sexta-feira, 30 de novembro de 2012

Uma piada que se tornou vexame


O IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística) divulgou hoje que a economia brasileira cresceu apenas 0,6% no terceiro trimestre deste ano em relação ao trimestre anterior. O resultado foi decepcionante e veio abaixo do esperado pelo governo e pelo mercado (esperava-se um número em torno de 1,2%).

Com este resultado abaixo do esperado no terceiro trimestre, o mercado irá refazer suas projeções para o fechamento do PIB de 2014. Ao que tudo indica, o nosso crescimento deverá fechar o ano ao redor de míseros 1%.

O resultado deste ano será pior do que o registrado no ano passado (expansão de 2,7%), já considerado baixo para os padrões brasileiros ou de países enquadrados na categoria emergente. A economia brasileira é a maior prova da total falta de planejamento e visão de mercado do governo. A previsão inicial do ministro da Fazenda para o crescimento deste ano era de 4,5%. Mas com os dados decepcionantes corriqueiros dos últimos trimestres a estimativa foi caindo gradualmente. Chegou a ser reduzida para 3% em agosto e depois para 2% em setembro.

Outro reflexo deste total despreparo e excesso de arrogância (típico de políticas populistas) foi o episódio lamentável envolvendo o ministro Mantega e a equipe de economistas do banco Credit Suisse. Em junho deste ano o banco suíço reduziu de 2% para 1,5% sua projeção de crescimento para economia brasileira.

Além da previsão considerada pessimista na época, o banco divulgou um relatório explicando que a redução drástica no ritmo de investimentos (de míseros 4,7% em 2011 para insignificantes 0,3% em 2012) e esgotamento no consumo das famílias (por consequência impacta o setor de serviços) foram os motivos que levaram a tal redução nas projeções de crescimento.

Ao invés de ler o relatório com cuidado, pois são exatamente estes pontos que prejudicaram o crescimento no terceiro trimestre, o ministro Mantega criticou duramente as projeções do Credit Suisse. “’É uma piada. Vai ser muito mais do que isso”, disse Mantega. Nesta época o ministro enchia o peito para dizer que iríamos crescer 4% este ano (redução de 0,5% da projeção inicial).

O ministro do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior (Fernando Pimentel) fez coro às declarações de Mantega dizendo que “a visão que os europeus têm é necessariamente negativa influenciada pelo clima por lá” e ainda completou afirmando que “os brasileiros têm razoes para estarem mais otimistas diante do dinamismo da economia do país”.

O que será que os senhores ministros tem a dizer neste momento? Mesmo com uma visão negativa, porque será que alguns países na Europa, no auge da crise financeira, conseguem crescer mais do que o Brasil? Onde está o dinamismo da economia brasileira para superar a crise financeira internacional? Nas montadoras de automóveis?

Ou mesmo se o governo avaliava que um crescimento de 1,5% era uma verdadeira piada (e realmente é), o que será que o senhor ministro teria a dizer diante de uma expansão inferior aos 1,5% em 2012? Obviamente esta avaliação deveria ocupar um degrau inferior ao nível de piada. Eis uma boa sugestão para o nosso “novo PIB”: um verdadeiro vexame!

Um vexame na gestão dos recursos públicos, um vexame de falta de planejamento e visão de mercado, um vexame de medidas e mais medidas adotadas nos últimos anos, o vexame da infraestrutura brasileira, da carga tributária, da burocracia, da educação, da relação com o mercado externo. Senhores, quando é que vamos arregaçar as magas para trabalhar na resolução dos problemas estruturais brasileiros?

Culpar a crise externa é tapar os olhos para os gargalos da economia brasileira que irão barrar o nosso crescimento, ou impedir uma sequencia de expansão sustentável, até o momento em que alguém decida se comprometer com os verdadeiros interesses da nação. Se não sabemos por onde começar, vamos aprender com os nossos vizinhos Chile, Peru ou México, países que estão dando uma “senhora aula” de crescimento sustentando, mesmo sendo afetados pela crise financeira internacional.

No mercado de capitais tivemos uma semana bem volátil nas principais bolsas mundiais, fato que resultou em alguns fechamentos distintos entre mercados de mesmo segmento.

Nos Estados Unidos o índice Dow Jones fechou a semana com um candle que lembra um enforcado (costuma aparecer em regiões de topo), mas a formação de pavio superior desconfigurou um pouco a relevância do candle. A formação de pavio longo inferior revela, de certa forma, a relutância do mercado em voltar a cair. Mas deve-se destacar que nesta semana os índices foram duramente afetados pelas notícias vinculadas ao abismo fiscal.

Dow Jones

No principal mercado europeu, o índice DAX fechou a semana em forte alta, iniciando rompimento da LTB que vem do topo histórico. Caso seja confirmado este movimento na próxima semana, o índice caminhará para testar a próxima resistência nos 7.6k (última barreira forte antes do topo histórico).

DAX

Na China a bolsa de Xangai perdeu a principal linha de suporte de curto e médio prazo aumentando a gravidade da tendência de baixa de médio e longo prazo. A perda da região psicológica dos 2k acelera o caminho para o índice buscar as mínimas do crash de 2008. Próximo suporte encontra-se na região de 1.8k.

Bolsa de Xangai

No Brasil o índice Bovespa fechou a semana com um doji de tamanho relevante bem abaixo da linha central de bollinger. Segue espremido entre a LTA formada a partir do fundo de 2008 e a região dos 58k. Até o momento o gráfico mostra uma boa reação da força compradora sempre quando ocorre teste sobre a referida LTA, mas esta reação não está sendo suficiente para alavancar uma pernada de alta mais consistente.

