quarta-feira, 10 de julho de 2013

Bancos Centrais na mira do mercado


No dia 19 de junho o presidente do FED (Federal Reserve - Banco Central norte-americano), Ben Bernanke, sinalizou a possibilidade de a autoridade monetária começar a reduzir os estímulos monetários ainda este ano (mais precisamente no quarto trimestre).

Mas a ata do FOMC (Comitê de Política Monetária do Banco Central dos Estados Unidos), divulgada hoje, revela que os membros do colegiado ainda estão divididos sobre quando iniciar o programa de redução gradual dos estímulos monetários. Se existe algum consenso entre os diretores, é de que esta decisão dependerá da melhora no mercado de trabalho e da atividade econômica.

O relatório de emprego divulgado na última sexta-feira, pelo Departamento de Trabalho, mostrou que foram criadas 195 mil vagas em junho (superior às estimativas do mercado, que giravam em torno de 160 mil postos). Esta avaliação não está incorporada na ata do FOMC, mas os números são positivos e, mantendo-se neste ritmo, sugerem que as projeções de Bernanke possam ser confirmadas.

Em seu discurso realizado após a divulgação da ata do FOMC, o presidente do FED tentou acalmar os repórteres, investidores e operadores, maliciosamente mais exaltados, que interpretaram de maneira errônea as suas últimas declarações. Muitos estavam distorcendo a mensagem da autoridade monetária ao especular sobre um aumento da taxa básica e juros antes mesmo das projeções do próprio Banco Central (meados de 2015).

Visando minimizar as especulações, Bernanke disse hoje que a política monetária acomodatícia será necessária pelo futuro previsível e acrescentou que o FED não deverá elevar as taxas de juro de curto prazo por algum tempo, mesmo que a taxa de desemprego caia a 6,5% e que o programa de compras de bônus seja encerrado.

Ainda no front externo, a segunda maior economia mundial segue emitindo sinais de desaceleração do crescimento econômico. As exportações da China recuaram 3,1% em junho deste ano (na comparação com o mesmo período do ano anterior), enquanto a as importações cederam 0,7%. Os números ficaram bem abaixo das expectativas do mercado.

O porta voz da alfândega chinesa, Zheng Yuesheng, disse que “o País enfrenta, atualmente, desafios relativamente rigorosos no comércio e que a as exportações no terceiro trimestre parecem ruins”. As declarações de Yuesheng, somada à nova onda de indicadores macroeconômicos desfavoráveis, reforçaram a expectativa dos operadores de mercado para que o Banco Central da China volte a afrouxar a política monetária com objetivo de impulsionar o crescimento econômico.

O governo chinês está sob pressão do mercado para agir, mas também não pode se descuidar do mercado de crédito bancário altamente alavancado. Um afrouxamento monetário poderá minimizar os impactos provocados pela desaceleração do crescimento econômico, além de impulsionar os ativos no mercado de capitais. Mas, por outro lado, deverá alimentar ainda mais as bolhas formadas no mercado de crédito (principalmente no setor imobiliário), o que poderá colocar em risco a solvência do sistema financeiro chinês.

No Brasil o Banco Central luta para tentar reconquistar parte de sua credibilidade perdida no passado ao mostrar ao mercado um possível retorno ao comprometimento da política de metas de inflação.

O Copom (Comitê de Política Monetária) decidiu nesta quinta-feira aumentar a taxa básica de juros de 8% para 8,5% ao ano e emitiu o seguinte comunicado:

“Dando prosseguimento ao ajuste da taxa básica de juros, o Copom decidiu, por unanimidade, elevar a taxa Selic para 8,50% ao ano, sem viés. O Comitê avalia que essa decisão contribuirá para colocar a inflação em declínio e assegurar que essa tendência persista no próximo ano”.

O comunicado é curto e não indica nenhuma mudança de postura para a próxima reunião do Copom a ser realizada nos dias 27 e 28 de agosto. A decisão do Banco Central ficou em linha com as estimativas do mercado e mostra que, ao menos por enquanto, ambos os lados estão falando a mesma língua.

