sexta-feira, 14 de junho de 2013

A vulnerabilidade dos mercados emergentes


Gestores de fundos de investimentos do mundo inteiro se reuniram nesta última quinta-feira em Chicago para participarem da Conferência anual de Investimento da Morningstar. Os especialistas se reuniram para discutir e avaliar as tendências de mercado e as perspectivas econômicas para cada região.

No geral, os gestores demostraram que estão ficando cada vez mais cautelosos com os mercados emergentes. Os motivos são os mesmos apresentados na análise de terça-feira (“O perigo do gigante adormecido”). Ademais, alguns países apresentam situações regionais que causam um desconforto ainda maior.

Richard Bernstein, presidente da Richard Bernstein Advisors LLC, citou preocupações com relação aos índices de preços de alguns países. A inflação persistentemente elevada, como é o caso do Brasil, causa danos à economia e corrói os lucros das empresas. James Montier, da GMO LLC, afirmou que a bolha no mercado imobiliário chinês torna a economia do gigante asiático cada vez mais vulnerável aos choques de crédito.

Gibson Smith, presidente de investimento do Janus Capital Group, disse que as medidas de estímulo do BoJ (Banco Central do Japão) enfraquecerão as vantagens competitivas de alguns países emergentes. Stephen Smith, da Brandywine Global Investment Management, citou preocupações com relação aos déficits comerciais do Brasil e da Indonésia.

A enxurrada de liquidez dos últimos anos sustentou os mercados atingidos pela crise, mas também estimulou os investidores a buscarem ativos mais arriscados e, portanto, mais rentáveis (supostamente) em países emergentes. Agora, com o movimento de valorização do dólar e expectativa de redução dos programas de estímulo monetário do FED (Federal Reserve – banco central norte-americano), o dinheiro volta a buscar refúgios mais seguros nos países desenvolvidos.

O Brasil está entre os mercados emergentes mais afetados pela fuga de capital. Os investidores estão vendendo suas ações na bolsa e liquidando suas posições em títulos da dívida pública. Os motivos que estão por trás deste movimento mais acentuado aqui no Brasil foram amplamente abordados nas análises dos últimos dias/semanas.

O índice Bovespa despencou pela terceira semana consecutiva. Há três semanas estávamos colados nos 57k. Hoje estamos nos 49k, com boas chances de testar a região de suporte (fraca) dos 48k na próxima semana. Embora enfraquecida, esta região é de extrema importância para o índice. A perda desta linha (48k) indicará o rompimento da congestão de longo prazo do índice e poderá acelerar a tendência de queda.


Notícias relacionadas à Petrobras e OGX colaboraram para a queda da bolsa brasileira nesta sexta-feira. A Procuradoria da Fazenda Nacional cancelou a certidão de débitos da Petrobrás em decorrência de uma dívida no valor de R$ 7,3 bilhões de reais (em valores atualizados) junto à Receita. Sem a certidão de débitos a empresa não poderá exercer regularmente suas atividades.

O valor da dívida refere-se ao não recolhimento do Imposto de Renda sobre remessas para o exterior em pagamento de plataformas petrolíferas móveis durante o período de 1999 a 2002. A empresa questionou a cobrança na justiça em inúmeras ocasiões, mas não obteve êxito. Apesar do risco de paralisação das atividades estar descartado (pois afetaria o país inteiro), as possibilidades de pagamento desta dívida em valores atualizados aumentaram, o que poderá comprometer ainda mais o caixa da companhia.

A queda nas ações da OGX foi influenciada pelo rebaixamento de seu rating ao patamar considerado “lixo” (CCC) pela agência de classificação de risco Fitch. Apesar do impacto, esta informação não nos surpreende (análise do dia 04 de abril: “R$ 1,99 mas não é promoção”).

Na índia a bolsa de Bombay caiu pela segunda semana consecutiva, mantendo a tendência de curto prazo. A queda só não foi maior, pois o índice esboçou reação temporária ao testar a importante LTA de 2009. Mas com a mudança de cenário desfavorável aos mercados emergentes, esta linha dificilmente conseguirá sustentar o índice por muito tempo.


O mercado mexicano também fechou a semana em baixa, mantendo a tendência de curto prazo. A próxima linha de suporte está posicionada na região dos 256 pontos e deverá ser testada em breve.
  