Ibovespa

Caso a linha central de bollinger seja superada, o índice poderá engatar uma boa arrancada rumo aos 60k e “pagar” o rally de natal que ficou devendo aos investidores nos últimos anos.


quinta-feira, 29 de novembro de 2012

Bolsa dispara com puxada de final de mês


Os gestores de fundos institucionais podem estar antecipando, em um ou dois dias, o famoso movimento de puxadinha de final de mês. Esta é uma prática bastante comum entre os gestores para levantarem os rendimentos das carteiras no mês. Acertos de posições também costumam ocorrer no encerramento do mês. Porém o conhecimento desta prática acabou se popularizando no mercado a partir do momento em que a mídia começou a comentar sobre estes movimentos.

Talvez por este motivo os gestores estejam antecipando o movimento de acerto para o penúltimo ou ante penúltimo dia útil de cada mês. Nos últimos 3 meses observamos as características destes movimentos não no último dia útil, mas sim no penúltimo dia útil do mês. Esta pode ser uma estratégia inteligente, pois os fundos podem estar empurrando o mercado num momento (dia) inesperado pela massa (logo a possibilidade de boas compras são maiores) e no dia seguinte podem assistir o movimento de compra da massa seguindo esta premissa, agora popularizada pela mídia.

Nestas condições os gestores podem tomar duas decisões favoráveis. A primeira opção é deixar o movimento de massa levantar o mercado pelo segundo dia consecutivo, melhorando ainda mais o rendimento de suas carteiras. A segunda opção é a desova total ou parcial dos ativos recentemente adquiridos (no dia anterior) em cima da liquidez gerada pelas ordens de compra do movimento de massa do mercado no último dia útil do mês.

Em novembro identificamos novamente força compradora relevante em ativos-alvo dos fundos institucionais (papéis de liquidez alta e boa classificação de risco pelas agencias de rating S&P, Moody’s ou Fitch). O volume financeiro negociado na Bovespa nesta quinta-feira superou os 8 bilhões de reais, bem acima da média dos últimos dias.

Com isso o índice Bovespa ficou marcado com um marubozu de alta no gráfico diário refletindo toda esta força compradora dos fundos. A superação dos 56.6k contribuiu para boa formação técnica de mercado comprador. O Ibovespa fechou rompendo o último topo ascendente da pernada de alta iniciada em 55.1k, armando pivot de alta de curto prazo.

  
De imediato, poderá aparecer uma leve pressão vendedora no curtíssimo prazo, pois estamos testando a LTB que vem do topo formado em 63.4k. Mas a princípio, nada relevante. A tendência de alta no curto prazo deverá permanecer e são boas as possibilidades de rompimento desta LTB.

Nos Estados Unidos o índice Dow Jones fechou o pregão em leve alta. A liquidez do mercado norte-americano é bem superior a nossa, o que dificulta algumas estratégias dos gestores de fundos ou players de mercado. O índice Dow Jones continua tentando superar a barreira psicológica dos 13k, mas não consegue soltar um candle de força para confirmar rompimento. A briga continua amanhã.


O departamento de Comércio dos Estados Unidos informou hoje que o PIB (Produto Interno Bruto) do país avançou a uma taxa anualizada de 2,7% no terceiro trimestre deste ano. Esta é a maior taxa de expansão trimestral desde o quarto trimestre de 2011. Estimava-se uma expansão de 2%, portanto o resultado superou as expectativas. Mas nem por isso o índice conseguiu engatar uma boa alta, por estar colado em uma zona de resistência importante.

quarta-feira, 28 de novembro de 2012

Pegadinha do Harry


O investidor que se assustou com as declarações de Harry Reid, ou com o sensacionalismo da mídia em torno do abismo fiscal, e liquidou suas operações no mercado seguindo o efeito manada, arrependeu-se no dia seguinte com uma nova declaração, desta vez de um político da oposição, mostrando-se otimista para evitar o abismo fiscal nos Estados Unidos.

Ontem o senador Harry Reid, líder da bancada democrata no Senado, conseguiu derrubar os mercados dizendo que houve “pouco progresso” entre os partidos para evitar o abismo fiscal. Hoje na parte da manhã os mercados ainda operavam em baixa, seguindo o tom pessimista, até o momento em que outro político, desta vez da oposição, disse exatamente o contrário jogando um tom otimista para o mercado.

"Estou otimista de que poderemos continuar trabalhando juntos para impedir essa crise o quanto antes. Nós colocaremos a receita na mesa desde que isso seja acompanhado por sérios cortes de gastos para evitar essa crise." Disse o presidente da Câmara, John Boehner, mostrando que a Casa Branca poderá conseguir um acordo com os Republicanos a fim de se evitar o abismo fiscal.

As bolsas de valores viraram a mão imediatamente após as declarações de John Boehner. No Brasil o índice Bovespa subiu aproximadamente 1% em poucos minutos. O movimento de manada vai continuar caindo nas notícias e na baixa qualidade das informações prestadas pela mídia que cobre o mercado financeiro.

Entretanto não faz sentido criticar o efeito manada do mercado, muito pelo contrário. A partir dele é que podem surgir boas oportunidades para abertura de posições aos demais investidores/operadores (que são minoria, mas não são melhores ou mais inteligentes do que ninguém) que sabem avaliar as informações coletadas no ambiente de negócios.

Nos Estados Unidos tivemos a divulgação do Livro Bege (ata do Fomc - Comitê de Política Monetária do Banco Central norte-americano) mostrando crescimento moderado da economia e modesto nível de contratações. O relatório se mostrou otimista com relação as vendas de fim de ano e colaborou com a subida de Wall Street.

O índice Dow Jones fechou em alta de 0,83% colado na máxima. O pavio longo inferior revela a força da reversão do mercado, jogando o índice para atacar novamente a resistência psicológica dos 13k.

