segunda-feira, 13 de maio de 2013

Polêmica do FED ganha força na mídia


A temporada de agenda macroeconômica fraca e poucas notícias relevantes/impactantes (excelentes para vender matéria) tem estimulado a imprensa norte-americana buscar opções “fora do eixo” (ou fora da realidade) para, unicamente, manter elevado os respectivos níveis de audiência.

A mais nova polêmica plantada pela mídia está relacionada com a interrupção dos programas de estímulos monetários do FED (Federal Reserve - banco central norte-americano). As declarações de Charles Plosser na última quinta-feira, diretor do Federal Reserve da Filadélfia, serviram de estopim para chuva de matérias sensacionalistas.

Hoje, o The Wall Street Journal, publicou uma matéria afirmando que o FED já está elaborando uma estratégia para reduzir gradualmente o programa de compra de títulos da dívida pública em etapas cuidadosas e possivelmente intermitentes, conforme a evolução da inflação e do mercado de trabalho.

Entretanto o jornalista não foi capaz de citar quando esta redução do volume de compras deverá começar, o que em partes desqualifica a informação. Se existe mesmo uma estratégia oficial (e pronta) de redução gradual do programa, obviamente o timming (próximo mês? Próximo trimestre? Próximo ano?) também existe.

É de conhecimento geral do mercado que as operações de Open Market do FED serão interrompidas num determinado momento. A torneira não pode ficar aberta para sempre. Normalmente este tipo de operação tem prazo de validade relativamente curto, não é como um ciclo de corte/alta nos juros. A única dúvida, que a matéria não foi capaz de responder, é quando isso irá acontecer.

Além disso, a matéria foi baseada nas declarações de Charles Plosser, que não possui sequer poder de voto no Fomc (Comitê Aberto de Política Monetária do Federal Reserve) e Richard Fisher, diretor do Federal Reserve de Dallas, um dos membros mais conservadores do FED. Fisher, inclusive, votou contra a manutenção do programa de estímulo monetário na última reunião do Fomc.

Portanto o jornal ouviu tendenciosamente apenas a opinião da minoria conservadora do FED. Os diretores a favor da manutenção dos programas (grande maioria), bem como o seu presidente, Ben Bernanke, não foram consultados pelos jornalistas.

O último documento de comunicação do FED com o mercado ressalta o descontentamento da maioria do colegiado com o mercado de trabalho ainda desaquecido, inflação abaixo da meta e preocupação com os cortes automáticos no orçamento do governo norte-americano (provoca desaquecimento econômico). Estes motivos, responsáveis por respaldar a postura do banco central, foram negligenciados pela matéria.

De acordo com as informações oficiais, transparentes e confiáveis, os dirigentes (maioria) do banco central norte-americano não devem suspender (ou reduzir) o programa de estímulo monetário nas próximas reuniões do Fomc. Entretanto, a Operação Twist, que consiste basicamente na venda de títulos de curto prazo (em carteira no FED) e compra de títulos de longo prazo, poderá ser reduzida ou mesmo interrompida no final deste ano ou início de 2014.

Tal como ocorreu na última quinta-feira, a polêmica envolvendo o FED não gerou impacto relevante no mercado de capitais. Os principais índices de Wall Street fecharam praticamente de lado mais uma vez.

Stocks

No Brasil o índice Bovespa fechou em baixa pelo quarto pregão consecutivo, pressionado pela desvalorização das commodities (reagindo aos dados decepcionantes da economia chinesa). A queda desta segunda-feira pode prejudicar a manutenção da tendência de alta de curto prazo, caso a região de suporte em 54.1k seja perdida amanhã. No curtíssimo prazo a tendência segue de queda, sem sinal de fundo.

Ações

No cenário interno o grande destaque ficou por conta do pedido de exoneração de Nelson Barbosa, secretário-executivo do Ministério da Fazenda, apontado como candidato a ocupar, futuramente, o cargo do ministro Mantega. Barbosa era classificado pelo mercado como um economista de visão independente, muitas vezes divergente da bola de cristal de Guido Mantega.
  

O pão caiu, mas com a manteiga virada pro lado errado.

5 comentários:

  1. Belo trocadilho.


    Pouco importa a marca do Pão ou da Manteiga, se quem manda na Quitanda é a mesma dona, ela define os preços.l

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    1. quitanda? No KITANGA

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    2. Exatamente, ao que tudo indica o sucessor de Nelson Barbosa será o secretário do Tesouro, Arno Augustin. Esse aí assina em baixo em tudo que a Dilma fizer.

      Abcs, bons negócios

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  2. Olá FI. Troquei a cor do meu carro rsrs. Brincadeira, tenho um pau véio e olhe lá.
    Parece que o Barbosa era o fiel da balança e agora pode ficar pesado para um lado só. Não é bom.
    Boa semana a todos muito bom o trocadilho.

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    1. Hehe. Verdade, a balança agora pode ficar mais pesada do que já estava para um lado só. Com certeza não é bom, ainda mais quando sabemos que este lado que está pesado é o pior.

      Abcs, boa semana pra você também

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