quinta-feira, 24 de janeiro de 2013

Pancada na véspera do feriado


Operações vendedoras volumosas atingiram a Bovespa no final da tarde desta quinta-feira, véspera de feriado na cidade de São Paulo. Há pouco mais de três horas para o encerramento do pregão, as vendas pesadas começaram a aparecer na bolsa.

Não houve divulgação relevante, neste horário, no noticiário macroeconômico. O movimento foi puramente técnico. O índice Bovespa começou a cair rapidamente depois de se aproximar da linha de resistência no topo da zona de congestão de curtíssimo prazo em 62.3k. O candle sinalizou indecisão (doji) bem abaixo da linha de resistência conforme podemos observar no gráfico horário logo abaixo.

Gráfico horário do índice Bovespa

A queda forte e rápida chama atenção e pode ser um indício de que alguns investidores estrangeiros (responsáveis por levantar o Ibovespa desde a segunda quinzena do mês de dezembro/2012) resolveram inverter a mão no mercado à vista. O volume financeiro desta quinta-feira ficou acima do fluxo registrado nos últimos dias: 7.1 bilhões de reais.

Com esta queda de hoje o índice Bovespa acabou fechando a semana em baixa, correndo o risco de voltar a região de suporte nos 60.4k e confirmar a perda da média móvel simples de 200 períodos semanal (esta média não está destacada no gráfico devido à base de dados da plataforma gráfica utilizada).
 
Gráfico semanal do índice Bovespa

A ata do Copom, divulgada hoje, pode ter colaborado para o pessimismo do mercado. A autoridade monetária admitiu no documento que o risco de curto prazo para inflação aumentou. Os contratos de juros futuros subiram na BM&F. Observem este trecho importante da ata:

“A maior dispersão, recentemente observada, de aumentos de preços ao consumidor e a reversão de isenções tributárias, combinadas com pressões sazonais e pressões localizadas no segmento de transportes, tendem a contribuir para que, no curto prazo, a inflação se mostre resistente”.

Apesar da piora na perspectiva inflacionária, o Banco Central confirmou na ata que manterá a sua estratégia de manter a taxa básica de juros inalterada. A expressão “tempo suficientemente prolongado” foi novamente utilizada para destacar a política de manutenção da taxa básica de juros. Isso significa que o Copom “jogou a toalha” (mais uma vez) no que se refere à convergência da inflação para o centro da meta.

Infelizmente este poderá ser o quarto ano consecutivo de fechamento da inflação fora da meta. Em 2010 o IPCA fechou aos 5,90%, 2011 aos 6,5% e em 2012 aos 5,83%. Isso não é bom para a imagem e credibilidade da autoridade monetária e política econômica do governo. Pode gerar desconfiança no mercado, um dos pilares mais importantes que sustentam a estabilidade de um sistema financeiro, bem como o mercado de capitais.

O noticiário no cenário macro foi positivo nesta quinta-feira. A preliminar do Índice Gerente de Compras da economia chinesa atingiu o maior patamar dos últimos dois anos. O índice atingiu 51,9 pontos no mês de janeiro deste ano, mostrando expansão da atividade industrial e manutenção da recuperação da economia chinesa.

Nos Estados Unidos a prévia do Índice Gerente de Compras também apresentou melhora na atividade industrial em janeiro. O índice marcou 56 pontos, acima dos 54 pontos registrados em dezembro do ano passado, indicando forte expansão.

O índice Dow Jones fechou o pregão desta quinta-feira em alta mantendo a tendência de curto prazo, bem como o nível de sobrecompra elevado. Ainda não há sinalização de topo, o pavio superior do candle de hoje não confirmou a formação de uma estrela cadente. Porém o risco continua alto para operações de curto prazo.

Gráfico diário do índice Dow Jones

Um ótimo feriado a todos vocês e até segunda! Bom descanso!

7 comentários:

  1. Excelente trabalho, FI. Passei a ser seu leitor.

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    1. Opa!

      Obrigado amigo! Seja bem vindo!

      Abcs, bons negócios

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  2. Grande Finanças Tudo Certo ? Espero que Sim.
    A Partir da Proxima Semana estou Voltando a Luta.Essa queda veio bem a Calhar.rsr
    Finanças vou Aproveitar seu Comentario a Respeito da Estimativa da Alta da Inflação
    e te Pedir um Conselho a Respeito de um Fundo que meu Banco esta me Ofereçendo.Me Chamou Atenção a Rentabilidade nos 12 Umtimos Meses.
    Se Trata de um Fundo Chamado Fic Renda Fixa IMA-B. A Poltica de Investimento e esta :
    O Fundo pretende atingir seu objetivo investindo no mínimo 95% de seu patrimônio em cotas de Fundo de Investimento de Renda
    Fixa, que possuam como política de investimento
    a aplicação de seus recursos em títulos de renda fixa públicos e/ou privados e derevativos com atuação no mercado de taxa de juros, adotando estratégias que envolvam riscos atrelados a índices de preço através da
    aquisição de ativos e/ou modalidades operacionais que acompanham direta e/ou indiretamente (sintetizados via
    derivativos) à variação da taxa de juros doméstica ou índices de preço, excluindo estratégias que impliquem em risco de moeda estrangeira ou de renda variável.
    As operações nos mercados de derivativos desses Fundos de Investimento devem se limitar a até uma vez o patrimônio líquido do Fundo , vedado seu uso para alavancagem.

