quarta-feira, 17 de abril de 2013

Obediente, Copom eleva Selic a 7,50%


O Copom (Comitê de Política Monetária) acabou de anunciar oficialmente uma elevação de 0,25 p.p. na taxa básica de juros. O número não surpreendeu o mercado, já que a decisão parece ter sido tomada antes mesmo do início da “reunião de protocolo” do Banco Central (conforme destacamos na análise de ontem). Após a reunião o Copom emitiu o seguinte comunicado:

“O Comitê avalia que o nível elevado da inflação e a dispersão de aumentos de preços, entre outros fatores, contribuem para que a inflação mostre resistência e ensejam uma resposta política monetária. Por outro lado, o Copom pondera que incertezas internas e, principalmente, externas cercam o cenário prospectivo para a inflação e recomendam que a política monetária seja administrada com cautela.”

Somente agora “o Banco Central” resolveu tomar uma atitude quanto ao elevado nível de inflação, que por sua vez já foi maior nos meses/anos anteriores. O baixo desempenho da economia brasileira está impedindo uma atitude mais rigorosa do governo no combate à inflação, e por este motivo os juros subiram apenas 0,25 p.p.

A taxa Selic sobe para 7,50% representando uma resposta do governo às duras críticas e cobranças do mercado. A decisão de subir os juros em 0,25 p.p. é muito mais política do que prática. O efeito prático desta primeira alta dos juros é insignificante. A inflação permanecerá pressionada até o final deste ano, pelo menos.

Caso o Banco Central demonstre estar ingressando num ciclo de aperto monetário mais consistente, as pressões inflacionárias de 2014 serão reduzidas. O encarecimento do crédito (provocado pela alta dos juros) será um remédio amargo para economia brasileira, pois não aproveitamos este benefício quando as condições eram favoráveis (queda dos juros em 2011 e 2012, períodos marcados pelo baixo crescimento e inflação elevada).

As vendas voltaram aparecer no mercado de capitais. Os principais índices mundiais fecharam em baixa nesta quarta-feira refletindo o alerta do FMI (Fundo Monetário Internacional) quanto aos efeitos colaterais negativos provocados pelo juro baixo nos Estados Unidos.

Segundo o FMI, o afrouxamento monetário agressivo dos Estados Unidos permitiu aumento considerável das dívidas empresariais e provocou uma corrida dos fundos de pensão para os ativos de risco (em busca de um maior rendimento). O relatório informou ainda que governos precisam continuar com as reformas estruturais e bancárias a fim de se evitar o risco de cair numa crise financeira crônica.

Os balanços corporativos do dia também aumentaram o clima de pessimismo do mercado. O Bank of America registrou lucro líquido de 2,6 bilhões de dólares (0,20 dólares por ação) no primeiro trimestre desde ano, contra 653 milhões (0,03 dólares por ação) registrado no mesmo período do ano passado. O resultado não foi considerado bom, já que o desempenho veio abaixo da expectativa do mercado (esperava-se um lucro de 0,22 dólares por ação).

As ações da Apple também foram penalizadas com a queda nas vendas do iPhone nos últimos meses. Com isso o índice Dow Jones fechou o pregão em baixa, devolvendo todo o repique de ontem, colado novamente na linha central de bollinger e LTA de curto prazo. A perda deste importante patamar de sustentação poderá jogar o índice para os 14.4k.

Dji

No Brasil o índice Bovespa fechou mais um dia em forte queda, devolvendo todo o repique de ontem. A LTB de curto prazo (formada a partir do topo em 57k) foi testada e respeitada. O movimento de queda acionou pivot de baixa nos gráficos intradays, jogando o índice para testar a importante região de suporte em 52.5k.

Esta é a principal zona de suporte do Ibovespa, pois a perda desta região indicará que deveremos visitar novamente os 48k, mantendo a tendência de queda de curto/médio prazo.
  
Ibov


O vencimento de contratos futuros provou um giro de 22,9 bilhões (o maior desde junho de 2012). À primeira vista os estrangeiros, que atingiram nível recorde de contratos vendidos no índice futuro, rolaram suas posições para o próximo vencimento.

8 comentários:

  1. Mais um capítulo da nossa "política econômica" que só sabe mexer em número... trabalhar de verdade em ajudar os empreendedores, fortalecer o cenário para investimentos, parar com essa palhaçada de protecionismo que só encarece o consumidor final, investir em infraestrutura (de verdade), aí é difícil demais pro nosso atual governo que só sabe criar ministério e gastar o nosso dinheiro a toa...

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    1. É o mau do populismo. O governo está apenas administrando o índice (desonerações, prorrogação no aumento das tarifas de ônibus, segurar aumento da gasolina, intervenção no setor elétrico, etc) para manter a popularidade alta e conquistar a reeleição no que vem.

      Abcs, bons investimentos

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  2. "O encarecimento do crédito (provocado pela alta dos juros) será um remédio amargo para economia brasileira, pois não aproveitamos este benefício quando as condições eram favoráveis."

    Essa é uma triste verdade. Em vez de se ter incentivado os investimentos, o crédito barato foi para o consumo. A mesma coisa para o dólar, poderíamos ter renovado o parque industrial com a importação de bens de capitais com o dólar barato, mas só serviu para compras em Miami.

    Estou esperando o último indicador econômico ainda de pé ser perdido também, o índice de desemprego, pois PIB, inflação e balança corrente já foram. Se o desemprego começar a aumentar aí é caixão e vela preta.

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    1. Quando comecei a ler o seu terceiro parágrafo imaginei que iria comentar sobre o desemprego. Com os sinais de esgotamento no modelo de crescimento, redução do crédito, vendas de automóveis saturadas e desaceleração no setor de construção civil (um dos setores que mais contratam), pode-se esperar um leve aumento (sendo otimista) da taxa de desemprego até o final deste ano.

      Abcs, bons negócios

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  3. Ola. Ja esperava esta alta conta-gota que nada adianta. A inflacao veio pra ficar por um bom tempo ate os preços se estabilizarem novamente. Poderemos ficar um bom tempo estagnados!
    ivan

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    1. Infelizmente sim. O governo está gerenciando preço e não combatendo a inflação. Estes 0,25 p.p. não vão fazer a menor diferença, já que o Banco Central fez questão de destacar a palavra "cautela". Ou seja, se ficar por isso mesmo (uma ou duas altas de 0,25 p.p.) não vai fazer efeito algum no combate à inflação.

      Abcs,

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  4. Ze Piu,

    Pois é amigo. Assim não dá né? rsrs.. Valeu!

    Abcs,

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  5. Oi FI,

    Você chegou a saber, no site Alerta Total, sobre um suposto vazamento de informações sobre a elevação da Selic e seu uso por "certos grupos industriais"?
    Segue o link: http://www.alertatotal.net/2013/04/denuncia-de-investidor-pode-levar-mpf-e.html

    Parece que deu uma repercutida no mercado, mas não sei.

    Abs

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