sexta-feira, 21 de junho de 2013

Vamos estourar o limite do cheque especial


O chefe do Departamento Econômico do Banco Central, Tulio Maciel, informou nesta sexta-feira que o Brasil registrou déficit de transações correntes de 6,42 bilhões de dólares no mês de maio. O valor é significativo e superou a própria estimativa do Banco Central, que já não era boa (5,2 bilhões de dólares).

Este foi o pior resultado registrado para o mês de maio desde que a série histórica começou a ser implementada com aberturas mensais (a partir de 1990). O fraco desempenho da balança comercial é o principal fator, apontado pelo governo, responsável por colaborar para o aumento do rombo nas transações correntes.

A balança comercial registrou (em maio) saldo positivo de apenas 759 milhões de dólares, muito pior do que o superávit de 2,96 bilhões de dólares registrado no mesmo período do ano passado. Mesmo com um cenário cambial favorável (desvalorização do real, que em tese deixaria os nossos produtos mais baratos no mercado externo), as exportações brasileiras não conseguem se deslanchar.

Os nossos produtos continuam apresentando baixa competitividade no comércio exterior devido ao ambiente de negócios extremamente desfavorável no Brasil. A desvalorização do real não consegue neutralizar a significativa perda de competitividade provocada pelos elevados custos de produção, carga tributária sufocante e infraestrutura precária.

O baixo desempenho da balança comercial tornou-se o mais novo indicador que revela a crescente e sucessiva fase de deterioração da economia brasileira, que ainda conta com o recente agravamento das pressões inflacionárias e descrédito da política econômica e fiscal do governo federal. São fatores que se transformam numa bola de neve e colaboram para o aumento do déficit em conta corrente.

O ingresso de IED (Investimento Estrangeiro Direto, o que em outras palavras significa participação acionária em empresas já existentes ou na criação de novas empresas) no mês de maio somou 3,88 bilhões de dólares. Este recurso dos estrangeiros (muito bem vindo, pois é um capital de longo prazo) funciona como um cheque especial para cobrir o saldo negativo das transações correntes do País.

Acontece que nem mesmo o ingresso de IED conseguirá cobrir o rombo na conta brasileira. O Banco Central aumentou sua projeção de déficit em transações correntes para 75 bilhões de dólares este ano. A estimativa para o IED foi mantida em 65 bilhões de dólares. Isso significa que, de acordo com as projeções do Banco Central, vamos estourar o limite do cheque especial em 10 bilhões de dólares.

Esta será a primeira vez desde 2001 em que o IED não será suficiente para cobrir o rombo na conta corrente brasileira. A deterioração das transações correntes foi um dos motivos destacados pela agência de classificação de risco S&P (Standard & Poors) para justificar sua mudança na perspectiva do rating brasileiro (de estável para negativa).

O déficit em conta corrente já é um sinal negativo. Estourar o limite do cheque especial é pior ainda. Desagrada os investidores e contribui para manutenção do baixo clima de confiança e credibilidade do País, intensificado nos últimos dias, também, pela onda de manifestações.

O clima de indignação dos brasileiros está incentivando figuras importantes do mundo dos negócios a expressarem suas insatisfações com o Brasil. Ontem o vice-presidente da Moody’s, Mauro Leos, não poupou palavras para manifestar sua decepção com o País. Hoje foi a vez de Robert Atkinson, presidente da Fundação de Inovação e Tecnologia da Informação, entidade baseada em Washington (Estados Unidos).

Atkinson disse que “assim como os manifestantes, as multinacionais também querem mais transparência no Brasil. Há uma série de ações discriminatórias contra elas. As empresas estão acostumadas com ambientes como o europeu e o norte-americano, onde os processos de decisões governamentais envolvem consulta às empresas e aos movimentos sociais. É um ambiente mais transparente”, completou.

Enquanto isso, do outro lado do mundo, a Rússia (País que apresenta uma economia semelhante ao Brasil, devido ao peso das commodities) não perde tempo em fazer o seu dever de casa. O presidente russo, Vladimir Putin, anunciou nesta sexta-feira um acordo com a China para o fornecimento de petróleo no valor de 270 bilhões de dólares nos próximos 25 anos.

