sexta-feira, 21 de dezembro de 2012

Boas festas!


Estamos chegando ao final de um ano extremamente relevante ao mercado financeiro brasileiro. 2012 não foi somente um ano de sobe e desce rotineiro na bolsa de valores,  um ano com grandes oscilações e intervenções no câmbio,  um ano que abriu novas fronteiras no mercado de derivativos, um ano de crises financeiras e revoltas populares, não foi somente um ano de inflação alta e crescimento econômico baixo. 2012 ficará marcado como o ano que tirou o sono do investidor conservador.

Taxa de juro real baixa é a nova realidade do mercado financeiro que veio pra ficar. A sequência de cortes agressivos na taxa Selic derrubou, simultaneamente, a rentabilidade dos fundos DI, fundos de renda fixa, CDBs, LCIs, LCAs, CRIs, títulos públicos e até mesmo a poupança (que sofreu alteração na regra de remuneração). Tudo aquilo que era o paraíso do investidor conservador no passado acabou se tornou uma grande dor de cabeça.

Infelizmente, para a maioria da população, a ficha ainda não caiu. Os produtos conservadores atualmente oferecidos no mercado financeiro nacional continuam entre os preferidos dos investidores. Não estamos aqui para criticar a postura deste investidor, mas sim reconhecer e dar razão aos motivos pelo qual estas aplicações continuam atraindo um grande fluxo de capital.

O nível de educação financeira já é baixo e o governo, adotando uma estratégia “iludida” de crescimento, incentiva a população fazer exatamente o contrário: comprem e utilizem crédito. O mercado de ações está repleto de casos desfavoráveis ao pequeno investidor iniciante ou de baixo conhecimento, entre eles IPOs bilionários que não remuneraram o capital, falta de transparência entre os mais diversos agentes de mercado, falsas promessas por parte de algumas empresas, ações populares que despencaram nos últimos anos, baixa liquidez na Bovespa (dominada por investidores estrangeiros e institucionais, tornando o mercado extremamente técnico), intervenções excessivas e atrapalhadas do governo em alguns setores da economia e por fim, o cenário atual do índice Bovespa (congestão de longo prazo).

São motivos mais do que suficientes para espantar o investidor pessoa física da bolsa de valores. Mas não há outra solução, dentro do mercado financeiro, que não seja a renda variável para proporcionar uma rentabilidade digna da carteira. O máximo que um investidor poderá alcançar comprando produtos conservadores no mercado financeiro é uma proteção, de prêmio irrisório, contra a perda do poder de compra do capital (títulos públicos de médio prazo atrelados à inflação).

Portanto, desejo a todos os amigos e amigas do blog Finanças Inteligentes um novo começo em 2013. Que seja um ano marcado pela mudança de paradigmas, adaptação ao novo ambiente de mercado e que a busca pelo aprendizado e aperfeiçoamento constante proporcionem rendimentos merecidamente satisfatórios em suas carteiras de investimentos. E claro, sempre que precisarem, o blog estará de portas abertas!

Por fim, e o mais importante, recebam os meus sinceros votos de feliz Natal incluindo todos os seus familiares e amigos. Que a celebração do nascimento de Jesus Cristo seja também um momento de consciência à importância da ajuda ao próximo. Um excelente ano novo repleto de novas conquistas e, acima de tudo, que a saúde e a paz sejam predominantes em seus lares.

Boas festas!


Observação: Retornaremos com as nossas atividades a partir do dia 15/01/2013. Foi muito bom contar com a companhia de todos vocês aqui no blog. Voltamos a nos encontrar ano que vem. Forte abraço e até mais!


quinta-feira, 20 de dezembro de 2012

Fechamento das bolsas


Devido ao tempo limitado, a análise de hoje ficará um pouco comprometida. O dia no mercado foi positivo, abrimos o pregão com entrada de operações vendedoras, responsáveis por jogar o Ibovespa aos 60.5k. Porém o movimento não se sustentou, mostrando que o mercado ainda é bull mesmo se aproximando dos níveis elevados de sobrecompra.

Nos Estados Unidos o presidente da Câmara, John Boehner, afirmou que vai continuar trabalhando em uma solução para o abismo fiscal, mas criticou a postura do presidente Obama, que poderá vetar a proposta dos republicanos.

Os republicanos querem aprovar na câmara a proposta de elevar impostos para os americanos com renda superior a 1 milhão de dólares/ano. Os democratas querem elevar os impostos para os americanos com renda superior a 250 mil dólares/ano. As negociações não evoluíram nos últimos dias e se esta proposta (dos republicanos) for aprovada, a situação complicará bastante para a Casa Branca pois o prazo para evitar o abismo fiscal está se esgotando.

A notícia, nada positiva para economia, sequer fez efeito em Wall Street. Os índices fecharam a quinta-feira com uma boa alta. Dow Jones conseguiu se apoiar na LTA formada a partir do fundo em 12.4k e fechou o dia colado na máxima, mas tem pela frente uma zona de resistência importante (13.3k).

Índice Dow Jones

No Brasil o índice Bovespa também fechou colado na máxima, mostrando uma boa recuperação na parte da tarde. Apesar de trabalhar em nível elevado de sobrecompra, ainda não há sinalização de topo de curto prazo.

Índice Bovespa


quarta-feira, 19 de dezembro de 2012

Medida de incentivo pra inglês ver


O ministro da Fazenda (Guido Mantega) conseguiu se superar novamente com as suas medidas paliativas de baixa eficiência. Mesmo após as duras críticas da revista “The Economist”, no qual recomendou sua demissão, Mantega não se tocou e continua seguindo a mesma linha de raciocínio que talvez, só ele entende.

O governo federal anunciou hoje um novo pacote de incentivo à economia. Desta vez haverá desoneração na folha de pagamentos do comércio varejista. As empresas incluídas no pacote não irão pagar os 20% de contribuição patronal do INSS a partir de abril de 2013. No lugar dessa contribuição, haverá a implementação de uma nova alíquota de 1% a 2% sobre o faturamento. Ou seja, se as empresas aumentarem o faturamento poderão pagar mais impostos mesmo com a desoneração da folha. Se reduzirem o faturamento, irão pagar menos impostos.