  
No Brasil o Copom (Comitê de Política Monetária do Banco Central) confirmou hoje, através de sua última reunião do ano, alteração da política monetária. A sequência de cortes na taxa básica de juros terminou e a partir de agora a autoridade monetária manterá a taxa Selic no patamar de 7,25% ao ano. Logo abaixo segue o comunicado do Banco Central divulgado após a reunião:

"O Copom decidiu, por unanimidade, manter a taxa Selic em 7,25% a.a., sem viés. Considerando o balanço de riscos para a inflação, a recuperação da atividade doméstica e a complexidade que envolve o ambiente internacional, o Comitê entende que a estabilidade das condições monetárias por um período de tempo suficientemente prolongado é a estratégia mais adequada para garantir a convergência da inflação para a meta, ainda que de forma não linear".

Reparem que o Copom está mantendo a mesma linha adotada na reunião anterior (outubro). Admite-se convergência da inflação para a meta de forma não linear, isto significa, entre outras palavras, que o Copom administra a inflação entre 5% e 5,5%. O termo “tempo suficientemente prolongado” indica que a taxa básica de juros permanecerá inalterada nos próximos trimestres e talvez volte a subir somente no final de 2013 ou início de 2014.


O Ibovespa fechou o pregão em alta de 0,52% acompanhando a virada de mesa em Wall Street. O candle de fechamento mostra um pavio longo inferior refletindo esta rápida recuperação do mercado no intraday e sugere formação de fundo de curtíssimo prazo. Caminha para testar novamente a linha central de bollinger nos próximos pregões.


terça-feira, 27 de novembro de 2012

Bastou duas palavras para derrubar o mercado


O acordo fechado na noite de ontem pelo Eurogrupo (grupo formado pelos ministros das Finanças dos 17 países da zona do euro, Banco Central Europeu e Fundo Monetário Internacional), no qual ficou acordado o pagamento da próxima parcela do pacote de resgate à Grécia (40 bilhões de euros), animou os mercados asiáticos, europeus e abertura dos mercados brasileiro e norte-americano.

Os ganhos foram se estendendo na parte da tarde até que um senhor chamado Harry Reid, líder da bancada democrata no Senado, soltou duas palavras mágicas para expressar o seu descontentamento com as negociações envolvendo o abismo fiscal nos Estados Unidos. Ele disse que houve “pouco progresso” entre os partidos para evitar o abismo fiscal.

Curioso é que o timming desta declaração do Sr. Reid foi perfeito. Dow Jones estava realizando, novamente, teste sobre a principal resistência de curto prazo (a barreira psicológica dos 13k e média móvel simples diária de 200 períodos). Como o mercado está bastante sensível quanto às notícias vinculadas ao abismo fiscal, basta uma pessoa influente escolher bem as palavras para provocar uma correria no mercado.

Já demostramos em outras oportunidades aqui no blog que a possibilidade concreta dos Estados Unidos entrarem em um abismo fiscal é consideravelmente baixa (praticamente nula). Mas a mídia diz o contrário e o movimento de massa segue as notícias e os humores do mercado. Se avaliarmos as duas palavras ao pé da letra, “progresso” já é um sinal positivo para evitar o abismo fiscal. Mas o segredo está na palavra que vem antes: “pouco”. Estrategicamente utilizada para criar impacto em um ambiente sensível.

Na atual circunstância, “pouco progresso” é um sinal de que as negociações, iniciadas recentemente, estão em andamento, seguindo um cronograma interno. Ou alguém achou que os políticos iriam trabalhar no feriado de Ação de Graças e o abismo fiscal seria resolvido com o estalar dos dedos? Portanto, negociações em “estágio avançado” ou mesmo em “muito progresso”, é que não deveriam estar. Haja vista a importância destas negociações como uma ferramenta política de disputa de interesses entre partidos.

O índice Dow Jones fechou o pregão em queda confirmando topo formado abaixo da zona de resistência psicológica em 13k, mesma região da média móvel simples de 200 períodos diária. A linha central de bollinger acabou sendo perdida novamente deixando o índice sem zonas de suportes relevantes até o nível dos 12.4k.

Gráfico da bolsa dos Estados Unidos
  
No Brasil o índice Bovespa fechou o pregão em queda, mostrando forte reversão de tendência de curtíssimo prazo. Foi confirmado topo na região dos 57.5k, que contou com ajuda da resistência proporcionada pela linha central de bollinger. A mínima de ontem foi perdida jogando o índice abaixo da linha dos 56.6k. Caso os 56.2k não segurem a pressão vendedora amanhã (difícil), poderemos retornar para o último fundo marcado em 55.1k.

Gráfico que representa a bolsa de valores no Brasil

segunda-feira, 26 de novembro de 2012

Pagamos mico na OMC


O governo brasileiro apresentou nesta segunda-feira um projeto no mínimo extravagante perante à OMC (Organização Mundial do Comércio) e acabou levando uma bela “sentada” dos chineses, além de risadas irônicas dos demais diplomatas presentes na reunião. Infelizmente é mais um evento lamentável que colabora para manchar, cada vez mais, nossa imagem no cenário externo e mostra ao mundo para onde está indo a nossa política econômica.

Vocês acreditam que o Brasil apresentou uma proposta, em plena OMC, onde os países poderiam elevar tarifas de importação todas as vezes que a sua moeda sofrer uma forte valorização? A justificativa para uma ideia tão absurda é permitir que a OMC possa lidar com os desequilíbrios cambiais. Diplomatas brasileiros alegaram que a valorização do real e a desvalorização manipulada por alguns governos estariam prejudicando as exportações nacionais.

Vale lembrar que as medidas protecionistas, na década de 30, foram um dos principais fatores que empurraram a economia mundial para a pior crise da história do sistema capitalista. Propor qualquer tipo de medida que envolva o protecionismo em escala mundial é um verdadeiro atentado ao sistema.