A semana foi maraca por uma queda significativa e generalizada entre principais praças financeiras mundiais. Os mercados não reagiram bem ao convite enviado pelo FED para a festa de encerramento da era do dinheiro farto e barato.

Nos Estados Unidos o índice Dow Jones fechou em baixa pela segunda semana consecutiva, mantendo o movimento de correção de curto prazo. Caso a linha central de bollinger seja rompida nas próximas semanas, a força da tendência de baixa poderá aumentar, fato que jogará o índice para a região de suporte psicológico dos 14k.


O índice DAX despencou na bolsa de Frankfurt (Alemanha). Este é o maior candle de baixa registrado desde setembro de 2011. A força da queda mostra que o índice poderá retornar para a importante região de suporte dos 7.5k nas próximas semanas.


A bolsa de Londres (Inglaterra) também caiu forte na semana. O índice FTSE retornou para importante linha de suporte em 6.1k com extrema rapidez e violência. O mercado dificilmente conseguirá se manter acima desta linha de suporte nas próximas semanas.


Na Índia, o principal índice da bolsa de Bombay fechou a semana em forte queda, indicando que deverá testar a importante linha de suporte na região dos 18.5k. O índice contará com o apoio da LTA de 2009 para formar uma zona de resistência dupla. Porém, a intensidade observada neste movimento de queda indica que a linha não conseguirá segurar a pressão vendedora por muito tempo.
  
  
O principal índice da bolsa de Xangai (China) despencou na semana e acionou um importante pivot de baixa. A mínima registrada no final do ano passado poderá ser retestada nas próximas semanas.


A bolsa do México derreteu na semana. O índice passou vazado da importante linha de suporte em 256 pontos e só foi parar na média móvel simples de 200 períodos semanal. Mercado apresentando forte correção e sem sinal de reversão na tendência de curto prazo.


No Brasil o índice Bovespa também despencou. Esta já é a quarta semana consecutiva de queda no índice. A região de suporte dos 47.8k foi rompida sem a menor dificuldade. Este movimento indica que a zona de congestão de longo prazo está sendo rompida para baixo, agravando a tendência de queda da bolsa.


O índice poderá encontrar apoio na LTA de 2002, que está sendo testada neste exato momento. Porém esta linha dificilmente conseguirá segurar a pressão vendedora por muito tempo (algumas semanas) e/ou provocar uma reversão da tendência de baixa de médio e longo prazo.

Bom descanso a todos e um ótimo final de semana!

21 comentários:

  1. Vou parar de ler seu blog, ele está me causando depressão rsrs.

    Cara que mês horrível. E o pior é que ainda dá pra piorar e muito.

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    1. Sem dúvida que pode piorar, mas como vamos, ao que tudo indica, para o sexto mês consecutivo de queda, acredito que deveremos ter uma pausa para respirar de algumas semanas e, quem sabe, a queda pare por aqui, afinal atrás de uma baixa vem sempre uma alta. Vamos aguardar.

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    2. Só vai respirar quando a copa das confederações e os protestos terminarem e houver notícias da inflação cedendo, BC sendo mais duro nos juros e alguma notícia de esforço fiscal do governo.

      Porém na outra ponta se o governo começar a cancelar os reajustes de elétricas, saneamento, combustível e gás pra atender os baderneiros, aí vamos a 40k fácil.

      A situação é crítica demais. Caminhamos para virar uma Argentina. É o que dá botar esquerda e mulher no poder.

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    3. Exato. Ao que tudo indica, este será o sexto mês consecutivo de queda. A não ser que o Ibovespa feche nesta próxima sexta-feira aos 53.7k, o que é altamente improvável. Mas os repiques podem e devem acontecer, o que não será um indicativo de inversão da tendência de baixa de médio e longo prazo. A perda da zona de congestão indica que ainda temos chão pra descer no médio/longo prazo.

      Com as cias elétricas, saneamento, entre outras, eu concordo. Mas se a queda for muito exagerada (como parece ser com relação a CPLE3), poderemos ter uma nova oportunidade de compra.

      Abcs a todos e bom final de semana

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    4. "É o que dá botar esquerda e mulher no poder."

      Não acredito que li isso aqui...

