quarta-feira, 30 de janeiro de 2013

Show de anedotas


Estava demorando, mas ela apareceu. A choradeira no câmbio está de volta. O ministro Mantega entrou em cena novamente, fazendo as mesmas ameaças ao “capital especulativo” e comentários econômicos/financeiros que só ele consegue entender.

“Não permitiremos uma valorização especulativa do real e isso veio para ficar. Aviso aos navegantes: isso veio para ficar. Não se entusiasmem porque isso (referindo-se ao movimento especulativo) não vai acontecer.” Mantega ainda completou dizendo: “O câmbio não irá derreter”.

O câmbio realmente não vai derreter, pois ele já derreteu. A cotação já caiu bastante no curto prazo. Saiu de uma máxima em R$ 2,14 no dia 2 de dezembro do ano passado, para R$ 1,98 no valor de fechamento desta quarta-feira. Independente se vai continuar caindo ou não, a estratégia de manter estável um câmbio naturalmente flutuante mostra-se totalmente ineficaz. Apesar de suavizar os impactos de curto prazo através das intervenções do Banco Central, o dólar manteve sua tendência de queda.

O único prejudicado nesta história são as empresas que operam no mercado externo. As declarações do governo no ano passado davam a entender que o dólar se manteria na faixa de R$ 2,10 (ou até mesmo a R$ 2,15, para os mais otimistas do setor industrial) por um bom tempo. As empresas que confiaram no governo e deixaram de formalizar contratos para venda de mercadorias futuras com o dólar mais elevado estão agora com um produto de menor receita. As empresas que aceitaram o custo maior de produção, arquitetando uma venda do produto no mercado externo com dólar mais elevado, estão agora com uma bucha na mão.

As empresas que confiaram naquela famosa declaração do ministro Mantega em novembro do ano passado: “Dólar acima de R$ 2,00 veio para ficar”, estão frustradas, mais uma vez. Pelo segundo dia consecutivo o dólar fechou cotado aos R$ 1,98. O ministro da Fazenda não conseguiu aprender, mesmo com tantas gafes cometidas nestes últimos anos, que não se consegue ter soberania sobre o mercado.

Mantega também salientou que a desvalorização recente do dólar não indica uma preocupação com a inflação. O ministro disse que o câmbio “não é instrumento de política monetária para baixar preços”. Mas na prática a queda no câmbio colabora sim para reduzir as pressões inflacionárias. Mantega ainda completou dizendo que “se o câmbio ficar estável, ele não gera inflação”.

Mas que beleza não? É de doer os ouvidos ou arrancar gargalhadas de qualquer simpatizante a entender economia. Porque não levantamos logo o câmbio para R$ 2,50 e deixamos o dólar estável neste patamar? Agradaria enormemente o setor industrial. Será mesmo que não vai gerar inflação? Faz o teste Mantega. Ou melhor, por favor, não faça o teste, pois precisamos ir ao supermercado quase toda semana e o carrinho está andando cada vez mais vazio.

Ainda no cenário interno o Banco Central confirmou as informações divulgadas ontem pelo Tesouro Nacional ("Nem com malabarismo dá certo"). O governo não conseguiu cumprir a meta cheia de superávit primário em 2012, mesmo com tantas manobras contábeis realizadas em dezembro do ano passado.

O reajuste de combustíveis da Petrobras divulgado ontem, antes do balanço da empresa, não conseguiu comprar (ou seria enganar?) os investidores que esperavam um reajuste maior para cobrir o rombo gigantesco nas importações de combustível pela empresa. O ministro Mantega comentou hoje o reajuste da Petrobras dizendo ser uma “pequena correção que não vai atrapalhar ninguém”.

Os analistas do Credit Suisse soltaram um relatório nesta quarta-feira recomendando cautela em relação as ações da Petrobras. “Eles não alteram nossa visão porque não resolvem a questão da disparidade, ou seja, a política de preço continua fora dos preços de mercado, e implica que as importações continuarão a ser deficitárias e prejudiciais aos resultados da empresa”.

O índice Bovespa fechou o pregão em forte baixa puxado pelas blue chips (onde os estrangeiros estavam mais posicionados), principalmente Petrobras e OGX. A queda do índice só foi parar na LTA formada a partir do fundo em 55.1k, ponto onde poderá aparecer força compradora. O problema é quem irá comprar se os estrangeiros estão vendendo? Investidor pessoa física está batendo em retirada da bolsa há mais de quatro anos, tal como o investidor institucional.

Bolsa do Brasil
  
Caso esta linha de tendência seja perdida o índice deverá testar a média móvel simples de 200 períodos diária na região dos 58.2k. O giro do pregão ficou bem acima da média e atingiu os R$ 9,2 bilhões.

Nos Estados Unidos o Departamento de Comércio informou que o PIB (Produto Interno Bruto) do país caiu a uma taxa anual de 0,1% no quarto trimestre do ano passado (abaixo do esperado). Em 2012, a economia americana cresceu 2,2%.

O índice Dow Jones reagiu aos dados negativos do PIB, além de sentir a pressão do nível elevado de sobrecompra no gráfico diário, e fechou o pregão em leve baixa nesta quarta-feira. O topo de curto prazo formado na região dos 14k poderá ser confirmado com a perda da LTA amanhã.

Bolsa em Nova York

10 comentários:

  1. Fi. Vejo todo este processo no ibov como uma acumulaçao de topo. Isso num horizonte maior. Depois do crash de 2008 o mercado tornou-se campo minado. Ivngomes.

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    1. Ivan,

      Sim, pois o mercado está bem mais técnico. Basicamente o que vemos no pregão é briga de cachorro grande em operações de curto prazo. Investidor pessoa física está em "extinção", batendo em retirada da bolsa há mais de 4 anos. O fluxo de institucionais e PFs está bem aquém do fluxo financeiro de 2007 e 2008.

      Abcs, bons trades

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  2. Tenho uma leve sensação que minha carteira não vai fechar no azul esse mês... rs

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    1. Investidor Zé Ninguém,

      Pode ser que os institucionais voltem a fazer aquele famoso movimento de puxadinha de final de mês. Estão sumidos da bolsa e com fluxo financeiro descendente nas últimas semanas.

      Abcs, bons investimentos

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  3. Hehehe nunca vi você elogiar tanto o Mantega que nem hoje

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    1. Investidor Humilde,

      Hehe, fazer o que. Ele consegue se superar a cada dia que passa. Impressionante rsrs...

      Abs, bons investimentos

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  4. Quando o presidente era o Lula, o Manteiga falava menos m****. Ou eu estou errado, FI?

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    1. Eike Rico,

      Sim, falava bem menos. Mesmo porque naquela época estávamos passando pelo boom de commodities, era um excelente momento para a economia brasileira (poderíamos ter aproveitado para agregar valor e desenvolver a cadeia industrial e logística) e permitiu esconder muita sujeira debaixo do tapete. Agora que a maré baixou a história é outra rsrs...

      Abcs, bons trades

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