A reação foi imediata e levamos “de graça” uma dura resposta dos chineses. “Criar qualquer tipo de taxa nova seria uma medida extremista. Imagine se cada país decidisse usar o mecanismo?”, questionou o diplomata chinês. “Isso poderia afundar o sistema multilateral do comércio.”

Não vamos entrar no mérito da questão sobre o quanto a China força a manipulação artificial do seu câmbio. Estamos fazendo o mesmo aqui dentro e, de certa forma, é o que todos os países acabam fazendo, direta ou indiretamente, para tentar alavancar o crescimento nos tempos de crise, via aumento das exportações. Mas existe um certo limite para se manter o equilíbrio de mercado e não prejudicar as transações comerciais.

A proposta brasileira fez barulho na OMC, foi totalmente ironizada por diplomatas de diversos países e não somente a China. Os diplomatas americanos não conseguiram segurar o riso quando foram questionados pela mídia se a reunião havia sido um sucesso. Outros diplomatas chegaram a dizer que a política brasileira tenta desviar a atenção quanto aos problemas internos do país, grandes responsáveis por prejudicarem a competitividade da nossa indústria. Este por sinal é um tema que foi debatido inúmeras vezes aqui no blog.

A semana começou com um movimento de correção em diversas praças mundiais em decorrência da proximidade com importantes zonas de resistências. A mídia destaca, de forma incorreta, o impasse com relação à próxima parcela de ajuda a ser recebida pela Grécia. Na verdade não há impasse algum, já está praticamente confirmado que a Grécia irá receber a próxima parcela do pacote de socorro. Faltam apenas resolver os detalhes quanto à extensão do prazo, redução dos juros, entre outros.

Nos Estados Unidos o índice Dow Jones fechou o pregão em leve baixa sugerindo formação de topo abaixo da linha psicológica dos 13k, juntamente com a média móvel simples de 200 períodos diária, a ser confirmado amanhã.


No Brasil o índice Bovespa caiu mais forte perdendo a linha central de bollinger. Diferente dos demais índices europeus e norte-americanos, não estávamos próximos à uma zona de resistência relevante. Caímos por falta de giro na bolsa, motivando a liquidação de posições compradas de curto prazo (carregadas nos últimos dias). O volume de 5,16 bilhões de reais ficou abaixo da média e por ser uma segunda-feira de retorno em Wall Street, o volume deveria ser, inclusive, superior à média.


Apesar de tudo o mercado conseguiu sustentar a importante linha dos 56.6k. Mas foi apenas isso. Abaixo dos 56.6k poderemos retornar aos 55.1k.

sábado, 24 de novembro de 2012

Será que é tão difícil fazer o dever de casa?


Enquanto o Brasil busca estreitar laços com a Bolívia, na intenção de “fortalecer” o Mercosul, um certo país localizado na América Latina continua falando menos e trabalhando mais. Este país é um exemplo de prudência, responsabilidade, planejamento e boa gestão do dinheiro público.

Apesar de possuir uma economia bastante dependente das exportações, os representantes políticos deste país não estão reclamando das políticas monetárias dos diversos banqueiros centrais mundiais. Não estão criticando atitudes dos governos europeus ou dizendo o que devem ou não fazer para saírem da crise. Pelo contrário, utilizam o artifício da crise para fazerem bons negócios e prospectarem novos parceiros comerciais.

Há muitos anos este país vem fazendo o seu dever de casa sem reclamar. O reflexo desta postura é o próprio ritmo de crescimento da economia e desenvolvimento da sociedade. Os números atuais indicam que esta nação irá crescer 5% em 2012, pelo terceiro ano consecutivo. É de causar inveja a muitos governos na América Latina, principalmente ao Brasil que possui condições semelhantes e oportunidades talvez ainda melhores, mas não soube aproveitá-las da melhor forma possível.

Este país cresceu sem parar nos últimos 10 anos (excluindo a pequena contração de 2009, auge da crise financeira mundial) graças a uma política de boa gestão fiscal, implementação das reformas estruturais, aumento do investimento, inflação baixa e acordos de livre comércio. Já descobriu que país é esse? É o Chile meus amigos(as).

Porém o grande diferencial do governo chileno não são os fatos citados no parágrafo anterior. Fazer o dever de casa é o mínimo que se espera de qualquer líder político. Os chilenos tem uma visão de planejamento e estratégia de longo prazo. Poderiam estar hoje comemorando o bom desempenho da economia, mas estão preocupados com o que virá nos próximos 10 anos.

O consumo de energia no Chile vai aumentar sensivelmente nos próximos anos, tal como nos demais países emergentes e desenvolvidos, e o governo já começou a se mexer para aumentar os investimentos no setor energético. Além disso o Chile quer melhorar ainda mais a competitividade de sua economia. Sebastián Piñera, presidente do país, já anunciou que irá reduzir os impostos para os investimentos estrangeiros e acabar com a burocracia para abertura de empresas.

Para proteger a economia da volatilidade do preço do cobre (principal produto de exportação), o governo chileno adotou na década passada a regra do superávit fiscal estrutural. A regra é simples e eficiente: basta manter os gastos públicos alinhados com o preço da commoditie no longo prazo. Ainda assim o país criou dois fundos soberanos para guardar parte da receita obtida com a venda do cobre.

A regra básica de economizar nos tempos de bonança e gastar nos tempos difíceis é praticamente negligenciada pelo governo brasileiro. Por estas e outras é que não conseguimos manter um crescimento sustentado de longo prazo. O caminho do sucesso começa pela necessidade de aprendizado, e neste ponto precisamos fazer um intensivo com os chilenos para aprendermos o beabá do crescimento econômico na América Latina.

No mercado de capitais as principais bolsas mundiais fecharam a semana com bons ganhos, mostrando movimento de recuperação no curto prazo. Em Wall Street o índice Dow Jones confirmou fundo sobre a região dos 12.5k com um candle de força relevante já fazendo ataque (iniciando rompimento) sobre a linha de resistência em 13k. A superação desta linha abrirá espaço para o índice retornar aos 13.3k (próxima resistência).