Mas porque incentivar o varejo, um dos segmentos da economia que registraram maior expansão nos últimos anos? Um dos segmentos que mais sofrem com o mercado de trabalho superaquecido e falta de mão de obra? Um dos segmentos mais beneficiados com a expansão do crédito a ascensão das classes sociais? Por que incentivar justamente o segmento que está mostrando sinais de esgotamento no crescimento? O que o governo está querendo afinal?

Em primeiro lugar o termo incentivo soa mais como uma jogada de marketing, pois, conforme explicamos no antepenúltimo parágrafo, dependendo do aumento no faturamento, as empresas pagarão mais impostos do que anteriormente. Por este motivo os supermercados e comércios atacadistas não quiseram participar deste novo pacote.

Em segundo lugar o ministro está querendo mesmo é reduzir os preços inflados no mercado varejista brasileiro e assim, aliviar a inflação, já que haverá aumento no preço da gasolina ano que vem. Observem:

"Isso aqui tem que beneficiar o consumidor, porque é uma redução de custos importante para o comércio varejista. Espero que o comércio passe isso para o consumidor", disse Mantega. "Queremos que o setor de comércio varejista cresça mais, venda mais, faça mais investimentos e também contrate mais gente."

Acontece que o ministro da Fazenda está querendo aliviar os preços incentivando ainda mais o cidadão ao consumo. Entendeu? Não? Nem eu. Mas é isso. Mantega quer ver uma redução nos preços através de uma desoneração que não funciona para os grandes varejistas.

Portanto, além de estimular (os pequenos, que não conseguem brigar com os preços dos grandes) ainda mais um setor extremamente aquecido na economia, agregando demanda, a inflação poderá acabar subindo (ao invés de cair) pela simples lei da oferta & procura. Enquanto isso, os fabricantes chineses, que invadiram o mercado varejista brasileiro, agradecem enormemente.

Além disso, foi prorrogado mais uma vez o IPI (Imposto sobre Produtos Industrializados) para veículos, móveis e eletrodomésticos. A redução do IPI estava prevista para acabar no final deste ano e deverá subir gradualmente ao longo de 2013.

No mercado de capitais o índice Bovespa fechou novamente em alta mostrando a força da pernada iniciada na região dos 55.1k. O movimento está praticamente em linha reta, com ausência de regiões de fundos ascendentes bem trabalhadas. Por este motivo o nível de sobrecompra fica perigoso a cada dia que passa para as operações compradas de curtíssimo prazo.

Gráfico da bolsa no Brasil - Ibovespa

Wall Street corrigiu forte no final do pregão após o presidente da Câmara, John Boehner, ter dito que a Câmara aprovará uma proposta de orçamento que o Obama já ameaçou vetar. O descolamento de horário beneficiou o fechamento do Ibovespa, que não foi prejudicado pelo movimento de correção em Wall Street.


Por este motivo o índice Bovespa poderá abrir o pregão amanhã com força vendedora relevante na região dos 61k. O índice Dow Jones fechou o pregão na mínima do dia refugando o rompimento da resistência em 13.3k. Em caso de perda da LTA, o índice caminhará para testar a linha central de bollinger no gráfico diário.

Gráfico da bolsa nos Estados Unidos - Dow Jones

terça-feira, 18 de dezembro de 2012

De lixo tóxico à reciclável


A agência de classificação de risco S&P (Standard and Poor's) cumpriu com o prometido e elevou nesta terça-feira, em seis níveis, a nota da dívida pública grega de “default seletivo” para “B-“. A perspectiva de longo prazo permaneceu estável, ou seja, não se espera uma nova melhora ou piora na classificação de risco da Grécia.

No passado, quando a Grécia foi rebaixada para “default seletivo”, a agência de classificação de risco S&P havia ressaltado que este rebaixamento seria temporário até que o país conseguisse um acordo para recompra de dívida com os seus credores. O governo grego conseguiu recomprar, recentemente, com o pacote de socorro, 31,9 bilhões de euros em títulos da dívida soberana conforme acordo previamente definido com o FMI (Fundo Monetário Internacional) e UE (União Europeia).

Com o cumprimento das exigências, a Grécia conseguiu levar um prêmio de consolação (pois na prática está apenas rolando dívida e estendendo o prazo) e sua nota de classificação de risco subiu em 6 níveis. Apesar de tudo o atual rating grego ainda é classificado pelo mercado como investimento especulativo (ou lixo, que por sinal é a mesma nota da Argentina). Em outras palavras a nota de crédito da Grécia saiu de lixo tóxico à lixo reciclável.

No mercado de capitais as principais bolsas de valores, livres de resistências no curtíssimo prazo, manteram o otimismo de ontem provocado pelo avanço nas negociações entre Republicanos e Democratas.

O presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, aceitou fazer concessões aos republicanos em questões relacionadas aos impostos e atribuição de gastos. O mais importante é que ambos os partidos permanecem otimistas com relação a um acordo até o fim do ano.

O índice Dow Jones fechou com uma boa alta pelo segundo dia consecutivo rompendo a barreira dos 13.3k e acionando pivot de alta no gráfico diário. Não há zonas de resistências relevantes pela frente até a região de topo histórico deste ano em 13.6k. A única barreira do índice será “apenas” o nível de sobrecompra do gráfico diário, que poderá causar um movimento de realização de lucros (sem comprometer a tendência de alta) antes do suposto teste na resistência dos 13.6k.

Gráfico do principal índice de Wall Street

No Brasil o índice Bovespa fechou o pregão em forte alta rompendo a barreira psicológica dos 60k e acionando pivot de alta no gráfico diário. O mês de dezembro já acumula uma boa de 5,2%, consequência da arrancada iniciada no mês passado.

