terça-feira, 21 de maio de 2013

Além dos Treasuries


O maior credor externo dos Estados Unidos quer diversificar sua carteira extremamente concentrada em Treasuries (títulos públicos do tesouro norte-americano).

A Administração Estatal de Câmbio, entidade que supervisiona e gerencia as posições de câmbio da China, estabeleceu uma operação nos Estados Unidos com o objetivo de investir em private equity (empresas, geralmente pequenas, não listadas em bolsa, que necessitam de alavancagem para desenvolvimento do negócio), imóveis e outras classes de ativos alternativas.

A carteira de câmbio da China é altamente concentrada em Treasuries de baixo risco. Cerca de dois terços de sua carteira de 3,4 trilhões de dólares está posicionada em títulos do tesouro norte-americano.

A política agressiva de incentivo às exportações provocou aumento substancial da carteira de câmbio da China. O governo comprava dólares (e ainda compra, embora em menor volume) dos exportadores chineses em troca do yuan (moeda oficial do país), forçando uma desvalorização da moeda local, tornando, desta forma, os seus produtos mais competitivos no mercado externo. Com os dólares na mão, o governo chinês sentia-se obrigado a comprar Treasuries, pois esta era praticamente a única opção de baixo risco para aplicação de suas reservas no mercado global (devido à magnitude da operação – liquidez elevada).

Com a possibilidade do FED (Federal Reserve – banco central norte-americano) interromper os programas de afrouxamento monetário nos próximos anos, a necessidade de diversificação da carteira de câmbio chinesa tornou-se praticamente obrigatória.

Para diversificar sua carteira, a administradora de câmbio chinesa tem procurado ativos de risco no mercado. Em 2012 foram adquiridos ativos europeus penalizados pela queda do mercado e ações japonesas listadas na bolsa de Tóquio. Este ano o foco dos chineses pairou sobre o mercado norte-americano, dominado pela onda de otimismo em Wall Street.

A postura da Administração Estatal de Câmbio da China em assumir ativos de maior risco reflete uma tendência de mercado. No geral, gestores de diversos fundos de investimentos espalhados pelo mundo estão mais otimistas com o desempenho do mercado de ações, sobretudo o norte-americano. Esta onda de otimismo, que começou no ano passado, tem parcela considerável no desempenho dos mercados e, apesar da iminência de uma correção saudável de curto prazo, não parece estar perto do fim.

O índice Dow Jones fechou o pregão desta terça-feira em alta de 0,34%, mantendo a tendência de curto prazo inalterada. Ainda não há sinal de topo, apesar do nível elevado de sobrecompra.

Otimismo Dow Jones

No Brasil o índice Bovespa fechou em alta de 1,01%, conseguindo romper a LTB da tendência de baixa de médio prazo iniciada na região dos 63.4k. Este movimento é de extrema importância para impulsionar a tendência de alta iniciada na região dos 52.5k.
  
Retomada Ibovespa

A próxima resistência está localizada na região dos 57k, onde as condições para rompimento também são boas. Com a retomada dos 57k o índice poderá confirmar o fim da tendência de baixa de médio prazo.

No cenário interno, o presidente do Banco Central, Alexandre Tombini, reforçou a mensagem enviada ao mercado na última quinta-feira. Tombini disse que “o Banco Central está vigilante e fará o que for necessário, com a devida tempestividade, para colocar a inflação em declínio no segundo semestre e para determinar que essa tendência persista nos próximos anos”.

Estas declarações compactuam com uma elevação de 0,50 p.p. da taxa Selica na próxima reunião do Copom.

2 comentários:

  1. É incrível o poderio econômico da China.

    ResponderExcluir
    Respostas
    1. Isso sim é bala na agulha. 1% da carteira de câmbio deles é o suficiente para sacudir o nosso mercado. Pena que ultimamente não tem "pingado nada" por aqui.

      Abcs, bons investimentos

      Excluir