terça-feira, 2 de julho de 2013

A rotina decepcionante da atividade industrial


O IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística) informou nesta terça-feira que a produção industrial brasileira cedeu 2,0% no mês de maio em comparação com o mês anterior. O resultado veio pior do que o esperado pelo mercado e mais uma vez decepcionou os investidores.

A queda inesperada da atividade industrial brasileira reduziu as esperanças daqueles que acreditavam numa retomada mais consistente da economia no segundo trimestre deste ano, frente ao número decepcionante do primeiro trimestre. Praticamente todas as categorias analisadas apresentaram queda na comparação mensal. O destaque negativo ficou por conta dos Bens de Capital (investimentos) que recuaram 3,5%.

O setor de Bens de Capital, enaltecido pelo governo nos últimos meses, foi destaque no raquítico PIB (Produto Interno Bruto) do primeiro trimestre. Muitos acabaram acreditando na propaganda do governo, mas o ministro da Fazenda esqueceu de um detalhe importante: a mentira tem perna curta. A queda deste indicador (Bens de Capital) confirma que o aumento dos investimentos na economia era na verdade um “alarme falso”, provocado, em grande parte, pela produção de caminhões.

O fato de a produção industrial apresentar retração num cenário de câmbio favorável (no mês de maio o dólar subiu 7,1%, favorecendo as exportações) revela, mais uma vez, os graves problemas estruturais da economia brasileira.

Além dos sérios problemas relacionados à infraestrutura, carga tributária, burocracia e baixa capacitação profissional, as indústrias estão sendo duramente afetadas pela alta da inflação. Segundo o Instituto Markit, os custos dos insumos subiram ao ritmo mais elevado desde maio de 2011.

Com um cenário de inflação acelerada, baixo crescimento, política fiscal inadequada, política econômica ineficiente, intervenção excessiva do Estado, desvalorização do real, revoltas populares, baixa confiança e credibilidade do governo, os investidores estrangeiros não pensam em fazer outra coisa a não ser pular fora do Brasil o quanto antes.

O surgimento de notícias negativas, quase que rotineiramente, reforçam o desejo dos estrangeiros em arrumar as malas e partir para outro mercado não tão rifado (micado/shorteado/vendido) quanto o brasileiro, o que não deve ser uma tarefa difícil, já que o desempenho do índice Bovespa neste ano está entre os piores do mundo.

O índice Bovespa despencou 4,24% somente nesta terça-feira. A queda das ações de Eike Batista, atribuída pela mídia – de forma errada – como um dos principais fatores responsáveis pelo derretimento da bolsa, pouco influenciou no desempenho do índice. A verdade é que a bolsa de valores iria despencar com ou sem papel X no índice.

A queda na bolsa foi generalizada. Não houve distinção entre setores, empresas boas ou ruins. Praticamente tudo despencou. A ausência de compradores no pregão permitiu que os principais ativos perdessem regiões de suportes importantes e acionassem pivot de baixa. Ordens de vendas pesadas dominaram o pregão durante todo o dia, mostrando ser um forte indicativo de debandada dos investidores estrangeiros.

A forte onda vendedora jogou o índice Bovespa para os 45.2k, abaixo da última região de suporte em 45.4k. Este movimento invalidou o movimento de repique de curtíssimo prazo logo no início do pregão com a perda da zona de congestão de curtíssimo prazo, conforme destacamos na análise de ontem.

Ibovespa

Um novo pivot de baixa foi acionado no inídice aumentando cada vez mais a força da tendência de baixa de curto, médio e longo prazo. Não há regiões de suportes relevantes mais abaixo. A bolsa está caindo sem chão e pode realizar movimentos de repiques momentâneos em regiões aleatórias.

Nos Estados Unidos o índice Dow Jones fechou o pregão em leve baixa marcando o segundo candle consecutivo de reversão abaixo da linha central de bollinger. O movimento de repique de curto prazo está ameaçado pela falta de força compradora no pregão (evidenciado pelo baixo volume financeiro), o que poderá incentivar a abertura de novas posições vendidas nos próximos pregões.

Bolsa

25 comentários:

  1. é triste para nós que somos brasileiros e sabemos dos recursos existentes neste país, passarmos por isso. o que não faz a incompetência de um governo. e isto não é de agora, começou a ser construído pelo lula. iremos pagar um alto preço para reorganizar tudo.

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    1. Exatamente, tudo começou na era Lula. Desperdiçamos a excelente oportunidade criada pelo super ciclo de alta das commodities para fazermos as reformas estruturais.

      Abcs, bons investimentos

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  2. É. Chegamos no fundo do poço.
    Acho que a única coisa positiva ainda na economia é o baixo desemprego, mas num cenário desse é questão de tempo pra piorar, se já não está piorando.
    Agora com a confusão política, protestos explodindo em todos os cantos e as inúmeras greves que teremos nos próximos meses, não temos nenhum sinal aparente de melhora em nenhum indicador.

