quarta-feira, 31 de julho de 2013

FED mantêm o cronograma


Mais uma vez o sensacionalismo criado pela mídia prejudicou os investidores. O Comitê de Política Monetária do FED (Federal Reserve – banco central dos Estados Unidos) frustrou aqueles investidores/operadores que acreditaram nas informações distorcidas fornecidas pelos principais veículos de comunicação do mercado financeiro.

A decisão do FED não apresentou nenhuma novidade. Ficou em linha com as indicações fornecidas pela ata da última reunião realizada no dia 19/06/2013. A redução do volume de compras do programa de estímulo monetário está condicionada à melhora da economia norte-americana. Caso as projeções econômicas do FED sejam confirmadas, a redução poderá ocorrer no final deste ano.

A decisão do Comitê foi praticamente unânime. O único membro que votou contra a política monetária do Banco Central norte-americano foi Esther George, presidente do FED de Kansas City. Mas este voto é praticamente descartável (apesar de auferir grande destaque na mídia) devido à postura radial/ideológica da presidente do FED de kansas City. Esther George votou contra em todas as reuniões do Comitê este ano.

Os demais diretores do Banco Central dos Estados Unidos ressaltaram preocupações quanto às maiores taxas hipotecárias, além de frisarem que a inflação persistentemente abaixo da meta de 2% ao ano pode representar riscos à economia. A expectativa do Comitê é de que a inflação volte a subir somente no médio prazo (provavelmente a partir de 2014, acompanhando o processo de retomada da economia global).

Além disso, o Comitê alterou sua avaliação do crescimento econômico norte-americano, de moderado para modesto, o que significa leve sinalização de piora nas perspectivas de crescimento. Esta é a primeira vez em três anos que o FED utiliza o termo modesto para descrever o impulso da economia, prejudicada pelo aperto fiscal do governo federal e fraco desempenho do mercado externo.

Na parte da manhã o Departamento de Comércio dos Estados Unidos informou que o PIB (Produto Interno Bruto) do País subiu 1,7% no segundo trimestre de 2013, significativamente superior às expectativas do mercado que giravam em torno de 0,9%. Já o crescimento do primeiro trimestre deste ano sofreu uma revisão negativa (de 1,7% para 1,1%).

A chuva de informações importantes provocou aumento da volatilidade nos mercados. As bolsas de valores ensaiaram um movimento de alta após a decisão do FED (pró-mercado, com a manutenção do programa de estímulos monetários). Mas os ganhos foram revertidos no final do pregão, mostrando encerramento de posições compradas (possivelmente gestores fazendo caixa) no último dia útil do mês.

O desempenho do índice Bovespa foi ainda afetado pela surpreendente disparada do Índice de Preços ao Produtor no mês de junho. A inflação ao produtor brasileiro subiu 1,33% no mês passado, mostrando reflexos antecipados do impacto ocasionado pela desvalorização do real. O choque do câmbio na inflação de curto/curtíssimo prazo representa uma sinalização preocupante, principalmente no que se refere à baixa confiança dos agentes na condução da política econômica e monetária.

Não é por acaso que o Banco Central do Brasil tem efetuado constantes intervenções no mercado de câmbio na tentativa de forçar uma valorização do real. Mas, como de costume, as intervenções possuem baixo grau de eficiência, haja vista que o movimento de valorização do dólar é global e ocorre com mais intensidade no Brasil, justamente pela baixa credibilidade do governo federal.

Somente nesta quarta-feira o Banco Central realizou três leilões de swap cambial tradicional e mesmo assim não foi possível conter o movimento de valorização do dólar, influenciado, também, pelo fechamento mensal da Ptax. O dólar encerrou o pregão em leve alta, cotado aos R$ 2,28.

O índice Bovespa fechou o pregão em baixa de 0,67%, colado na linha de suporte dos 48k. Houve aparecimento de força compradora durante o pregão, no primeiro teste desta região ocorrido no início da tarde, porém novamente rechaçado pela força vendedora. A LTA dos 44.1k foi perdida, enfraquecendo a linha de suporte.


