sexta-feira, 28 de junho de 2013

Cadeira vaga de Bernanke provoca disputa entre diretores do FED


O mandato de Ben Bernanke, atual presidente do FED (Federal Reserve – banco central dos Estados Unidos), terminará no dia 31 de janeiro de 2014. Embora ainda não tenha confirmado sua saída (visando evitar aumento de tensão no mercado), é praticamente certo que Bernanke não permanecerá mais sobre o comando do Banco Central.

O presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, indicou esta possibilidade durante uma entrevista neste mês. Hoje, uma fonte da Casa Branca confirmou que o governo norte-americano já está montando uma lista de possíveis candidatos para a sucessão de Bernanke.

Mas a cadeira vaga de Bernanke está provocando uma aparente disputa entre os membros do Fomc (Comitê Federal de Mercado Aberto), onde o mercado financeiro é duramente afetado pelas declarações dos membros do Comitê que pretendem “aparecer” mais para a Casa Branca, almejando uma posição na referida lista do governo.

Wall Street está sendo bombardeada por uma série de declarações contraditórias por parte dos diretores regionais do FED. James Bullard, presidente do FED de St. Louis, disse que o anúncio sobre a redução dos estímulos monetários foi realizado num momento inapropriado.

Jeffrey Lacker, presidente do FED de Richmond, disse que a volatilidade nos mercados deverá continuar enquanto o Banco Central continuar fornecendo indicações do futuro de sua política monetária. Willian Dudley, presidente do FED de Nova York, afirmou que se o mercado de trabalho não apresentar melhora o Banco Central poderá aumentar o programa de estímulo monetário, ao invés de reduzi-lo.

Já o diretor Jeremy Stein disse o contrário e afirmou que o banco central norte-americano pode começar a reduzir sua política de estímulos em setembro. Jerome Powell resolveu atacar o mercado da dívida soberana ao dizer que a oscilação nos yields dos títulos norte-americanos é injustificável.

A disputa pela vaga de Bernanke é notória. Há muitos anos não apareciam na mídia tantos diretores do FED num curto espaço de tempo. Muitos destes diretores, que hoje estão lutando por uma foto na capa do The Wall Street Journal, simplesmente sumiram dos holofotes quando o mercado entrou em colapso na crise do subprime.

Os discursos destes diretores podem ser comparados à entrevista de um candidato despreparado a determinada vaga de emprego. Não adianta “mentir ou incrementar o currículo”. Por mais que a disputa esteja acirrada, nenhuma das figuras citadas acima está, sequer, entre as mais cotadas para ocupar a cadeira de Bernanke.

A vice-presidente do FED Janet Yellen, o ex-conselheiro de Obama Lawrence Summers e o ex-secretário do Tesouro Timothy Geithner são os nomes mais cotados para ocupar o cargo de Bernanke. Nenhum destes três profissionais, extremamente competentes por sinal, está participando da disputa por espaço entre os demais diretores do FED.

Pode-se adiantar que, independente da escolha da Casa Branca (dentre estes três candidatos), o mercado estará bem servido por um novo comandante do Banco Central mais poderoso do mundo.

No mercado de capitais a semana foi marcada por um movimento de recuperação generalizada nas diversas praças financeiras mundiais. Nos Estados Unidos o índice Dow Jones fechou a semana em leve alta, mostrando uma estela apoiada na linha central de bollinger. É um sinal de alívio que poderá se estender pelas próximas semanas, desde que a referida linha seja mantida.


Na Alemanha o índice DAX fechou a semana em forte alta, recuperando-se acima da importante linha de suporte posicionada na região dos 7.5k. Poderá manter o movimento de repique nas próximas semanas com a recuperação da linha central de bollinger.


Na Índia a bolsa de Bombay fechou a semana com um engolfo de alta colado na linha de suporte em 18.5k. É uma sinalização de fundo relevante e pode indicar reversão da tendência de curto prazo (de baixa para alta).