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    1. Nerd, tenho certas restrições quanto à essas estatísticas de baixo desemprego... Veja se concorda comigo:
      Brasil: População de aproximadamente 200 milhões, sendo 26 milhões trabalhando formalmente;
      Austrália: População de aproximadamente 23 milhões, sendo 11 milhões trabalhando formalmente.

      Ou seja, será que o baixo desemprego é realmente o que pregam?

      Abs.,

      Igor Eduardo

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    2. Olá Igor,

      Você tem o link/fonte dessas informações?

      Abcs, bons negócios

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    3. Temos baixo índice de desemprego, mas altíssimo nível de sub emprego

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    4. FI,

      Seguem dados, por favor, veja se concorda:

      • Australia, conforme "Australian Bureau of Statistics" - órgão oficial equivalente ao IBGE":
      - População (23 milhões): http://www.abs.gov.au/ausstats/abs%40.nsf/94713ad445ff1425ca25682000192af2/1647509ef7e25faaca2568a900154b63?OpenDocument
      - Taxa de desemprego (contigente de pessoas ocupadas 11,6 milhões): http://www.abs.gov.au/ausstats/abs@.nsf/mediareleasesbyCatalogue/46DFE12FCDB783D9CA256B740082AA6C?Opendocument

      • Brasil, conforme IBGE:
      - População (194 milhões): ftp://ftp.ibge.gov.br/Estimativas_Projecoes_Populacao/Estimativas_2012/serie_2001_2012_TCU.pdf
      - Taxa de desemprego (contingente de pessoas ocupadas 23 milhões): ftp://ftp.ibge.gov.br/Trabalho_e_Rendimento/Pesquisa_Mensal_de_Emprego/fasciculo_indicadores_ibge/2013/pme_201305pubCompleta.pdf

      Obs.: sei que nos cálculos de taxa de desemprego é considerada a PEA, mas se os dados apresentados acima estão corretos, não é verdade absoluta que a taxa de desemprego brasileira é 5,8% e a australiana é 5,5%. Desconsiderando o fato da PEA, a impressão que tenho é que enquanto no Brasil temos 24 milhões de pessoas trabalhando para uma população de 194 milhões, na Austrália temos 11,6 milhões de pessoas trabalhando para uma população de 23 milhões.

      Obs2: desculpe os termos e possíveis erros, pois não sou economista.

      Att.,

      Igor Eduardo

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    5. Obrigado amigo!

      Realmente não há como discordar, essa é a impressão que fica. Pode ser uma questão de metodologia da pesquisa, por isso os cálculos do IBGE são diferentes do DIEESE. O IBGE considera desempregado somente a pessoa que, no período de referência, estava disponível para trabalhar e realmente procurou emprego. E ainda, se você trabalhou apenas uma hora durante os 7 dias da semana, não é considerado desempregado pelo IBGE.

      Abcs, bons investimentos

      PS: também não sou economista, parabéns pelas contribuições!

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  3. Não vejo muita condição para uma retomada consistente ainda neste ano.
    Acho difícil que o governo concilie as medidas necessárias para isso com medidas que trariam o aumento da popularidade necessário para que haja reeleição no próximo ano. A situação é bem nebulosa e o cenário externo não ajuda em nada.
    Creio que hoje a questão é: Quando a situação econômica piorar, qual a alternativa segura para investir e manter um mínimo de rentabilidade?

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    1. O que eu tenho feito nos últimos anos é manter o foco nas operações de curto prazo. Mas acho que esta queda da bolsa está proporcionando uma oportunidade para formação de posições mais longas. O segredo está na alocação e no timming. Basta fazer compras parciais e crescentes dentro da tendência de queda e separar a maior parte do capital para os crashs de mercado. O mercado de renda fixa voltou a ficar bom para abertura de posições curtas (LTN 2016 que chegou a bater nos 11,73% e LFT 2017).

      Qualquer dúvida volte a perguntar.

      Abcs, bons investimentos

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  4. FI,

    Bom post como de costume.

    Se me permite acrescentar algo, tente rever o Sardenberg na reapresentação do jornal das 10 da globonews de hoje.

    Tem uma agência de risco japonesa falando que no último trimestre o Brasil já entraria tecnicamente em recessão, uma vez que o crescimento tem cada vez sido menor. O crescimento simplesmente não ocorreria.

    Parece meio alarme, mas ao mesmo tempo tem fundamento com o cálculo que fizeram. Todas as agências estão recomendando tirar grana do Brasil (em especial O Brasil dentre os emergentes).

    Tentei buscar a íntegra no google, mas não consegui. Capaz de vermos o Brasil já rebaixado ainda esse ano.

    Talvez pensar no ibovespa abaixo de 31.482 pontos (mínima de 2008) não seja tão exagerado se levarmos em conta que ainda tem muita coisa para acontecer.


    Abs,

    Miguel

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    1. Achei isso:

      http://noticias.orm.com.br/noticia.asp?id=654873&|brasil+pode+entrar+em+recess%C3%A3o+em+2014,+diz+especialista#.UdOPhPmyC24

      Abs!