Gráfico da principal bolsa brasileira


Apesar do nível de sobrecompra, a tendência de alta segue fortalecida e com boas chances de jogar o índice na casa dos 63.4k (próxima resistência relevante) no primeiro trimestre de 2013.

segunda-feira, 17 de dezembro de 2012

Negociações avançam em semana decisiva


Um provável acordo entre Republicanos e Democratas, a fim de se evitar o abismo fiscal, pode estar no forno pronto pra sair no final desta semana. O presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, e o presidente da Câmara dos Deputados, John Boehner se reuniram hoje às portas fechadas na Casa Branca.

A partir desta reunião as negociações deverão avançar significativamente ao ponto de se fechar um acordo antes do Natal. São as duas peças-chave mais importantes que envolvem este impasse político com alto poder de manobra para negociação. John Boehner é o político de maior influência/poder de decisão sobre o partido Republicano e Brack Obama, sobre o partido Democrata.

John Boehner já começou a se aproximar das exigências do presidente dos Estados Unidos para fecharem um acordo sobre o abismo fiscal. A proposta dos republicanos, para aumento dos impostos sobre os mais ricos, já abaixou para aqueles que possuem renda anual superior a 1 milhão de dólares, mas Obama quer este patamar definido em 250 mil dólares. Isto é, na proposta de Obama, o cidadão norte-americano que ganhar acima de 250 mil dólares perderá a isenção de impostos estabelecida no governo Bush.

Já prevendo um acordo a ser aprovado na Câmara dos Deputados (maioria republicana), no final desta semana, o líder democrata do Senado, Harry Reid, confirmou hoje que o Senado irá retomar os trabalhos logo após o Natal. O Senado americano precisa chancelar o acordo firmado na Câmara antes do dia 31 de dezembro (prazo final para evitar o abismo fiscal).

Wall Street reagiu positivamente ao avanço nas negociações entre Republicanos e Democratas. O índice Dow Jones fechou na máxima do dia confirmando fundo acima da linha dos 13.1k. Com este movimento é de se esperar um novo teste sobre a LTB principal que vem do topo em 13.6k.

Índice Dow Jones

No Brasil o índice Bovespa fechou o pregão de lado soltando mais um doji de indecisão abaixo da forte linha de resistência dos 60k. Já são 4 pregões seguidos de aproximação/teste nos 60k sem tentativa de rompimento, aumentando as possibilidades de entrada de operações vendidas.

Índice Bovespa

Porém, deve-se destacar que o mercado brasileiro não acompanhou a arrancada no final da tarde em Wall Street (devido ao descompasso de horários), movimento que por sua vez foi responsável pela mudança de cenário de curtíssimo prazo no índice Dow Jones. Portanto, “os touros brasileiros” ganharam uma chance de entrar amanhã para atacar de vez os 60k e espantar os ursos no curtíssimo prazo.

sexta-feira, 14 de dezembro de 2012

Uma aposta antecipada para o fim da crise


Os desempenhos dos principais mercados de ações espalhados mundo afora não refletem nem de perto a delicada situação da economia global. Índices espalhados pela Europa, Estados Unidos, Ásia e América Central trabalham em níveis elevados de pontuação, alguns próximos das máximas históricas, refletindo o clima de otimismo destes mercados.

À julgar pelo desempenho dos mercados de ações, o mundo parece ser aquele do período de pré-crise, onde as economias cresciam de forma rápida e consistente. Mas o mundo de hoje é completamente diferente daquele de 2007. Os bancos centrais ainda lutam para conter a dura crise financeira via afrouxamento/injeções monetárias sob diversas formas.

O mercado interbancário está longe de ser aquele de outrora onde o crédito corria solto no sistema financeiro impulsionando a atividade econômica. Uma onda de desemprego alto, que já dura mais de 4 anos, afeta mais da metade do PIB mundial. Dívidas soberanas se tornaram impagáveis e alguns países estão no limite da bancarrota. Déficit fiscal se tornou uma expressão popular no mercado financeiro, mas antigamente mal se houvia falar nestas palavras.

De fato a situação da crise financeira mundial ainda é preocupante. O trabalho coordenado entre os principais banqueiros centrais mundiais nos salvaram de uma grave recessão e mostrou que aprendemos bastante com a grande depressão dos anos 30.

Desde 2007 foram mais de 11 trilhões de dólares despejados dentro do sistema financeiro pelos maiores bancos centrais mundiais. Evidentemente boa parte deste recurso não foi parar na economia real, mas sim nos mercados financeiros. Este é um dos principais motivos que explicam o bom desempenho dos mercados acionários, queda abrupta das dívidas triplo “AAA” (devido a alta procura), disparada dos metais e alto giro financeiro em mercados de derivativos (um paraíso sem limite aos grandes bancos de investimento).

A fase da torneira aberta dos bancos centrais ainda não terminou. O FED (Federal Reserve - banco central norte-americano) vai continuar comprando bilhões de dólares em títulos do Tesouro ao longo de 2013. O BoE (Bank of England - BC inglês) vai canalizar bilhões de libras para empresas e pessoas físicas através dos bancos comerciais. O BCE (Banco Central Europeu) vai manter os juros baixos dos empréstimos de governos que necessitarem sua ajuda. O Banco do Japão está comprando 1,14 trilhão de dólares em títulos do governo, dívidas empresariais e ações na bolsa.

Toda essa ação coordenada entre os “donos do dinheiro” no mundo não é decidida por acaso e tem uma razão. Os principais banqueiros centrais mundiais (entre eles o BC brasileiro) se reúnem 6 vezes por ano em Basileia às portas fechadas, sem assessores, funcionários, transcrições de atas ou qualquer tipo de documento oficial sobre o que foi tratado na reunião. É nesta reunião que saem as principais decisões a serem tomadas, de forma coordenada, pelos banqueiros centrais a fim de se evitar a instabilidade financeira e gerenciamento do crescimento global.

Conforme mencionado no antepenúltimo parágrafo, a fase da torneira aberta dos bancos centrais ainda não terminou. Este é o fluxo de capital impresso que impulsiona os ativos e permite que os formadores de mercado acreditarem que o pior da crise já passou, o que não deixa de ser uma aposta antecipada e perigosa.

