sexta-feira, 12 de abril de 2013

Tombini soltou a palavra mágica


Um breve comunicado do presidente do Banco Central, Alexandre Tombini, durante a Reunião de Presidentes de Bancos Centrais da América do Sul, mexeu com o mercado de juros futuros na BM&F provocando uma disparada nas taxas de curto prazo.

Tombini declarou de forma bastante enfática que o Banco Central não vai tolerar uma inflação elevada. E para completar o presidente do BC ainda disse que “nós (membros do Copom - Comitê de Política Monetária) estamos nesse momento monitorando atentamente todos os indicadores e obviamente no futuro vamos tomar decisões sobre o melhor curso para a política monetária”.

“Atentamente” é a palavra mágica que indica probabilidade de elevação da taxa básica de juros na próxima reunião do Copom que acontecerá na semana que vem (dias 16 e 17). Esta é a primeira vez, desde o início do ciclo de afrouxamento monetário iniciado em 2011, que Tombini utiliza esta palavra para expressar suas preocupações com a inflação.

Monitorar atentamente todos os indicadores significa que o Copom está com o dedo no gatilho para subir os juros. Foi assim que, em outros momentos no passado recente, o Banco Central indicou ao mercado que iria entrar num ciclo de aperto monetário, utilizando esta mesma expressão em tom enfático.

As declarações do ministro Mantega, neste mesmo dia, reforçaram as expectativas dos analistas de que os juros irão subir já na próxima semana. O ministro disse que o BC poderá elevar a taxa Selic se considerar necessário, mostrando que o discurso do Ministério da Fazenda está alinhado com o Banco Central.

O cenário de inflação pressionada e altamente disseminada (índice de difusão do IPCA próximo de 70%, mostrando que a alta nos preços é generalizada e não específica em alguns setores) é extremamente prejudicial à recuperação da frágil economia brasileira.

O governo optou por arriscar, mas os indicadores de crescimento econômico estão mostrando os erros desta estratégia adotada no passado recente. O PIB de 2012 foi uma vergonha de 0,9%. IBC-Br (Índice de Atividade Econômica do Banco Central), considerado uma prévia do PIB, recuou 0,52% em fevereiro deste ano, na comparação com o mês anterior. Já as vendas no varejo brasileiro recuaram 0,4% no mesmo período.

A economia brasileira não consegue crescer (tal como os seus pares emergentes) mesmo com todos os programas de incentivo ao consumo, taxa de desemprego baixa, flexibilização do crédito e juros baixos. Sinal de que algo muito importante foi negligenciado no passado. Deixaram a jaula aberta do monstro chamado inflação.

No mercado de capitais o índice Bovespa encerrou o pregão desta sexta-feira em baixa de 0,79%. No meio da tarde o ministro Edison Lobão afirmou que o governo poderá abrir mão da cobrança da participação especial sobre a mineração no novo marco regulatório do setor. Esta notícia provocou uma provável pane nas operações de alta frequência (HFT) de um operador de peso na Vale, pois os papéis dispararam em poucos segundos.

Poucos minutos depois os preços caíram e se estabilizaram. O efeito da notícia, com a disparada do momento, permitiu que o mercado sustentasse boa parte da alta nos papéis da Vale.

O índice Bovespa fechou a semana com um candle de indecisão. Todo o ganho conquistado no início da semana foi devolvido após o índice chegar perto da LTB formada na região de topo dos 63.4k. Segue na tendência de baixa de curto prazo sem sinal de fundo.

Bovespa

Nos Estados Unidos o índice Dow Jones fechou a semana em forte alta, se aproximando do patamar psicológico de 15.000 pontos. Mercado em tendência de alta no curto, médio e longo prazo.

Dow Jones

O índice S&P500 também fechou a semana em forte alta, superando definitivamente o seu antigo topo histórico. Mercado norte-americano impulsionado pela alta liquidez do sistema financeiro, retorno dos investidores pessoas físicas aos ativos de risco (bolsa) e melhora nos fundamentos das empresas.
  
S&P500
  

Na Alemanha, o índice DAX fechou a semana em leve alta, interrompendo a tendência de baixa de curtíssimo prazo ao conseguir se manter acima da linha de suporte em 7.6k.

Alemanha

Na Índia a bolsa de Bombay segue fraca no curto prazo. Após se aproximar da região de topo histórico o índice entrou numa tendência de queda de curto prazo. O gráfico mostra que a força desta correção está aumentando, pois o índice não conseguiu se segurar na importante linha de suporte em 18.5k e LTA de 2009 (trabalhando um ponto duplo de apoio). A média móvel simples de 200 períodos semanal poderá ser testada nas próximas semanas.