Na Alemanha o índice DAX também fechou a semana em forte alta conseguindo superar a resistência em 7.2k após um bear trap que aconteceu no patamar psicológico em 7k. Esta retomada abriu espaço para um novo teste sobre a LTB formada a partir do topo histórico.


Na China a bolsa de Xangai também subiu nesta semana, porém em menor intensidade. O índice conseguiu se segurar na principal linha de suporte de curto e médio prazo (patamar psicológico em 2k), na tentativa de se formar um fundo duplo.

  
No Brasil o índice Bovespa subiu forte na semana, seguindo movimento das demais praças mundiais. A LTA de 2008, perdida na semana passada, foi recuperada nesta semana com uma formação de engolfo de alta. Este movimento também caracterizou um bear trap sobre as operações vendidas que entraram no rompimento da LTA.


A linha central de bollinger poderá ser testada já na próxima semana e será um ponto chave para o índice manter o movimento de alta no curtíssimo prazo. Isso porque a linha central de bollinger semanal irá trabalhar uma resistência dupla juntamente com a LTB que vem do topo em 63.4k.

A semana foi curta para o mercado em decorrência dos feriados na matriz. Por este motivo este movimento de alta nas bolsas mundiais deve ser encarado com bastante cautela e necessita de confirmação na próxima semana. De qualquer forma há uma formação de fundo nos mercados, a situação só voltará a piorar com a perda das mínimas do mês de novembro.

Para finalizar, gostaria de informar aos amigos(as) do blog a criação do nosso fórum no portal advfn. Aos interessados segue o link do "Espaço Finanças Inteligentes". O blog continuará sendo o nosso carro chefe e manteremos participação ativa nos dois canais.


Um ótimo final de semana a todos vocês!

quinta-feira, 22 de novembro de 2012

Indústria volta a se expandir na China


Os dados divulgados hoje pelo Instituto Markit, em parceria com o banco HSBC, mostraram que o setor industrial na China voltou a se expandir, mantendo a sequência de recuperação do nível da atividade manufatureira verificada nos últimos 3 meses.

A prévia do índice gerente de compras da atividade manufatureira chinesa fechou este mês aos 50,4 pontos, superior aos 49,5 pontos registrados no mês de outubro. Números acima de 50 pontos indicam expansão na atividade industrial e abaixo de 50, contração. Nos últimos 3 meses o nível de contração da atividade diminuiu sensivelmente, mostrando uma retomada do setor industrial, fato que permitiu esta expansão no mês de novembro.

Os números do Instituto Markit animaram a equipe regional do FMI para Ásia e Pacífico. Anoop Singh, diretor desta reginal, disse que a economia asiática atingiu seu limite de baixa e o crescimento ganhará ritmo em 2013. O FMI projeta um crescimento de 4,5% para a Ásia este ano e 5,9% ano que vem. Para a China espera-se uma expansão de 7,8% em 2012 e de 8,2% em 2013.

Na zona do euro a prévia da atividade industrial registrou um ritmo de leve estagnação. O indicador saiu dos 45,7 pontos eu outubro para 45,8 pontos em novembro, ainda dentro do campo que indica contração do setor.

As bolsas na Europa fecharam em leve alta, mantendo o movimento de repique dos últimos dias. No Brasil o índice Bovespa também fechou em alta, apesar de apresentar baixo volume financeiro (4,1 bilhões de reais) devido à ausência dos investidores norte-americanos que só voltam operar com mais força na próxima segunda-feira. Lembrando que amanhã Wall Street funcionará em horário reduzido e fechará às 16h (horário de Brasília).

No Brasil a grande notícia do dia foi o anúncio do nosso novo e “poderoso” parceiro comercial. O “império” da Bolívia agora irá fazer parte deste “magnífico” bloco comercial chamado de Mercado Comum do Sul, mais conhecido como Mercosul.

O histórico dos bolivianos são os “melhores possíveis”. Há poucos anos atrás este mesmo presidente, Evo Moralles, mandou o exército do país ocupar todos os campos de produção (petróleo e gás) de empresas estrangeiras na Bolívia, entre elas a sofrida Petrobras, e nacionalizou a exploração de hidrocarbonetos. Mesmo assim, com o passar dos anos, a Petrobras continuou investindo neste país, aumentando o número de campos de exploração e consequentemente engordando as receitas (ou a receita, pois é quase única) do governo boliviano.

A Bolívia aceitou o convite oficial para ingressar no Mercosul, seguindo os passos da Venezuela que também entrou para o bloco este ano. Agora a festa está completa, somos parceiros da Argentina, Venezuela e Bolívia. Que timaço! Ainda integram este seleto grupo: Uruguai e Paraguai (em suspensão temporária).

O índice Bovespa acompanhou o desempenho das bolsas europeias e conseguiu subir 0,35%. Apesar de tudo o movimento não foi suficiente para romper a linha de resistência em 56.6k, ponto importante para manutenção do movimento de repique. Completamos 3 dias de testes sem rompimento e já estamos atraindo o faro dos ursos.


O índice não conseguiu pegar impulso com o rompimento de uma LTB rápida formada a partir dos 59.5k. Mais 1 ou 2 pregões sem rompimento desta linha (56.6k) e poderemos voltar a cair rumo aos 55k.

quarta-feira, 21 de novembro de 2012

Mercado vai testar o Banco Central


Aproveitando o movimento de alta da moeda norte-americana no cenário externo, operadores em derivativos cambiais empurraram facilmente a cotação do dólar x real para a casa dos 2,10. Em apenas duas semanas a moeda saltou de 2,03 para 2,09 (cotação de fechamento desta quarta-feira).