2013 pode até ser um ano favorável à renda variável (ou não, ninguém sabe do futuro), mas o risco de um novo tombo, e talvez o último do nosso ciclo de correção, nos mercados é relativamente alto levando-se em consideração o delicado cenário macroeconômico.

A partir do ano que vem os principais banqueiros centrais começarão a discutir nestas reuniões em Basiléia quando será o momento de fechar as torneiras e acabar com a festa do dinheiro farto no mercado. Da mesma forma como foi de suma importância os bancos centrais agirem rapidamente com injeção de capital no sistema financeiro, será de suma importância interromper este ciclo de expansão monetária no momento certo.

A desalavancagem do sistema financeiro (afinal são mais de 11 trilhões injetados nos últimos 4/5 anos) provavelmente será por intermédio da inflação. Mas “o grupo de Basiléia” não pode se dar ao luxo de esperar aparecer os sinais de retomada da inflação para só assim interromper a expansão monetária. Se fizerem isso economia mundial entrará num surto inflacionário sem precedentes (elevação dos preços + retomada do crescimento econômico + confiança alta + crédito farto + juro baixo) gerando outra grave crise no sistema financeiro.

As torneiras precisam estar fechadas antes da chegada da inflação. Mas quando isso irá acontecer? Nem mesmo “o grupo de Basiléia” sabe e não há margem para erro. Certamente este tema começará a ser debatido com mais força em 2013 e será o bicho papão que incomodará o sono de Bernanke, Mario Draghi e companhia limitada. Mas Jaime Caruana, gerente-geral do Banco de Compensações Internacionais, já alertou dizendo que "essas medidas de emergência podem ter efeitos indesejáveis se continuarem por muito tempo."

A semana foi bem movimentada no mercado de capitais. Na segunda-feira houve um furo na revista Veja responsável porimpulsionar os papéis de Eike Batista, desmentido um dia depois. Na terça-feira comentamos sobre um novo Banco Central brasileiro em 2013. Na quarta-feira o FED confirmou suas próximas rodadas de estímulos monetários. Na quinta-feira foi definido o primeiro passo para união bancária na Europa.

A sexta-feira foi relativamente calma comparando com os outros dias da semana. Nos Estados Unidos o índice Dow Jones fechou a semana em leve baixa, mas a sinalização do candle é forte. Estrela cadente colada na resistência dos 13.3k, LTB e linha central de bollinger semanal. Portanto existe uma possibilidade de formação de topo descendente a ser confirmada na próxima semana.


No principal mercado europeu o índice DAX (Alemanha) fechou a semana em alta colado na última resistência abaixo do topo histórico. Não houve sinalização de topo, porém o índice parou exatamente na linha de resistência. Precisa rompê-la na próxima semana pra evitar uma inversão de tendência no curto prazo.


Na China a bolsa de Xangai fechou mais uma semana em forte alta rompendo a linha central de bollinger e uma importante LTB de médio prazo iniciada em 2011. Trabalha uma tendência de alta no curto prazo e poderá testar os 2.2k nas próximas semanas.
 
  
O principal índice do mercado mexicano rompeu a sua última resistência abaixo do topo histórico mostrando a força da tendência de alta no médio prazo. Um novo pivot de alta foi acionado e pode-se esperar teste no TH nas próximas semanas. Mercado em euforia de alta.


A bolsa brasileira está bem longe de seu topo histórico devido aos motivos, principalmente políticos, internos ocorridos com frequência nos últimos anos, responsáveis por espantar o fluxo de capital especulativo estrangeiro.

No curto prazo o índice Bovespa trabalha uma tendência de alta iniciada em 55.1k, responsável por jogar o índice para a região de patamar psicológico dos 60k. A linha central de bollinger foi rompida, mas agora o índice começará a sofrer pressão vendedora da resistência dupla formada por esta linha de resistência (60k) e LTB que vem do topo em 69.1k.


Por hoje é só pessoal. Desejo a todos vocês um ótimo final de semana e espero que tenham aproveitado, dentro do possível, o “rally da primeira quinzena de natal”. Chegamos nos 60k e agora é outra história. Tal como na Formula 1, chegar é fácil, o difícil é passar.

quinta-feira, 13 de dezembro de 2012

O primeiro passo para união bancária na Europa


Após um longo período de negociações e jogos de interesse (principalmente envolvendo França e Alemanha), os ministros europeus conseguiram enfim fechar nesta quinta-feira um acordo histórico que permitirá acelerar o processo de união bancária na Europa.

Foi oficialmente criado Mecanismo Único de Supervisão Financeira que será coordenado diretamente pelo BCE (Banco Central Europeu). Este mecanismo será uma ferramenta de supervisão dos bancos na zona do euro e permitirá ao banco central realizar a recapitalização direta das instituições financeiras (quando houver necessidade).

Mas, como tudo na Europa é muito lento, o mecanismo deverá entrar em operação somente no mês de março de 2014, ao invés de janeiro de 2013, conforme estava previsto anteriormente. Portanto, somente a partir de março de 2014, a autoridade monetária poderá executar a recapitalização direta dos bancos, sem que a ajuda se transforme em dívida pública ao país onde o sistema financeiro está sendo socorrido.

Ademais, o Mecanismo Único de Supervisão Financeira irá atender apenas os bancos com ativos superiores aos 30 bilhões de euros ou 20% do PIB do país-sede da instituição financeira. Os demais bancos permanecerão sob controle das autoridades nacionais.

Nos Estados Unidos o dia foi de agenda positiva mas os mercados não reagiram positivamente aos dados divulgados devido à proximidade com as zonas de resistências os principais índices de Wall Street.

Hoje houve troca de farpas entre Republicanos e Democratas em meio as negociações para evitar o abismo fiscal. O republicano John Boehner (presidente da Câmara) acusou Obama de levar lentamente o país para o abismo fiscal. Jay Carney, porta-voz da Casa Branca, afirmou que republicanos não se mexeram quanto ao aumento de impostos sobre os mais ricos, uma imposição correta do presidente Obama.