    Rentabilidade Acumulada - 12 meses
    Mês - Fundo - IMA-B
    jan/12 1,39% 1,63%
    fev/12 2,15% 2,17%
    mar/12 1,79% 1,91%
    abr/12 4,37% 4,42%
    mai/12 1,91% 1,97%
    jun/12 -0,60% -0,50%
    jul/12 2,88% 2,88%
    ago/12 1,77% 1,81%
    set/12 1,31% 1,44%
    out/12 3,71% 3,80%
    nov/12 0,51% 0,53%
    dez/12 1,84% 1,92%


    12 Meses 25,50% 26,68%


    Composição da Carteira em % do Patrimonio Liq.

    88,35 % em Titulos Publicos

    11,65 Outros - Debêntures 6,69
    Compromissadas 1,71
    Letra Financeira 2,55
    Cotas de Fundos 0,39
    CRI 0,40
    Outros ( 0,09)

    A Taxa de Administração e 0,90 % a.a

    Desculpe por me Prolongar,mais Detalhei para o Amigo ter uma Boa Ideia.Desde já Agradeço ao Amigo.Estou com um CDB com 97,5% do CDI e com esta Baixa na Taxa Selic.Estou Estudando Outras Alternativas.
    Grande Abraço.




















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    1. Grande macr3, tudo bom e com você?

      Praticamente todos os fundos de renda fixa tiveram um bom desempenho ano passado em decorrência da elevação nos preços dos títulos públicos do governo. Com a queda na taxa selic e alta da inflação, o mercado correu para se proteger nos pré-fixados e NTNBs (títulos que rendem inflação + bônus). O que estou observando é que os bancos aproveitaram esta excelente rentabilidade do ano passado para aumentar as vendas de fundos de renda fixa. Rentabilidade histórica (e recente) alta é o melhor atrativo para atrair os aplicadores. A taxa de administração deste fundo não está muito boa, mas também não está alta. Digamos, mais ou menos na média do mercado.

      O problema é que esta rentabilidade de 2012 dificilmente se repetirá. O ciclo de aperto monetária já chegou ao fim, os títulos públicos não deverão mais se valorizar. A tendência é que o mercado volte a corrigir nos próximos anos esta disparada no preço dos títulos que ocorreu em 2012, isto provavelmente ocorrerá quando o Banco Central voltar a subir os juros (talvez no final de 2013 e início de 2014). Portanto não acho interessante aplicar recursos em nenhum fundo de renda fixa no momento.

      Acho mais interessante você mesmo comprar títulos públicos diretamente do governo para garantir a rentabilidade da sua aplicação no vencimento e fugir desta possível correção nos próximos anos. Fundos de renda fixa fazem giro de carteira e portanto estão vulneráveis a esta correção e podem apresentar rentabilidade negativa. Se você não fizer giro de carteira (títulos públicos) garantirá pelo menos a rentabilidade acordada no ato da compra quando o vencimento chegar.

      Para curto prazo as melhores opções conservadoras são LCIs. Este seu CDB também está bom, eu manteria posição nele.

      Abcs, bons trades e bom retorno!

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    2. PS:

      Como este é um fundo que compra cotas de outros fundos de renda fixa da mesma categoria (que operam títulos públicos), o papel (ou o lastro) está sendo duplamente taxado. Primeiro pelo fundo que está operando estes títulos públicos, segundo pelo seu fundo que compra as cotas destes outros fundos.

      Abcs,

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  3. Caro Finanças Inteligentes,

    Transcrevo parte do seu texto ou melhor do bacen.

    “A maior dispersão, recentemente observada, de aumentos de preços ao consumidor e a reversão de isenções tributárias, combinadas com pressões sazonais e pressões localizadas no segmento de transportes, tendem a contribuir para que, no curto prazo, a inflação se mostre resistente”.

    Se considerarmos que no espaço de um ano - de janeiro de 2012 a janeiro de 2013 - e acompanhando a evolução do salário mínimo ter um acréscimo de 14% em 2012 e agora em janeiro de 2013 o salário mínimo tem um novo acréscimo de 9%,de acordo com a atual política salarial, termos nesse interstício de 12 meses o acréscimo de aproximadamente 24% no salário mínimo que é um referencial para o setor de serviços e também para as grandes categorias de trabalhadores organizados.

    Como que um mega aumento da massa salarial dessa magnitude vai manter a inflação baixa e como evitar a tal dispersão? Estão apagando fogo com gasolina?

    E ainda baixando a taxa de juros para patamares que nem sonhávamos atingir?

    Com a remuneração da renda fixa praticamente zerada ou negativa, dependendo da taxa de administração do fundo e do imposto de renda, parte de tais recursos devem estar migrando para o consumo e elevando também o nível de inflação.

    Será que as autoridades monetárias não adotarão medidas de controle da inflação ou nossa meta de inflação subiu de patamar?

    Anônimo investidor





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    1. Anônimo Investidor,

      Certamente a meta de inflação perdeu sua credibilidade e o mercado passa a julgar se a meta realmente existe, já que o Banco Central não está conseguindo cumpri-la há anos. Na teoria a meta pode ser 4,5%, mas na prática o que observamos é uma média de IPCA oscilando entre 5,5% a 6,0% nos últimos anos. A meta subiu? Na teoria não, mas na prática...

      Com relação ao aumento da renda, bem como do salário mínimo, a economia poderia absorver facilmente este aumento de demanda caso as condições de oferta estivessem boas. Inflação nada mais é do que desequilíbrio entre oferta e demanda. Mas o governo desequilibrou esta balança, favoreceu demais a demanda e esqueceu da oferta. Erro grotesco que estão tentando corrigir agora com estas novas medidas de incentivo ao setor produtivo. Melhorando as condições de negócio, a oferta aumenta e com isso o desequilíbrio provocado pelo excesso de demanda diminuiu, gerando menos pressão inflacionária. O problema é que a retomada da oferta é lenda e demorada, exige algumas medidas estruturais e o governo precisa trabalhar mais neste ponto.

      Abcs, bom final de semana

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