Na China a bolsa de Xangai foi duramente atingida pela disparada da taxa de juros do mercado interbancário. O índice voltou a subir após a manifestação do Banco Popular da China (considerado o Banco Central do País), visando tranquilizar os investidores e as instituições financeiras. Mas movimento de alta dos últimos dias não foi suficiente para reverter todas as perdas da semana. De qualquer forma, pode-se considerar que a principal região de suporte de curto e médio prazo (1.8k) foi testada e respeitada.
  
  
No Brasil o índice Bovespa fechou a semana em leve alta, mostrando, também, um movimento de recuperação, embora em menor força. A LTA de 2002 foi testada e respeitada. Caso esta linha seja mantida nos próximos pregões, o índice poderá recuperar o antigo patamar de suporte em 47.8k. Segue mantendo a tendência de alta de curtíssimo prazo, embora a tendência de baixa de curto, médio e longo prazo segue predominante e sem sinal de reversão.


No gráfico mensal podemos observar o mesmo padrão de apoio sobre a LTA de 2002. As chances de uma virada mais consistente do mercado dependem da manutenção desta referida linha de tendência.


O mês de junho marcou o sexto mês consecutivo de queda da bolsa brasileira. O candle mensal revela aumento de força da tendência de baixa de médio e longo prazo. Apesar da sinalização expressiva do candle, as condições para novas aberturas de posições vendidas estão menos favoráveis. O índice encontra-se em região de sobrevenda nos gráficos diário, semanal e mensal. Portanto, movimentos de repiques mais consistentes podem aparecer nos próximos meses.

Desejo a todos vocês um ótimo final de semana!

6 comentários:

  1. FI,

    Acredito que com esse movimento todo do FED previsto para o ano que vem, junto com um provável corte dos QEs e subida dos juros americanos atrapalharão o surgimento de um Bull Market na bovespa em 2014, mas tudo pode acontecer... (Exceto a Dilma ser reeleita, espero!).

    Bom fds.

    Miguel

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    1. Miguel,

      Retornar para uma tendência de alta de longo prazo vai ser difícil, mas deveremos ter movimentos de alta de curto e médio prazo com boas oportunidades de ganho. Por falar em Dilma, o Datafolha divulgou hoje que a popularidade da presidente despencou de 57% para 30% (pessoas que consideram gestão boa ou ótima). No mês de março este índice estava em 65%. A reeleição da presidente está seriamente ameaçada. Não ficarei surpreso se o mercado disparar na próxima semana.

      Abcs, bom sábado!

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  2. O candle desta semana, no gráfico semanal do IBOV,fechou fora das bandas de Bollinger.É possível que haja um retorno para dentro das bandas, nas próximas semanas. Com isto, teríamos um alívio nos indicadores já sobrevendidos.Acredito que, ainda este ano, vamos testar esta importantíssima resistência (outrora suporte) dos 52,5k.
    Abraços

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    1. Sim. O mercado que mais apanhou no mundo é, também, o que apresenta maior potencial de repique técnico. O pavio inferior do candle semanal, apesar de não ser um martelo, também corrobora para este possível sinal de reversão. Pode ser um bom momento para especular.

      Abcs, bom final de semana!

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    2. FI,

      Dá prá comprar ETF, pensando numa recuperação? E a LTN2016 a 10,40, continua sendo uma boa opção, depois do aumento na projeção da SELIC?

      Abcs,

      LLC

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    3. Olá LLC,

      Sim, numa recuperação de curto/médio prazo, aproveitando a volatilidade do índice conforme mostrei no livro. Com relação ao longo prazo, acho que podemos cair mais, mas isso é só um chute rs.. A única certeza é que não há sinal de inversão na tendência de longo prazo. Com relação a LTN 2016, sim. É uma opção razoável (boa mesmo foi quando bateu 11,73% algumas semanas atrás). Hoje o título paga 10,78% a.a. Ficará com um spread de pouco mais 1 ponto percentual acima da taxa Selic, levando em consideração que a taxa básica de juros fechará 2013 aos 9,50%.

      Abcs, boa semana!

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