Ainda no cenário macroeconômico a agência de classificação de risco S&P (Standard & Poor's) reduziu a perspectiva do rating soberano "AAA" do Reino Unido para negativa. Anteriormente a perspectiva era considerava estável pela agência. Isso significa que poderá haver um corte na classificação de risco do Reino Unido em 2013.

O índice Dow Jones sentiu a pressão da resistência dupla na linha dos 13.3k e LTB que vem do topo em 13.6k. A queda de hoje confirmou o topo formado na terça-feira e jogou o índice para testar a LTA de curto prazo formada no fundo em 12.4k. Caso esta LTA não consiga segurar a pressão vendedora (observar na inclinação da linha, muito íngreme e portanto insustentável), o índice poderá retornar para a zona de suporte em 13k.

  
No Brasil o índice Bovespa também soltou uma sinalização de topo após testar a linha psicológica dos 60k. Com isso entramos em tendência de baixa para o curtíssimo prazo onde poderá ser realizado pullback sobre a média móvel simples de 200 períodos diária e LTA intermediária da pernada de alta iniciada em 55.1k.


quarta-feira, 12 de dezembro de 2012

FED mantêm estímulo monetário


Uma reunião de política monetária que parecia ser monótona e sem novidades acabou surpreendendo o mercado financeiro nesta quarta-feira. O FED (Federal Reserve - banco central norte-americano) anunciou uma nova rodada de estímulo monetário na economia norte-americana e se comprometeu em manter a taxa básica de juros praticamente zerada (entre 0 e 0,25%) até que a taxa de desemprego nos Estados Unidos recue para menos de 6,5%.

A autoridade monetária manterá o programa de compra de títulos lastreados em hipotecas (40 bilhões de dólares por mês), conforme as diretrizes acertadas na reunião de setembro deste ano (“FED liga o power da impressora”). O FED também anunciou uma nova rodada de compra de títulos do Tesouro americano de prazos mais longos, no total de 45 bilhões de dólares por mês.

A mídia entendeu que o FED estaria aumentando sua injeção de recursos no sistema com o anúncio desta nova rodada de compra de treasuries (45 bilhões de dólares). Mas na prática o Banco Central não está aumentando o seu estímulo monetário e sim mantendo. Estes 45 bilhões de dólares irão substituir a operação Twist, que também consistia na compra de títulos públicos de longo prazo pelo mesmo valor.

A novidade é que o FED estabeleceu uma meta. A taxa de desemprego precisa cair até 6,5% para o Banco Central interromper seu programa de quantitative easing. Além disso, o Comitê se comprometeu em manter os juros constantes (zerados) até que esta nova meta seja atingida, desde que as projeções de inflação não superem 2,5% para um ou dois anos à frente.

O Banco Central ainda revisou para baixo suas projeções de crescimento econômico e inflação para o próximo ano e fez a sua parte (tal como outras lideranças políticas dentro e fora dos Estados Unidos) em jogar uma pressão para que os partidos cheguem a um acordo a fim de se evitar o (improvável) abismo fiscal nos Estados Unidos.

Wall Street sofreu com a volatilidade ocasionada pela reunião do FED. Os principais índices norte-americanos caíram ao final do pregão devolvendo toda a alta do dia, sentindo a pressão de resistências importantes.

O índice Dow Jones fechou o pregão em leve baixa, porém o candle de fechamento é um doji de indecisão (que pode ser um sinal de reversão de tendência de curtíssimo prazo) bem abaixo da zona de resistência (forte) dos 13.3k. A LTB que vem do topo em 13.6k também colaborou para barrar o movimento de alta, fazendo um trabalho de dupla resistência. Pode-se esperar um novo teste sobre a LTA de curto prazo iniciada em 10.4k.

Gráfico do principal índice do mercado de ações dos Estados Unidos

No Brasil o índice Bovespa também fechou o pregão em leve baixa marcando um spinning top colado bem abaixo do patamar psicológico dos 60k. Apesar do candle ser pequeno, o dia foi marcado pelo sobe e desce rotineiro influenciado pelo vencimento do índice futuro.

Gráfico do principal índice do mercado de ações do Brasil

Amanhã o pregão voltará ao “normal” e poderemos ter reajuste de estratégias por parte de alguns players em posições compradas devido ao risco da posição gráfica indicando potencial entrada de operações vendedoras de curtíssimo prazo.

terça-feira, 11 de dezembro de 2012

Um novo Banco Central em 2013


As últimas declarações de Alexandre Tombini, presidente do Banco Central, estão indicando maior ênfase da autoridade monetária com relação à política de metas de inflação e menos entusiasmo com relação às medidas expansionistas defendidas e aplicadas pelo governo nos últimos anos. Na última sexta-feira já havíamos comentado sobre a mudança de postura do Banco Central com relação à política monetária e parece que a autoridade monetária de 2013 poderá ser bem diferente “daquela” de 2012 e 2011.

Hoje o presidente do Banco Central disse que "em nada adianta termos um cambio nominal, se aquilo que se ganha com a desvalorização do câmbio, se perde com inflação. Não se ganha competitividade.” Tombini ainda completou dizendo que ter um câmbio nominal desvalorizado "certamente não é o objetivo do Banco Central."

Perceberam a mudança de postura? Se antes Banco Central ouvia os choros do ministro Mantega, juntamente com a FIESP, para ver o real se desvalorizar, agora passará a não ouvir mais. A inflação, que estava sendo jogada para segundo, ou terceiro plano, passará a ser o primeiro plano do Banco Central em 2013. A instituição precisa retomar o seu prestígio no mercado e já faz alguns anos que a autoridade monetária não consegue carregar a inflação para o centro da meta.

