sexta-feira, 10 de maio de 2013

Indústria e inflação travam Banco Popular da China


O Banco Popular da China (considerado o banco central do gigante asiático), informou ontem, por meio de seu relatório trimestral sobre as condições monetárias, que “a base para uma operação econômica estável ainda não é firme, sendo necessário reforçar os pilares para alavancar o crescimento do mercado interno”.

O relatório frustrou parte dos analistas de mercado que esperavam um indicativo de afrouxamento monetário por parte do banco central chinês. Pelo contrário, a autoridade monetária exigiu liquidez moderada no sistema bancário, a fim de manter estável a taxa de juros.

O Índice de Preços ao Consumidor (principal indicador de inflação na China) subiu para 2,4% em abril (taxa anualizada), ante os 2,1% registrados em março. Entretanto, a aceleração da inflação para o consumidor reflete o cenário inverso do setor produtivo chinês. É por este motivo que o Banco Popular está de mãos atadas.

O índice de Preços ao Produtor da China caiu para -2,6% no mês de abril (taxa anualizada), registrando o décimo quarto mês consecutivo de queda. O setor manufatureiro passa por um processo de deflação devido ao excesso de capacidade em vários segmentos, principalmente na indústria do aço, carvão, vidro, alumínio, painéis solares e cimento.

O efeito da queda dos preços ao produtor é grave para empresas como Aluminum Corp. of China, que divulgou um prejuízo de 975 milhões de yuans no primeiro trimestre deste ano e afirmou que mais de 90% do alumínio na China é produzido com prejuízo. Li Yequing, presidente da Huaxin Cement Co., disse na semana passada que os fabricantes de cimento precisam fechar fábricas antigas para evitar uma catástrofe em todo o setor.

A queda nos preços das commodities, refletindo a fraca demanda global, acabou influenciando a redução dos preços no setor manufatureiro. Como as exportações chinesas recuaram devido aos problemas financeiros na Europa, Japão e Estados Unidos, a indústria do país ficou sem comprador imediato. Este cenário, juntamente com o excesso de capacidade fabril, detonou uma queda vertiginosa nos preços ao produtor.

A inflação ao consumidor versus deflação ao produtor travaram os mecanismos de manobra do banco central chinês. Um aperto monetário prejudicará ainda mais o setor produtivo e um afrouxamento monetário impulsionará a inflação. O trabalho, portanto, ficou para o governo chinês. Para reduzir a perigosa deflação do setor manufatureiro, o governo vai aumentar os investimentos em infraestrutura a fim de sustentar a meta de crescimento para este ano (7,5%), sem permitir que a inflação fuja de controle.

Apesar da deterioração do cenário macroeconômico, a bolsa de valores de Xangai seguiu o movimento dos principais índices mundiais e conseguiu fechar a semana em alta, confirmando a sinalização de fundo (doji em cima da linha de suporte em 2.1k) da semana anterior.

Shangai

Na índia a bolsa de Bombay fechou em alta pela quarta semana consecutiva, encostando na última resistência (20.2k) abaixo do topo histórico. O índice já conseguiu reverter todas as perdas ocorridas neste ano e caminha para testar a região de topo histórico nas próximas semanas.

Bolsa Sensex

A semana foi positiva também para os mercados de países desenvolvidos. O índice Dow Jones subiu pela terceira semana consecutiva, mantendo a tendência de alta de curto, médio e longo prazo.

Dji

O mesmo canal de alta observado no índice Dow Jones pode ser encontrado também no índice S&P500. Os dois principais índices de Wall Street estão se movimentando de forma bastante semelhante. O S&P500 também fechou em alta pela terceira semana consecutiva.

S&P500


A bolsa de Londres, na Inglaterra, fechou a semana em forte alta. Este movimento permitiu aproximação com a região de topo histórico, que poderá ser testada (e muito provavelmente rompida) nas próximas semanas.
  
FTSE
  

O principal índice da bolsa de Frankfurt, na Alemanha, realizou um movimento histórico nesta semana. O mais importante dos últimos 13 anos. Para entender melhor o que aconteceu vamos utilizar o gráfico mensal, logo abaixo:
Frankfurt

DAX entrou para o grupo dos índices mundiais que conseguiram superar suas respectivas máximas históricas. O índice atingiu a região dos 7.6k (antigo topo histórico) pela primeira vez no início do ano 2000. Desde então a bolsa trabalhou uma congestão de longo prazo, onde somente agora conseguiu rompê-la para cima. Tendência de alta de curto, médio e longo prazo.

Encerramos o nosso passeio pelos principais índices mundiais com o gráfico do Ibovespa, que voltou a decepcionar descolando-se de seus principais pares mundiais. O novo peso das ações da OGX sobre a carteira teórica do índice Bovespa colaborou para este descolamento negativo.

Gráfico

O candle semanal confirma topo registrado no toque da LTB que vêm dos 63.4k. A tendência de alta de curto prazo iniciada na região dos 52.5k ainda não está invalidada. Porém, podemos esperar para as próximas semanas um enrosco entre esta LTB e principal região de suporte de curto e médio prazo (52.5k), sendo que a perda dos 54.1k invalidará a tendência de alta de curto prazo, enfraquecendo a referida linha de suporte anteriormente citada.

Desejo a todos vocês um ótimo final de semana! Bom descanso a todos e até segunda!