É de conhecimento geral que o governo defende firmemente o piso de 2,00 no câmbio para impedir uma queda maior da cotação no mercado e tentar manter o que ainda resta de competitividade dos nossos produtos no cenário externo. Ao mesmo tempo existe um teto informal na casa dos 2,10 para evitar uma disparada no câmbio e desregular (ainda mais) o que resta do controle inflacionário, fluxo de investimentos e desenvolvimento/modernização do setor industrial (os poucos que ainda compram máquinas e equipamentos).

Mas se existe este teto informal também em 2,10 porque o mercado quer testar o Banco Central? A resposta está no fraco desempenho da economia brasileira nas últimas semanas/meses. Havia uma expectativa de retomada um pouco mais forte do crescimento neste segundo semestre, mas a atividade econômica permanece fraca mesmo com as medidas pontuais do governo.

A ineficácia de algumas medidas do governo, fato que por sinal passou a ser corriqueiro, poderá incentivar elevação deste teto informal no câmbio de 2,10 para, quem sabe 2,15 ou mesmo 2,20 na intenção de elevar as exportações brasileiras. Por este motivo o mercado vai testar o Banco Central. Se a autoridade monetária não começar a queimar suas reservas em dólares na faixa dos 2,10, é porque o governo subiu o teto do câmbio para 2,15 ou 2,20.

O problema é que o governo não enxerga (ou finge que não sabe) a situação precária do ambiente de negócios brasileiro. Desvalorização de 0,10 ou 0,20 centavos do real frente ao dólar não vai resolver os problemas fiscais, de infraestrutura, tributação, burocracia, educação, etc.

O governo quer impulsionar a indústria automobilística mas está levando um baile do México. Mesmo com todos os problemas relacionado à criminalidade, o México conseguiu atrair um grande número de montadoras e indústrias de auto peças. Atualmente ocupa o posto de quarto maior exportador mundial de carros. Por quê? Os mexicanos ofereceram um bom ambiente de negócios, baixo custo de produção e mão de obra qualificada. Além disso, desde a criação do Nafta em 1994, o México assinou novos acordos comerciais com outros 44 países. Enquanto o Brasil se fechou para o livre comércio e ataca políticas monetárias de potenciais parceiros de negócios.

Os indicadores macroeconômicos desta quarta-feira foram positivos mas as bolsas não se animaram tanto assim. A prévia do Índice Gerente de Compras dos Estados Unidos subiu de 51 pontos para 52,4, registrando o maior avanço dos últimos 5 meses. O número de pedidos de auxílio-desemprego caiu em 41 mil na semana encerrada em 17 de novembro, superando positivamente as expectativas do mercado.

Os dados permitiram a continuação do movimento de repique em Wall Street, apesar de apresentar fraqueza no volume financeiro. Dow Jones subiu 0,38% caminhando para o teste da linha central de bollinger juntamente com a LTB mais rápida da tendência de baixa predominante no curto prazo.

Gráfico que mostra o desempenho da bolsa de Nova York
  
A bolsa de Nova York não funcionará amanhã devido ao feriado de Ação de Graças e na sexta-feira os pregões funcionam, porém em horário reduzido. Portanto, a semana praticamente já se encerrou na matriz.


No Brasil o índice Bovespa fechou o pregão em leve baixa sentindo a resistência na casa dos 56.6k. É natural as resistências trabalharem com mais força nas tendências de baixa, porém se o índice não conseguir romper esta linha nos próximos dias o repique de curtíssimo prazo ficará ameaçado com o reaparecimento das operações vendedoras.

Gráfico que mostra o desempenho do índice da bolsa brasileira

segunda-feira, 19 de novembro de 2012

Ásia poderá se fortalecer com livre comércio


Em meio ao cenário de deterioração da economia global, líderes das principais potências asiáticas estão mostrando interesse em discutir um acordo de livre comércio entre China, Japão e Coreia do Sul para fortalecer o crescimento econômico da região e minimizar os impactos da crise financeira mundial.

Estão vazando boatos no mercado de que já existe um esboço de negociação preliminar para um tratado de livre comércio entres estes 3 países que será discutido nos bastidores do fórum regional do continente asiático. Acordos de livre comércio poderão envolver também os dez membros da Ansea (Associação de Nações do Sudeste Asiático).

O simples fato da China e Japão se mostrarem interessados “na conversa”, pode ser considerado um ponto positivo para o sucesso de um futuro acordo de livre comércio envolvendo as duas grandes potências rivais asiáticas, beneficiando ambas as economias.

Há poucos meses atrás China e Japão estavam envolvidos em disputas territoriais nas pequenas ilhas do Mar da China Oriental. Elas estão sob controle japonês mas os chineses reivindicam a soberania das ilhas, argumentando que o Japão anexou este território depois da guerra entre os dois países (em 1894 e 1895).

O maior interessado neste acordo é a própria China, que busca uma alternativa para aumentar suas exportações, já que um dos maiores compradores de seus produtos (países que integram a zona do euro) estão adotando políticas de austeridade fiscal, e por consequência sacrificando o crescimento econômico, para acertar as contas públicas.

No mercado de capitais houve movimento de alta generalizada nas principais praças financeiras. Amanhã ocorrerá um encontro entre os líderes europeus em Bruxelas para aprovação (praticamente certa) da liberação da próxima parcela do pacote de socorro à Grécia, no valor de 44 bilhões de euros.

Com dinheiro em caixa para cumprir com suas obrigações de curto prazo, a Grécia deixará de preocupar os investidores por algumas semanas. Nos Estados Unidos, a primeira rodada de negociações entre o Democratas e Republicanos, a fim de se evitar o abismo fiscal, foi bem vista pelo mercado e ajudou animar o pregão em Wall Street.