O mercado, eu me incluo nesta conta também, errou novamente (tal como no PIB e mais recentemente na taxa básica de juros) ao acreditar que o Banco Central iria permitir uma desvalorização maior do real frente ao dólar. Alguns analistas chegaram a projetar o câmbio na casa dos 2,30, em decorrência do fraco resultado do terceiro trimestre, para ganhar competitividade e favorecer as exportações.

Se por um lado o dólar alto favorece as exportações, do outro lado encarece e reduz a oferta de produtos importados no mercado brasileiro, abrindo vantagem para os produtores nacionais se aproveitarem do excesso de demanda, elevando os preços. As indústrias que utilizam componentes importados na fabricação de seus produtos também são afetadas e repassam este custo do câmbio ao consumidor final. Além disso, grandes empresas (não são poucas) que possuem dívidas no exterior são duramente atingidas com uma alta repentina no câmbio.

As declarações de Tombini são condizentes com atuação do Banco Central no mercado de câmbio. Desde a semana passada a autoridade monetária está tomando medidas (entrando no mercado através de leilões) para frear a alta do dólar e manter a moeda oscilando entre os R$ 2,00 e R$ 2,10.

No cenário macroeconômico os investidores tiveram uma grande surpresa com o indicador de sentimento econômico da Alemanha que registrou melhora significativa em dezembro, passando de -15,7 pontos para 6,9, na base mensal. O resultado veio bem superior ao esperado pelo mercado (-11,4 pontos), atingindo o primeiro número positivo desde maio deste ano.

Os mercados europeus se animaram e fecharam mais um dia em alta. O mesmo aconteceu em Wall Street. Atenção especial para o índice Dow Jones que já testou e sentiu a força da resistência em 13.3k juntamente com a LTB que vem do topo em 13.6k. Poderá aparecer movimento de realização de lucros nos próximos pregões e testar novamente a LTA de curto prazo iniciada em 10.4k

Principal índice do mercado de ações nos Estados Unidos

No Brasil o índice Bovespa também fechou em alta acompanhando o desempenho positivo dos demais índices mundiais. Já nos aproximamos do patamar psicológico de 60k, ponto de realização de lucros das operações compradas de curto prazo e entrada de posições vendidas. Há espaço de sobra para correção sem comprometer a pernada de alta iniciada em 55.1k.

Principal índice do mercado de ações no Brasil

Amanhã teremos vencimento de contratos futuros sobre o índice Bovespa, coincidindo com o mesmo dia de reunião do Federal Reserve. Pregão promete ser bem volátil, como tem acontecido nos últimos dias.

segunda-feira, 10 de dezembro de 2012

Furo na Veja impulsiona papéis de Eike Batista


A última edição da revista Veja revelou que o BNDESPar (holding do BNDES - Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social - criada para administrar as participações em empresas na carteira do banco) estaria negociando compra de parte das companhias de capital aberto do empresário Eike Batista.

Este boato provocou uma tremenda correria na bolsa impulsionando fortemente as ações da OGX (alta de 8,76), LLX (alta de 7,34%) e MMX (alta de 3,38%). Este movimento permitiu que Eike Batista voltasse a ocupar o posto de homem mais rico do Brasil.


Curioso é que este boato saiu há dois dias do vencimento de contratos futuros sobre o índice Bovespa, onde os estrangeiros estavam reduzindo, no geral, posições vendidas nos últimos dias. Esta notícia, além de acelerar este movimento dos estrangeiros nos futuros, influenciou a cobertura de posições vendidas na OGX, papel de alta liquidez e um dos preferidos dos especuladores para balancearem suas posições no mercado futuro.

Dados divulgados na China também impulsionaram o mercado de commodities nesta segunda-feira. Apesar da forte desaceleração das exportações, a produção industrial e as vendas no varejo subiram em novembro no ritmo mais rápido em oito meses.

Esta é mais uma prova de que a economia chinesa já se recuperou do desaquecimento ocorrido no meio deste ano e aumenta a possibilidade de uma aceleração do crescimento no quarto trimestre de 2012. Para 2013, o mercado está projetando uma expansão 8%. Esta melhora nos números chineses é um reflexo do aumento dos gastos do governo com infraestrutura, especialmente em projetos de transporte público.

Na Europa o primeiro-ministro italiano, Mario Monti, informou que vai renunciar assim que o Parlamento aprovar o orçamento de 2013. Os índices europeus abriram pressionados com esta notícia mas se recuperaram ao longo do dia (força do mercado bull de curto prazo) fechando próximo à estabilidade. O mesmo aconteceu como  índice Dow Jones nos Estados Unidos que fechou o dia com uma leve alta de 0,11% sem apresentar novidades. Tendência de alta no curto prazo rumo à resistência dos 13.3k.

Bolsa dos Estados Unidos

Os eventos internos citados logo acima influenciaram os negócios na Bovespa que fechou o dia com uma boa alta de 1,30%. Segue firme e forte na sua tendência de alta iniciada a partir do fundo em 55.1k rumo à resistência psicológica dos 60k. Fato importante é que média móvel simples de 200 períodos diária foi rompida, mas vale a pena lembrar que esta média no gráfico semanal ainda não foi rompida.

Bolsa do Brasil
  
O movimento não deixa de ser positivo e importante. Como as médias não estão juntas no momento, a pressão vendedora torna-se dispersa (em dois ou até três pontos distintos), facilitando assim o trabalho para os touros.

sexta-feira, 7 de dezembro de 2012

Mudança de postura do Banco Central


O resultado extremamente fraco do PIB brasileiro no terceirotrimestre de 2012 abriu espaço para o mercado financeiro refazer sua projeção para a taxa Selic em 2013. Grande parte dos economistas, equipes de analistas dos bancos/corretoras e consultorias especializadas reduziram suas projeções para a taxa básica de juros (ao redor de 6,50% a.a. no fechamento de 2013), acreditando no potencial de corte provocado pelo baixo crescimento da economia brasileira.

Esta visão também compactua com a preferência do governo federal em dar ênfase às políticas expansionistas, principalmente no que se refere à expansão do crédito e aumento do consumo da população. Ontem os juros futuros despencaram na BM&F, refletindo este entendimento do mercado. O alvoroço foi tão grande que houve recorde de negócios no contrato futuro de taxa média de depósitos interfinanceiros de um dia (DI1).