Índia

Na China a bolsa de Xangai também fechou a semana em queda, mantendo a correção de curto prazo. A linha de suporte em 2.1k poderá ser testada nas próximas semanas, onde poderá oferecer um ponto de apoio ou formação de fundo ascendente.


Xangai

Desejo um ótimo final de semana a todos vocês!

19 comentários:

  1. Que negligências foram cometidas para que a inflação começasse a mostrar-se?

    O Idiota

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    1. Primeiramente na parte institucional ao reduzir autonomia do Banco Central. Hoje a presidente e o ministro da Fazenda comentam mais sobre a inflação do que o próprio Tombini. Segundo com relação à política econômica (conforme inúmeras falhas apontadas aqui mesmo no blog nestes últimos meses/anos) e baixa capacidade de gestão de alguns líderes políticos.

      Abcs, boa semana!

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  2. Quero assistir de camarote o resultado desta reunião do copom. Espero que não afete muito meus investimentos.

    Que medo desta disparidade entre as bolsas dos EUA e a nossa, o que ocorrerá com a nossa quando este ciclo dos americanos reverter?

    é impressão minha mas estamos seguindo a bolsa da china? rs

    Abraço
    Uó!
    http://blogdouo.blogspot.com.br/

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    1. Uorrem Bife,

      Na verdade é um ciclo mundial. Mercado de alta liquidez (respaldado pelas políticas dos principais banqueiros centrais mundiais) conciliado com um momento onde as taxas de juros nos países desenvolvidos estão próximas de zero, empurrando o capital/investidor em busca de maiores retornos (onde as bolsas/praças que apresentam bons fundamentos estão colhendo os frutos desta boa fase dos mercados - liquidez).

      Quando este ciclo terminar entraremos numa fase de aperto monetário (com o reajuste nas taxas básicas de juros) e desalavancagem do sistema financeiro (reduzir parte deste excesso de liquidez). Nestas condições os mercados de risco (bolsa) perderão uma importante mola propulsora para manter a elevação nos preços das ações. Pode-se esperar, portanto, uma correção média/grave nos preços dos ativos. Mas o mercado não é tão previsível assim, até lá (depois de 2015) tem muita água pra rolar e o cenário poder sofrer alterações.

      Abcs, boa semana!

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  3. A coisa vai ser feia. A inflação está prestes a se descontrolar. O povo agora consegue perceber que seu dinheiro não rende mais porra nenhuma. Tomate, feijão, arroz, itens básicos do brasileiro não param de subir.

    Governo fdp. Nada mais fode a população que inflação e esses caras idiotas "desenvolvimentistas" com essa babaquice de "crescer com inflação é mais importante" estão destruindo o país

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    1. Acho que o governo percebeu que o descontrole inflacionário é um risco grave e pode custar a reeleição da Dilma. Esta provável subida nos juros pode ser uma resposta aos agentes econômicos. O efeito será mais político do que prático. Vamos ver, esta semana promete.

      Abcs, boa semana!

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  4. Engraçado que pouca gente deu atenção... mas semana passada a Dilma chamou o Delfim, o Beluzo, Augustin (um incompetente do PT responsável pelas manobras contábeis do governo) e um japonês para uma reunião a portas fechadas.

    O Tombini, é claro, não foi convidado. Afinal de contas, independencia é o escambau. Assunto? qual decisão o Tombini ia tomar! Ou seja, o provavel é que os juros subam um pouco para dar uma calada na inflação, mas eu não vejo uma subida drástica dos juros.

    Ocorre que uma subida alta dos juros, atualmente, poderia "furar" a bolha, levando a problemas nos empréstimos do "povo", esse crédito maldito que o Lula botou desde 2003.

    Provavelmente, na minha opinião, o segundo governo da Dilma não vai subir os juros em graus maiores como no passado (12%, etc) simplesmente porque a "bolha" iria estourar. Abs, Miguel.

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  5. Continuando... (digo apenas como minha opiniao)

    A inflação deixou de ser o principal foco da economia. Ocorre que o governo está imobilizado e subir muito os juros iria retrair toda a economia, que já não cresce mais nada.

    O modelo faliu. Vejam como os bancos estão apoiados no crédito agora. O negócio já virou bolha, por mais que digam que "aqui é diferente".Se começarem a não pagar vocês vão ver o que vai acontecer com os bancos.

