sexta-feira, 3 de maio de 2013

A complexidade da inflação


O FED (Federal Reserve - banco central dos Estados Unidos), parece não estar nem um pouco satisfeito com o desenrolar da política econômica norte-americana. Ben Bernanke, presidente do FED, tem insistido com Republicanos e Democratas para concordarem com um plano de redução do déficit no longo prazo sem promover cortes agressivos no curto prazo, já que a economia permanece fraca.

Insatisfeito com o impasse político, além dos recentes cortes automáticos orçamentários, a autoridade monetária dos Estados Unidos cogita aumentar o seu programa mensal de 85 bilhões de dólares em compras de títulos, fazendo o possível para impulsionar a economia enquanto o Estado pisa no freio do outro lado.

Este aumento do poder de fogo está vinculado ao mercado de trabalho (que permanece desaquecido mesmo com os dados recentes de desemprego), à inflação (atualmente em 1%, bem abaixo da meta de 2%) e, por fim, ao desaquecimento da recuperação econômica (este último influenciado pelos cortes automáticos dos gastos do governo).

Mesmo com as políticas de afrouxamentos monetários agressivas dos principais banqueiros centrais mundiais, a inflação segue abaixo da meta na maioria das economias de países desenvolvidos. Este é um sinal recente, e até certo ponto surpreendente, de que o processo de retomada da economia global permanece mais fraco do que se imaginava.

Em tese, quando os bancos centrais injetam recursos no sistema financeiro, as economias mostram sinais de reação, gerando inflação. Mas não é o que está acontecendo nos países do Norte. A reação econômica está lenta ao ponto de não gerar inflação, mesmo com políticas de afrouxamentos monetários extremamente agressivas.

A possibilidade do FED apertar ainda mais o power da impressora revela a delicada situação da economia global. Mas, paradoxalmente, agrada, principalmente, o mercado de capitais. Os principais índices da bolsa de Nova York voltaram a subir forte nesta quinta e sexta-feira após o comunicado do FED.

Isso porque todos nós sabemos que uma parte considerável do dinheiro injetado no sistema financeiro cai diretamente na garganta de Wall Street. E agora, com este novo indicativo do FED, esta onda de liquidez poderá se prolongar, e até mesmo aumentar, nos próximos meses. A placa de “pare” está a perder de vista.

O índice Dow Jones conseguiu acionar mais um pivot de alta no gráfico semanal, ignorando os indicadores sobrecomprados, mostrando a força de um bull market patrocinado pelo Banco Central. O movimento de alta é também devidamente respaldado pela melhora nos fundamentos das empresas listadas em bolsa, mas os investidores norte-americanos não sabem o que é uma correção de duas semanas desde novembro do ano passado. Algo bastante incomum no mercado de capitais.



Por outro lado, a permanência da inflação acima da meta, extremamente pressionada, no Brasil, coloca o Banco Central numa situação delicada para os próximos anos. O JP Morgan projeta uma inflação mundial de 2,3% em 2013. As nossas projeções de inflação para este ano estão batendo a casa dos 6,0%. É quase o triplo da média mundial.

Estamos na direção contrária do movimento de inflação global e, quando a mesma mostrar sinais de reação, seremos seriamente afetados. Somos uma economia emergente (naturalmente gera maior inflação), que cresce de forma desregulada e de baixas condições de manobra (provocar aumento sustentado da oferta, a fim de contrabalancear a força da demanda).

Este cenário provocaria o Banco Central tomar uma postura mais firme no combate à inflação, onde não está descartado o retorno da taxa Selic para a casa dos dois dígitos nos próximos três ou quatro anos. Por este motivo é extremamente recomendável ao investidor evitar a compra de títulos do tesouro de longo prazo, conforme destacamos na análise de panorama do mês passado para os mercados de renda fixa neste link.

Na renda variável o índice Bovespa mostrou uma boa reação nesta semana, apesar da sinalização de venda ocorrida nesta sexta-feira pelo candle do gráfico diário. A tendência de alta de curto prazo, iniciada na região dos 52.5k, segue inalterada. Haverá uma sinalização de reversão de curto prazo apenas com a perda da LTA e região dos 54.1k.