Mas a última declaração do presidente do Banco Central mostrou outro cenário completamente diferente daquele que o mercado espera. Alexandre Tombini disse que a última ata do Copom não está desatualizada, apesar de ter sido elaborada antes da divulgação do PIB do terceiro trimestre.

"A ata está mais atual do que nunca", disse Tombini. "A estratégia adequada para trazer a inflação para a meta é manter a estabilidade das condições monetárias por um período suficientemente prolongado.”

Esta declaração contraria aquela possibilidade de que o Banco Central não teria incorporado o fraco desempenho do PIB divulgado dois dias depois do Copom. Além disso mostra um erro por parte da minha análise realizada nos comentários do post de ontem (“A vez do setor portuário”), pois a minha expectativa também era de novos cortes na taxa básica de juros.

Tombini fez questão de reforçar a “estabilidade das condições monetárias por um período suficientemente prolongado”. Isso significa que o Banco Central não espera realizar novos cortes na taxa básica de juros, mesmo com a economia brasileira patinando (crescimento abaixo da média mundial).

Mas por quê? O governo não comprou (e venceu) a briga com o mercado para reduzir os juros? Porque não reduzir mais um pouco agora que as condições econômicas são favoráveis (dentro da ótica do governo)?

Alguns podem dizer que este motivo é a própria inflação que não da trégua. O IPCA de novembro fechou em 0,60% (nível mais alto desde abril deste ano) e superou as estimativas do mercado. Mas o Banco Central não se preocupou com ela (meta de inflação) nos últimos dois anos e vai se preocupar agora? A inflação de 2011 estava bem mais forte e mesmo assim o Banco Central continuou cortando os juros. Será que não existe outro motivo?

Existe sim e ele está no mercado de trabalho. Este talvez seja o principal fator responsável pela mudança de postura do Banco Central. A taxa de desemprego caiu tanto, que o nível ficou abaixo do ideal para estimular novos investimentos e agregar competitividade ao setor produtivo.

A queda do desemprego também provoca aumento dos salários. Com menos profissionais qualificados disponíveis no mercado de trabalho, as empresas precisam elevar os salários para manterem os empregados na casa ou realizarem novas contratações. A Organização Mundial do Trabalho divulgou um relatório mostrando que os salários no Brasil cresceram mais que o dobro da média mundial em 2011.

Nos últimos 3 anos, a média anual de crescimento do salário real no Brasil superou a média mundial . No mundo, os salários cresceram 1,3% em 2009 (no Brasil cresceu 3,2%), 2,1% em 2010 (no Brasil cresceu 3,8%) e 1,2% em 2011 (no Brasil cresceu 2,7%). Grande parte deste descompasso refere-se à nova política de valorização do salário mínimo.

Custos trabalhistas altos demais inibem o investimento e deixam os empresários na defensiva. Neste caso, não adianta o Banco Central impulsionar ainda mais a demanda (via corte de juro), se a outra ponta da balança (o lado da oferta) está com problemas.

Para completar, o aumento da renda no Brasil elevou o nível de endividamento da população, mas não, em mesmas proporções, o nível de investimento. Fato resultante da baixa educação financeira. Apesar de administrável, o Banco Central parece não estar tão confortável com o nível de endividamento e inadimplência da pessoa física, que mostra relutância em cair.

No mercado de capitais a semana foi bastante movimentada. Volatilidade alta provocou muito sobe e desce nos pregões, mas “nos finalmentes” conseguimos fechar o semanal colado na máxima com um bom candle de alta após o doji de indecisão colado na LTA de 2008.

Mercado de ações brasileiro

O índice Bovespa começou a trabalhar rompimento da linha central de bollinger. A confirmação deste rompimento poderá jogar o índice de volta para os 60k (zona de forte resistência psicológica).

Nos Estados Unidos o índice Dow Jones também fechou a semana com uma boa alta se aproximando da linha central de bollinger. Segue bem armado para romper esta referida linha e testar a resistência dos 13.3k.

Mercado de ações norte-americano
  
No principal mercado europeu o índice DAX (Alemanha) também fechou a semana em alta confirmando rompimento da LTB que vem do topo histórico. Está próximo de testar a região dos 7.6k (principal barreira abaixo do topo histórico) e poderá sofrer pressão vendedora na próxima semana.

Mercado de ações alemão

Na China a bolsa de Xangai fechou a semana em forte alta configurando movimento de bear trap sobre a perda da linha de suporte forte em 2k. Houve forte movimento de recuperação nesta semana, limpando o terreno para manter o movimento de alta até chegar na linha central de bollinger.

Mercado de ações chinês

Bom pessoal, vamos encerrando por aqui nossas atividades na semana. Os principais mercados começaram o mês de dezembro presenteando os touros com uma pequena demonstração do rally de natal. Aos que se aventuraram na compra, recomenda-se manter as posições com proteção de lucro. Aos que ficaram de fora, mas que desejam entrar, ainda há espaço para subir (pois como disse, passando pela linha central de bollinger podemos testar os 60k), porém o risco agora é um pouco maior. Bom descanso a todos e até segunda!

quinta-feira, 6 de dezembro de 2012

A vez do setor portuário


Se existe um lado positivo no crescimento vergonhoso do terceiro trimestre deste ano (apenas 0,60%), é a reação imediata do governo. Uma série de medidas pró-crescimento foram anunciadas somente nesta semana. Algumas duvidosas, como o pacote para construção civil (setor que já sofre com o aquecimento/esgotamento de mão de obra qualificada no mercado), outras benéficas, como a redução na TJLP (mais informações no post: “Mantegacorta juro do BNDES”).

Hoje foi a vez do setor portuário. O governo federal anunciou um pacote de investimentos no valor de R$ 54,2 bilhões para o setor.  Estes investimentos serão aplicados em arrendamentos e terminais de uso privativo (mais conhecido como TUP), sendo R$ 31 bilhões em 2014 e 2015 e R$ 23,2 bilhões em 2016 e 2017.

