segunda-feira, 4 de fevereiro de 2013

Wall Street reage ao recado de Obama


Novembro de 2011, véspera da eleição presidencial nos Estados Unidos. Wall Street pagou caro para fazer uma aposta errada e desesperadora. Era tudo ou nada para as firmas de investimento. O ex-governador de Massachusetts, executivo da Mitt Romney Private Equity e ex-candidato (derrotado) à presidência dos Estados Unidos tinha uma função: ser eleito e defender Wall Street das garras do governo federal (ou impedir que a justiça seja feita?).

Os benefícios fiscais concedidos aos norte-americanos mais ricos, bem como as firmas de investimento em Wall Street, estão entre os grandes responsáveis pela baixa arrecadação do governo norte-americano nos últimos anos e consequentemente aumento do déficit nas contas públicas.

A derrota de Mitt Romney foi o principal fator responsável por derrubar os principais índices acionários na bolsa de valores de Nova York. O mercado estava tenso com a possibilidade dos Estados Unidos entrarem em abismo fiscal na virada do ano (o que não ocorreu), mas a vitória de Obama significaria fim da farra fiscal para as firmas de Wall Street.

O fator decisivo que permitiu a reeleição de Obama foi a promessa de aumentar os impostos para os norte-americanos mais ricos. O presidente conseguiu aprovar um pacote no início deste ano que elevou as tarifas para as pessoas que ganham mais de 400.000 dólares por ano e famílias que ganham mais de 450.000 dólares por ano.

Com os renovados temores sobre o limite de endividamento dos Estados Unidos no início deste ano, a questão dos benefícios fiscais às firmas de investimento foi ficando para o segundo plano agradando os gestores de Wall Street. Mas no último domingo, o presidente Obama fez questão de relembrá-los que está de olho em Wall Street.

Em entrevista à CBS, Obama disse que uma maior receita fiscal seria necessária para reduzir o déficit dos EUA, e sinalizou que vai entrar com tudo em Wall Street para acabar com a isenção de impostos para gestores de capital privado e fundos de hedge.

"Nós apenas queremos ter certeza de que todo o sistema é justo, que é transparente, e que estamos reduzindo o déficit de forma que não impeça o crescimento", completou Obama.

Obviamente a declaração do presidente dos Estados Unidos não agradou Wall Street e os índices acionários despencaram nesta segunda-feira. A mídia ficou perdida mais uma vez para justificar a queda no mercado buscando declarações em tom pessimista do FMI (Fundo Monetário Internacional) com relação à Espanha.

O escândalo de corrupção envolvendo o primeiro-ministro espanhol (que enfrenta pedidos de renúncia) também foi apontado como responsável por impactar os mercados nesta segunda-feira. Os yields dos títulos espanhóis e italianos avançaram nesta segunda-feira, reforçando o pessimismo desta segunda-feira.

O que realmente afetou os mercados foram as declarações de Obama neste último domingo, além do alto nível de sobrecompra dos índices acionários. Quando os preços estão elevados no curto prazo, “qualquer notícia” serve para justificar uma queda dos mercados em níveis insustentáveis, inclusive a retomada dos assuntos corriqueiros envolvendo a crise na Europa, esquecida nos últimos meses.

O índice Dow Jones fechou o pregão desta segunda-feira em forte queda cravando formação de topo na linha psicológica dos 14k, colado no topo histórico (em 14.2k). Pode-se dizer que o topo histórico do índice foi testado e respeitado e agora o mercado trabalha um movimento de correção.

Índice Dow Jones na bolsa de Nova York
  
No Brasil o índice Bovespa não conseguiu romper a resistência dos 60.4k, ponto de extrema importância para retomada da tendência de alta no curto prazo. Com a falta de compradores no pregão, as vendas apareceram. O índice retornou novamente, com extrema facilidade, para testar a LTA de curto prazo iniciada na região dos 55.1k. A perda desta LTA poderá culminar no rompimento dos 59.1k, acionando pivot de baixa no gráfico diário.

Índice Bovespa São Paulo

7 comentários:

  1. Boa noite FI

    Será que ainda mantemo a tendencia primaria,e estamos perante uma pequena correção.Ou então vai acontecer como no ano passado.Começar a vender em fevereiro e não para mais,Penso que a segunda hipotese nao vai acontecer,mas...

    paulo baptista

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    1. Paulo Baptista,

      Acho que sim, muito difícil enxergar os mercados entrando numa tendência de baixa de médio/longo prazo com artilharia pesada dos bancos centrais. Alguns índices subiram tanto que o espaço para correção sem comprometer a tendência de médio/longo prazo é confortavelmente relevante.

      Abcs, bons investimentos

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    2. Muito cuidado com essa "artilharia pesada dos BCs". O Fed por exemplo está gastando 40bi/mês para comprar títulos hipotecários podres, ou seja, chance zero desse $ ir parar nas bolsas. O simples fato deles estarem despejando papel na economia não é garantia eles irão parar na bolsa.

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    3. Olá Anônimo,

      Exatamente. Diferente do QE1 e QE2, por exemplo. Acho que a terceira rodada quantitativa foi direto na veia do problema. Por isso escrevi em outubro do ano passado este artigo:

      Na terceira tentativa pode funcionar
      http://www.financasinteligentes.com/2012/10/na-terceira-tentativa-pode-funcionar.html

      Mas mesmo assim ainda existe fluxo correndo no mercado de capitias. Quando o recurso atinge o sistema financeiro é muito fácil para este fluxo encontrar os ativos. A operação Twist, por exemplo, pode estar colaborando para tal. Por fim, quando digo artilharia pesada dos BCs, não estou me referindo exclusivamente ao FED, mas sim aos principais BCs do mercado. O BoJ por exemplo, está inclusive comprando ativos diretamente na bolsa de Tókio. Por isso o Nikkei subiu tanto (saiu de 8.5k no final do ano passado e hoje já está nos 11.2k).

      Abcs, bons negócios

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  2. Estava pensando em investir em acoes de infra estrutura mas pelo que vejo, nao ha investidores interessados no assunto e assim, o BB e a Caixa estao entrando na disputa.
    Qual a sua opiniao sobre isso FI?

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    1. http://economia.estadao.com.br/noticias/economia%20brasil,caixa-e-bb-entram-na-disputa-de-emprestimo-as-concessoes,142807,0.htm

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    2. É um excelente setor para investimento, com boas perspectivas e conta com um empurrãozinho do governo. Creio que o governo forçou a entrada do BB e Caixa neste setor para alavancar as linhas de financiamentos (valores elevados e crédito de longo prazo) para aumentar os investimentos no setor. Quem sabe o Bradesco e Itaú não entram também? Para nós, as opções são poucas na bolsa. Mas acho que o trabalho de garimpagem entre as ações deste setor pode compensar no médio/longo prazo.

      Abcs, bons investimentos

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