A bolsa de Xangai, na China, despencou pela segunda semana consecutiva. A queda acentuada da bolsa está refletindo o aumento de tensão no mercado interbancário chinês. Estão circulando boatos de que algumas instituições financeiras de pequeno porte estão prestes a falir. Por conta desta suspeita, a liquidez no mercado interbancário foi drasticamente reduzida, provocando uma disparada da shibor (taxa de juros do mercado interbancário chinês).

Taxa do mercado interbancário na China

Isto significa que os bancos estão evitando emprestar dinheiro uns aos outros (mercado interbancário), aumentando significativamente a taxa de juros, visando minimizar o risco. A redução acentuada da liquidez no mercado interbancário obrigará o Banco Popular (Banco Central da China) injetar dinheiro no sistema financeiro para evitar uma quebradeira generalizada por conta da falta de crédito em circulação.

Não é a primeira vez que a shibor sobe de forma agressiva na China. Este evento já ocorreu em algumas situações de curto prazo no passado. A diferença é que desta vez, a suspeita de insolvência por parte de algumas instituições financeiras coincide com as preocupações do Banco Popular da China, expressas em seu último relatório da sexta-feira passada, relacionadas às operações de crédito bancário.

O sistema financeiro na China opera altamente alavancado. O investimento foi o grande motor de propulsão da economia durante muitos anos no passado. Mas algumas linhas de financiamento apresentam qualidade duvidosa. Além disso, o governo tem se dedicado a esvaziar uma perigosa bolha no mercado de crédito imobiliário.

Entretanto, a recente deterioração do mercado interbancário poderá forçar o Banco Popular da China adotar uma política de flexibilização monetária, visando garantir a solvência do sistema financeiro ao mesmo tempo em que administra-se o risco de crédito, principalmente no mercado imobiliário.

Tarefa difícil ao Banco Central. Criou-se um cenário incerto e duvidoso, que desagrada os investidores. Os reflexos podem ser observados no gráfico semanal do principal índice da bolsa de valores de Xangai. O mercado retornou para testar a importante linha de suporte em 2.145 pontos, porém com um pivot de baixa já acionado no gráfico diário, reduzindo, portanto, a força desta referida linha de suporte.


Os títulos da dívida soberana também foram afetados. A tensão com o mercado interbancário chinês somou ao movimento de fuga de capital, provocado pela alta do dólar, e os yields dos títulos chineses dispararam, principalmente no curto prazo.

Bonds China

A visão dos investidores, gestores e players de mercado com relação aos mercados emergentes sofreu alterações significativas nas últimas semanas. O cenário se deteriorou e daqui pra frente o ambiente de negócio será desafiador. Apesar das quedas apresentarem oportunidades futuras de negócio, os ganhos não serão tão robustos quanto aos proporcionados pela euforia da década passada.

Focamos, excepcionalmente, a análise desta sexta-feira somente aos mercados emergentes. As bolsas de países desenvolvidos também caíram nesta semana, porém em menor intensidade.

Um ótimo final de semana a todos vocês!

28 comentários:

  1. FI,

    Será que o FED corta o estímulo ainda neste ano ?

    Neste caso, o dólar já iria subir muito ou ficaria no patamar atual e esperaria a alta dos juros lá fora?

    Parabéns pelo post.

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    1. Meu receio é que a situação fique mais negra ainda este ano, inclusive para os títulos.

      Abs, Miguel

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    2. Boa tarde pessoal,

      Acho que sim, pode reduzir o volume de compras ainda este ano. O FED deixou bem claro, na implementação do QE3 ano passado, que poderia aumentar ou reduzir o volume de compras de acordo com o nível da taxa de desemprego e inflação. Em nenhum momento houve necessidade de aumentar o volume do programa, mostrando que o QE3 funcionou muito bem. A taxa de desemprego não atingiu a meta do FED (abaixo dos 6,5%), mas está caindo a medida que a economia acelera o ritmo de recuperação. Portanto, o FED pode reduzir o volume de compras na dosagem que os estudos da autoridade monetária mostrarem ser a mais correta, para manter o ritmo de queda do desemprego ao mesmo tempo em que a inflação permaneça em patamares confortavelmente abaixo do centro da meta. A expectativa criada pelo mercado já é o suficiente para manter a tendência de alta do dólar. Não acho que ocorrerá uma disparada da moeda, mas sim um movimento gradual de valorização. Para o nosso câmbio estou projetando fechamento próximo aos R$ 2,25 este ano, já incluindo nesta conta a atuação do BC brasileiro no câmbio, fazendo de tudo para suavizar a alta (queimando uma parte das reservas).

