segunda-feira, 1 de julho de 2013

Ignorância fiscal sem limite


Por meio de um decreto publicado no Diário Oficial da União, o governo alterou o estatuto do BNDES (Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social) para incluir mudanças na forma de distribuição de dividendos. Em suma, agora o BNDES poderá realizar o pagamento de dividendos mesmo antes de constituir reservas de lucro para futuro aumento de capital.

A alteração tem objetivo de facilitar a entrada de dinheiro no caixa do governo (Tesouro Nacional). Por um lado o BNDES receberá aportes do Tesouro Nacional através de operações de empréstimos de longo prazo, enquanto do outro lado o próprio BNDES irá repassar Tesouro Nacional uma parcela maior de dividendos.

Em outras palavras, o governo vai dar dinheiro com uma mão e retirar com a outra, caracterizando um movimento de contabilidade criativa, pois os aportes do Tesouro Nacional sobre o BNDES não entram no cálculo da dívida líquida do setor público.

O governo está realizando esta manobra para aumentar o superávit primário (saldo positivo entre as receitas e despesas. É a economia feita para o pagamento dos juros/dívida pública). Os dividendos entram diretamente no caixa do governo, portanto, quanto maior o volume de dividendos recebidos, maior será o saldo em conta, provocando aumento do superávit primário.

O governo federal está sendo pressionado pelo mercado, investidores e agências declassificação de risco a melhorar sua política fiscal, o que em outras palavras significa, no mínimo, cumprir com a meta de superávit primário. Mas adotando uma política fiscal expansionista é praticamente impossível atingir a meta de superávit primário, a não ser que sejam utilizados mecanismos contábeis no mínimo criativos.

É o que tem feito o ministro da Fazenda nos últimos anos, evidentemente sem sucesso. Acaba-se criando uma imagem negativa, pois além de ser uma tentativa infantil de enganar o mercado, revela o tamanho da ignorância fiscal do governo. Investidores, empresários, analistas e agências de rating sabem que na prática o superávit primário não está sendo cumprido. Atuando desta forma o governo não vai conseguir, tão cedo, recuperar a confiança e credibilidade do mercado.

No mercado de capitais o dia foi de baixo volume financeiro nas principais praças financeiras mundiais, o que não deixa de ser um fator surpreendente por conta da chuva de indicadores ruins divulgados nesta segunda-feira.

A atividade industrial na China despencou. O Índice de Gerentes de Compras do setor manufatureiro caiu para 48,2 pontos no mês passado, ante 49,2 pontos registrados em maio, mostrando aumento na velocidade de contração da atividade industrial. Para efeito comparativo, o Índice de Gerentes de Compras da zona do euro, também em contração, fechou o mês de junho aos 48,8 pontos.


Os indicadores mostram que, atualmente, o nível de contração da atividade industrial na China é maior do que o nível de contração do setor industrial na zona do euro. Este é um fator preocupante e mostra a gravidade das variáveis internas (tais como excesso de produção, aumentos de salários, crédito duvidoso e mercado imobiliário inflado) que estão por trás da desaceleração do crescimento chinês.

Nos Estados Unidos o Índice de Gerentes de Compras do setor manufatureiro recuou de 52,2 pontos registrados em maio para 51,9 pontos no mês de junho. Apesar de apresentar expansão da atividade industrial, pode-se observar a redução do ritmo de crescimento através da queda de pontuação.

O volume financeiro do índice Dow Jones ficou abaixo da média do mercado em plena segunda-feira, início de semana, bombardeada pelos Índices de Gerentes de Compras das principais economias mundiais. Parece que os operadores não estão confiando na manutenção do movimento de repique iniciado na semana passada.

O índice Dow Jones tentou pelo terceiro pregão consecutivo romper a linha central de bollinger, sem sucesso. Houve aparecimento da força vendedora no final do pregão, formando uma estrela cadente, caracterizando uma região de topo abaixo da linha central de bollinger.


No Brasil o índice Bovespa fechou o pregão em leve baixa, pressionado exclusivamente pelas ações da OGX. Os papéis caíram quase 30% nesta segunda-feira após a empresa anunciar que suspendeu o desenvolvimento de três campos de petróleo e interrompeu a construção de cinco plataformas. Além disso, a produção dos poços do campo de Tubarão Azul pode ser interrompida no ano que vem.

A capacidade de solvência da OGX está visivelmente comprometida, dependente de uma forte geração de caixa que sua produção não pode suprir. Não há outra saída para a empresa que não esteja relacionada ao recebimento de volumosos aportes por parte de investidores, BNDES, Eike ou quem quer que seja. Mantenho a mesma avaliação destacada na análise do dia 04 de abril “R$ 1,99 mas não é promoção

Com o peso da OGX a bolsa andou de lado, apresentando um baixo volume financeiro. O índice trabalha dentro de uma zona de congestão de curtíssimo prazo sem apresentar novidades. A força do movimento de repique está fraca, mesmo com ausência de resistências pela frente, fato que pode atrair a abertura de novas posições vendidas.

