quinta-feira, 23 de maio de 2013

Susto na Ásia não chegou em Wall Street


Os mercados amanheceram extremamente voláteis nesta quinta-feira por conta do estrago ocorrido na Ásia. Os principais índices acionários despencaram nas praças asiáticas refletindo a contração da atividade industrial chinesa.

O banco HSBC, em parceria com o Instituto Markit, divulgou a prévia dos índices gerentes de compras de importantes economias globais. Na China, o indicador do setor manufatureiro caiu para 49,6 pontos em maio, mostrando que a desaceleração da atividade industrial atingiu o nível preocupante de contração (abaixo de 50 pontos). Em abril este mesmo indicador havia registrado 50,4 pontos, mantendo-se na zona de expansão, embora os sinais de desaceleração já pudessem ser observados.

A bolsa de Tóquio foi a mais afetada pelo clima de aversão ao risco na Ásia. O Nikkei despencou 7,32%. Além dos indicadores ruins da China, a bolsa de Tóquio foi afetada também pela disparada nos yields dos títulos públicos japoneses (atingiram a máxima em 10 anos), obrigando o BoJ (Banco Central do Japão) entrar no mercado com 2 bilhões de ienes.

Outro fator que contribuiu para a queda relevante na bolsa de Tóquio é o próprio desempenho do índice Nikkei, conforme podemos observar logo abaixo:

Crash Nikkei

Os índice quase dobrou a sua pontuação (100% de alta) nos últimos seis meses, estimulado justamente pelo programa de afrouxamento monetário extremamente agressivo do BoJ, que conta, inclusive, com um programa de compra de ações na bolsa de Tóquio, a fim de estimular a economia e tirar o país da deflação.

O gráfico do Nikkei é um exemplo de uma pernada de alta insustentável. O índice subiu forte sem realizar lucro por um bom tempo. Todo e qualquer movimento de alta nos preços dentro destas características estará sujeito a uma forte correção, como aconteceu hoje, justamente pela ausência de correções saudáveis no passado recente.

Os investidores/operadores se deixam levar pelos bons sentimentos de um movimento de alta forte nos preços. Ficam mal acostumados com a facilidade de ganhar dinheiro no mercado, basta comprar ações em qualquer ponto/momento e esperar alguns dias para ver os lucros aumentarem. Mas quando aparece uma correção, esta realidade, ainda desconhecida/esquecida, vem à tona provocando desespero e consequentemente os preços caem rapidamente pela falta de compradores.

O susto no Japão afetou os mercados europeus, mas não foi capaz de superar a “muralha bull” de Wall Street. O índice Dow Jones fechou perto da estabilidade, marcando um candle de indecisão no gráfico. O topo na região dos 15.5k ainda não está descartado, porém o mercado norte-americano nos mostrou mais um sinal de força mesmo num dia de indicadores macroeconômicos ruins.
  
Dji

Eu errei na análise de ontem, pois a minha expectativa era de manutenção na tendência de queda de curtíssimo prazo, o que não ocorreu. O mercado abriu caindo, mas houve rápida reação da força compradora levemente acima da linha central de bollinger, onde esperava-se um teste.

Um movimento semelhante ocorreu no Brasil. O topo na região dos 57k não está descartado, mas o mercado mostrou rápida reação após o teste sobre a linha central de bollinger (não chegou a testar a LTA dos 52.5k, conforme ressaltamos ontem). Temos agora um candle de pavio longo superior nos 57k (indicando região de domínio da força vendedora) e outro candle de pavio longo inferior nos 55.5k (indicando região de domínio da força compradora).

Ibov

Portanto o mercado voltou a ficar travado entre estas duas regiões, com a evidência de forças opostas em zonas de preço (pontuação) muito próximas. Por estarmos dentro da tendência de alta de curto prazo, a balança tende a pesar mais para o lado dos compradores.

Para completar a rodada importante de indicadores da atividade industrial, na zona do euro o Índice Gerente de Compras do setor manufatureiro continuou mostrando contração na atividade, porém este ritmo está perdendo força com a retomada econômica (ainda lenta). A prévia do indicador saiu dos 46,7 pontos no mês passado para 47,8 pontos este mês. Na Alemanha este mesmo indicador avançou pelo segundo mês consecutivo, saindo do nível de contração em 48,3 pontos para o nível de expansão em 50,3 pontos.

Nos Estados Unidos a prévia do Índice Gerentes de Compras do setor manufatureiro caiu de 52,1 pontos registrados no mês passado para 51,9 pontos este mês, mostrando desaceleração no ritmo de expansão da atividade industrial.

10 comentários:

  1. Ridículo esse DJ.

    Vem correção forte, só tem bull burro aí.

    O que os EUA fizeram pra sair do buraco? NADA

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    1. Discordo. Eles fizeram uma coisa muito importante: ligaram as impressoras. O "privilégio exorbitante" vai continuar existindo enquanto o capitalismo não encontrar um berço mais favorável. Ele quase existe. É só a China fazer uma transição democrática que o eixo mundial se inverte. Acho.

