segunda-feira, 28 de janeiro de 2013

Pancada na volta do feriado


O mesmo movimento vendedor que atingiu a Bovespa na última quinta-feira (Pancada navéspera do feriado) se repetiu hoje na retomada dos negócios. Novamente não houve noticiário macroeconômico ou corporativo (resultado do Bradesco já era esperado) para motivar um sell-off (vendas) tão forte nestes dois últimos dias.

Quedas técnicas, fortes e rápidas reforçam o indício de inversão na posição de alguns investidores estrangeiros no mercado à vista. Estes investidores podem estar embolsando os lucros das operações compradas nos últimos dois meses. Além disso, há suspeita de que estes mesmos players estão aproveitando a oportunidade de fraqueza da força compradora, por parte dos institucionais e pessoa física nacional, para alavancar a rentabilidade operando na ponta vendedora no mercado à vista. O volume financeiro ficou novamente acima da média dos últimos dias.

Com esta queda de hoje, um pivot de baixa foi detonado no gráfico diário do Ibovespa. A tendência de queda no curto prazo ganhou força e deverá seguir pressionando o índice nos próximos dias, pois não há sinal de formação de fundo ou regiões de suporte relevante abaixo do patamar psicológico dos 60k. Ou seja, se o índice perder os 60k será muito difícil conseguir manter-se acima da LTA formada a partir do fundo em 55.1k, deixando para trás os principais pontos de apoio no curto prazo.

Gráfico do pregão na Bovespa

O mercado também está receoso quanto ao câmbio e o possível impacto nas receitas/hedges das empresas exportadoras. O Banco Central está permitindo a queda no dólar, talvez para aliviar as pressões inflacionárias deste primeiro trimestre. Hoje a moeda cedeu 1,51% e atingiu os R$ 2,00.  A autoridade monetária anunciou a rolagem de 37 mil swaps cambiais que vencem no dia primeiro de fevereiro. Estes contratos serão substituídos e por consequência acabam colaborando para a valorização do dólar no mercado brasileiro.

A deterioração do cenário inflacionário, a piora na perspectiva de crescimento e falta de credibilidade na política econômica do governo federal também estão colaborando para o pessimismo dos investidores. Novamente o boletim Focus desta segunda-feira mostrou aumento nas projeções de inflação (agora em 5,67% para 2013) e redução na perspectiva de crescimento (agora em 3,10% para o PIB de 2013).

Nos Estados Unidos o índice Dow Jones fechou o pregão desta segunda-feira perto da estabilidade após o bom desempenho da semana passada. O nível de sobrecompra segue muito elevado, inviabilizando operações compradas de curto prazo e provocando uma queda perigosa no volume financeiro. Dow Jones pode estar prestes a entrar num movimento de correção desta última pernada de alta.

Gráfico do pregão na bolsa de Nova York

Para finalizar, gostaria de salientar que já implementamos a primeira novidade deste ano. Melhoramos a logomarca do nosso blog rsrs... Brincadeira pessoal, amanhã anunciaremos a primeira grande novidade de 2013. Fiquem atentos!

12 comentários:

  1. Esse vai ser mais um ano de lenga lenga na bolsa. Esse governo simplesmente acabou com a credibilidade do país como um local bom para investir e não teremos nenhum investimento sério, de longo prazo, pois ninguém sabe se do nada o governo não vai mudar as regras. Voltamos a ser apenas um paraíso especulativo.

    Pobre Paulista.

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    1. Pobre Paulista,

      Já são mais de 5 anos de lenga lenga. Estamos no mesmo nível de pontuação de 2007. Nos últimos dois ou três anos perdemos alguns rallys das bolsas mundiais, o mercado sacou bem o barco furado da política econômica brasileira. A posse da Dilma está sendo shorteada (vendida - bolsa) até hoje. Não porque a culpa é toda dela, mas sim pelas escolhas de alguns ministros. Criamos um péssimo ambiente aqui dentro pelos motivos que você citou e afugentamos os investidores. Agora vamos ter que remar tudo de novo enquanto as outras bolsas emergentes estão lá em cima.

      Abcs, bons investimentos

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    1. Investidor Zé Ninguém,

      É pra ficar esperto e acordar. Não somos o México rsrs..

