terça-feira, 2 de abril de 2013

O número da incompetência


O IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística) divulgou nesta terça-feira mais um dado decepcionante relacionado à economia brasileira. A produção industrial despencou 2,5% em fevereiro deste ano. Este é o pior resultado mensal desde dezembro de 2008 e praticamente anula a expansão de 2,6% registrada no mês de janeiro/2013.

As indústrias voltaram a pisar no freio e com razão. A inflação, que já estava alta, aumentou ainda mais no início deste ano, pressionando os custos de produção e consequentemente impactando negativamente na margem de lucro, bem como no ambiente de negócio já deteriorado.

Este é mais um número preocupante, pois já sabemos que a atividade manufatureira também cedeu no mês de março, conforme mostrou o Índice Gerente de Compras do Brasil divulgado ontem pelo Instituto Markit. O número do IBGE apenas confirma a dificuldade de recuperação da atividade econômica do país, mesmo partindo de um PIB extremamente fraco em 2012.

Isso mostra o tamanho da incompetência administrativa dos líderes políticos que estão envolvidos direta/indiretamente na condução da política econômica brasileira. Desde 2011 uma série de medidas foram adotadas pelo governo na intensão de alavancar a ridícula taxa de crescimento do país. São medidas de baixa eficácia, que ao invés de colaborar, estão, agora, prejudicando o crescimento econômico.

As condições de negócio que já eram péssimas pioraram ainda mais com a disparada da inflação. O grande responsável pela alta generalizada dos preços é o próprio governo que insiste em manter uma política fiscal extremamente frouxa e desajustada, além de criar inúmeras medidas de incentivo ao consumo num cenário de oferta limitada. Criou-se um ciclo vicioso, difícil de quebrar, onde até o custo da mão de obra básica do setor produtivo ficou caro demais.

Nem mesmo o “pronto-socorro” está aberto para curar deste caso específico de urgência. O presidente do Banco Central, Alexandre Tombini, reforçou hoje no Senado o discurso de que a autoridade monetária está acompanhando a evolução do cenário macroeconômico para avaliar a necessidade de adotar medidas. Enquanto o Banco Central permanece no seu dilema letárgico, a inflação segue a passos largos para superar os 6,5% no acumulado dos últimos 12 meses.

A queda da atividade industrial golpeou o índice Bovespa nesta terça-feira, completamente descolado do mercado externo. O candle de baixa relevante finalizou o repique de curtíssimo prazo indicando que devemos retestar a fraca região de suporte em 54.6k, aumentando as probabilidades de rompimento da mesma.

Bovespa


Além da baixa atratividade do mercado brasileiro, os investidores estrangeiros continuam fugindo do mercado de commodities. Um estudo realizado pelo JP Morgan destacou que o volume do mês de fevereiro nos contratos mais líquidos de commodities atingiram os níveis mais baixos desde que o banco começou a monitorá-los.


Em Wall Street o mercado é outro. O índice Dow Jones segue na tendência de alta de curto, médio e longo prazo, realizando novas máximas com certa facilidade.

Dow Jones

19 comentários:

  1. acho que o BC vai forçar a queda do cambio/dolar para (tentar)segurar a inflação...

    aumentar os juros demoraria muito para surtir efeito e é medida "anti popular"...

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    1. badejo,

      O problema é que se o dólar cair abaixo dos E$ 1,95 a Fiesp, e outras entidades da classe industrial, começarão a berrar na mídia, a repercussão para o governo não será nada boa. Seria muito mais eficaz combater a inflação fornecendo condições para melhora no ambiente de negócio e assim equilibrar a balança entre oferta x demanda, ou pelo menos administrar melhor as finanças públicas (reduzir o gasto desnecessário e aumentar investimento). Sim, o efeito de um provável aumento na taxa básica de juros seria sentido pela economia somente no final deste ano ou início do ano que vem.

      Abcs, bons negócios

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  2. Eu avisei!rs

    abs

    Henrique

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    1. Henrique,

      É acho que vamos curtir mais alguns meses este dilema do BC. Olha o ponto em que chegamos: a inflação pressionada agora é um dos grandes entraves ao crescimento. Que belo trabalho do governo rs..

      Abcs, bons investimentos

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  3. Esse país só me dá orgulho!

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  4. Infelizmente, a Bovespa desce de escada e sobe de elevador. Mas daqueles elevadores vagabundos improvisados com roldana na construção civil. A perda desse suporte é algo que já devia ter acontecido há muito tempo, e só não se efetivou no final do ano passado devido ao fluxo estrangeiro positivo devido ao otimismo mundial de final de ano. Já vi vários momentos o índice testar esse patamar com tudo para perder, após cair bem devagarinho durante semanas e na hora da decisão ser salva por algum artifício "deus ex machina" só para prorrogar essa tortura chinesa de perde não perde o suporte.

    Já o desempenho industrial para mim não foi surpresa. Dentro do governo já estava tendo um burburinho a respeito de Dilma pretender cortar impostos de alguns setores e fazer desonerações em outros mediante certas contrapartidas. Para o bom entendedor, sinal que números ruins (não necessariamente da produção industrial, mas em algum dos relatórios oficiais) já estavam prestes a serem divulgados. Porém, não duvido nada que venha mais coisa por aí. Infelizmente, estou torcendo para que alguma coisa force o IBOV para baixo, pois apesar do péssimo desempenho da bolsa nos últimos anos, analisando a perspectiva econômica brasileira, o nosso índice ainda está acima de um valor justo. Se considerarmos a atratividade do belo desempenho das empresas americanas então, acaba nem compensando investir aqui a não ser para tiros rápidos. E assim mesmo, só talvez.