    Uma subida dos juros radicais faria a economia como um todo simplesmente parar de crescer, oficializando uma recessão após alguns trimestres de queda.

    Acredito que a Dilma não vá querer pagar esse pato, nem agora, nem no segundo mandato. O plano real, por ser criação do FHC, em termos políticos, seria abandonado por algo "novo" que só o PT sabe o que é.

    O estrago já foi feito, só falta estourar agora. O último a sair que apague a luz.

    Miguel.

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    1. Você utilizou duas palavras muito bem colocadas que resume muita coisa: "O modelo faliu".

      Veja o que resultou a estratégia da polícia econômica brasileira: um cenário de baixo crescimento e inflação elevada. Isso é grave, mostra que estamos caminhando para uma estagflação (o que na minha opinião é pior do que uma recessão). Para sair deste buraco o governo vai ter que subir (não há outra opção) os juros levemente para gerar impacto limitado no mercado de trabalho.

      O nível baixo de desemprego é uma linha sensível que segura este modelo de crescimento impulsionado pelo incentivo desenfreado ao consumo (endividamento). A inadimplência hoje é administrável, não incomoda justamente porque está sustentada pela taxa de desemprego. Então se o governo crucificar o mercado de trabalho, pode sim gerar um estouro de uma bolha no mercado de crédito.

      Tudo o que poderia ser feito para "ganhar tempo" já foi utilizado. Segurar o aumento da gasolina, prorrogar o reajusta das tarifas de ônibus, forte intervenção no setor elétrico (para provocar uma queda na conta de luz) e desonerações na folha de pagamento (causa impacto apenas no curto prazo). Isso é um reflexo da intervenção do Estados sobre a economia (o famoso bull market político). O governo estava tentando administrar o IPCA ao invés de combater a inflação, via intervenção. O resultado não poderia ser diferente, a credibilidade caiu, a desconfiança aumentou, assustou os empresários e os investimentos minguaram.

      Abcs, bom início de semana

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    2. Mais tarde eu volto para responder o restante dos excelentes comentários.

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  6. Governo tem que subir os juros para segurar a inflação e garantir 2014.
    Um cenário de estagflação pode por em risco 2014, reeleição do pt dilma, principalmente se e quando começar gerar desemprego.... os exportadores perdem um pouco agora, mas para manter a roda girando e ganhar lá na frente. Para quem é oposição ao governo, quanto pior melhor, ou seja, nada de subir juros e deixar a estagflação chegar, faltar emprego, enfim, um caos, assim, tenderia a perderem 2014, e viria a tão sonhada reciclagem do lulo dilmo pmdb petismo
    http://defendaseudinheiro.com.br/razoes-para-o-pibinho-brasileiro/
    Att;)
    http://defendaseudinheiro.com.br/a-estagflacao-chegou-ou-esta-chegando-ao-brasil/

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    1. Sim, acredito que este seja o único cenário que poderá roubar a reeleição da Dilma, a estagflação. Acho que é por isso que o Tombini soltou a palavra mágica e o Mantega mudou o discurso (em linha com o BC), o governo vai subir os juros para tentar frear este avanço da inflação preparando o terreno para 2014.

      Abcs, bom início de semana

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    2. Olá, o PT já sabe a receita literalmente comprando votos através dos menos esclarecidos, diga-se de passagem a maioria!! Tem quem derrube?? Muito difícil pra não dizer impossível!!
      Ivan

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    3. Somente a elevação da taxa de desemprego ou perda sensível do poder de compra para fazer o povo mudar de opinião nas urnas. Por isso acho que o governo vai subir levemente os juros (não deve passar de 1 ou 1,5 ponto percentual total) para administrar o cenário: não permitindo elevação mais forte da taxa de desemprego e segurar a inflação perto dos 5,5%.

      Abcs, boa semana!

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  7. Oi, FI.

    Tudo bom?

    Tracei uma reta (LTA) no gráfico semanal do IBOV com os fechamentos de 03/10/2011, 28/05/2012 e 12/11/2012. O interessante é que esta reta parece ser resistência para a semana de 25/03/2003. Isto faz sentido ou só é coincidência?

    Abraços,
    Sir Income

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    1. Tudo bom Sir Income e com você?

      Sim, faz sentido. Normalmente, quando linhas de tendências são perdidas, há um movimento de pullback (reteste - repique - para depois retornar à tendência principal). Foi o que aconteceu. Esta LTA foi perdida e houve um movimento de pullback. Linhas de tendências de alta ou suportes, quando são perdidas(os), passam a ser resistências.

      Abcs, bom início de semana!

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