      Abcs, bons negócios

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  3. Finanças Quero te Agradecer Pela Resposta Sobre a Aplicação do IMA-B.Agora Finanças, sera que com esse Quadro de Deterioração do Cenário Inflacionário ainda não Existiria Espaço este Ano para Ganhos com este Tipo de Fundo.Já que o Governo Sinalizou como Mencionou o Amigo, que não Pretende Aumentar os Juros tão Cedo ?
    Finanças Você Mencionou a Respeito de Compra de Titulos Publicos Direto.Qual na sua Opinião seria Interessante e quanto a Liquidez destes Titulos ?
    Estou Abusando das suas Dicas rsr. mais Confio na sua Opinião.
    Grande Abraço.

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    1. Opa! As ordens amigo!

      Não vejo espaço para muitas valorizações dos fundos não. Muitos compraram NTNBs 2015 e 2020 que valorizaram bastante com a queda dos juros. Mas o cenário mudou. O governo não vai aumentar os juros tão cedo, mas também não vai cortá-lo. Atingimos a mínima na Selic e dificilmente a taxa ficará abaixo disso nos próximos anos. Quando (e se) ocorrer aumento na taxa Selic no final de 2013 ou início de 2014, os títulos públicos tendem a se desvalorizar e consequentemente os bônus irão aumentar. Os fundos que manterem estes títulos em carteira sofrerão este efeito de desvalorização dos títulos. Ciclo de aperto monetário do Banco Central é o momento ideal para comprar bastante títulos públicos, o mercado sempre exagera na dose de precificação. Títulos pré-fixados podem atingir a casa dos 10%, o que no cenário atual é um bom negócio. NTNBs podem remunerar IPCA + 4% ou acima, o que também é um bom negócio.

      Títulos públicos hoje servem apenas para bater a poupança, inflação e fundos DI. São a melhor opção de investimento conservador. Mas não apresentam rendimentos bons ou excepcionais pois a realidade mudou (queda na taxa de juro real) e nenhuma modalidade conservadora/renda fixa irá conseguir fazer isso sucessivamente ano após ano.

      O problema da liquidez é outro fator que joga contra o pequeno investidor pessoa física, pois o governo tem aproveitado a melhora na classificação do rating da dívida para emitir menos dívida de curto prazo e mais dívida de longo prazo. Consequentemente as opções de investimento de curto prazo no Tesouro Direto se esgotaram. Hoje o título de maior liquidez (vencimento mais curto) é a LTN 010116 (ou seja, vencimento em 2016). A NTNB de maior liquidez é 150519 (ou seja, vencimento em 2019). O único título indexado à taxa selic é a LFT que vence em 2017. Resumindo: não temos opções de liquidez no curto prazo. Haja vista que se vendermos os títulos antes do vencimento não há garantia de lucro na operação, pois os títulos se valorizam/desvalorizam o tempo todo. A rentabilidade só é garantida pelo governo quando carregamos o título até o vencimento.

      O investidor que pretende começar a formar uma carteira conservadora antes precisa deixar a maior parte do capital na poupança (líquido) e comprar aos poucos os títulos públicos. Começaria comprando 1X reais de LTN 2016 e 2X reais de LFT 2017. O prazo da NTNB é muito longo, esperaria até o início de 2014 (ou melhora no bônus) para começar a comprar.

      Qualquer dúvida volte a perguntar

      Abcs, bons investimentos

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    2. Ola. Creio que vcs assim como eu estao sentindo no bolso a real inflaçao. Tudo subindo em uma especie de efeito domino e este governo maquiando indices. Que pais complicado!! Nao eh atoa que na matriz testa TH e aqui esta bem longe..
      ivngomes

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  4. Sempre há revisão da inflação (pra cima) e do Pib (pra baixo)... rsrs... ' cadê as autoridades? Onde está o Ministério Público, Brasil?'.

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    1. Doutor Honorários,

      Virou moda né rsrs... Mas é um reflexo do sentimento do mercado quanto à política econômica do governo e perda de credibilidade/autonomia do Banco Central, que jogou a toalha para a politica de metas de inflação.

      Abcs, bons negócios

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    2. MP esta ocupado em Meio Periodo e em pedir o corte do nome de Deus nas notas... alias, deviamos dar graças a Deus mesmo por termos algum pra investir, depois da presepada juridico economica do PT, partido da Perda Total.

