quarta-feira, 13 de fevereiro de 2013

O mercado da eficiência


Os resultados operacionais continuam surpreendendo positivamente em boa parte das empresas listadas em bolsa dos países de economia desenvolvida. Não deixa de ser uma surpresa observar uma melhora significativa e contínua nos fundamentos destas empresas em meio a um cenário delicado de recuperação econômica e ajustes fiscais destes respectivos países.

Antigamente as empresas se dedicavam veementemente à expansão do processo produtivo, competiam em vários setores, se aventuravam em novas praças comerciais e muitas vezes fugiam do seu próprio nicho de mercado. Esta estratégia funcionava perfeitamente quando a demanda mundial por manufaturas excedia à oferta. Mas o estouro da crise financeira em 2008 provocou uma mudança no mercado corporativo, principalmente dos países desenvolvidos.

A razão entre oferta e demanda se inverteu com a restrição do crédito no mercado bancário. Rapidamente o excesso de demanda se transformou num excesso de oferta jogando as empresas, até então despreparadas, para um cenário brutal de competição no comércio exterior. A China logo reagiu dando o pontapé inicial da suposta guerra cambial, desvalorizando descaradamente sua moeda meses depois do estouro da bolha do subprime.

Como de costume, os pequenos são os primeiros a fecharem as portas e os grandes, percebendo a rápida deterioração do mercado corporativo, trataram logo de agir para evitar seguir pelo mesmo caminho. As empresas que hoje apresentam bons resultados operacionais aprenderam a lição de sobrevivência num mercado altamente competitivo: a busca pela expansão do processo produtivo deu lugar à eficiência operacional.

Não é por acaso que a taxa de desemprego permanece elevada em vários países desenvolvidos, mesmo após quatro anos de estouro da crise financeira. O mercado da eficiência é a mola que afia o facão da redução dos postos de trabalho. Anúncios de demissões em massa, redução de market share, corte nas linhas de produções de produtos com baixa margem de lucro.

Os gigantes que antigamente ofereciam o produto X, Y e Z ao mercado A, B e C, passaram a oferecer apenas o produto Y ao mercado B, aquele que apresenta, justamente, a maior margem de lucro. Consequentemente a redução do processo produtivo, bem como das despesas operacionais, não impactaram a lucratividade das empresas. Pelo contrário, a lucratividade aumentou, colaborando assim para melhora nos fundamentos destas empresas.

Anúncios de demissões em massa passaram a ser corriqueiros no mercado corporativo. 2013 mau começou e treze grandes players mundiais já anunciaram que irão realizar novos cortes agressivos no quadro de funcionários. Neste grupo estão empresas conhecidas como a Thyssenkrupp, Telefônica, Nokia, HP, Fiat, Honda, Ford, Renault, Barclays, Morgan Stanley, Santander, American Express e Anglo American.

O corte nos postos de trabalho é a mola que impulsiona as ações nas bolsas de valores dos países desenvolvidos. Por este motivo (além da injeção monetária dos bancos centrais no sistema financeiro) alguns índices conseguiram se aproximar de suas respectivas máximas históricas sem apresentar cenário de inchaço nos preços dos ativos. Não é à toa que Stuhlberger, gestor do maior fundo hedge brasileiro (Credit Suisse Hedging Griffo Verde) está com metade de suas posições em renda variável fora do país.

Evidentemente, neste exato momento, estes ativos não estão baratos nestes mercados, mas também não se pode dizer que os ativos estão inflados, como normalmente acontece nos períodos que antecedem os crashs nas bolsas de valores.

A quarta-feira no mercado de capitais foi bem monótona. Os índices oscilaram pouco e o volume financeiro ficou abaixo da média. Nos Estados Unidos o índice Dow Jones fechou o pregão em leve baixa, seguindo análise dos últimos pregões, ainda sentindo a pressão da linha psicológica dos 14k, colado na máxima histórica.
  
No Brasil o índice Bovespa segue tentando cravar fundo acima da média móvel simples de 200 períodos diária. Hoje o índice fechou com um novo candle de indecisão. Haverá definição da próxima pernada a partir do rompimento da LTB mais inclinada ou perda da média móvel simples de 200 períodos diária.


4 comentários:

  1. Bacana, bom post!
    A nossa bolsa segue descolada da bolsa do tio sam.
    Abraço.
    http://defendaseudinheiro.com.br

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  2. FI,
    Sobre o assunto de ontem INDU x SPX:
    o míni contrato de SP é o derivativo mais negociado do mundo... e na minha experiencia sempre foi o indicador mais acompanhado pelas pessoas experientes no mercado.
    Abs

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    1. Olá Anônimo,

      Neste ponto eu concordo com você, não faz sentido operar derivativos e acompanhar índice Dow Jones. Acontece que o mercado de derivativos é outro segmento, bem menos popular e muito mais restrito e como a dúvida levantada seria qual índice utilizar justifiquei que optei pelo Dow Jones, disparadamente o índice mais popular e acompanhado do mundo.

      Abcs, bons trades

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