O índice Dow Jones fechou a segunda-feira em forte alta confirmando formação de fundo (ao primeiro momento temporário) sobre a região dos 12.4k. O movimento de repique poderá levar o índice para testar a LTB mais curta, próximo à região da linha central de bollinger, ou mesmo pullback sobre a resistência em 13k.

Pregão na bolsa de Nova Iorque
  
As commodities fecharam o dia com uma boa alta, impulsionadas pela elevação no preço do barril de petróleo, devido ao agravamento dos conflitos na Faixa de Gaza.


O índice Bovespa conseguiu pegar impulso com o movimento de alta nas commodities e fechou o dia com uma boa alta de 1,89%. Houve formação de fundo (a princípio, também temporário) sobre a região dos 55k, com um engolfo de alta. Há necessidade de retomada da linha em 56.6k para manutenção do movimento de repique em direção à linha central de bollinger e posteriormente LTB principal da tendência de baixa.

Gráfico do principal índice do mercado de capitais no Braisl

Como amanhã teremos feriado regional em São Paulo, o mercado brasileiro ficará fechado mais uma vez num momento importante para operações de curto prazo. A bolsa reabre as portas na próxima quarta-feira. A depender da sua cidade, desejo-lhes um bom feriado ou um bom dia de trabalho rsrs... Até quarta pessoal!

sábado, 17 de novembro de 2012

Panorama de mercado


Há algumas semanas não publicamos o fechamento dos principais índices mundiais e por isso mesmo o post de hoje será exclusivamente para cobrir esta defasagem. Vamos traçar um panorama de mercado nos quatro cantos do planeta, além de analisarmos as principais commodities, metais e moedas que afetam o desempenho do mercado nacional.

Começando pelo índice Dow Jones podemos observar como a tendência de baixa ganhou força após a confirmação de topo colado na última resistência abaixo do topo histórico. Tamanha era a pressão vendedora que a principal região de suporte no curto prazo (13k) foi perdida facilmente sem esboçar qualquer reação. É de se esperar um teste sobre a LTA de longo prazo iniciada em 2008 nas próximas semanas, que por sua vez é a principal linha de apoio ao suporte psicológico dos 12k. Abaixo da LTA de 2009 o Dow Jones encontrará dificuldades para manter-se acima dos 12k.

Mercado em Wall Street

Na Alemanha o índice DAX está levando uma pancada inevitável após bater cabeça tantas vezes na LTB do topo histórico. Foram 9 tentativas de rompimento sem sucesso. A perda da região de suporte em 7.2k agravou a tendência de baixa no DAX, pois esta linha era a principal região de suporte no curto prazo. Caso o índice não consiga manter-se acima dos 7k, poderá testar a LTA (fraca, devido à ausência de suportes relevantes na região por onde a linha de tendência está cortando) de médio prazo iniciada em 2011.


Na França o índice CAC também cedeu forte nesta semana confirmando topo sobre a região dos 3.6k. Não houve confirmação de rompimento da LTB (que vem do topo histórico) pois o índice superou esta linha a partir do uma lateralização. A queda desta semana resultou na perda da linha central de bollinger, abrindo as portas para continuação da tendência de baixa rumo à LTA de 2011.


Na Inglaterra o índice FTSE despencou durante toda a semana, mostrando um padrão técnico de movimento semelhante ao DAX. Várias tentativas de rompimento da LTB que vem do topo histórico sem sucesso, abrindo oportunidade para entrada de posições vendedoras no mercado. A linha central de bollinger foi rompida facilmente, deixando vulnerável a LTA formada a partir do fundo em 2011.


No Japão o índice Nikkei segue oscilando dentro de uma zona de congestão de quase quatro anos, após a quebra abrupta da década passada. Ainda não há sinalização de reversão de tendência no longo prazo, porém nesta semana o índice conseguiu subir. Este movimento pode ser explicado pela cobertura de posições vendidas de alguns fundos hedge que apostaram na queda de algumas empresas japonesas nas últimas semanas, acreditando em mais mergulho da economia japonesa.
 
  
Na Índia a bolsa de Bombay cravou topo na região dos 19k após uma boa pernada de alta iniciada na região dos 16k este ano. O índice voltou para dentro da zona de suporte em 18.5k, acelerando o movimento de queda. A princípio esta perna de baixa não prejudica a tendência de alta no médio prazo, ainda há bastante espaço para correções saudáveis.


No principal índice do mercado mexicano podemos reparar movimento relativamente semelhante ao índice Dow Jones. A bolsa do México foi barrada pela última zona de resistência abaixo do topo histórico. A queda foi rápida (tal como a perna de alta) e o índice já trabalha teste sobre a linha central de bollinger, onde tenta se segurar no curto prazo com um spinning top. Ainda há bastante espaço para correções sem comprometer a tendência de alta no médio prazo.


Na China a bolsa de Xangai voltou a entrar nos trilhos do mercado internacional e acompanhou a queda das bolsas ao redor do planeta. O fechamento em forte queda desta semana está comprometendo a importante linha de suporte psicológico formada nos 2k. Um novo pivot de baixa na bolsa de Xangai poderá jogar o índice para testar o fundo da crise de 2008.


No Brasil o índice Bovespa fechou a semana em forte baixa confirmando expectativa de perda da linha de suporte em 56.2k. Temos um novo pivot de baixa acionado bem abaixo da linha central de bollinger semanal que resultou na perda da LTA de 2008. Não há regiões de suportes relevantes até a importante linha (e última prega) dos 52.5k, bem como expectativa de reversão da tendência de baixa no curto prazo.


No mercado de câmbio podemos observar forte movimento de alta no dólar (indexado por uma cesta de moedas) nas últimas semanas. Um detalhe importante é que a moeda começou a subir antes do movimento de aversão à rico no mercado. O início da arrancada coincidiu com o período do anúncio da terceira rodada de relaxamento quantitativo do FED (Federal Reserver - banco central norte-americano), contrariando expectativas de alguns políticos que atacaram abertamente a política de afrouxamento monetário do FED. Para melhor entendimento recomendo releitura do post: Na terceira tentativa pode funcionar.