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    2. Para uma economia entrar em recessão o PIB precisa recuar por dois trimestres seguidos. Se estão prevendo que o Brasil vai entrar em recessão no último trimestre deste ano, então o PIB vai contrair já no terceiro trimestre. Eu acho improvável entrarmos em recessão este ano, estamos mais para uma economia estagnada e pressionada pela inflação (praticamente uma estagflação). Para 2014 é mais difícil tentar prever alguma coisa, tem muito chão pela frente. Mas acho que não vai ser tão diferente de 2013.

      Abcs a todos e bons negócios

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  5. http://globotv.globo.com/globo-news/conta-corrente/v/desvalorizacao-da-bolsa-reflete-temor-de-investimentos-internacionais-no-brasil/2668856/

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  6. Interessante,ja por varias vezes que o FI contaria a midia.Pois bem eu vim procurar interesses pelo mercado Brasileiro,por conta da midia dizer que as aposta de varios fundos tinha em mira este mercado a coisa de pouco menos de um ano.Resumindo esses midia so vomitam mentira pela boca fora mesmo,vc tem toda a razão.
    Em contrapartida pelo menos conheci aqui o seu blog e desde dai nao comprei nem um real nos mercados ate a data uma vez que nao recebi um sinal que me desse esssa confiança.

    Por isso vou repetir o que eu disse aqui inicialmente: O Investidor Brasileiro tem mta sorte em ter o seu blog para ter alguma orientaçao.

    Por ca hoje em portugal o PSI20 cai quase 7% por causa da demissao do ministro das finanças e seguido pela demissao tambem do cabecilha do partido de coligaçao.De resto tou que nem o cego no meio de uma rua mto movimentada sobre o assunto...

    Batistuta

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    1. Na verdade aqui neste paisinho meia leca a gente so encontra mesmo é aliados dos tubarao.

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    2. aqui em Portugal claro

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    3. Obrigado pelas palavras amigo!

      Eu é que tenho sorte de ter vocês compartilhando conhecimento nos comentários do blog!

      Parece que está acontecendo uma crise política aí em Portugal, certo? Os títulos da dívida soberana dispararam. Situação bastante delicada.

      Abcs, bons investimentos

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  7. Ótimo Post FI! E o seu livro está sempre aberto para consulta, é excelente! Estou devendo um bom depoimento sobre ele! Abraco!
    Ricardo V. Rezende

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  8. FI, Em um comentário hoje você afirmou sobre a questão de investimentos o seguinte: “O segredo está na alocação e no timming. Basta fazer compras parciais e crescentes dentro da tendência de queda e separar a maior parte do capital para os crashs de mercado”. Gostaria de perguntar o seguinte: Já que estamos partindo do pressuposto que estamos caminhando para um “crash” não seria melhor ficar fora do mercado e aguardar que ocorra uma reversão pelo menos na tendência secundária do mercado para então entrar investindo?

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    1. Opa! Tudo bom? Neste caso específico, para posicionamento de médio e longo prazo é melhor comprar (do ponto de vista estratégico e também psicológico) nas quedas acentuadas do mercado, acompanhando a evolução do nível de volatilidade, conforme demonstrei no livro. É interessante separar a maior parte do capital para os momentos de crash do mercado, pois esta é a melhor oportunidade para se fazer dinheiro na bolsa, mas isso não significa que estamos a beira de um crash na Bovespa (talvez a próxima quebra de mercado ocorra somente em 2015, 2018, 2020, ninguém sabe dizer). Pode ser que o mercado permaneça dentro da tendência de baixa sem que ocorram quebras/pânico de investidores. A condição fundamental para surgimento de um crash no mercado são os preços inflados dos ativos, o que não é o nosso caso (no geral). O objetivo das compras parciais é ganhar, sem muito esforço, com a oscilação do índice (comprar na baixa e vender na alta). O investidor pode até optar por aguardar a reversão da tendência de médio prazo (com um pivot de alta no semanal, por exemplo), mas neste caso deve-se admitir perda de boa parte do movimento de recuperação, maior desembolso financeiro (pois os ativos estarão mais caros, consequentemente com menor margem de segurança) e risco de ser pego (estopado) pelos falsos movimentos do mercado.

      Qualquer dúvida volte a perguntar,

      Abcs, bons negócios

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  9. Ola pessoal.

    FI os indices mundias estao em queda,mas o Crude esta em grande alta.
    Na sua opinião,que vc acha disso...Nao seria logico os titulos de Oil/gas começarem a se benefeciar dos preços mais altos do crude?

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    1. Isso pelo menos nos titulos do mercado americano

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    2. Sim, tem um ponto de interrogação aí que eu não sei responder rs.. No curto prazo o barril do Light (Estados Unidos) está subindo mais do que o barril do Brent (Europa) basicamente emparelhando os preços, aproveitando também o gancho da retomada do crescimento da economia norte-americana. O barril do Brent ficou pressionado nos últimos meses/anos por conta da Primavera Árabe. Talvez seja por isso, movimento de acerto nos preços do barril, apenas.

      Abcs, bons trades

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