Na Índia a bolsa de Bombay fechou em forte alta pela terceira semana consecutiva, caminhando para testar a máxima deste ano, que por sinal é a última resistência abaixo do topo histórico.


Na China a bolsa de Xangai fechou a semana em baixa, mas ainda conseguindo se manter acima da importante região de suporte em 2.1k.
  


O principal índice da bolsa de Frankfurt, na Alemanha, também fechou a semana em alta, mantendo a sequência do movimento de recuperação iniciado na semana anterior. Índice bem armado para testar a região do topo histórico no curto prazo.


Desejo a todos vocês um ótimo final de semana!

17 comentários:

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    1. Que nada rsrs... Valeu meu caro!

      Abcs, bom final de semana!

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  2. da para sobrepor o gráfico da Bovespa com o da china?

    agradeço ., pois não tenho habilidade para tal ., pode ser qualquer leitor .

    thanques

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    1. Boa tarde,

      Sim. Hospedei a imagem, basta utilizar este link para visualizar: http://tinypic.com/r/be60ht/5

      Abcs, bom sábado

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    2. Agradeço.,bons negócios pra semana

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  3. Registrando que hoje o Dow lambeu os 15.000 pontos e o SP500 fechou acima de 1600 pela primeira vez. Ambos topos históricos.
    Esse otimismo por conta da taxa de desemprego que caiu para 7,5%, a menor em quatro anos.

    Enquanto aqui, bolsa na lona, inflação, pibinho, real valorizado e agora a balança comercial arregando. Só a taxa de desemprego ainda segura o otimismo. Mas até quando?

    abraço,
    PB

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    1. Correto. A taxa de desemprego caiu para 7,5%. O governo, como sempre, utilizou o indicador pra fazer marketing, criando uma avaliação positiva da gestão. Mas esta avaliação (mais política e menos técnica) acaba omitindo algumas informações, como a desistência de procurar emprego (estes não entram na estatística). A avaliação do FED, bem mais técnica, é bem diferente do "tom de vitória" utilizado pelo governo para anunciar a queda na taxa de desemprego. O Banco Central demonstra uma preocupação bem maior e com razão. Somente a renda das famílias mais ricas nos Estados Unidos permaneceu inalterada (ou não caiu) desde o estouro da crise em 2008. A própria inflação abaixo da meta, juntamente com a limitação na retomada do crescimento, demonstra que a situação macro não é tão boa assim.

      Para o governo federal, emprego = popularidade. Mesmo com a política de aperto monetário do Banco Central, acho que o governo vai fazer de tudo na outra ponta para segurar do jeito que der o aumento da taxa de desemprego nos próximos meses e assim garantir uma reeleição tranquila. Acho que a partir de 2015 vamos ter que começar a lavar um pouco da roupa suja acumulada.

      Abcs, bom sábado

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  4. FI boa noite !! essa recente baixa dos FII´s em geral tem a ver com a alta da Selic ?

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    1. Sim, pois a mídia e algumas corretoras (infelizmente) fizeram um grande desfavor ao investidor menos experiente, ou iniciante, em comparar fundos de investimentos imobiliários com produtos conservadores de renda fixa. Um verdadeiro absurdo. Por consequência, muitos investidores migraram seus recursos para os FIIs no ano passado, como alternativa de investimento aos fundos DI, CDB, etc (que estavam em desvantagem com a queda da taxa Selic). A entrada de muitos investidores nesta modalidade bem mais técnica e complicada do que a própria escolha de ações na bolsa, provocou uma enxurrada de "capital sensível ao risco" nos fundos imobiliários. Portanto, qualquer notícia de interrupção no pagamento de dividendos, queda no yield, perda de atratividade para a renda fixa (com a retomada dos juros), queda no valor da cota, problemas de locação, insatisfação com o administrador do fundo, entre outros, assusta o investidor que não estava preparado para este tipo de mercado e/ou não estudou/avaliou o prospecto do fundo antes de investir, provocando a liquidação de sua posição à mercado.

      A vantagem, para nós, é que algumas destas quedas podem abrir oportunidades de compras.

      Abcs, bom final de semana!

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  5. A inflação aqui no Brasil é um verdadeiro estigma. Fico impressionado com isso.

