quinta-feira, 18 de julho de 2013

Banco Central mantêm comprometimento com a política monetária


A ata do Copom (Comitê de Política Monetária do Banco Central), divulgada hoje, não revelou e/ou indicou mudança de postura na atual política monetária. Os diretores do Banco Central repetiram a mensagem da penúltima reunião realizada no mês de maio que deu origem ao aumento no ritmo de aperto monetário de 0,25 p.p. para 0,50 p.p. “A política deve permanecer especialmente vigilante, que é apropriada a continuidade do ritmo de ajuste das condições monetárias ora em curso.”

Isto significa que, pela indicação da ata do Copom, a taxa básica de juros será elevada novamente em 0,50 p.p. na próxima reunião dos dias 27 e 28 de agosto. Para anular a forte sinalização da ata, os diretores do Banco Central precisarão indicar de forma bastante clara e objetiva, através de seus discursos nas próximas semanas, uma mudança de postura da autoridade monetária por conta do baixo desempenho da economia.

É improvável que esta mudança de postura aconteça antes da reunião do mês de abril. A política monetária não costuma responder aos choques e oscilações de curto prazo. Além disso, o Copom admitiu, nesta última reunião, maior preocupação com o cenário de câmbio no Brasil. Conforme demonstramos na análise do dia 08/07/2013 (“Sofre mais quem fez demenos”), o real é a moeda que apresentou maior desvalorização frente ao dólar no mundo inteiro desde quando Bernanke indicou, pela primeira vez no dia 22 de maio, a possibilidade de redução gradual dos programas de estímulos monetários do Banco Central norte-americano.

As pressões inflacionárias atuais ainda não estão incorporando o impacto causado pela recente disparada do dólar. Os índices de preços devem começar a refletir esta mudança de cenário no câmbio a partir da metade do terceiro trimestre. Estima-se que uma elevação de 10% no câmbio já é suficiente para causar um efeito inflacionário extra de 0,4 p.p. no IPCA até o final de 2013.

Os diretores do Banco Central destacaram na ata que “os efeitos secundários da depreciação cambial podem e devem ser limitados pela adequada condução da política monetária”. Esta mensagem do documento praticamente confirma a nossa expectativa de fechamento da taxa Selic aos 9,50% no final deste ano, já que a valorização do dólar nos últimos meses (superior aos 10%) estimulará um aumento extra de 0,50 p.p., visando anular o efeito da variação cambial sobre a inflação.

Ao manter o ritmo do aperto monetário o Banco Central estará, também, contribuindo para reduzir o risco de indexação causado pela piora na perspectiva dos agentes econômicos sobre a inflação, fato que mereceu destaque, inclusive, no Relatório de Inflação, mostrando certo incômodo da autoridade monetária com a inflação elevada, dispersa e resistente.

O conteúdo da ata do Copom agradou o mercado. A manutenção do ciclo de aperto monetário colabora para retomada da confiança entre investidores e agentes econômicos, onde cresce a percepção de maior comprometimento da autoridade monetária com a política de metas de inflação.

O índice Bovespa fechou o pregão em alta de 0,53%. O repique de curtíssimo prazo atingiu o seu objetivo ao testar e respeitar, na manhã desta quinta-feira, a linha de resistência na região dos 48.1k. O candle de fechamento é uma estrela, que pode indicar reversão da tendência de curtíssimo prazo.


Porém, após o fechamento do pregão, surgiram notícias extremamente relevantes e favoráveis à manutenção da tendência de alta iniciada na região dos 44.1k. A agência de classificação de risco Fitch reafirmou o rating do Brasil em BBB, com perspectiva estável.

Havia o risco de redução para uma perspectiva negativa, seguindo a postura adotada pela Standard & Poor's que rebaixou a perspectiva para o rating brasileiro (de estável para negativa) no início do mês passado. Segundo a Fitch, “apesar do difícil ambiente econômico interno e dos tropeços das autoridades nas políticas nos meses recentes, há sinais de correções que, se mantidas, poderiam ajudar a restaurar a confiança e melhorar a consistência das políticas econômicas.”

A manutenção da perspectiva para o rating brasileiro pela Fitch constitui a primeira resposta positiva do mercado quanto às mudanças recentes na condução da política econômica no País. Todos os méritos devem ser creditados ao Banco Central, que está, desta vez, cumprindo com o seu papel.

O conteúdo da ata divulgada hoje foi elemento chave para reafirmação da perspectiva para o rating brasileiro. Além disso, a postura da Fitch anula parte do pessimismo criado no mercado por conta do rebaixamento da perspectiva brasileira pela Standard & Poor's.