      Abcs, bom sábado!

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  2. FI,
    Como saber aonde investir, com essa política que vivemos, que só faz mentir em benefício própio.
    Obrigado por tentar ajudar.
    Investir em imóveis será que ainda é uma boa ou os preços estão muito irreais, e se estão será que melhora ou piora?
    Aprecio suas opiniões e agradeço por tentar ajudar nessa loucura coletiva que vivemos nesse planeta terra.

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    1. Opa, tudo bom?

      O processo de seleção de ações para formação de uma carteira em renda variável está bem mais complicado devido à política de intervenção do governo e deterioração da economia. Neste momento estou dando preferência para comprar fundos de ações ou ETFs, apenas para ganhar com a volatilidade do índice, utilizando a estratégia de compras parciais e crescentes para formação da carteira de médio e longo prazo em renda variável. Ainda tenho uma exposição pequena, pois o meu foco maior está nas operações de curto prazo (trades).

      Não vejo vantagens neste momento para investimentos em imóveis (o boom do setor já passou) ou mesmo fundos de investimentos imobiliários (elevação da taxa Selic). No ramo imobiliário os preços tendem a manter o ritmo de correção dos excessos do passado com a política de aperto monetário do BC. As operações de crédito ficarão mais caras, forçando uma desaceleração da demanda, e assim, permitindo a tendência de queda nos preços dos imóveis. Os fundos imobiliários também tornam-se desinteressantes ao traçarmos um cenário para taxa básica de juros no Brasil. Não compensa montar uma posição num ativo de risco e baixa liquidez para empatar com o rendimento dos títulos públicos (de risco baixo e alta liquidez). A chuva de novos fundos lançados recentemente também mostra que muitos imóveis foram comprados à preços elevados, durante o boom do setor imobiliário.

      Mas nem tudo está ruim. O mercado de renda fixa, por exemplo, voltou a ficar interessante. A queda da bolsa é também uma boa oportunidade para formação de uma carteira de médio e longo prazo. Preciso saber quais são os seus objetivos, grau de exposição ao risco e por quanto tempo você pretende manter o capital investido. Se achar melhor, me envie um e-mail: financasinteligentes@gmail.com

      Abcs, bom sábado

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    2. Boa tarde, FI.
      Em relação aos imóveis, de acordo.
      Entretanto, em relação aos FII, eu gostaria, se possível, que você discorre mais sobre o rendimento real dos mesmos.
      Um yield de 0,7am e 8,4% aa não parece interessante para você, levando em conta que os valores são atualizados pelo IGPM ou IPCA?
      Mesmo uma NTNB pagando 6% (o que é um patamar interessante), estaríamos falando de juros reais de aproximadamente 4% (levando em conta uma inflação de 5% e um IR de 15%), se fosse uma NTNB com pagamento semestral, o rendimento real seria ainda menor.
      Assim, com a queda de cotação de alguns FII, não parece uma forma de fluxo de caixa real interessante para quem já tem um certo patrimônio?
      Pergunto, pois estou começando (depois de 1 ano de educação financeira) a querer montar posições em ações, FII, e títulos. Até hoje na minha vida eu apenas acumulei, e consegui um bom patrimônio.
      Estou quase todo em fundos de RF come-cotas (sei que são ruins, apenas estou neles enquanto eu decido como vou me posicionar, e eu também precisava de liquidez imediata, porque comprava imóveis em leilões e o pagamento é à vista).

      Se você puder dar um insight sobre os rendimentos dos FII, agradeceria. Sei que a SELIC, dependendo do aperto monetário, vai ocasionar uma saída dos FII e depreciar algumas quotas, mas não seria o momento de fazer compras graduais como na bolsa?

