quinta-feira, 4 de julho de 2013

Mario Draghi volta a impulsionar o mercado


Repetindo a estratégia bem sucedida realizada na semana passada, quando os principais banqueiros centrais mundiais entraram em cena para acalmar o mercado, o presidente do BCE (Banco Central Europeu), Mario Draghi, voltou a falar a língua dos operadores e conseguiu impulsionar, novamente, as bolsas de valores.

Na última ocasião, Draghi havia dito que “a estabilidade de preço estava assegurada e o cenário econômico geral ainda justifica uma postura acomodativa, cujo fim, aliás, ainda está distante”.  O objetivo desta declaração consistia, basicamente, em mostrar ao mercado que o BCE não irá seguir a estratégia do FED (Federal Reserve – Banco Central norte-americano). Os países da zona do euro ainda não conseguiram entrar no processo de retomada do crescimento, tal como ocorre nos Estados Unidos (fato que permitirá ao FED introduzir em breve um programa de redução gradual dos estímulos monetários).

Nesta quinta-feira Draghi reforçou a mensagem, na tentativa de aliviar a tensão dos mercados. “Vou confirmar o que dissemos da última vez, e o que alguns de nós também disseram em várias declarações públicas, de que no geral o fim (da política acomodativa) está bastante distante”. O presidente do BCE ainda acrescentou que vai manter a taxa básica de juros na mínima recorde por um período prolongado e pode, até mesmo, cortá-la ainda mais.

As declarações de Draghi, juntamente com a notícia de que o BCE chegou a discutir um novo corte sobre a taxa básica de juros na reunião de comitê desta quinta-feira (mas acabou optando por manter a taxa, por enquanto, em 0,50%), animou os operadores de mercado e as bolsas na Europa voltaram a subir forte.

Em Frankfurt, na Alemanha, o índice DAX subiu 2,11%. A bolsa de Londres, na Inglaterra, disparou 3,08%. Na Itália, a bolsa de Milão fechou o pregão em alta de 3,44%. Na Espanha, o índice Ibex, da bolsa de Madri, subiu  3,07%. Em Paris, na França, o índice CAC avançou 2,90%. A bolsa de Lisboa, em Portugal, subiu 3,73%.

No Brasil o índice Bovespa não reagiu com a mesma força observada na praça europeia, mas conseguiu fechar o pregão desta quinta-feira com uma alta de 1,60%.

O movimento do índice foi impulsionado, principalmente, pelas ações da Vale e OGX. Murilo Ferreira, presidente da Vale, afirmou ontem que a mineradora recebeu a licença ambiental de instalação do projeto Serra Sul (um dos maiores projetos de exploração de minério de ferro do mundo).

Já as ações da OGX reagiram em forte alta com a notícia de que o grupo EBX está sendo desmembrado. Eike deixará o conselho da empresa de energia MPX e se tornará um acionista minoritário com 19% das ações. O grupo alemão E.ON assumirá o controle da MPX. A notícia animou os investidores, esperando que o mesmo movimento possa ocorrer nas outras empresas do grupo.

Ao observarmos o gráfico horário do índice Bovespa logo abaixo, podemos verificar, através da indicação da seta verde, que os ganhos do mercado foram conquistados somente na primeira hora do pregão, refletindo o otimismo provocado pela euforia das notícias corporativas do mercado interno e as declarações do presidente do BCE.

Ibovespa 60 minutos

O índice Bovespa não conseguiu manter o ritmo de alta observado na abertura do pregão e andou de lado durante o resto do dia. Esta é uma sinalização de baixa demanda compradora do mercado. Apesar do movimento de alívio, ainda não há sinal de que este repique temporário possa alterar a tendência de baixa de curto prazo, para isso, será necessário romper a LTB dos 57k.

Ibovespa diário

4 comentários:

  1. FI,

    deve ter sido repique. Bom post.

    Abs,

    Miguel

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    1. Miguel,

      Sim, repique técnico com um empurrãozinho do Draghi rs..

      Abcs, bons negócios

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    2. Sim, mas houve divergência no IFR..
      Pode ser mais que um repique!

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    3. Normalmente quando as quedas tornam-se acentuadas as divergências e falsos rompimentos são comuns. Por enquanto é apenas um repique, mas é bem provável que o índice volte a entrar numa tendência de alta de curto prazo (pelo menos) neste segundo semestre, sem invalidar, é claro, a tendência principal de baixa. O mercado vai decidir quando será e nós vamos atrás rs.. Amanhã tem payroll, pode definir se rompe ou não a LTB dos 57k.

      Abcs, bons trades

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