      FI, entrei na verdade para elogiar sua humildade. Parabéns. Você é fera.

      Abraços,
      TR

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    2. PS: Agora, quero ver a China fazer essa transição sem o derramamento de MUITO sangue. Eu duvido que ela seja capaz.

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    3. Bernanke cita isso o tempo todo. A grande lição aprendida durante a crise de 1929, que originou a grande depressão dos anos 30, foi justamente entender que é preciso apertar o botão da impressora nesses momentos. Esse crash de 2008 foi um dos piores desde a crise de 1929, porém o impacto no mercado foi, desta vez, bem mais limitado, justamente pela ação preventiva dos BCs. Não somente o FED, mas o BoJ, BoE, BCE, etc tomaram medidas semelhantes. Agora a desalavancagem futura desta enxurrada de estímulo monetário é algo novo, vamos ver como será a atuação dos BCs em 2015/2016.

      Abcs a todos, bons negócios

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    4. PS: Obrigado TR! Mas não sou fera não rsrs...

      Abcs,

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    5. PS2: A China é um "monstro" em termos de crescimento, mas acho que eles pecaram em alguns pontos. Se voltarem a crescer 10% novamente entram em colapso. O sistema não comporta mais. A transição do modelo de crescimento (diminuir as exportações para explorar melhor o mercado interno) vai deixar muitos GAPs de oferta e perda de competitividade provocada pelo próprio desenvolvimento econômico (maiores salários, pressão dos sindicatos, fatores que encarecem o processo produtivo, etc). O sistema financeiro opera altamente alavancado, o mercado imobiliário está inchado (podendo gerar estouro) e mercado corporativo está atolado em crédito supostamente de baixa qualidade.

      Uma coisa que eu invejo nos Estados Unidos é a rápida capacidade de inovação. Com o crash de 2008 esperava-se uma quebradeira no mercado corporativa, mas o impacto foi muito pequeno, pelas proporções da crise. As empresas norte-americanas inovaram e atingiram um nível de eficiência simplesmente invejável. Uma aula de gestão ao vivo para o mundo inteiro assistir. E agora apareceram com esta revolução do gás de xisto, vai ser uma importante variável para sustentar o crescimento norte-americano por mais alguns anos/décadas.

      Abcs,

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  2. vai ser engraçado ver petr4, no auge do presal, competir com o gas de xisto...

    no mais, só tenho a agradecer por mais uma aula.

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  3. Ola

    FI vc falou no post anterior gas xisto nos EUA.
    Eu não estou dentro do assuntonem dos fundamentos,por isso pergunto se na sua opinião,esse setor sera então uma exelente oportunidade daqui para a frente!?
    Tem conhecimento do nomede algumas dessas empresas a cotar nos EUA?

    Batistuta007

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  4. CALMARIA DE DÓLARES
    No passado recente o país temia o “tsunami dólares” e reduziu taxa de juros (Selic). Agora teme a “calmaria de dólares” reduzindo IOF. Se a oferta de dólar realmente for mais restrita a Petrobras vai ter sérias dificuldades para importar gasolina e etanol por preço ainda mais caro do que já está fazendo. Se o subsídio já é um transtorno para a Petrobras, se tornará ainda maior com preços mais elevados da gasolina e etanol devido ao desestímulo que a economia dos EUA fai passar – gradualmente – nesse ano de 2012 e seguintes.
    Se, com um “tsunami” que barateia o combustível importado, imagina o efeito perverso de “uma calmaria” de reais desvalorizados que encarece o gás, gasolina e etanol importados que a Petrobras vá ter de bancar daqui pra frente.
    Do lado da energia, a reação à queda de popularidade foi novo incentivo ao consumo de eletricidade dos novos eletrodomésticos produzidos por usinas térmicas consumidora de combustíveis fósseis: uma verdadeira afronta ao IIº princípio da termodinâmica.

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  5. GAS DE XISTO E OS CUSTOS DOS COMBUSTÍVEIS IMPORTADOS
    Apesar produção recorde em 2012 o sucesso na exploração do gás de xisto nos EUA não chegou ainda a refletir no preço do barril. A China ultrapassou os Estados Unidos no consumo e junto com a Índia continuam responsáveis pelo maior aumento da demanda. Europa e demais países de clima frio continuam dependentes do gás e petróleo russo.
    Depois da 11ª rodada – com atraso de 5 anos – a esperança agora é o gás, como “salvação da lavoura” para a indústria. Mas, não basta ter reserva segundo Adriano Pires. A pesquisa do gás de xisto nos EUA dura mais de 10 anos e só agora aparece os primeiros resultados. O petróleo continuará caro por mais 10 anos ainda.
    Não existe um mercado global de gás natural dado o alto custo quando comparado ao transporte de petróleo. Por isso o mercado estabeleceu-se em base regional. É mais caro transportar gás do que petróleo e outros combustíveis líquidos.

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