      Abraço

      Soulsurfer

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    3. Soulsurfer,

      Sim. Vou usar o seu exemplo. Você comprava imóveis em leilões pra ganhar no spread, certo? Basicamente você compra algo que vale R$ 1,00 por R$ 0,80 e vende sem muitas dificuldades por R$ 0,90. Embolsa R$ 0,10. Isso é fazer negócio. Comprar barato e vender mais caro. Mas o que a maioria das administradoras de FIIs acabaram fazendo? Compraram imóveis no auge do preço de mercado, simplesmente para aproveitar a febre de investidores interessados em investir nos fundos imobiliários. Assim bastava comprar "qualquer coisa" a "qualquer preço", locar e lançar os papéis no mercado. O administrador não se preocupou em comprar algo barato, o interesse maior estava na cobrança da taxa de administração (mais papéis lançados no mercado, maior a taxa a ser recolhida). Como a demanda por locação estava aquecida (e ainda está, mas já temos sinais de inversão nesta curva), não era difícil arrumar inquilino no mercado. Eu mesmo pesquisei bastante os preços de locação entre 2011 e 2012, para diferentes tipos de negócios, e posso lhe dizer que as condições de preço inviabilizaram a sustentabilidade de médio e longo prazo de todas as atividades pretendidas. As empresas que estão pagando, hoje, os preços elevados de locação é porque estão conseguindo repassar este custo para o seu produto final ou serviço. Mas isso é perigoso, pois você só consegue repassar esse custo num mercado que apresenta demanda persistentemente aquecida. Quando este cenário muda, você precisará reduzir o preço do seu produto/serviço para aumentar a demanda, manter o fluxo de caixa e honrar seus compromissos. Ou seja, sua margem de lucro cai e o negócio corre risco de ficar inviável. Este cenário forçará o empresário a reduzir custos e, o principal deles, é o custo de locação. Havendo impossibilidade de renegociar o contrato de locação à nova realidade, o proprietário muda de lugar ou fecha as portas. Como estamos dentro de um ciclo de aperto monetário, a tendência, daqui pra frente, é observarmos um arrefecimento da demanda causando este efeito dominó.

      Portanto, os principais pontos a serem avaliados antes de um investimento em FII são: preço da cota, evidentemente, e sustentabilidade do valor de locação do imóvel. Será que estes fundos que pagam 8% ao ano, hoje, com o mercado extremamente aquecido, conseguirão manter este mesmo yield num cenário adverso? Eu acho que não. Neste caso será que compensa o risco? Ganhar um pouco mais do que uma NTNB Principal num ativo instável, de baixa liquidez e gestão duvidosa? Se fossem realmente profissionais do ramo imobiliário teriam comprado os imóveis quando os preços estavam bem mais baixos. Com relação ao imposto, isso é relativo. Não há como fugir dos 15% do leão ao se desfazer de seus papéis, em ambos os casos.

      Não estou querendo desmerecer os FIIs, eu mesmo tenho algumas posições montadas antes desta febre toda. Mas a atual relação de risco x retorno não está atrativa. Os preços precisariam cair mais para atrair minha atenção novamente. Por fim, as compras graduais e crescentes funcionam mais quando você está se posicionando num ETF (réplica de índices) ou fundo de ações, pois você evita se posicionar nas empresas em fase de decadência. Você ganha com a oscilação do índice e não corre o risco de perder dinheiro com um negócio que deixou de ser bom.

      Não sei se ficou muito claro o que eu disse, mas qualquer dúvida estou à disposição,

