segunda-feira, 18 de fevereiro de 2013

Japão se safou do G20


A tão aguardada reunião do G20 em Moscou, na Rússia, mais uma vez não resultou em nenhuma medida concreta ou avanço para superação mais rápida da crise financeira mundial. Apesar de não ser uma novidade, impressiona o fato de o Japão ter se safado das pesadas críticas que se esperavam dos demais ministros de Finanças das principais economias mundiais.

A política de afrouxamento monetário agressiva do Banco do Japão (banco central japonês) desvalorizou sensivelmente o iene nos últimos meses e provocou descontentamento entre diversos líderes mundiais, principalmente os europeus, os mais prejudicados (análise do dia 06/02/2013: “Euro perdido na batalha cambial”).

A desvalorização foi tão forte que George Soros conseguiu repetir aquele feito histórico quando lucrou cerca de 1 bilhão de dólares apostando contra o Banco da Inglaterra. Segundo fontes divulgadas na Bloomberg, Soros arrancou novamente 1 bilhão de dólares especulando em câmbio, desta vez apostando muito forte na queda do iene, numa posição montada no mês de novembro do ano passado.

Mas por que o Japão conseguiu se safar das críticas no G20? A reunião terminou apenas com um simples comprometimento verbal dos líderes mundiais em não promover a guerra cambial. Será que os outros líderes não criticaram, pois, indiretamente, estão fazendo o mesmo com as suas moedas? Mas os europeus que criticaram tanto nas últimas semanas se calaram em Moscou. O único pronunciamento referente ao mercado cambial foi o do presidente do BCE (Banco Central Europeu), Mario Draghi, um dia após a reunião:

Ele disse que “a taxa de câmbio não é uma meta de política, mas é importante para o crescimento e a estabilidade dos preços e completou dizendo que a taxa de câmbio deve refletir fundamentos”. Comunicado tão vago quanto à competência e agilidade dos líderes europeus.

Com isso o Japão volta pra casa com o sinal verde para continuar desvalorizando o iene como bem entender. Os chineses, que não são bobos, balançaram os ombros para os japoneses, pois já estão com a sua moeda desvalorizada há mais de três anos. Os americanos não ficaram para trás e deram um jeito de segurar a valorização do dólar com o efeito colateral dos relaxamentos quantitativos dos últimos anos (quantitative easing). Os ingleses idem. Os brasileiros, de forma atrapalhada, no famoso “jeitinho”, fizeram o mesmo com o real. E os europeus? Estes estão há mais de quatro anos perdidos na crise financeira mundial.

No mercado de capitais o índice Bovespa fechou o pregão em baixa novamente. O exercício de opções nesta segunda-feira praticamente não alterou no pífio desempenho do índice. O mercado de opções girou apenas 2,1 bilhões de reais. O volume no mercado à vista (excluindo o exercício de opções) fechou aos 4,09 bilhões de reais, bem abaixo da média diária devido ao feriado nos Estados Unidos.

Com a queda desta segunda-feira o índice Bovespa começa a perder contato com a média móvel simples de 200 períodos diária, respeitando a LTB mais rápida de curto prazo, mostrando total fraqueza do mercado nacional que sofre com a baixa liquidez de investidores nacionais (pessoas físicas e institucionais). Tendência de baixa no curto prazo sem sinalização de fundo ou repiques temporários.


11 comentários:

  1. Olá Fi, 2008 ficou marcado na vida de muita gente, não tenho dúvidas que grande parte destes pensam "se um dia a Bovespa chegar lá eu volto". Pode se esta uma explicação do sumiço dos invest. PF.

    Ivan

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    1. Ivan,

      A frustração é sem dúvida um dos motivos que espantaram os investidores pessoa física da bolsa. Os institucionais acabam caindo por tabela, pois dependem do fluxo (aporte) dos cotistas.

      Abcs, bons trades

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  2. Pois eh, ha 2 anos atras o Noda (entao primeiro ministro do Japao)havia pedido um acordo para nao deixarem o iene se valorizar demais.....
    O Japao viu o acordo ir para os ares e esse valor atual do iene nada mais eh do que antes da catastrofe... questao de sobrevivencia....

    Mas agora, vendo as noticias pelo exame, o Brasil vai passar o Japao em termos economicos ate 2050!!
    http://exame.abril.com.br/economia/noticias/brasil-pode-passar-japao-e-ser-4a-maior-economia-diz-pwc

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    1. Anônimo,

      Eu vi esta matéria. Sinceramente acho que foi uma jogada de marketing para a PwC se promover na mídia. Se o próprio governo, bem como os analistas do mercado financeiro, costumam errar as projeções mais fáceis de curto prazo (até um ano), imagine para projeções mais longas (até 2050), onde é impossível ter qualquer noção de como será o cenário econômico político e social num mundo que está sempre em mudança.

      Abcs, bons investimentos

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  3. HOJE FIQUEI CURIOSO PRA SABER QUAIS SÃO OS FERIADOS FIXOS DAS BOLSAS DOS EUA? VOCÊ SABE INFORMAR TODOS OS FERIADOS ATÉ O FIM DE 2013 NO DOW JONES?

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    1. Adubo da bolsa,

      Sim, neste link:

      http://www.nyx.com/holidays-and-hours/nyse


      Abcs, bons negócios

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  4. FI, boa noite,
    apesar dos fundamentos ruins da Petrobras, você não acha que vale a pena pagar o atual preço pela PETR4 visando um prazo de 3 anos?
    A segunda pergunta, se refere ao seguinte fundo da Quest, distribuído pela XP.

    http://www.xpi.com.br/produtos/fundos-de-investimento/fundo-detalhes.aspx?F=2402

    Me parece um bom fundo, com uma rentabilidade boa, porém com muitos "descontos" (taxa de performance, admin., IR). Outra coisa que fico com o pé atrás, é que o índice e os fundos Small Caps já subiram muito nos últimos anos. Talvez estejam momentaneamente no topo. O que achas?

    Obrigado e parabéns, acompanho o blog diariamente.

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    1. Hoffnung,

      Contando com o plano de investimentos da Petro, 3 anos pode ser um prazo curto para disputar com a probabilidade de rendimentos melhores em outros ativos semelhantes no mercado financeiro. Qualquer retorno para um ativo de risco, abaixo de 9% ao ano, é mau negócio (perde para uma LTN 2016/2017, por exemplo). Mas sem dúvida o papel não está caro. Está descontado devido aos fatores mais do que conhecidos por todos nós.

      Sim, é um fundo que se beneficiou com o bom desempenho dos papéis de menor liquidez que estão fora da carteira do índice Bovespa, como o setor de consumo, educação, etc. Evidentemente hoje estes ativos não estão baratos e como o fundo tem a política de investir 90% do patrimônio nestes ativos (baixa e média capitalização no mercado) eu preferiria ficar de fora deste fundo. Além disso o fundo tem um custo muito alto.

      Abcs, bons investimentos

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    2. Obrigado pela atenção FI, boas dicas.

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  5. FI,Esta turma fala , desfala, fala de novo. Assim confunde mesmo. É um amadorismo total(infelizmente).

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