13 comentários:

  1. Essa notícia da OGX foi pra tampar o caixão de vez... agora dá pra entender pq o Eike vendeu um monte de ações em maio... o petróleo era mais bonito no Powerpoint. Respeito zero com os acionistas. E agora quem vai pagar a conta? BNDES?

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    1. Peruquinha, o empresario do powerpoint!

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    2. Credibilidade e transparência zero também. Mas aqui no Brasil pode né rs..

      Abcs a todos e bons trades

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  2. Essa politicagem toda nas contas do governo é bolada, em teoria, por aquele "Arno" - chefe do Tesouro Nacional, trotskista e colega da Dilma de longa data da época do Rio Grande do Sul. Dúvido muito que a Dilma mande esse "camarada" pro espaço, neste ou no segundo mandato (que poderá vir).

    Tenho muito receio de que essa queda da Dilma no ibope seja apenas pontual.
    Lula também já esteve abaixo desse índice.

    Sinto que ano que vem vai ser um ano de abandono firme do superávit primário, expansão forte do gasto público, uma taxa de juros abaixo da esperada e uma inflação "meio" alta. Tudo que o mercado não quer, mas o suficiente para garantir a reeleição da Dilma.

    Se ela for reeleita ano que vem, acredito que o bear market de longo prazo vá se aprofundar... cada vez estamos mais distante do avanço. Mas como não tenho bola de cristal...

    Ótimo post.

    Abs,

    Miguel

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    1. Obrigado Miguel!

      Se a oposição continuar de braços cruzados pode acabar sendo uma queda pontual. Não tenho a menor dúvida, podemos esquecer que existe meta de superávit primário para o ano que vem.

      Abcs, bons investimentos

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  3. Todavia, o Brasil igualou-se aos EUA no resultado trimestral do PIB, ficando em 2o. lugar em relação aos demais países. Não é algo para se comemorar?

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    1. Infelizmente não, pois são economias totalmente diferentes. Precisamos comparar o crescimento brasileiro com a média dos BRIC ou alguns países emergentes que apresentam características econômicas semelhantes.

      Abcs, bons investimentos

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    2. Como tem petista safado... todo petista e esquerdalha falaram isso.

      Ignorantes em economia..

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  4. Em relação ao BNDES eu já esperava mais ou menos por isso. A tendência é as empresas públicas contribuírem menos com dividendos esse ano. O governo abriu mão dos dividendos da Caixa esse ano (o Tesouro Nacional no final do ano passado, ao invés de um aporte em dinheiro, entregou bilhões em ações da Petrobrás para capitalizar a Caixa) e a Petrobrás tem o problema do dólar + capex. As empresas de segunda linha estão em um período fraco. A Infraero por exemplo está perdendo as jóias da coroa para ficar com o bagaço depois das concessões dos aeroportos. Então seria natural esse tipo de jogada, valorizando mais o dividendos do BNDES. Ainda mais agora que a nova série de debêntures do BNDESPar foi adiada por condições adversas do mercado. O governo descobriu a fórmula mágica de como maquiar contas públicas e pode injetar dinheiro com força no BNDES sabendo que haverá retorno garantido de dividendos na hora em que for necessário. Pena que essa a maquiagem é de travesti de subúrbio e não engana os olhos mais atentos.

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  5. Em relação a OGX, eu já achei essa notícia mais surpreendente. A falta de êxito nas tentativas de aumentar a vazão dos poços existente poderia até ser interpretada como um sinal que essa péssima notícia não seria algo tão extraordinário assim. Mas o que eu não imaginava é que o RI da OGX seria capaz de dar uma notícia dessas sem rodeios. Não sei se isso é bom ou ruim, pois o excesso de marketing, sempre foi a marca registrada dos anúncios do grupo e sua não acredito que a sua ausência seja mera coincidência agora. Pode até ser que a queda de confiança do mercado após um anúncio dessas proporções seja uma justificativa para abolir temporariamente o marketing, para não causar mais desconfiança ainda. Mas também pode ser interpretado que eles estão perdidos sem noção e sequer sabem qual será o próximo passo na tentativa de agradar o mercado.

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    1. Na minha opinião o Eike está mostrando ao mercado sua real capacidade de gestão e planejamento, que parece estar num nível abaixo do amadorismo. Isso não é de hoje, já vem de muitos anos. São inúmeras falhas cometidas, fica difícil até de listar as mais importantes ou de maior impacto. Mas daria um belo livro rs..

      Abcs, bons investimentos

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  6. FI, Realmente não vemos a oposição fazendo nada para ameaçar a posição dos petralhas (mesmo no atual momento onde tinha tudo para fazer). Parece que tomaram um sonífero. Assim, em 2014 só pode dar merda mesmo.

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    1. É meu amigo parece que o PT está blindado, lembra o caso da Argentina. Os Kirchner utilizaram o poder do Estado a benefício próprio (e partidário) enquanto favoreciam empresas e políticos ligados ao governo, os famosos amigos do rei.

      Abcs, bons investimentos

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