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  5. Bom dia FI, bom dia galera
    vendo os posts sobre fundos de investimento, procurei mais sobre isso nesse fim de semana.
    Macr3, posso estar errado, mas esse fundo da Caixa não é só para prefeituras, órgãos públicos, etc?

    De qualquer forma, me interessei e procurei mais sobre o assunto. Tem alguns bons ligados à inflação com rentabilidade desde 2009 (histórico que encontrei) na média de 12 a 20% (superior à poupança) e outros FIA ligados a small caps. Nesse caso a rentabilidade é melhor e bem melhor do que o ibov e não é difícil encontrar rentabilidades melhores que a ETF SMLL11. Porém, algumas vezes é necessário esperar por 30 dias ou mais para efetuar um resgate.

    FI, compartilho da mesma pergunda do Macr3 e também gostaria de saber se você acha mais vantajoso aplicar em ETF ou em fundos que podem ter rentabilidades líquidas parecidas ou superiores? No caso dos fundos, a vantagem que vejo é que você não se preocupa com o IR pois ele é calculado pela instituição financeira.

    Minha última dúvida, diz respeito aos prospectos dos fundos. Neles diz, que o fundo não é protegido pelo Fundo Garantidor de Crédito (FGC). Isso quer dizer que poderíamos perder tudo em caso de falência?

    Valeu, obrigado.

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    1. Bom dia Hoffnung,

      No ETF você fica engessado àquele índice ou setor, já no fundo (dependendo do prospecto) o gestor tem a opção de girar carteira e mudar suas posições para diferentes segmentos. Porém acho mais difícil encontrar um bom fundo para investimento. Investir em ETFs é bem mais fácil, são poucos, simples e setoriais. Mas se você se interessar por ler os prospectos, vai conseguir encontrar e entender porque alguns fundos conseguem ter rentabilidade superior aos ETFs. Particularmente utilizo ETFs apenas quando quero especular no movimento do índice (para fugir dos derivativos) ou especular no movimento de algum setor.

      Sobre o FGC, sim. Abaixo segue uma lista dos produtos que são garantidos pelo FGC:

      - depósitos à vista ou sacáveis mediante aviso prévio;
      - depósitos de poupança;
      - depósitos a prazo, com ou sem emissão de certificado (CDB/RDB);
      - depósitos mantidos em contas não movimentáveis por cheque destinadas ao registro e controle do fluxo de recursos referentes à prestação de serviços de pagamento de salários, vencimentos, aposentadorias, pensões e similares;
      - letras de câmbio;
      - letras imobiliárias;
      - letras hipotecárias;
      - letras de crédito imobiliário;
      - operações compromissadas que têm como objeto títulos emitidos, após 08.03.2012, por empresa ligada.

      A cobertura é de no máximo R$ 70.000,00 por CPF. Todas os demais títulos e produtos do mercado financeiro não são garantidos pelo FGC. No caso dos fundos, se ocorrer a quebra do mesmo, os investidores perdem tudo. Há outra situação também. Se o fundo estiver precisando de caixa para cobrir débitos de operações, alavancagens, etc, os cotistas podem ser chamados a aportar mais recursos no fundo para suprir o caixa. Por isso não é recomendável investir em fundos de P/L baixo. Lembrando que os fundos não estão vinculados às instituições financeiras. O caixa de um fundo não compõe o caixa de um banco. São empresas diferentes, com CNPJs diferentes. Fundos podem ser transferidos para outra instituição financeira, em caso de falência do banco custodiante. Da mesma forma que um fundo pode ser fechado/liquidado/quebrado sem interferir nas operações/caixa do banco.

      O mesmo ocorre com ETFs. Porém neste caso, o investidor estará confiando na solvência da instituição financeira que vendeu este produto. Quando você compra BOVA11, por exemplo, está na verdade "colocando dinheiro no caixa da BlackRock" (administradora do ETF) e consequentemente confiando na capacidade de solvência desta instituição. Quando você compra PIBB11, por exemplo, está na verdade "colocando dinheiro no caixa do Itaú" (administrador do ETF) e consequentemente confiando na capacidade de solvência desta instituição. Você adquire um papel desta instituição que lhe garante o direito de converter o mesmo em dinheiro ao preço baseado no índice de referência. Portanto, se a instituição financeira falir, os seus títulos viram pó (não irão valer nada).

      Abcs, bons investimentos

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