8 comentários:

  1. imagina quando o mercado derreter, o ibov já era!!
    Ivan C.

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    1. Na minha opinião, este peso da OGX é que fez o Ibov descolar esta semana. Ficou mais fácil bater no mercado a vista, para quem está vendido em contratos futuros e balizar a operação. Além disso, o aumento da força vendedora em um papel extremamente líquido acaba colaborando para surgimento de novas posições vendidas em outros papéis, pois serve como indicativo de direção do mercado.

      Abcs, bom sábado!

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  2. FI,

    Como você vê a questão das quebras recordes de topos na bolsa americana ? Sabe se existe algum indicativo de correção brevemente?

    Abs.

    Miguel

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    1. Indicativo técnico sim. Os índices estão esticados, trabalhando divergências, etc. Podem e devem corrigir no curto prazo, apenas. Mas o mercado insiste em não corrigir, o que pode ser considerado até certo ponto normal, já que Wall Street está em bull market. Só não acho normal demorar tanto para uma correção saudável dentro da tendência de médio e longo prazo. Não aparece uma correção de duas semanas seguidas no Dow Jones há quase 6 meses.

      Apesar da bonita tendência de alta, pode-se observar claramente uma bolha de liquidez bem no coração do mercado financeiro mundial. A taxa básica de juros está próxima de zero há quase 4 anos e deverá permanecer nula até 2015. Além disso o FED segue jorrando dinheiro no sistema através das operações de Open Market (85 bilhões de dólares por mês). Os fundos americanos estão atolados em ações e os institucionais estrangeiros (fora dos EUA) começaram a montar posições em ativos da bolsa de Nova York no ano passado. Uma verdadeira correria de institucionais por maiores retornos no mercado (já que há escassez de opções que ofereçam bons retornos fora do mercado de capitais). Os investidores pessoa física norte-americanos começaram a voltar para o mercado de ações (a manada estava fora desde 2008, retornando neste momento). Os Bonds americanos atingiram mínimas históricas e permaneceram neste patamar, refletindo alta procura por Treasuries. Neste ponto podemos observar a primeira distorção no mercado: os bonds x ações (mercado vende bonds pra comprar ativos e vice-versa, mas os dois estão subindo). Metais que estavam extremamente inflados já iniciaram movimento de estouro recentemente.

      Esta alta procura por títulos, ativos, moedas e metais (até pouco tempo atrás) é um forte sinal de sistema financeiro altamente alavancado (inundado por liquidez dos bancos centrais). Por este motivo estamos observando este movimento de alta generalizada no mercado. Faz parte da estratégia dos bancos centrais, mercados em alta oferecem condições para retomada do otimismo.

      Certamente um dia esta bolha vai estourar (com a desalavancagem do sistema, via inflação ou por outro canal), mas acho que ainda vai demorar alguns anos para isso acontecer. Hoje o sistema não funciona sem alavancagem dos bancos centrais.

      Mesmo com este indicativo, não é recomendável, por exemplo para os investidores norte-americanos, estar fora do mercado. As melhores fases de retorno em ações acontecem durante o processo de "enchimento da bolha". Esta fase costuma ser longa, pode durar meia década. Alan Greenspan alertou o mercado para a bolha das ponto.com em 1996 (sendo que o movimento de alta começou em 1990), mas o estouro só ocorreu em 2000. Nasdaq subiu 1.600% em 10 anos. Era uma bolha, mas imagina ficar de fora dessa festa? O investidor não só pode como deve surfar uma bolha. Basta entender o funcionamento do mercado, como demonstrei no livro, e ser bastante disciplinado com a estratégia, respeitando os momentos de entrada e saída.

      Abcs, bom final de semana!

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    2. Agradeço o excelente comentário.

      Em artigo recente que li sobre os bull markets históricos americanos, havia algo em que mencionava este bull market como o segundo mais longo da história da bolsa americana. Já está passando de 5 anos, mas já houve alguns que duraram 10. Vamos ver o que acontece daqui para frente.

      Abs. Miguel

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    3. Com certeza, ciclos bulls são bem longos do que os ciclos bears. É isso aí, vamos monitorando.

      As ordens!

      Abcs, bons investimentos

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  3. Aguardo comentário do FI e aproveito prá deixar minha opinião. Ao contrário do que muitos acham, eu vejo que essa incrível injeção de capital é fruto de bons e ótimos resultados de muitas empresas das bolsas Americanas e vejo com sustentável. Até porque depois da caca de 2008, os investidores estão muito mais atentos.
    As correções, realizações de lucro é que não estão ocorrendo, tamanho o otimismo dos grandes players. Mas em breve devem acontecer. Regras do jogo.
    Agora, a sobreposição das bolsas Americanas x Brasileiras é que assustam. Não conseguimos convencer nem os mais tolos.
    Abs, Zé Piu

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    1. Boa observação. Os resultados das empresas norte-americanas são de dar inveja. Uma verdadeira aula de eficiência. A melhora nos fundamentos sustentou esta alta no mercado de capitais. Mas daqui pra frente, conforme o mercado vai subindo, os preços começarão a ficar salgados. Não vejo como as empresas continuarem superando os lucros/expectativas com esta brecada no orçamento do governo norte-americano e fraca retomada no crescimento da economia mundial.

      Abcs, bom sábado!

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