      Abcs,

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    4. FI, você foi claríssimo.
      Sim, é isso mesmo que você falou em relação a leilões. Não é vender pelo valor de mercado, mas ganhar vendendo mais barato com facilidade.
      Sobre os FIIs concordo com a sua análise. Parece que todo o investimento que tem grandes retornos atrai hordas de pessoas para investir, ocasionando muitas vezes um aumento sem esteio nos fundamentos. Creio que isso aconteceu com muitos FIIs, principalmente lajes corporativas (tem FII se você divide o valor da quota negociada pelo m2 do empreendimento que dá 20.000 o m2, o que me parece algo exagerado).
      Apenas pondero que assim como ações, alguns FIIs são mais sólidos do que outros, e apresentam uma relação de risco e retorno às vezes mais satisfatória. Concordo contigo que talvez seja necessário haver mais queda para compensar todos os riscos apontados de baixa liquidez, possibilidade de decréscimo na demanda a impactar as locações, bem como aumento dos juros. Agora, eu vejo esses FIIs como um dos melhores instrumentos, se o preço de entrada for razoável e os aluguéis sustentáveis, para geração de fluxo de caixa real num portfólio já razoável. Não concorda? Apesar de ter IR na venda dos FIIs, o fluxo mensal é isento de IR, algo que só se encontra nos dividendos (que são muito mais volúveis). Um título público com pagamentos semestral incide necessariamente IR de 22,5%. O que realmente me atrai é a possibilidade de um fluxo de caixa com certa proteção inflacionária.
      Entretanto, suas colocações foram muito pertinentes, e servem para estudar com calma ainda mais esse tipo de investimento.
      Sobre as compras graduais em ETFs, também quero começar a montar posições em ações. Conheço razoavelmente os prós e contras desses fundos de índices, e eu pareço mais inclinado a escolha de empresas individuais mesmo, usando os métodos comuns de lucros crescentes, margens boas, ROE razoável, índices de dívidas bons, etc. O meu temor é alocar muito capital de uma só vez, e meio que sem querer fazer timing. Ou talvez esperar mais, comprar LTF e esperar que o índice chegue a 40.000,00, se é que chega em nível tão baixo. O gozado é que o nível em 50.000,00 está igual a 2011, mas as empresas boas não voltaram aos níveis de 2011, como AMBEV, CIELO, NATURA, CCRO, TRACTEBEL, ETC. Eu acho que essa queda do índice não demonstra muito o resultado da nossa bolsa, principalmente quando se tem uma OGX caindo 90% e com peso tão grande no índice.
      Obrigado pelas ponderações!

      Soulsurfer

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    5. Soulsurfer,

      Sim, no caso de FIIs comprados por um bom preço, bem localizados (para garantir a demanda em tempos ruins e manter a locação sustentável no médio/longo prazo), sim. É um bom instrumento para geração de fluxo de caixa. Você tocou num ponto interessante, pois as empresas boas ainda estão caras e não caíram tanto com esta queda da bolsa. O movimento atingiu mais as empresas/segmentos ruins. Este é mais um fator que dificulta o stock picking (seleção de ações), além da intervenção do Estado e deterioração da economia. O filé mignon do mercado ainda não está em promoção. O mais provável, e o que normalmente ocorre, é que o movimento de retomada futura do índice será impulsionado pelas blue chips. Entre escolher o papel/setor que poderá subir mais (movimento técnico) com esta retomada (commodities, bancos ou siderúrgicas?), acho mais válido posicionar num fundo que faz a réplica do índice para ganhar com essa volatilidade do índice (compra na baixa, venda na alta), já que o mercado não apresenta sinais de que estamos próximo de entrar em um novo bull market de longo prazo.

      Abcs, boa semana

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  3. Eu nunca entendi como o QE3 realmente funciona, mas injetar 85 Bi$ mensalmente na economia não deve ser uma tarefa fácil nem para os EUA.Fico me perguntando da onde sai essa grana toda. Aumento da divida pública (emissão de Títulos)? Aumento da arrecadação devido o aumento de produtividade? Diminuição da maquina pública? Com o aumento constante do teto da divida, só vejo a primeira opção como adequada.
    Outra coisa que me veio na cabeça no momento em que li sobre a cobrança da divida da Petro, foi que a mesma será utilizada para financiar o programa minha casa melhor.
    Julio

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    1. Julio,

      QE3 é uma operação de Open Market. É uma política de afrouxamento monetário mais agressiva e de maior impacto. No caso do FED, a autoridade monetária compra todos os meses 40 bilhões de dólares em dívida hipotecária (QE3). Além disso, o FED também faz a troca de títulos de curto prazo (vende) por títulos de longo prazo (compra), no valor de 45 bilhões de dólares todos os meses (a famosa Operação Twist). Estes dois programas são responsáveis por injetar 85 bilhões de dólares na economia. Não gera impacto sobre a dívida do Estado. É um dinheiro criado pela impressora. Não tem lastro.