O índice Bovespa fechou o pregão desta quarta-feira em alta de 0,90%. Houve uma nova tentativa de rompimento da LTB formada na região dos 57k, porém ainda sem sucesso. A diferença é que desta vez o mercado conseguiu fechar o dia com um candle de alta, melhorando as condições para confirmação do rompimento amanhã. A superação desta LTB permitirá que o índice retorne para a região dos 48.1k (próxima zona de resistência).


Nos Estados Unidos o índice Dow Jones fechou o pregão de lado, mostrando um doji de indecisão colado na linha de resistência dos 15.3k. É um sinal de possível reversão que poderá jogar o índice para a LTA de curtíssimo prazo formada a partir da região dos 14.5k.


10 comentários:

  1. O BC aumentando os juros é bom sinal.

    Inflação menor é ótimo pra pobretões.

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    1. Sim, precisa manter este ritmo para conseguir reduzir efetivamente o IPCA em 2014.

      Abcs, bons investimentos

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  2. VelocityShares Daily 2x VIX Short Term ETN

    Parece-me que gostaram das palavras do bernanke em queda 5% e bate minimos historicos.Acho que vai subir os mercadoes todos.

    batistuta

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    1. Exato. Bernanke foi muito inteligente desta vez. Utilizou palavras de impacto para acabar com a especulação do mercado que estava distorcendo o conteúdo do seu próprio discurso (aquele do dia 19/07). Inventaram muita bobagem nestes últimos dias/semanas.

      Abcs, bons negócios

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  3. Creio que seja interessante para quem tem dinheiro em CDBs SERÁ que essa minha afirmação procede ? Professor FI

    ass:AT

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    1. Opa! Eu não sou professor, mas vou responder rs..

      Sim, CDBs pós-fixados ou qualquer outra aplicação pós-fixada (via CDI ou Selic) serão beneficiadas com aumento de 0,5 p.p. na taxa básica de juros. O rendimento vai aumentar.

      Abcs, bons investimentos

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  4. Olá, na matriz não tá com cara de romper o Th, esta perninha de alta não foi acompanhada de volume, más também tem uma coisa; se vier à romper o IBOV vai ladeira abaixo!
    ivan

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    1. O volume está muito baixo, realmente. E com aquele candle de ontem complicou um pouco, mas pode ser influência da ata do FED e dos feriados. No curtíssimo prazo está em tendência de alta, por enquanto está indicando que vai romper TH. Para isso não acontecer o mercado precisaria invalidar a tendência.

      Abcs, bons trades

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  5. Ola!
    FI tenho de fazer esta pergunta importante para saber se realmente vale a pena eu estar a pensar em investir no Ibov...Para os investidores institucionais,como sera que eles veem o Brasil(ou o Ibovespa)... Brasil nao tem nada haver com a Argentina,ou tem...!?
    Pois venho observando que alem de haver empresas cotadas Argentina dar bons lucros,a verdade é que nem mesmo assim saiem dos fundecos para onde cairam desde as maxima de 2011.Tipo YPF,BMA,PZE, etc

    Se vc puder me dar uma opinião sobre isso fico lhe agradecido
    batistuta

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    1. Pior que em alguns aspectos (principalmente na política) o que acontece no Brasil lembra um pouco do que fizeram na Argentina. A diferença é que a economia aqui é muito mais dinâmica e tem uma boa capacidade de reação, desde que o governo faça a sua parte. O fluxo dos institucionais é semelhante ao fluxo do investidor PF brasileiro, ou seja, basicamente bateram em retirada do mercado desde 2008. Mas deve-se levar em consideração que os institucionais são extremamente dependentes da movimentação dos investidores PF (aportes/retiradas). O que eu percebo é que muitos fundos de ações estão adotando posições majoritariamente defensivas e os fundos de multimercado (onde há maior liberdade na alocação) estão mais posicionados em dólar, alguns também em ativos no exterior. A Argentina passa por uma crise de inflação, então qualquer retorno proporcionado pela bolsa de valores abaixo de 30% ao ano (inflação estimada na Argentina), significa prejuízo líquido.

      Abcs, bons negócios

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