terça-feira, 25 de junho de 2013

Ação coordenada dos BCs tranquiliza o mercado


Presidentes dos principais Bancos Centrais mundiais entraram em cena nesta terça-feira com o objetivo de acalmar o mercado financeiro. O nível de tensão no mercado aumentou significativamente após a reunião do FED (Federal Reserve – Banco Central dos Estados Unidos) realizada na última quarta-feira. Os motivos que estão relacionados ao aumento da volatilidade nas praças financeiras mundiais foram destacados no artigo “FED envia o convite para a festa de encerramento”.

Nesta manhã o Banco Popular da China (considerado o Banco Central do País) tranquilizou os temores dos investidores sobre uma possível crise no mercado interbancário chinês. Ling Tao, vice-presidente da instituição, disse que “o risco de liquidez no sistema bancário está sob controle”. Ele ainda completou dizendo que “vai estabilizar as expectativas de mercado e guiar as taxas de juros para níveis razoáveis”. A taxa Shibor (juros do mercado interbancário) reagiu e voltou a ceder, conforme podemos observar logo abaixo.

Shibor

Na Europa o presidente do BCE (Banco Central Europeu), Mario Draghi, disse que “a estabilidade de preço está assegurada e o cenário econômico geral ainda justifica uma postura acomodativa, cujo fim, aliás, ainda está distante”. Draghi mostrou aos mercados que o BCE não irá seguir a estratégia do FED, mesmo porque as economias estão em situações diferenciadas. Os países da zona do euro ainda não conseguiram entrar no processo de retomada do crescimento, tal como ocorre nos Estados Unidos.

Benoit Coeure, um dos membros com poder de voto no BCE, reforçou a mensagem do seu presidente ao dizer que “as medidas adotadas pela autoridade monetária, visando sustentar o crescimento e lutar contra a crise da zona do euro, permanecerão por quanto tempo forem necessárias”. O BCE, segundo Coeure, pode ir além (ou seja, realizar mais um corte na taxa básica de juros), se necessário.

O esforço final, visando acalmar a tensão dos investidores e operadores, veio do presidente do BoE (Banco Central da Inglaterra), Mervyn King. Ele ressaltou que “os mercados exageraram na interpretação das declarações de Bernanke”. Na visão do presidente do BoE, as pessoas se anteciparam à retomada da taxa básica de juros. A expectativa do FED é voltar a subir os juros somente em 2015.

A ação coordenada dos principais banqueiros centrais mundiais funcionou. No âmbito global, as bolsas voltaram a subir e os yields dos títulos públicos voltaram a cair. No Brasil, o movimento de queda nas taxas de juros foi mais forte por conta dos leilões de recompra extraordinários realizados pelo Tesouro Nacional nos últimos dias.

Gráfico LTN 2016

A LTN 2016, que havia atingido 11,73% na semana passada, já recuou mais de um ponto percentual. O mesmo movimento pode ser observado nas taxas dos demais títulos do Tesouro. Deve-se destacar que a redução da volatilidade é um evento momentâneo, de curto prazo, pois ainda estamos dentro da fase crítica do ciclo de aperto monetário e não há sinais de mudança no portfólio de investidores estrangeiros que estão reduzindo exposição em títulos soberanos, principalmente de países emergentes.

O Ibovespa conseguiu repicar nesta terça-feira, marcando fundo temporário na região dos 45.4k. Tem espaço para manter o movimento de repique até a LTB formada a partir do topo em 57k, onde o rompimento desta linha aumentará a força da tendência de alta de curtíssimo prazo.
  

Nos Estados Unidos o índice Dow Jones fechou o pregão em alta de 0,69%, trabalhando um movimento de repique de curtíssimo prazo. A próxima zona de resistência está posicionada na linha dos 14.8k, onde o índice poderá encontrar dificuldades de retomada devido ao pivot de baixa acionado recentemente.


12 comentários:

  1. FI,

    Deu para respirar um pouco essa semana com essa recompra do tesouro e uma meia reação do mercado.

    Vamos esperar o movimento passar (bem como você escreveu no livro) e observar se até dezembro os títulos recuperam algo do valor.

    Abs,

    Miguel

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    1. Sim, as operações de recompra do Tesouro foram bem sucedidas. Conseguiu atingir o objetivo que era reduzir as taxas de juros e conter a volatilidade. É um respiro de curto prazo.

      Abcs, bons investimentos

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  2. É provável que o IBOV repique nos próximos dias, afinal faltam 3 pregões para encerrar o mês e o semestre. E para não ficar tão feio como está, poderá haver um respiro prolongado. Abraços

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    1. Provavelmente teremos a famosa puxadinha de final de mês, já que está coincidindo também, como você falou, com o fechamento do trimestre e do semestre. Se o índice conseguir passar pela LTB o movimento ganhará força com especuladores operando mais na ponta compradora. Está convidativo, pelo nível de sobrevenda.

      Abcs, bons negócios

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  3. Olá, observem que as de maior peso pouco andaram, creio que vem paulada em muito breve, atenção nas formações de bandeiras;
    Ivan

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    1. Pra inversão de tendência o volume ficou baixo. Mas a maioria subiu bem. Vale, Petro, OGX e siderúrgicas. Setor financeiro é que ficou um pouco pra trás rs.. Vamos ver se rompe a LTB amanhã.

      Abcs, bons trades

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  4. Os mercados estão de uma forma geral inflados demais. A retirada da " liquidez artificial " implantada nos últimos tempos pode penalizar e corrigir esses índices num futuro próximo , gerando uma pressão extra na bolsa brasileira , que pode facilmnente nesse cenário , visitar o fundo de 2008 !

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    1. Opa! Tudo bom?

      No México e talvez na Índia sim. Já nos Estados Unidos a alta no preço das ações tem o respaldo da melhora nos fundamentos, além da liquidez é claro. No Brasil ocorreu o contrário, os fundamentos pioraram, tanto das empresas, quanto da economia. Mas, no geral, os preços não estão inflados aqui. Alguns setores sim, estão caros. Se a bolsa visitar, ou mesmo perder (pois se voltar pra lá, provavelmente vai perder) o fundo de 2008 teremos uma boa oportunidade para aumentar posição em renda variável.

      Abcs, bons negócios

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  5. Olá FI,

    Você diz que esse repique da Bovespa é apenas um suspiro de curto prazo, pois os grandes players continuam reduzindo a exposição em mercados emergentes. Queria entender um pouco mais da conjuntura econômica então te pergunto isso:

    Se de fato a queda da Bovespa continuar puxada por uma fuga de capitais, isso significaria que os yields e o dólar voltariam a subir, como aconteceu nos momentos de "pânico"?

    Abraço,
    Henrique D

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    1. Com relação ao dólar existe o fator intervenção do governo que pode suavizar o processo de valorização da moeda, mas não há como fugir da tendência de alta no câmbio. É um fenômeno à nível global, de médio e longo prazo. Os yields já estão subindo (não no curtíssimo prazo, houve um alívio), mas neste caso existe um teto. Se os juros subirem demais a demanda compradora voltará aumentar, em decorrência das melhores condições de negócio (juros altos) e risco baixo (solvência do país, pelo menos no curto prazo).

      Abcs, bons negócios

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  6. Olha essa piada...

    http://economia.estadao.com.br/noticias/economia-brasil,nao-vi-ninguem-na-rua-falando-em-descontrole-da-economia-diz-mantega,157611,0.htm

    FI, o Mantega não viu teu cartaz... rs

    Abraço,
    FBV

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    1. kkkkkkkkkkkkk

      Vou mandar um óculos de presente pra ele!

      Abcs, bons trades

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