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  2. FI,
    acho que estamos tão massacrados com a tortuta tribútária que vivemos em nosso país,que não tivemos outra alternativa a não ser essa explosão de indignação,o caos político em que esse país se encontra, é o oposto de Midas pois tudo o que nossos políticos põem a mão vira lata, e já está sendo reconhecida até no exterior.Por exemplo estudei em colégio público, mais hoje temo por meus filhos nessa instituição.
    Sugiro que eles coloquem os deles e que isso fosse uma das reinvidicações dos protestos e também que fossem obrigados a usar a saúde pública só assim eles sentiriam na pele as necessidades do povo.
    Em breve entrarei em contato no seu gmail.
    Abraços a você e a SRA FI.

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    1. Sim, demorou demais para o povo acordar. O Brasil tem uma das maiores cargas tributárias do mundo e o retorno dos impostos à população chega a ser ridículo.

      Obrigado amigo!

      Fico no aguardo, bom final de semana!

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  3. FI, pela análise técnica, até onde esta queda pode ir?

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    1. Opa! Tudo bom?

      Esta pergunta vale 1 milhão e ninguém sabe responder rsrss.. Você pode traçar targets com fibo, rompimentos de figura, utilizar suportes, etc. São apenas hipóteses. É impossível saber até onde vai um movimento de alta/queda, mas conseguimos identificar as inversões de tendência, analisar a volatilidade e entrar nos momentos mais favoráveis como expliquei no livro, ou mesmo verificar se o mercado está caro ou barato pra comprar.

      Abcs, bom sábado!

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    2. FI,

      Acredita que cairá para baixo dos 31 mil (17 nov 2008)?

      Abraços,

      Miguel

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    3. Miguel,

      Acho difícil, pois a bolsa ficaria muito barata. Mas eu não traço estratégias baseadas no meu achismo, pois eu posso achar uma coisa e o mercado me mostrar outra. O mais importante é ter uma estratégia definida para diferentes tipos de cenário e estar preparado para aproveitar as oportunidades, independente do que acontecer com o mercado.

      Abcs, boa semana!

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  4. Bom dia! Gostaria de me apresentar como Nordestino Aloprado. Estou iniciando hoje meu blog na blogosfera dos amanantes por investimentos. Abraços!

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    1. Opa!

      Seja bem-vindo amigo!

      Abcs, bom final de semana!

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  5. FI, lembra que te falei que a única solução era a volta do Meirelles?
    Pois é, chama o homem e coloca no BC, coloca o Tombini ou o Mendonça de Barros no Lugar do Margarina e dá um sonífero para a Dilma só acordar em outubro de 2014. E, tirar o terço da gaveta e começar a rezar.
    Abraços

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    1. Mendonça de Barros não iria assumir algo do PT não cara... Ele não se destruiria assim, ele é querido no PSDB e pelo FHC e por parte da direita (Veja como Reinaldo Azevedo e Olavo de Carvalho).

      Margarina se for demitido neste momento causaria muito caos, a hora passou, ela vai manter ele morto-vivo no momento. Meirelles é muito pró-mercado e Mendonça pró-direita e isso causaria caos na base de extrema esquerda no momento.

      Temos que ler mais a política pois devido os protestos ela está acima da economia no momento

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    2. Verdade, já estão circulando boatos com relação ao retorno do Meirelles. Mas acho difícil ocorrer esta mudança antes das eleições de 2014, a Dilma não quer dar o braço a torcer. Além disso, uma possível troca neste momento favoreceria a oposição na disputa eleitoral.

      Eu prefiro que o Tombini continue no Banco Central, porém com total autonomia do governo, assim ocorreria mudança somente na Fazenda, com o Meirelles substituindo o Mantega em 2015.

      Abcs a todos e boa semana!

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  6. O problema é que VALE5 a 27 é tentação demais para mim...vou entrar.

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    1. Realmente o preço dela está atrativo. Além disso, o principal driver (preço do minério de ferro) tende a se recuperar no médio/longo prazo com a retomada do crescimento econômico mundial.

      Abcs, bons investimentos

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  7. COMO ANDA OS TITULOS DO GOVERNO HOJE, OS BASEADOS NO IRF-M

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    1. Os títulos se valorizaram. O governo realizou leilões extraordinários de recompra e conseguiu reduzir um pouco as taxas que estavam significativamente elevadas.

      Abcs, bons negócios

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