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    1. É complicado, o nosso histórico já não é bom e o governo não ajuda nem um pouco.

      Abcs, bom sábado!

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  6. Ola. Uma inflacao de 6 porcento ao ano como anuncia o governo deveriamos ver precos praticamebte estaveis. Nao eh o que vejo em minhas compras semanais. Minha conclusao eh que estamos presenciando uma maquiagem descarada e cade os movimentos sociais?? Ja notaram a imundaçao de propaganda do governo e estatais nas grandes tvs? Ate quando a naçao vai ficar neste faz de contas? Fi se na matriz realmente confirmar rompimentos dos Th provavelmente havera uma fuga em massa dos emergentes. Como a liquidez eh menor as quedas vao ser doloridas. Vamos ver. Bom final de semana! Ivan

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    1. A inflação é mto maior que 6%. Tá tudo absurdamente caro, você vai no supermercado e compra uns 5 itens e já paga 35 reais, compra 10 itens já paga 60.

      Está impossível de conviver com essa inflação. Mas ivan, aguarde só quando a classe D e E começarem a realmente sentir que suas compras minguaram que aí vamos ver raiva.

      A única coisa que segura o governo no momento é a taxa de emprego. O povo pobre se sente seguro nos seus empregos privados ainda e brasileiro gosta disso. A inflação vai dar raiva na classe E,D e C mas a B e A já estão acostumadas (nossos pais que são os retardados que sustentam ainda parte da economia).

      Se a taxa de emprego der uma pequena rateada aí sim a ditadura do PT e suas políticas ridículas tiradas de livrinhos toscos de desenvolvimentismo e da CEPAL vão pro buraco.

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    2. Não se sustenta por muito tempo uma situação remendada e sustentada em populismo. Gosto muito da frase do A. Lincoln: "Você pode enganar uma pessoa por muito tempo; algumas por algum tempo; mas não consegue enganar todas por todo o tempo."
      É uma pena que ainda estejamos engatinhando, mas eu ainda acho que tudo isso é um processo de amadurecimento. É muito dolorido sem dúvida, mas estamos sempre colhendo os frutos e para mim as décadas de 60 e 70 foram a nossa estagnação política e quando surgiu uma luz no túnel, pegamos uma estrada errada. O desvio é longo mas voltaremos à estrada principal. Perdemos muito tempo, da mesma forma que outros países. E pensar que ainda existem Venezuelas, muitos países da Africa, C. do Norte etc.

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    3. O governo mexeu tanto na composição do IPCA, que esses 6% acabam não refletindo o que é a realidade da inflação no Brasil. Pelo menos é o que eu acho, a minha inflação pessoal ultrapassa o IPCA do governo. Anotem no papel o que vocês costumam gastar durante este mês, por exemplo, e daqui há um ano voltem a anotar estes mesmos gastos e façam a comparação de preços. Não se espantem com os números. A grande mágica para impedir uma agitação maior do povo quanto ao aumento da inflação é vincular o aumento do salário mínimo com a inflação mais crescimento. O povo leva em consideração apenas o ganho nominal e esquece do ganho real.

      Nem mesmo a desoneração da cesta básica, anunciada em rede nacional pela presidente Dilma, provocou queda nos preços dos alimentos. Pelo contrário, os preços subiram ainda mais. Isso passou desapercebido pela mídia popular (porque será?) e o governo sequer voltou a tocar neste assunto.

      Abcs a todos e bom final de semana!

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    4. Porque o PT domina toda a mídia, a globo tem medo, a band é vermelha, a record vermelha, sbt não tem jornalismo, rede tv é lixo, e as revistas época, exame, istoé tudo cagona e vermelhas.

      A Veja é a única que grita mas só apanha da nossa "juventude" petralha e dos intelectualóides de classe média.

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    5. Pobreta, a sua análise está errada quanto ao PT.

      O povo se engana em relação a esse partido. Pensam que o síbolo deles é a foice e o martelo. Mas na verdade deveria ser a suástica.

      Estudem sobre o Partido dos Trabalhadores Alemães, que se tornou o Partido Naciona Socialista dos Trabalhadores Alemães e verão muitas similaridades.

      A grande diferença é que o nosso PT não segue os ensinamentos da Madame Blavatsky.

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