Gráfico que mostra a oscilação do dólar

Em geral os preços das commodities continuam caindo no mercado internacional. A diferença, comparando com as semanas anteriores, é que este movimento ganhou força com a desaceleração da economia mundial (inclusive China, maior consumidor) e recessão na zona do euro. O índice de commodities perdeu a LTA de 2008 após não conseguir superar a LTB do topo histórico. A média móvel simples de 200 períodos também foi perdida indicando que o fundo deste ano deverá ser testado nas próximas semanas.

Gráfico que mostra os preços das commodities

O petróleo está conseguindo manter o nível de 85,00 dólares o barril, região de preço que não desagrada compradores nem produtores da commoditie. Pode-se dizer que é um preço bem aceito pelo mercado, mas existe a possibilidade do preço cair para 75,00 dólares o barril pois a tendência de baixa no curto prazo segue válida e não há sinal de reversão.

Gráfico que mostra a variação dos preços do petróleo

No mercado de metais podemos observar um movimento que “foge da regra”. O clima de aversão à risco no mercado não provocou um movimento de fuga dos investidores por segurança nas famosas barras de ouro. Pelo contrário, a cotação do ouro despencou esta semana, atingindo 188,00 dólares a onça troy, dando sequencia a tendência de baixa no curto prazo.

Gráfico que mostra os preços do ouro

Esta queda pode ser fruto do movimento especulativo, pois os padrões técnicos colaboram para tal. Porém, o mais importante, é observamos na prática que não existem regras no mercado. É comum os investidores comprarem ouro quando vendem ativos na bolsa, mas isto por si só não garante uma alta nas cotações ou indica irracionalidade do mercado.

Bom pessoal, vamos finalizando aqui o nosso panorama de mercado. Desejo à todos vocês um excelente final de semana! Até segunda!

quarta-feira, 14 de novembro de 2012

O perigo de um “inverno europeu”


Trabalhadores e sindicatos de vários países da zona do euro mostraram que estão mais integrados do que a própria União Europeia. O protesto de hoje chamou atenção do mercado pois revelou a existência de uma coordenação e organização forte entre os sindicatos e trabalhadores europeus em diversos países. A resultante desta organização originou numa onda de protestos no sul da Europa, onde milhões de manifestantes fizeram greve em várias cidades nesta quarta-feira.

Policiais e manifestantes entraram em confronto na Espanha e Itália, centenas de voos foram cancelados, fábricas de carros e portos ficaram paralisados e apenas algumas linhas de trens circulavam na Espanha e Portugal.

As paralisações também afetaram a Bélgica. Na Grécia as manifestações e conflitos continuam acontecendo, porém em um ritmo maior. Até a França sofreu com as manifestações nesta quarta-feira, um dia que ficou conhecido pelo “Dia Europeu de Ação e Solidariedade”.

Esta foi a maior manifestação popular promovida no bloco europeu desde que as medidas de austeridade fiscal começaram a ser implantadas. Estas medidas são necessárias para redução do déficit fiscal dos governos, mas possuem um efeito colateral impopular agravando a recessão em diversos países e provocando o aumento do número de desempregados.

Os governos da zona do euro estão cortando gastos com aposentadorias, salários de funcionários públicos, hospitais, escolas, etc. Mas a frustração popular aumentou, pois os cortes estão agravando a recessão em alguns países. O PIB da Grécia encolheu 7,2% no terceiro trimestre deste ano. Em Portugal, a taxa de desemprego atingiu nível recorde de 15,8%. Na Espanha um em cada quatro trabalhadores está sem emprego. E para complementar a Eurostat informou hoje que a produção industrial na zona do euro recuou 2,5% em setembro, na comparação com o mês anterior.

Toda esta demonstração de organização e participação em massa da sociedade nos manifestos públicos colocam em risco as políticas governamentais atuais. Sindicatos espalhados por toda a Europa estão organizando uma manifestação ainda maior, deixando os investidores apreensivos e colaborando para a queda dos índices acionários nos principais mercados europeus.

Wall Street também cedeu nesta quarta-feira. O índice Dow Jones está acelerando cada vez mais o movimento de queda no curto prazo (observar na ausência de repiques consistentes) e não conseguiu se segurar linha dos 12.6k. A próxima parada será a região de suporte (fraco) em 12.4k e provavelmente teste sobre a região psicológica dos 12k nas próximas semanas.

Dow Jones

No Brasil o índice Bovespa despencou invalidando a formação de fundo duplo sinalizada ontem, mostrando que a minha análise estava errada. A perda dos 56.6k detonou mais um pivot para baixo, indicando que dificilmente a região de suporte em 56.2k conseguirá aguentar o tranco do mercado vendedor. Mesmo que ocorra algum respiro no próximo pregão, a expectativa é de perda dos 56.2k na(s) próxima(s) semana(s).

Ibovespa

No cenário interno o Banco Central divulgou que o IBC-Br (Índice de Atividade Econômica) recuou 0,52% em setembro na comparação com o mês anterior. O presidente da CNI (Confederação Nacional da Indústria), Robson Andrade, disse que o resultado do IBC-Br reflete o cenário de grande oscilação do setor industrial, cujo crescimento pontual ocorre apenas em alguns setores beneficiados por ações do governo federal. Segundo Andrade, o aquecimento da economia ainda ocorre basicamente por conta do consumo interno.

Bom feriado a todos e bom proveito aos felizardos que irão prolongar "as mini férias" até domingo rsrs... Estaremos aqui na sexta-feira batendo ponto no blog. Grande abraço e até mais!
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