      O programa Minha Casa Melhor será financiado por nós mesmos (Tesouro Nacional). Inicialmente o Tesouro vai injetar 8 bilhões de reais na Caixa (por meio de uma operação de empréstimo sem prazo e sem obrigação de pagamento) para que a instituição possa aplicar no programa Minha Casa Melhor. Para o Tesouro "criar" dinheiro, basta emitir dívida no mercado (os famosos títulos públicos). Neste caso sim, é um dinheiro que tem lastro e causa endividamento do Estado.

      Abcs, bom final de semana!

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  4. FI,
    O momento jà esta bom pra vale e petro ou elas devem cair mais? Abraços.

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    1. Olá,

      Ambos os papéis estão em tendência de baixa no médio prazo, sem sinal de reversão. Mas são duas boas empresas que vale a pena ficar de olho. Quanto mais o preço cair, mais interessante fica, especialmente a Vale.

      Abcs, bom sábado.

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    2. FI,


      Muito bom esse texto falando da economia mundial .E tudo mundo pergunta agora , aonde está a mina de ouro ? a aonde investir o nosso dinheiro.


      ASS: ArriscaTudo

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  5. Obrigado Arriscatudo!

    Algumas oportunidades estão surgindo no mercado de renda fixa com a disparada dos yields dos títulos públicos. Esta queda da bolsa é interessante, também, para formação de carteira de médio e longo prazo. Compras parciais e crescentes, desde que a maior parte do capital seja reservada aos momentos de crash. Depois dê uma olhada na análise de panorama que eu fiz para o mercado: http://www.financasinteligentes.com/p/panorama-de-mercado.html

    Qualquer dúvida estou à disposição.

    Abcs, bom final de semana!

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  6. FI,

    Acreditas que a selic vai exceder a expectativa do mercado de 8,75? Ou o governo iria dar uma travada por causa do ano que vem (eleições para não afetar o crescimento)? Obrigado!

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    1. Olá amigo,

      A minha expectativa é de 8,75% para o fechamento de 2013, mas está defasada. Só não alterei ainda para 9,50% pois quero ver a confirmação deste indicativo pela ata da próxima reunião do Copom. Acho que os juros irão subir mais, a inflação se mantêm persistentemente elevada. Mas o principal motivo é político. A população está inquieta quanto à inflação. Acredito ser este o principal motivo que estava por trás da vaia ocorrida hoje no discurso da Dilma para abertura da Copa das Confederações.

      Abcs, bom final de semana!

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    2. Obrigado pela resposta! Neste caso (9,5) haveria razão para esperarmos algum corte em 2014? Até!

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    3. Não vejo margem para cortar os juros em 2014. Mesmo com o ciclo de aperto monetário atual (curto), a inflação permanecerá pressionada em 2014. Acho que o BC vai manter uma política estável em 2014. Não faz sentido reduzir levemente os juros em 2014 (para fins políticos), já que a partir de 2015, com a retomada do crescimento e inflação mundial, o aperto deverá ser bem maior.

      Abcs, boa semana

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  7. FI,
    Com relação as vaias não foi só isso, nós vivemos uma história de péssimos serviços públicos, educação péssima saúde nem se fala, aumento da violência altíssimo e a Fiona não fez nenhuma das reformas que deveria ter feito, afinal se não teve peito para isso não deveria ter chamado a gente para dançar. Então tem mais é que ser vaida mesmo e sair desse governo mais rápido do que entrou com a manipulação do Lula e da globo. O mundo podia ser tão melhor não é FI.

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    1. Foi uma bela vaia meu amigo. Estava engasgada na garganta de muitos brasileiros há bastante tempo. A mídia popular mal toca nestes problemas levantados por você. Por isso foi bom ver esta vaia em plena abertura da Copa das Confederações. Foi um ato espontâneo, pegou o governo e a mídia (submissa ao governo) de surpresa. Não deu tempo de editar nada para suavizar o impacto. Não poderiam cortar o sinal, pois estavam transmitindo para o mundo inteiro. Creio que agora a revolta da população ganhará força, contra a vontade do governo e da mídia.

      Abcs, bom domingo!