Caso seja confirmado a ruptura dos 48k amanhã, a força da tendência de baixa de curtíssimo prazo deverá aumentar, o que poderá invalidar o movimento de repique de curto prazo (tendência de alta) iniciado na região dos 44.1k.

No gráfico mensal do índice Bovespa podemos observar a formação de uma estrela acima da LTA de 2002, indicando sinalização de fundo (possivelmente temporário). O candle será invalidado com um fechamento abaixo da mínima registrada neste mês. Nível de sobrevenda permanece elevado, favorável ao movimento de repique.
  

Nos Estados Unidos o índice Dow Jones tentou romper pelo décimo pregão consecutivo a resistência dos 15.5k. A tentativa foi novamente rechaçada pela força vendedora, mesmo com a sinalização de manutenção do programa de estímulo monetário do FED. Mercado continua vulnerável à novas correções de curto prazo.


9 comentários:

  1. FI,

    Até dia 17 de set. (próxima reunião do FED) acredito que teremos uma trégua. Mas parece que eles só querem abrir mão dos estímulos quando a economia americana realmente ficar em franca recuperação.

    Você vê algum ambiente para um bull market no ibovespa em 2014/2015 ?

    Abs!

    Miguel

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    1. Vem Bull se o PT sair fora.

      Essa novela do FED vai ainda um pouco além.

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    2. Acho que não. Nem por análise técnica, nem por análise fundamentalista. Mas nunca se sabe o que poderá acontecer no futuro. O mercado pode surpreender ou mesmo subir sem nenhum motivo aparente. O mais importante é ter uma estratégia para aproveitar as oportunidades e seguir/respeitar a direção do mercado, seja bull ou bear.

      Abcs a todos e bons negócios

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    3. FI, é o que tenho entendido tmb. Como o pobretão e o amigo de baixo falaram, a situação nao é das melhores. Agradeço a resposta. Abs, Miguel

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  2. Olá, Miguel pra ver bull Market por aqui só no pessoal do Pt!! Nessa quadrilha só alegria..

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    1. É o famoso bull market político

      http://www.financasinteligentes.com/2012/05/brasil-e-um-bull-market-politico_10.html

      Abcs, bons investimentos

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  3. Finanças já pensou que o governo está fazendo esses swaps reversos de dolar, com o proposito de realizar o lucro das operações de compra de dolar quando estava a 1,60?

    Estou falando isso porque as contas publicas estão todas deficitarias e o governo está precisando levantar dinheiro a qualquer custo.

    É muito facil realizar o lucro dessas operações agora e depois, alterar novamente o cambio forçando a queda da moeda.

    Pense niso.

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    1. Exato. Não acho que este seja o motivo principal das operações do BC no câmbio, mas certamente pode ser incluído dentro do balaio. Não deixa de ser uma realização de lucro, apesar de que o custo para formação desta reserva também foi muito alto (na época que o dólar girava em torno de R$ 1,60 a taxa Selic oscilava entre 11% e 12%). Ou seja, pagamos caro (emitindo dívida via Tesouro) para comprar dólares. Mas creio que o motivo principal esteja relacionado às pressões inflacionárias. Estudos do próprio BC apontam que uma desvalorização de 20% do real tem capacidade para provocar um aumento extra de 1 p. p. no IPCA, o que, segundo as palavras do próprio Tombini, é um "caminhão de inflação".

      Abcs, bons negócios

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    2. Ai Mundo como andas torto:

      So para informar.Ontem saiu a noticia que as empresas publicas perderam 29,9MM (Mil Milhoes €) nos Swaps,grande parte dessa perda por culpa de uma ministra imcompetente para nao variar.Quase um terço do que Portugal pediu ao FMI.
      Logo mais abaixo vinha outra a dizer que Portugal tinha poupado 580M durante este ano a fazer austeridade.
      E tudo continua como se nada fosse.

      Fim da imunidade politica era urgente

      Batistuta

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