13.3k, mesma região por onde passa a LTA do canal de alta. O candle pode ser interpretado como um martelo de fundo melhorando assim as condições para o apoio desta referida região de suporte, LTA e linha inferior de bollinger.

Bolsa de valores dos Estados Unidos

Pessoal, então é isso. Espero que aproveitem o feriado e descansem bastante, a próxima semana promete ser bem agitada com o vencimento de opções e índice futuro. Até segunda!

Posts da semana:

quarta-feira, 10 de outubro de 2012

À beira do lixo


A agência de classificação de risco S&P (Standard & Poor's) perdeu a paciência com a Espanha e rebaixou o rating do país em dois níveis de uma só vez (de BBB+ para BBB-) no final da tarde desta quarta-feira. A demora do governo espanhol para solicitar formalmente um pedido de socorro junto à UE (União Europeia) acabou gerando um motivo a mais para tal ação.

A S&P explica que o aprofundamento da recessão na Espanha limita as opções políticas do governo para deter a crise. “Há riscos significativos para o crescimento econômico e o desempenho orçamentário, além de ausência de uma direção clara nas políticas na zona do euro”.

Com este rebaixamento, a nota da S&P ficou nivelada com a classificação da Moody’s. A Espanha está a um passo de cair para o “nível junk” em ambas as agências pois as perspectivas são negativas. Ou seja, o rating dos espanhóis estão à beira do lixo (ou junk). Basta um novo corte, de apenas um nível, por alguma destas duas agências de risco, para o mercado considerar o país especulativo demais para investimento.

Este rebaixamento pode ser um empurrão para o governo espanhol formalizar logo o pedido de socorro, afim de se evitar uma fuga de investidores do país (grande parte dos fundos não aceitam rating nível “junk”, ou próximo disso, por duas ou mais agências de classificação de risco) e aumento do estresse no mercado da dívida soberana.

O corte foi anunciado após o fechamento dos mercados europeus e norte-americano, complicando a situação para o índice Dow Jones que fechou colado na principal linha de suporte de curto prazo em 13.3k e LTA que vem do fundo em 12k. É uma zona de suporte forte para o índice (e muito importante), mas as chances de um repique diminuíram já que os mercados deverão abrir pressionados amanhã.

Dow Jones
  
No cenário doméstico tivemos a decisão do Copom (Comitê de Política Monetária) sobre a taxa básica de juros. A autoridade monetária decidiu cortar a taxa selic em 0,25 p. p. para 7,25% ao ano marcando uma nova mínima histórica. A decisão não foi unânime, foram 5 votos a favor do corte e 3 a favor da manutenção da taxa. Veja abaixo o comunicado liberado após a reunião:

"Considerando o balanço de riscos para a inflação, a recuperação da atividade doméstica e a complexidade que envolve o ambiente internacional, o Comitê entende que a estabilidade das condições monetárias por um período de tempo suficientemente prolongado é a estratégia mais adequada para garantir a convergência da inflação para a meta, ainda que de forma não linear".

Destaque para a parte “estabilidade das condições monetárias por um período de tempo suficientemente prolongado é a estratégia mais adequada”. Portanto, este pode ser o último corte na taxa básica de juros finalizando o ciclo de aperto monetário. O trecho “ainda que de forma não linear” pode ser uma justifica ao mercado pela decisão da autoridade monetária em realizar mais um pequeno corte de 0,25%, agradando, principalmente, o governo federal.

O índice Bovespa fechou o pregão desta quarta-feira novamente em baixa dando prosseguimento a tendência de queda iniciada a partir do teste sobre a LTB principal de curto prazo. A região de suporte em 58.1k poderá ser testada amanhã. Caso esta linha seja perdida, a pressão vendedora poderá aumentar deixando vulnerável a próxima linha de suporte em 57.6k.

Ibovespa

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