quinta-feira, 7 de fevereiro de 2013

Quem vai mandar no câmbio?


O presidente do Banco Central está preocupado e com razão. A inflação apertou, mas o problema é que desta vez a doença se espalhou pela economia. O índice de difusão do IPCA (Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo) superou os 75%, registrando o seu pior comportamento desde 2003. Isto significa que não houve um vilão responsável pela alta no IPCA, o processo de elevação dos preços se espalhou por todos os segmentos da economia.

O IPCA subiu 0,86% no mês de janeiro, registrando a maior alta em quase oito anos. No acumulado dos últimos doze meses a inflação registrou alta de 6,15%, muito próximo do limite máximo da meta (6,5%) e cada vez mais distante do centro da meta (4,5%).

O cenário de inflação piorou não somente pelo número forte, acima das estimativas do próprio Banco Central, do mês de janeiro. A situação complicou porque o movimento de alta nos preços está mostrando forte dispersão na economia. Isso ocorre quando o aquecimento da demanda junta-se à perda de credibilidade na política monetária. A elevação dos preços passa a ser injustificada pelo aumento do custo embutido no produto e justificada pelo medo do amanhã, pela incerteza do futuro, pela notória incapacidade da gestão pública.

O Banco Central que já havia emitido sinais de mudança de postura no início de dezembro do ano passado, quando manteve inalterada a taxa básica de juros (provavelmente contra o gosto do governo), demonstra agora que não aceitará certas reinvindicações externas, por assim dizer. Não há como suportar de braços cruzados o preço pago pelas atitudes do passado. Isso já ficou evidente no mercado de câmbio.

No dia 30 de janeiro, relatamos no post “Show de anedotas” as reclamações rotineiras do ministro Mantega quanto à taxa de câmbio. O dólar caiu de uma máxima em R$ 2,14 no dia 2 de dezembro do ano passado, para R$ 1,98 no valor de fechamento daquele dia. O ministro entrou em cena dizendo que não iria permitir uma valorização especulativa do real. Há pouco mais de dois meses atrás, Mantega havia dito que o “dólar acima de R$ 2,00 veio para ficar”.

O Banco Central tomou as rédeas do câmbio e as reinvindicações de Mantega deixarão de ser atendias, aguardando na fila de espera. O ministro da Fazenda precisará se justificar com os empresários, pois aparentemente não manda mais no câmbio, caso contrário o dólar estaria a R$ 2,10 ou R$ 2,15. A valorização do real já aconteceu, sendo ela especulativa ou não, e o dólar acima de R$ 2,00 não veio pra ficar.

A justificativa é evidente, a autoridade monetária precisa utilizar as ferramentas disponíveis na tentativa de frear as pressões inflacionárias antes de chegar ao ponto de ingerir o remédio amargo da elevação na taxa básica de juros.

Acontece que a valorização do real possui efeito bastante limitado na queda dos preços. Por um lado a demanda continuará aquecida com a facilidade de acesso ao crédito e baixa taxa de desemprego. Por outro lado a máquina pública do governo federal continua girando a todo vapor despejando dinheiro no sistema, penalizando, inclusive, a meta do superávit primário.

No que se refere à inflação do setor de serviços, a valorização do real possui efeito zero na queda dos preços. Você não vai procurar alguém fora do país para consertar o seu computador, lavar as suas roupas ou pintar as paredes da sala. Portanto é de se esperar que o Banco Central continue adotando novas estratégias, tais como as medidas macroprudenciais, para frear as pressões inflacionárias de curto prazo.

No mercado de capitais os principais índices acionários fecharam em baixa nesta quinta-feira refletindo o retorno das tensões na Europa. O presidente do BCE (Banco Central Europeu) disse hoje que vai monitorar o impacto da alta do câmbio nas economias da zona do euro mesmo não possuindo uma política cambial que permita sua interferência no mercado.

O índice Dow Jones fechou em leve baixa respeitando o patamar psicológico dos 14k e região do topo histórico. O candle de hoje é um enforcado de topo, que reforça a possibilidade de inversão de tendência no curto prazo (de alta para baixa).

Bolsa de Nova York
  
No Brasil o índice Bovespa fechou em queda pelo quarto pregão consecutivo, mantendo a tendência de baixa iniciada nos 63.5k. A abertura do pregão foi positiva, mas ao se aproximar da LTB mais curta houve forte aparecimento de força vendedora devolvendo toda a alta da manhã e acionando novo pivot de baixa nos gráficos intradays. Não há sinalização de fundo ou inversão de tendência.