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    1. Neomalthusiano,

      Eu não consigo entender como o governo insiste nestas medidas de baixa eficácia. Não está colaborando nem um pouco para impulsionar o crescimento, pelo contrário, está criando mais inflação para economia. Em 2011, quando o índice visitou os 48k, os fundamentos estavam melhores quando comparados com os números atuais. Este ano podemos nos aproximar dos 50k que a bolsa ainda não estará tão barata quando da última visita, mas certamente estarei tentando comprar mais alguma coisa rs..

      Abcs, bons trades

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    2. Fi, minha expectativa é a perda desta grande congestão de topo o que me faz pensar no Ibov por volta dos 42K;
      Ivan

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    3. Ivan,

      Se perder esta congestão o gráfico ficará bem feio, mas em compensação os fundamentos das empresas justificarão compras abaixo desta zona de congestão. Portanto, caso ocorra algum crash (contra a vontade dos bancos centrais), vai ser uma queda rápida seguida de uma alta forte. Vamos ver, se for lá vai ser uma senhora oportunidade de compra para todos nós.

      Abcs, bons trades

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  5. Parabéns a Dilma, ao PT por sucatearem a indústria nacional!!

    Abraço
    []´s

    http://defendaseudinheiro.com.br/video-besteiras-que-falam-sobre-o-buy-hold/

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    1. FI? O Vilmar te paga os royalties cada vez que divulga sua página?
      Abs.

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    2. rsrsrsrss... pois é, não vejo necessidade de divulgar o link abaixo do comentário.

      Abcs, bons investimentos

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  6. Cara a situação da indústria é deplorável mesmo, esse valor de fevereiro ninguém esperava foi uma porrada mesmo.

    O desespero deve começar a bater no governo se continuar assim.

    O problema é que o setor de serviços é que abriga a maioria dos pobres que votam nesse cu de PT e ele está com alto índice de empregos e salários crescentes então não tem muito.

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    1. Pobretao,

      Com exceção da indústria automobilística (um dos principais amigos do rei), o resto está em situação crítica mesmo. Lamentável. A inflação do setor de serviços está totalmente fora de controle, o problema é que este ciclo vicioso de elevação dos preços se espalhou por toda economia. O índice de difusão do IPCA continua alto, mostrando aumento generalizado em diversos setores.

      Abcs, bons investimentos

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  7. É só parar de imprimir dinheiro e emitir títulos públicos que a inflação acaba.

    Ops, mas aí tem que gastar menos que arrecada... Tem que acabar com os cabides de emprego, contratos de fachada, nomeações políticas... Tem que trabalhar direito, ser eficiente... ah, deixa pra lá. "Um pouquinho de inflação é bom para o crescimento" né...

    Austríaco em Fúria.

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    1. Austríaco em Fúria,

      Fico imaginando a reação de vocês ao escutarem os discursos do Mantega e cia ltda. Se eu, como um leigo, já fico impressionado, imagina os acadêmicos. Um insulto à economia.

      Abcs, bons negócios

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  8. A inflação sempre foi um mal para a economia, e a atual política econômica do Brasil (para não entrar no "mérito" da equipe dirigente do mesmo) não mostrou até o momento a devida preocupação com o nível atual, hoje temos uma mão de obra cara, um setor industrial com baixa produtividade, e as medidas que surgem como mitigação para o efeito da inflação pode diminuir o consumo, aumentar o desemprego e diminuir as exportações e investimentos extrangeiros no país. Isso somente fazendo uma análise superficial, pois quando paramos para pensar mais a fundo, o "problema" que está se formando é ainda maior.
    Sabe como vejo o fim disso? A grande massa que foi "beneficiada" pela politica de "pão e circo" e sustentou esse governo são os mesmos que vão sofrer quando a recessão chegar, pois aqueles que tem conhecimento, e podemos dizer até mesmo "dinheiro", não vão se abalar, apenas terão um momento de reformulação em suas estruturas.

    O que acha?

    Abs,

    MMM

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    1. MMMM,

      Acho que todos nós vamos sentir. Em maior intensidade sim, a população da classe D e E. A inflação, por exemplo, é um monstro que não tem como fugir. Se fosse um erro simples, atípico, de gestão, tudo bem. Mas é um erro seguido de outro, formando uma verdadeira bola de neve. Pior do que uma recessão é um cenário de inflação alta e crescimento baixo, indicando que estamos entrando para uma estagflação da economia. O nível de emprego é a última corda fraca a arrebentar para estourar uma estagflação grave no Brasil. Ou seja, se o desemprego começar a aumentar estamos perdidos pois desencadeará um efeito em cadeia pior do que a retração nos Estados Unidos, já que lá a taxa de investimento alivia o tranco. Não há remédio de curto prazo para curar uma estagflação, diferente de uma recessão ("basta" injetar liquidez e afrouxar a política monetária).

      Abcs, bons investimentos

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