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  8. Olá Fi, observe que em fechamento o suporte já foi embora o que creio muito improvável por enquanto voltar, grande maioria dos fundos de ações trabalham com fechamentos.
    Viu a alta da Elpl4?? Já procurei algum fato relevante e não encontrei, pra mim é ajuste nas posições vendidas, de qualquer forma fez um fundo importante;
    Ivan

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    1. Olá Ivan,

      Sim, acho que dificilmente segura acima dos 48k. Com relação a ELPL4, o papel formou mais um fundo descendente dentro da tendência de baixa. Deu o sinal técnico na quinta-feira passada com o doji de indecisão. Na sexta-feira repicou forte. Pode manter este repique por mais alguns dias, mas não vejo driver no papel para inverter, neste momento, a tendência de baixa de médio e longo prazo.

      Abcs, bom domingo!

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  9. Ainda sobre as vaias:

    Leiam com atenção as duas matérias abaixo. Destaquei os pontos principais.

    Globo não inclui vaia a Dilma e Blatter em vídeo à imprensa
    http://copadomundo.uol.com.br/noticias/redacao/2013/06/16/globo-nao-inclui-vaia-a-dilma-e-blatter-em-video-e-cerceia-direito-a-informacao.htm

    "A TV Globo não incluiu a vaia à presidente da República, Dilma Rousseff, e ao presidente da Fifa, Joseph Blatter, entre os momentos mais relevantes de Brasil x Japão em compacto distribuído aos veículos de comunicação que fizeram a cobertura jornalística da Copa das Confederações neste sábado."

    "Neste sábado, o UOL pediu à Globo, por e-mail, que as cenas da vaia fossem incluídas. Recebeu como resposta que a solicitação seria comunicada à equipe responsável pela edição, mas que não havia garantias de que o pedido seria atendido. Não foi. A resposta veio às 13h07 deste domingo, após a publicação da matéria do UOL."

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    Após reportagem do UOL, Globo disponibiliza vídeo de vaias a Dilma e Blatter
    http://copadomundo.uol.com.br/noticias/redacao/2013/06/16/apos-reportagem-do-uol-globo-disponibiliza-video-de-vaias-a-dilma-e-blatter.htm

    "O vídeo foi enviado cerca de seis horas depois de o UOL publicar uma reportagem que relatava a ausência do episódio entre os seis minutos de imagens que a Globo é obrigada por lei a repassar aos veículos independentes da Fifa."

    "Em resposta à reportagem do UOL, nesta tarde, a Globo reconheceu o interesse jornalístico nas vaias e pediu "desculpas pelo inconveniente."

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  10. Ainda sobre as vaias,
    Estamos amadurecendo como povo que sabe que a maioria de seus impostos são usados na farra que é a roubalheira da maioria do políticos do congresso nacional, o tempo de nos tratar como bobos nos distraindo com carnaval e futebol está acabando, nos tratam como na época de Roma em que distraiam o povo oprimido com o coliseu, entendemos agora que a única coisa que os políticos temem é um povo unido para o bem comum. Países chamados primeiro mundo chegaram a esse patamar porque tem como característica entre outras coisas valorizar seu povo e dar qualidade de vida. Que País vamos deixar para nossos filhos?

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    1. A única certeza é que o populismo tem vida curta, está na fase final, mas seremos obrigados a lavar esta roupa suja (a partir de 2015). O preço não vai ser barato. Podemos passar por um cenário de maior aperto e menor crescimento. A ascensão das redes sociais está acabando com aquele velho processo de manipulação da mídia, além de estimular os jovens de hoje a cobrarem um pouco mais do governo. Estes protestos surgem num momento em que a taxa de desemprego atinge níveis historicamente baixos. Isso mostra que alguns não estão preocupados apenas com o próprio umbigo, mas também com o futuro da nação.

      Abcs, boa semana

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  11. Muito interessante a sua discussao acima sobre os FII. Caso o investidor tenha acesso a FII americanos (compostos pelos famosos REIT´s) pensa que ainda é um ponto de entrada para longo prazo (10 anos)visando aproveitar 2 drivers: a recuperação dos preços de imoveis nos eua e a reversao do fluxo de investimentos globais dos emergentes para os desenvolvidos?

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    1. Pode ser interessante sim, mas eu não arriscaria fazer isso por conta própria (escolher os REITs). É difícil acompanhar e fazer a escolha por aqui. Melhor deixar o serviço para um gestor/fundo focado no mercado imobiliário norte-americano. O investidor precisará montar uma proteção no câmbio também, pois o real tende a se desvalorizar no médio e longo prazo.

      Abcs, boa semana

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