quinta-feira, 16 de maio de 2013

A razão da preocupação do Banco Central


O discurso do presidente do Banco Central, Alexandre Tombini, durante o Seminário Anual de Metas para Inflação realizado hoje, mostrou uma insatisfação ainda maior da autoridade monetária com relação à inflação.

Tombini disse que “o Banco Central está vigilante e fará o que for necessário, com a devida tempestividade, para colocar a inflação em declínio no segundo semestre e assegurar que essa tendência persista no próximo ano”.

Carlos Hamilton Araújo, diretor de Política Econômica do Banco Central, compartilha as mesmas preocupações. No mês passado, no dia da divulgação da ata do Copom ao mercado, Hamilton fez a seguinte declaração: “gostaria de registrar que cresce em mim a convicção de que o Copom poderá ser instado a refletir sobre a possibilidade de intensificar o uso do instrumento de política monetária, da taxa Selic”.

A declaração do diretor de Política Econômica do BC foi estratégia, pois esta preocupação verbal dos diretores não estava registrada na ata do mês passado. O documento mostrou claramente que a autoridade monetária visa combater a inflação de 2014. A preocupação com o aumento dos preços neste ano não estava refletida na ata.

Mas com a demonstração recente de que os preços não estão cedendo mesmo com todas as medidas de viés desinflacionario adotadas pelo governo nos últimos meses (desonerações, intervenções e prorrogações no aumento das tarifas), os diretores do Banco Central mudaram o tom da conversa expressando uma insatisfação ainda maior para, possivelmente, justificar uma mudança de postura na próxima reunião do Copom.

Isto significa que Copom deverá dobrar a mão no aperto monetário. Ao invés de manter o ritmo de aperto em 0,25 p.p., a elevação da taxa Selic será, possivelmente, de 0,50 p.p, jogando a taxa básica de juros para os 8,00% ainda este mês (reunião do Copom será nos dias 28 e 29 de maio).

Entretanto, a preocupação maior do Banco Central, tantas vezes leniente com a inflação no passado, causa um certo mal estar no mercado financeiro. Se o Banco Central está mais preocupado agora é porque as projeções não são nada animadoras ou se esgotaram as opções de manobra (reflexo da estratégia equivocada da política econômica do governo federal).

A taxa de desemprego baixa é a variável mais importante do momento, mas o governo terá de sacrificá-la em doses homeopáticas. O mercado de trabalho extremamente aquecido funciona como um motor propulsor de inflação (generalizada) e contribuiu sensivelmente para o aumento do custo de produção.

Porém, é o mercado de trabalho aquecido que permite o sistema financeiro liberar mais crédito à população, incentivando o crescimento sustentado pelo consumo. Com o aumento da taxa de desemprego, via juros, os bancos tendem a emprestar menos dinheiro e consequentemente, a inadimplência (esta muito perigosa) aumentará.

Estes ajustes costumam funcionar quando a economia está em processo de franca expansão, o que não é o nosso caso. Estamos revertendo o vexame do ano passado, mas o PIB ainda está fraco e abaixo do potencial. O Banco Central poderia optar por não subir os juros, aguardando o melhor momento para tal. Mas os erros grotescos do passado foram se acumulando de tal forma que o próprio governo se meteu em xeque.

Já tínhamos dificuldades de crescer devido aos inúmeros problemas estruturais deixados de lado e agora ganhamos uma nova barreira ao crescimento chamada inflação, curiosamente criada pelo próprio governo. Se não reduzirmos a inflação e desaquecermos o mercado de trabalho (subindo os juros), algumas empresas perderão competitividade e fecharão as portas, provocando aumento do desemprego e redução do crescimento. Um verdadeiro convite a estagflação econômica.

Para não cairmos da corda bamba o Banco Central precisará atuar como equilibrista. Por este motivo a palavra cautela está impressa nos últimos documentos do Copom, pois não há margem para erro. O momento é delicado e os ajustes precisam ser feitos com extrema maestria. Nem muito fraco, nem muito forte.

No mercado de capitais o índice Bovespa fechou o pregão em leve baixa, ainda travado dentro da zona de congestão entre os 54.4k e 55.2k. Houve novamente uma tentativa de rompimento dos 55.2k, rechaçada pela força vendedora cerca de 300 pontos mais acima, caracterizando bull trap em posições compradas de curtíssimo prazo. Mantêm a mesma análise de ontem para o próximo pregão.

Bolsa

Nos Estado Unidos o índice Dow Jones fechou o pregão em leve baixa, embora ainda não significativa para confirmar topo de curtíssimo prazo na região dos 15.3k. Teremos esta confirmação amanhã, caso o índice feche com um novo candle de baixa.

Wall Street

6 comentários:

  1. Veremos agora em quem o governo vai colocar a culpa na hora do discurso. Será a crise econômica? Será o empresariado brasileiro? Pra onde Dilma e Mantega vão apontar o dedo agora?

    ResponderExcluir
    Respostas
    1. É complicado meu amigo. Com certeza vai sobrar pra alguém. Creio que agora a culpa vai ser da nuvem de gases que formam os anéis de saturno rsrs..

      Abcs, bons investimentos

      Excluir
  2. Não acho que o BC disse nada de mais. O papel dele é justamente olhar com atenção as variáveis. Com relação a inflação também não tem nada de mais. Basta olhar o histórico e ver isso. Todo ano o tomate sobe e todo ano ele desce. Por isso que nos EUA esse tipo de item nem entra na conta da inflação. Ainda somos atrasados. E para aqueles que dizem que o problema é o emprego em alta sugiro começar com a demissão deles mesmos! Afinal quem ganha mais não tá nem ai para o preço das coisas. Compra com qualquer preço! Já o que ganha menos faz valer o seu salário e pesquisa.

    ResponderExcluir
    Respostas
    1. Mas essas variáveis são as mesmas que existiram em 2010, 2011 e 2012, vide IPCA de 2010 (5,90%), 2011 (6,50%) e 2012 (5,83%). Porém, somente agora o BC mostrou preocupação maior (esgotaram as opções de manobra do governo), já que o índice de dispersão aumentou muito. Não é apenas o tomate. A alta dos preços é generalizada, inclusive fora do setor alimentício também. Observe que a inflação mundial projetada para 2013 é de 2,3%. A inflação brasileira projetada para este ano é quase o tripo da média mundial.

      Abcs,

      Excluir
    2. Liga não FI, petistas são assim mesmo

      Excluir
    3. Pois é vai entender esse pessoal rsrs...

      Abcs,

      Excluir