O pacote pode ser um novo marco regulatório visando permitir a regulação do serviço, eliminação de barreiras à entrada de novas empresas no setor e aceleração dos processos de arrendamento de áreas para prestação de serviços, bem como licenças ambientais.

As licitações de portos atenderão critérios de maior movimentação de carga combinada com menor tarifa. Segundo o Ministro da Secretaria de Portos, Leônidas Cristino, o pacote visa aumentar a competitividade da economia, eliminar barreiras à entrada no setor e estimular o investimento no setor privado.

À primeira vista esta medida parece ser benéfica. Um dos grandes gargalos estruturais brasileiros está na estrutura portuária. Resta saber como este pacote será executado na prática (onde o governo tem pecado bastante ultimamente) e se o Brasil conseguirá reconquistar os investidores.

Ainda no cenário doméstico a presidente Dilma demonstra-se cada vez mais "irritada" com algumas companhias energéticas (mais precisamente dos estados de Minas Gerais, São Paulo e Paraná, leia-se PSDB) e mostrou hoje que está disposta a tomar qualquer medida para garantir a redução média de 20% nas contas de luz a partir do ano que vem (alterando o que havíamos relatado no post “A promessa não será cumprida”, baseado nas declarações de Márcio Zimmermann).

A presidente disse que o Tesouro Nacional (ou seja, todos nós) irá bancar a redução do custo de energia elétrica no país para cobrir a diferença gerada pela não adesão das concessionárias dos Estados de São Paulo, Minas Gerais, Paraná e Santa Catarina. A oposição parece ter perdido a dura queda de braço com o governo, pois o discurso da  presidente focou exatamente num ponto que nosso amigo TR destacou muito bem nos comentários do post de terça-feira.

No mercado financeiro houve divulgação da ata do Copom ratificando aquilo que a havíamos ressaltado na semana passada. Porém deve-se considerar que o Banco Central errou na previsão de crescimento para o terceiro trimestre e, portanto, existe a possibilidade de novas reduções (pequenas) na taxa selic em 2013.

O índice Bovespa fechou o pregão próximo da estabilidade, mas mantendo a volatilidade alta dos últimos dias. Este é o segundo doji de indecisão consecutivo colado na LTB rompida que vem do topo em 63.4k. Pode ser uma tentativa de formação de fundo, mas o jogo continuará aberto para amanhã.

Gráfico da Bovespa - Bolsa de Valores de São Paulo

Excepcionalmente nesta quinta-feira não teremos atualização do índice Dow Jones devido ao horário da postagem.

quarta-feira, 5 de dezembro de 2012

Mantega corta juro do BNDES


O ministro da Fazenda, Guido Mantega, anunciou nesta quarta-feira a redução de 0,5 p.p. na TJLP (taxa de juros de longo prazo). A taxa de juros é utilizada na maioria das linhas de financiamentos do BNDES (Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social) e será reduzida para 5,0% ao ano a partir de janeiro de 2013.

Segundo Mantega, objetivo do governo é fazer com que os investimentos avancem 8% no próximo ano. A redução da TJLP é um sinal de reação do ministro perante ao resultado decepcionante do PIB do terceiro trimestre (“Uma piada que se tornou vexame”). Em contrapartida a taxa para aquisição de máquinas e equipamentos sofrerá aumento de 2,5% a.a. para 3% a.a. no primeiro semestre de 2013. No segundo semestre do ano que vem a taxa será novamente reajusta para cima, expandindo-se para 3,5% a.a.

Além disso o governo prorrogou o PSI (Programa de Sustentação do Investimento), também do BNDES, para dezembro de 2013. Anteriormente este programa estava programado para encerrar no final de dezembro deste ano. Houve também redução (de dois anos para um ano) no prazo de empréstimos externos no qual incide o IOF de 6% (Imposto sobre Operações Financeiras).

No cenário externo as notícias vinculadas ao abismo fiscal, com ajuda da mídia, continuam sacudindo os principais índices mundiais. Se ontem os mercados caíram com as declarações, consideradas pessimistas, de Obama, hoje os mercados subiram com as declarações, consideradas otimistas, da mesma pessoa. Será que o nosso amigo Obama é bipolar ou as notícias estão querendo brincar com o seu dinheiro?

O indicador de novas encomendas à indústria, divulgado hoje pelo Departamento de Comércio norte-americano, subiu 0,8% em outubro e animou Wall Street pois a expectativa do mercado era de estabilidade. Este foi o grande driver do dia que impulsionou o índice Dow Jones para atacar e romper a resistência psicológica dos 13k.

Gráfico do índice Dow Jones

A média móvel simples de 200 períodos diária também foi superada e agora o índice tentará acionar pivot de alta (rompendo os 13.1k) para encostar nos 13.3k nos próximos dias/semanas. LTA diária segue sustentando o movimento, apesar da inclinação aguda.

Na próxima sexta-feira teremos divulgação do payroll americano (principal indicador do mercado de trabalho) e os pregões tendem a permanecerem voláteis nos próximos dois dias pelo menos. Os números enfraquecidos divulgados hoje pelo setor privado (menor geração de vagas) poderão pressionar o resultado do payroll.

No Brasil o índice Bovespa fechou o pregão de lado nesta quarta-feira, plotando um doji de indecisão acima da LTB rompida há dois dias atrás. Este candle deixou o jogo aberto para amanhã, pois o índice está conseguindo se manter acima da linha de tendência rompida, mas ao mesmo tempo não consegue se distanciar da mesma.

Gráfico do índice bovespa

Atenção especial para os gráficos de periodicidade mais curta. As oportunidades de trade estão mais visíveis nos 15 e 60 minutos. Devido à volatilidade alta, recomenda-se delimitar níveis curtos de suporte e resistência e reduzir ao máximo possível o spread da operação para não correr o risco de levar uma inversão do mercado.
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