Bolsa do Brasil - São Paulo

14 comentários:

  1. Boa noite.

    Estava eu a sonhar que iria parar 58,2K

    Batistuta007

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    1. Batistuta007,

      Boa noite! Ainda precisa formar fundo para depois tentar trabalhar uma inversão de tendência. Vamos monitorando esta queda, por enquanto sem sinal de nada

      Abcs,

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  2. to torcendo para chegar nos 52k, quero sangue !!!

    meus day trades agradecem =P

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    1. Caio Meneghel,

      O que vier está bom rsrs.. Mas se chegar nos 52k não vai dar pra ficar parado sem comprar nada. Parabéns pelos trades!

      Abcs,

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  3. Caro Finanças,

    É algo surpreendente o Bacen estar preocupado com a inflação. Estamos com uma política salarial que concede aumentos reais ao salário minimo sem a contrapartida da produtividade.

    Num curto espaço de tempo de janeiro de 2012 a janeiro de 2013 o salario mínimo subiu 14% em janeiro de 2012 e 9% em janeiro de 2013. O que totaliza mais de 24% de aumento. E vem falar em alta de inflação?


    anonimo investidor

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    1. Anônimo Investidor,

      O Banco Central é o primeiro a pagar o pato dos vexames da nossa política econômica. Torço para que o Tombini consiga recuperar um pouco do prestígio perdido pela autoridade monetária. Esta mudança de postura foi o primeiro passo. A autonomia no câmbio está sendo o segundo passo. O terceiro passo deverá ser as políticas macroprudenciais, e por último elevação na taxa básica de juros, doa a quem doer.

      Abcs,

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  4. Mais um capítulo desta briga: http://br.reuters.com/article/topNews/idBRSPE91609I20130208

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    1. Edward Firmo,

      Esta mesma pessoa disse praticamente o oposto no final do ano passado. O que aconteceu com o “dólar acima de R$ 2,00 veio para ficar”? Agora ele já fala em R$ 1,85. Que piada! rsrs.. A verdade é que ele não manda mais no câmbio e a única coisa que restou é culpar a especulação pelos inúmeros erros cometidos nos últimos anos.

      Abcs, bons investimentos

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    2. 23/11/2012

      Dólar acima de R$ 2 veio para ficar, diz ministro Mantega

      O ministro da Fazenda, Guido Mantega, afirmou nesta sexta-feira (23) que o câmbio está em uma "condição razoável", mas não "satisfatória" para as necessidades da economia do país, e que "o dólar acima de R$ 2 veio para ficar."

      http://economia.uol.com.br/noticias/redacao/2012/11/23/dolar-acima-de-r-2-veio-para-ficar-diz-ministro-mantega.htm

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  5. Suas análises são claras e didáticas, parabéns! Só que acompanha a economia com olhar crítico e atento pode realizar postagens como esta.

    Em relação ao IBOV em específico, não vejo melhoras nos próximos dias, mas no médio prazo tenho bons pensamentos. No momento estou quase todo desposicionado, mas estudando minha lista de ativos dia a dia.

    Abraço!

    UÓ,
    http://blogdouo.blogspot.com.br/

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    1. Uorrem Bife,

      Obrigado! Também estou com pouca exposição em renda variável, mas com esta queda poderei voltar a comprar mais alguma coisa pra médio prazo, principalmente se cair abaixo dos 55k. Existem poucas oportunidades entre as small caps, mercado não está barato pra comprar. Alguma coisa dá pra procurar no setor industrial ou mesmo em uma ou outra blue chip (BBAS3, CSNA3).

      Abcs, bons investimentos

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  6. Olá Fi, este gráfico do ibov é da sua corretora?? É pago??
    Quanto ao Ibov nada muda, está se aproximando de sua Lta iniciada em 2002, no Ibrx50 fica mais clara, caso venha a perder esta temos as retrações fibo como suportes.
    Só vejo mudança de cenário um bom rompimento da Ltb que vem desde 2008 e por fim rompimento do topo histórico;
    Ivan

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    1. Olá Ivan,

      Este gráfico é da plataforma do XP Pró. A plataforma é gratuita para quem opera pelo menos uma vez por mês ou deixa saldo superior a R$ 100,00 em conta. Ibov está brigando até pra romper uma LTB fraca no intraday rsrs... imagina pra romper esta do TH.

      Abcs, bons trades

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