quarta-feira, 8 de maio de 2013

Inflação volta acelerar


Contrariando todas as expectativas do governo, o índice oficial de inflação continua mostrar relutância em ceder. O IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística) divulgou hoje que o IPCA subiu 0,55% em abril, após registrar alta de 0,47% no mês passado.

No acumulado dos últimos 12 meses o indicador caiu para 6,49%, praticamente colado nos 6,50% (limite máximo de tolerância estipulado pelo CMN - Conselho Monetário Nacional). Somente nos quatro primeiros meses deste ano o IPCA já subiu 2,50%, mais da metade da meta a ser perseguida pelo Banco Central (4,50%).

O mais preocupante é que a inflação aumentou mesmo com os sinais recentes de fraca recuperação da economia brasileira, juntamente com as desonerações nas folhas de pagamentos. Isso ocorre porque a demanda (desregulada) segue aquecida, sustentando o nível de preços. O índice de dispersão do IPCA permanece elevado (aos 66%), mostrando alta generalizada nos preços.

O cenário descrito no parágrafo anterior permitirá ao Banco Central manter sua política de aperto monetário, onde poderá haver, inclusive, um aumento de 0,50% (e não 0,25%) da taxa básica de juros na próxima reunião do Copom.

A disparada da inflação gerou uma nova barreira ao crescimento econômico brasileiro. O aumento dos custos de produção inibe a expansão da oferta, justamente o lado mais fraco da balança (desequilíbrio entre oferta x demanda).

Além disso, o até mesmo o setor de consumo está encontrando dificuldades para repassar o aumento dos preços aos consumidores (o que poderá impactar a margem de lucro das empresas), já que a renda das famílias brasileiras está comprometida (reflexo das políticas do governo de incentivo ao consumo) e o nível de endividamento permanece elevado. Ambev e Natura, por exemplo, apresentaram margens de lucros menores do que o esperado pelo mercado.

No mercado de capitais o índice Bovespa descolou das principais bolsas internacionais nesta quarta-feira por conta da forte volatilidade envolvendo as ações da OGX, além da queda dos papéis da Petrobras (blue chip mais esticada no curto prazo).

A Petronas conseguiu pagar a bagatela de 850 milhões de dólares para ter direito a 40% do campo de Tubarão Martelo. A negociação, nitidamente favorável à Petronas, mostra a situação delicada de Eike Batista ao negociar ativos da OGX. Ao mesmo tempo em que a empresa do Sr X precisa compor o seu caixa, mostra resultados abaixo do esperado, decepcionando até mesmo os players com expertise no ramo.

Com o peso indesejável da OGX (que agora tem 5% de participação sobre o índice), os respingos do “mundo X no país das maravilhas” impactam com maior força o desempenho do Ibovespa. Apesar do aumento de volatilidade, o índice Bovespa realizou um movimento extremamente técnico nesta quarta-feira.

O movimento de alta testou a LTB da tendência de baixa de médio prazo iniciada na região dos 63.5k. Após o referido teste o índice voltou a cair, mostrando movimento de correção de curtíssimo prazo que poderá se prolongar por mais alguns dias. Esta correção ainda não apresenta potencial para invalidar a tendência de alta de curto prazo iniciada na região dos 52.5k, o que pode ser considerado um movimento saudável.

Bovespa


Nos Estados Unidos os principais índices de Wall Street seguem renovando máximas históricas sem soltarem sinais de topo de curtíssimo prazo, mantendo a análise dos últimos dias.

Nova York

3 comentários:

  1. E a tese do margarina que a inflação estava caindo mês-a-mês já era.

    Só não entendi porque os juros não refletiram o resultado do IPCA.

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    1. Mais uma pra coleção de teses e estratégias furadas dele rsrs... Impressionante.

      O mercado de juros futuros de curto prazo está precificando uma taxa abaixo do que se espera deste ciclo de aperto monetário. As projeções estão girando em torno de 8,25% a 8,50% este ano para a taxa Selic, mas o mercado de DI futuro negocia juros de curto prazo na casa dos 7,90%. Este número (nos DIs futuros), já foi maior nos meses anteriores. Acredito que este seja um movimento de correção, após a puxada nas taxas futuras dos meses anteriores. Alguns players parecem estar precificando também uma desaceleração da inflação a partir do mês de maio e junho. O que não será nada muito relevante, mas suficiente para causa impacto nos juros futuros. A reação observada hoje nos juros futuros, de estabilidade, pode ser justificada pelo IGP-DI (com forte peso no mercado de atacado) que fechou o mês de abril em 0,06%, portanto há uma expectativa de repasse desta desinflação do atacado para o varejo.

      Abcs, bons negócios

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    2. Vexaminoso, é o pior ministro da fazenda que já tivemos.

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