Outro driver importante e favorável à manutenção da tendência de alta nas bolsas de valores também surgiu após o fechamento dos mercados. A agência de classificação de risco Moody’s elevou a perspectiva do rating AAA dos Estados Unidos de negativa para estável, afirmando que a economia norte-americana expande num ritmo mais rápido do que o de outros países com a mesma classificação de risco.

Com esta notícia aumentaram as chances do índice Dow Jones romper, em plena sexta-feira, a máxima histórica registrada na região dos 15.5k e reafirmar sua tendência de alta de curto, médio e longo prazo.


Com os drivers positivos divulgados no final da tarde desta quinta-feira, o índice Bovespa terá boas condições de romper a linha de resistência em 48.1k, esticando a tendência de alta de curtíssimo prazo para o curto prazo, com próximo objetivo na região psicológica dos 50k.

8 comentários:

  1. Sei não, mas desconfio que essa da Fitch não pesará tanto. Talvez na abertura apenas. Acho que o provável fim do QE3, que está derrubando emergentes e commodities, pesará mais. Como a Moody's anunciou manter o AAA dos 'isteitis', talvez o mercado entenda que o QE3 será retirado.
    Mas é só uma opinião!...
    Saudações coxa-brancas! Líder do brasileiro! hehe
    Carla

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    1. Olá Carla!

      Acho que no curto prazo as bolsas terão um gás pra manter a tendência de alta, mas é inevitável a retomada do stress por conta da redução dos estímulos monetários. Além disso, o limite de endividamento dos Estados Unidos será alcançado novamente no mês de setembro deste ano. Ao que tudo indica, teremos mais uma novela na briga entre Republicanos e Democratas. É mais um tempero para aumentar a tensão nos mercados.

      Haha, saudações alvi-negras! O galo doido merece ser campeão da Libertadores, pena que tomou um gol de bobeira no final do jogo. Ficou mais difícil, mas com o galo é assim mesmo. Vamos na raça. Emoção até o último minuto rsrs.. Se não ganhar o título está bom também, pela excelente campanha.

      Abcs, bons investimentos

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  2. FI,

    O governo sempre se vangloriou por ter baixado os juros para a casa simbólica de apenas 1 dígito. Agora, me parece que muito rapidamente a coisa mudou de figura. Se a pressão inflacionária já está incomodando faz algum tempo, pq tanto sobe e desce na SELIC? Não existem maneiras de antever estes movimentos?

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    1. Na verdade a Selic poderia estar acomodada num patamar entre 9% e 10%, estabilizada, sem a necessidade do Banco Central subir os juros este ano, se o governo fosse menos intervencionista nos juros em 2011 e 2012. Ficou bem claro que a queda da Selic seguiu as recomendações do Planalto, passando por cima das condições econômico-monetárias. A queda dos juros era uma das grandes bandeiras do governo Dilma, mas ela o fez de forma tão desastrosa que o sacrifício (por conta da queda dos juros) ficou em vão.

      Abcs, bons negócios

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  3. FI,

    Esta Ata não pareceu se um pouco fora do escopo? Por mais que houvesse declarações, a questão da inflação já vem se arrastando desde o ano passado. Fico com a sensação que é meio fogo de palha e a selic no final das contas não vai subir tanto.

    Continua trabalhando com 9,5 ou acha que vão continuar subindo além disso até final de 2013? Vi no ultimo post que falou que até abril não mudaria muito.

    Abs,

    Miguel

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    1. Miguel,

      Creio que a Dilma mandava e desmandava no BC até o início deste ano. Percebendo a grande lambança provocada pela intervenção excessiva na economia, a presidente pode ter "devolvido o controle sobre os juros" ao Banco Central ao estilo "toma que o problema agora é seu ou conserte o estrago que eu fiz". Por isso esta mudança de postura é bem nítida. Parece um outro Banco Central, bem diferente daquele dos últimos 2 anos.

      Continuo trabalhando com 9,5% até o final de 2013. Creio que ao manter a taxa de juros neste nível a inflação de 2014 ficará em torno de 5,00%. Não acho que vai passar disso, pois se aproximar dos 10% aquela bandeira do governo Dilma em derrubar os juros para casa de 1 dígito será derrubada.

      Abcs, bons investimentos

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    2. Agradeço a resposta. Faz sentido isso, 10% não tem a cara do governo.


      Abs.

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    3. Exatamente, juros abaixo de 10% (mesmo que na prática seja um "patamar simbólico") está no cronograma do PT para disputa eleitoral no ano que vem.

      Abcs,

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