quinta-feira, 25 de abril de 2013

Banco Central em ritmo de campanha eleitoral


A persistência da inflação elevada continua, teoricamente, preocupando o Banco Central. Os preços mostram relutância em manter uma trajetória desejável de queda mesmo com todas as medidas de viés desinflacionário adotadas pelo governo nos últimos meses.

A estratégia adotada pelo governo em administrar índices de preços não está funcionando (pra variar). As desonerações, intervenções e prorrogações no aumento das tarifas apenas empurram o problema para frente. Além de não ser eficiente no combate à inflação, a estratégia sequer consegue impulsionar o fraco desempenho da economia brasileira.

Carlos Hamilton Araújo, diretor de Política Econômica do Banco Central, tem se mostrado muito mais incomodado com o cenário inflacionário do que o próprio presidente do Banco Central, Alexandre Tombini.

"Gostaria de registrar que cresce em mim a convicção de que o Copom poderá ser instado a refletir sobre a possibilidade de intensificar o uso do instrumento de política monetária, da taxa Selic", afirmou Carlos Hamilton no evento do banco Itaú.

As declarações do diretor do BC mostram que a taxa básica de juros poderá subir 0,50 p.p. na próxima reunião do Copom, intensificando o uso da Selic para combater a inflação, já que as medidas do governo não estão colaborando.

Por outro lado, precisamos considerar o fato destas declarações aparecerem exatamente no dia da divulgação da ata do Copom. O documento do BC mostrou claramente que a autoridade monetária visa combater a inflação de 2014. A preocupação com o aumento dos preços neste ano não está refletida na ata.

Portanto, a declaração de Carlos Hamilton está divergente com principal documento de comunicação do BC com o mercado. Esta pode ser uma tentativa de abafar a decepção do mercado financeiro com a infeliz atitude (além da leniência) da autoridade monetária com relação à inflação.

O Banco Central jogou a toalha para o IPCA de 2013 e conta com a sorte para não fechar este ano acima do limite máximo da meta (6,5%). A preocupação com os indicadores inflacionários de 2014 tem um motivo óbvio: ano de eleição. O Banco Central não mostrou a mesma preocupação nos anos anteriores, quando as projeções apontavam para inflação elevada em 2011, 2012 e 2013.

Ao que tudo indica, o governo federal vetou “oficialmente” qualquer possibilidade de aperto monetário em plena campanha eleitoral de 2014. A bandeira do governo Dilma é a redução dos juros, mesmo que a conta seja socializada (inflação). O seu primeiro mandato não pode terminar com a retomada da taxa Selic.

Visando impedir uma inflação futura elevada (mais precisamente durante a fase mais intensa da disputa eleitoral), o Banco Central vai preparar o terreno este ano para não precisar mexer nos juros em 2014 e suavizar o IPCA para a campanha eleitoral. Assim, a autoridade monetária cumprirá com a sua parte para manter os companheiros no poder.

No mercado de capitais o índice Bovespa fechou mais um pregão mostrando sinalização de topo na região dos 55.5k. Novamente houve tentativa de rompimento desta região, rechaçada pela força vendedora. Não há linhas de suportes relevantes para segurar uma suposta aceleração do movimento de queda.

bolsa


Nos Estados Unidos o índice Dow Jones fechou o pregão de lado após nova tentativa de retomada da LTA de curto prazo perdida na semana passada, caracterizando movimento de pullback, mantendo a análise do dia anterior.

Nova York bolsa

12 comentários:

  1. O governo nem precisa esquentar muito a cabeça com 2014, com a "oposição" que temos hoje é vitória garantida da Dilma e seus patetas...

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    1. É meu amigo, o PSDB parece que não sabe fazer oposição.

      Abcs, bons negócios

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  2. Olá FI. E a Vale hein. Superou a expectativa de lucro, saiu em disparada pela manhã, movimentou quase 0,5 bi em 3 h de pregão e daí pra frente foi devolvendo os ganhos. Você acha que tem a ver com não ter conseguido romper alguma região, como você analisou o mercado no geral? Abraços.

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    1. Tudo bom Zé Piu? Sim, o papel está muito esticado no intraday e soltou uma sinalização de topo (ontem) próximo da LTB iniciada no mês de janeiro deste ano. Está trabalhando uma correção natural dos preços, mas ainda não invalidou a tendência de alta de curtíssimo prazo.

      Abcs, bons trades

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  3. Pois é, FI
    Minha ordem na VALE5 nos 30 reais pegou há alguns dias atrás. Ontem pensei em me desfazer de uma parte, mas resolvi lançar VALEE33.
    Será que a veremos abaixo nos 30 de novo ainda neste ano? Pretendo aumentar posição aos poucos.
    Abraço
    Investidor Paciente

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    1. Boa! Eu realizaria lucro parcial neste momento e deixaria o restante para pagar pra ver. O papel ainda está em tendência de queda, mas como você entrou num ponto muito bom e temos uma sinalização de fundo na região dos 29,70, você poderia manter o restante da posição acreditando numa eventual inversão de tendência. Se não houver inversão de tendência o papel poderá entrar numa zona de congestão de curto prazo, ou mesmo perder a região dos 29,70 nas próximas semanas.

      Abcs, bons negócios

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  4. E resolveram bater no BBAS, hein? Pretendo entrar nele, mas a faca tá caindo. Até onde será que vai?
    IP

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    1. Pois é, acredito que muitos investidores fizeram caixa com BBAS3 para flipar no IPO do BB Seguridade. Como vai ter rateio, o flip pode dar um bom lucro. Depois da flipada acho que muitos voltarão com suas posições em BBAS3. Pelo gráfico o papel ainda não soltou fundo, está trabalhando uma correção de curto prazo que acredito ser temporária (curta).

      Abcs,

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  5. Meu amigo,
    Nada muda: PT, PSDB ou qualquer outro grande é tudo mais do mesmo.
    Usam a máquina para se manterem no poder.
    Não existe preocupação com o crescimento sustentável e controle da inflação. É tudo conversinha para inglês ver.
    Para colocar este país no eixo teremos que tomar medidas nada populares e assim passarmos por uma grande recessão. Corte gastos públicos, para de imprimir moeda e deixe o real valorizar e use cada centavo de nossas reservas internacionais para investir pesadamente em educação e infra-estrutura.
    Em 30 anos mudamos o país. Ah, também corte os salários de brasília pela metade e reduza para 25% o número de políticos e assessores.

    Abraço!

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    1. Bem observado Jônatas. A máquina pública está muito inchada. Além disso, o Tesouro parece que virou a mina de ouro do governo. Todos os dias o governo vai lá pegar uma moedinha, como se ninguém percebesse, mas esquece que isso tem um custo (juros principalmente) muito alto. O desrespeito às metas de superávit primário é um exemplo. Vai sobrar pra alguém fazer o serviço de vilão depois, ao que tudo indica somente em 2018 e olhe lá.

      Abcs, bons investimentos

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  6. "Assim, a autoridade monetária cumprirá com a sua parte para manter os companheiros no poder."

    Minha questão é, e a Dilma precisa disso para vencer uma eleição que já está decidida?

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