terça-feira, 29 de janeiro de 2013

Nem com malabarismo dá certo


A Secretaria do Tesouro Nacional informou hoje que as contas do governo central registraram um superávit primário de 88,5 bilhões de reais em 2012. O resultado ficou abaixo da meta cheia para o ano (97 bilhões de reais), mesmo com todas as manobras contábeis realizadas pelo governo no final do ano passado.

O governo federal havia resgatado 12,4 bilhões de reais do Fundo Soberano, elevou o abatimento da meta dos gastos com o PAC (Programa de Aceleração do Crescimento) e pediu para a Caixa Econômica Federal realizar o pagamento antecipado de 4,7 bilhões de reais em dividendos, além dos 2,3 bilhões de reais de dividendos recebidos do BNDES (Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social).

Um documento divulgado pelo Tesouro ainda revela que o governo fez um forte movimento de contratação de obras no fim de 2012 a fim de gerar volumes grandes de gastos do PAC para serem abatidos da meta do superávit primário.

Mesmo assim, com todas estas manobras contábeis, o governo não conseguiu atingir a meta do superávit primário. Esta engenharia financeira do governo foi duramente criticada pelo mercado, principalmente pela mídia especializada internacional. Pior do que fazer todo este malabarismo, colocando em risco o pouco do que resta da nossa credibilidade, é não atingir o objetivo da meta do superávit primário.

Ainda no cenário interno, o Banco Central segue mantendo a estratégia destacada na análise de ontem, deixando o dólar se desvalorizar um pouco mais para aliviar a pressão inflacionária neste primeiro trimestre. O dólar fechou cotado abaixo do patamar de R$ 2,00, aos R$ 1,98. O mercado vai começar a testar o governo para descobrir qual será o novo piso para o câmbio (estima-se que esteja entre R$ 1,90 a R$ 1,95).

A Petrobras surpreendeu o mercado ao anunciar nesta terça-feira o reajuste nos preços dos combustíveis. O preço da gasolina sofrerá uma alta de 6,6% e o diesel será reajustado em 5,4%. A companhia soltou um comunicado dizendo que o reajuste foi definido levando em consideração a política de preços da estatal, tentando alinhar o preço dos derivados de petróleo aos valores do mercado internacional. Sabemos que na prática esta decisão não é da companhia, mas sim do governo federal. Sabemos também que este reajuste não é suficiente para cobrir o rombo nas importações de combustível.

O anúncio já era amplamente esperado pelo mercado, mas surpreendeu pela data em que foi divulgado. Provavelmente uma tentativa de reanimar as ações da companhia negociadas em bolsa.  Por que será? Confirmar o reajuste antes de soltar o balanço da Petrobras. Qual será a surpresinha que virá desta vez?

O Ibovespa fechou em alta nesta terça-feira conseguindo se manter acima do patamar psicológico dos 60k. O índice não foi impulsionado pelas ações da Petrobras, mas sim pelas ações da Vale e companhias siderúrgicas. O Goldman Sachs soltou um relatório dizendo que o fraco desempenho das ações de siderúrgicas brasileiras era injustificado e excessivo. Além disso o jornal Valor Econômico publicou uma matéria nesta terça dizendo que a CSN poderá receber aporte de até 4 bilhões de reais do BNDES para comprar ativos do grupo ThyssenKrupp.

Gráfico do índice Bovespa
  

Nos Estados Unidos o índice Dow Jones voltou a subir nesta terça-feira se aproximando cada vez mais do seu topo histórico em 14.2k. Apesar do excelente desempenho no curto prazo, o índice permanece sobrecomprado e com boas possibilidades de correção nos próximos dias.

Gráfico do Índice Dow Jones

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