sexta-feira, 19 de julho de 2013

O ministro que erra, mas não admite a culpa


O ministro da Fazenda, Guido Mantega, não conseguiu acertar nenhuma previsão para o desempenho da economia brasileira nos últimos anos. 2012, em especial, foi marcado por uma série de erros na condução da política econômica do governo federal.  As mancadas foram tão fortes que hoje o ministro tem evitado rebater ou criticar as projeções dos analistas.

Estes profissionais, por sua vez, costumam acertar mais do que o próprio ministro da Fazenda mesmo quando estão em desvantagem. Ninguém consegue superar o governo no que se refere às ferramentas de análise, disponibilidade de dados econômicos e magnitude das equipes multidisciplinares.

Talvez seja por isso que o ministro sentiu-se a vontade em criticar a projeção do Credit Suisse para o PIB de 2012. O banco suíço havia reduzido sua estimativa de crescimento para economia brasileira em junho do ano passado de 2,00% para 1,50%. Guido Mantega retrucou dizendo: “É uma piada. Vai ser muito mais do que isso”. Como de costume, Mantega estava errado. Na verdade a piada foi ver o PIB de 2012 fechar em 0,90%.

No final deste mesmo ano Guido Mantega havia mudado o discurso. "Precisamos olhar para frente e não para trás", dizia ele, numa tentativa de incitar o mercado a esquecer do vexame de 2012 e focar nos bons resultados que virão em 2013. Nesta época o ministro da Fazenda dizia que o País iria crescer pelo menos 4,00% em 2013.

Chegamos à metade do ano e os 4,00% do ministro Mantega já viraram lenda. Os investidores e empresários que acreditaram, mais uma vez, nas historinhas de Guido Mantega estão desapontados com o desempenho da economia, bem como da confiabilidade do governo.

Numa entrevista a agência de notícias Reuters, divulgada nesta sexta-feira, o ministro Mantega admitiu que a economia brasileira vai crescer entre 2,50% e 3,00% este ano. Número significativamente inferior à projeção de seis meses atrás e menor do que a sua última revisão (3,00%). O ministro errou uma vez (4,00%), duas vezes (3,00%) e vai errar de novo (entre 2,50% a 3,00%).

Com o fraco resultado do primeiro trimestre de 2013, juntamente com a indicação de que estes números vergonhosos se repetirão no segundo trimestre deste ano, a economia brasileira dificilmente alcançará um crescimento entre 2,50% a 3,00% no fechamento de 2013.

Pior do que a sequência de erros nas previsões é observar uma impressionante incapacidade de análise do cenário econômico por parte do ministro da Fazenda. Durante a entrevista, Guido Mantega disse que “a volatilidade mundial no câmbio originada pela comunicação inicial não organizada do Federal Reserve (Banco central norte-americano) e os protestos por aqui afetaram a atividade doméstica no segundo trimestre”.

Ou seja, segundo o ministro, a culpa por não crescermos no segundo trimestre é da comunicação do FED (que por sinal não foi nem um pouco confusa e desorganizada para quem leu a ata do Fomc) e das manifestações populares. Realmente é mais fácil colocar a culpa no cidadão que saiu às ruas para exercer o seu direito ou no discurso de duas horas do Bernanke (presidente do FED), do que assumir as consequências de uma economia desregulada, do péssimo ambiente de negócio, da carga tributária elevada, da infraestrutura precária, da baixa educação, da burocracia excessiva e da ineficiência administrativa de quem está no poder.

Ainda durante a entrevista, o ministro da Fazenda foi questionado pelo repórter sobre qual seria o PIB potencial do Brasil. Mantega respondeu sem hesitar: 4,00% ao ano. Ou seja, nas condições atuais, a economia brasileira poderia estar crescendo tudo isso. Mas numa pergunta anterior o ministro havia ressaltado que a economia internacional tira 1,50% do PIB potencial brasileiro. Sendo assim, um simples cálculo de matemática jogaria o PIB de 2013 para 2,50% (4,00 - 1,50) só por conta do que o exterior “toma” do Brasil.

Questionado pelo repórter se o PIB de 2013 não deveria ficar então em 2,50% (e não entre 2,50% a 3,00%), Mantega se esquivou dizendo que os dados não são precisos. Provavelmente são os dados gerados pelas mesmas ferramentas que fazem os cálculos de suas previsões. Ou será que o ministro está incluindo nos 1,50%, sequestrados pela economia internacional, o discurso de 2 horas do presidente do FED?

Ou já que a culpa por não crescermos é, também, da economia internacional que nos toma 1,50%, quanto será que o mundo precisaria crescer em média, para, ao invés de tomar, gerar impulso na economia brasileira? A média do crescimento mundial em 2012 foi de 3,20% e ainda assim estamos reclamando que estão tirando 1,50% do nosso PIB potencial. Ainda bem que o mundo cresce duas vezes mais rápido que o Brasil, caso contrário estaríamos em recessão. Por culpa deles, é claro.

A bolsa brasileira perdeu fôlego nesta sexta-feira refletindo a entrevista do ministro da Fazenda. Mas a queda de 0,54% não foi suficiente para invalidar o desempenho positivo do gráfico semanal. O candle de alta mostrou predomínio da força compradora na semana. A resistência dos 48.1k foi testada e respeitada. Em caso de rompimento, o índice terá espaço para visitar os 50k, aumentando a força da tendência de alta de curto prazo. No médio e longo prazo a tendência de baixa segue predominante, sem sinais de reversão.


Na Índia o principal índice da bolsa de Bombay fechou em alta pela quarta semana consecutiva, realizando teste sobre a importante linha de resistência na região dos 20.1k, a última barreira abaixo do topo histórico. Índice apresenta boas condições de rompimento e reteste sobre a máxima histórica nas próximas semanas.


Na China a bolsa de Xangai fechou a semana em baixa. Apesar da queda o índice conseguiu se manter ao redor do patamar psicológico dos 2k. A tendência de alta de curtíssimo prazo será invalidada caso o índice perca este patamar de suporte. A tendência de baixa no médio e longo prazo segue inalterada.


A bolsa de valores do México fechou a semana em leve baixa, mantendo-se na casa dos 270 pontos. Mercado em tentativa de reversão da tendência de baixa de curto prazo. No médio e longo prazo a tendência de alta segue predominante.
  
  
Nos Estados Unidos o índice Dow Jones fechou em alta pela quarta semana consecutiva e conseguiu se aproximar da máxima histórica registrada no mês de maio. Apresenta boas condições de rompimento para reafirmar sua tendência de alta de curto, médio e longo prazo.


A bolsa de Frankfurt, na Alemanha, subiu forte pela segunda semana consecutiva. Índice caminha para testar a máxima histórica na região dos 8.5k nas próximas semanas, com boas possibilidades de rompimento.


No mercado inglês a bolsa de Londres fechou em alta pela quarta semana consecutiva. Índice trabalha um movimento semelhante ao mercado alemão, indicando teste na máxima histórica com boas condições de rompimento.


Desejo a todos vocês um excelente final de semana! Bom descanso a todos e até segunda!

20 comentários:

  1. Vai ver que o PIB é igual a inflação e deve ter uma margem de 2 pontos percentuais, então se ele fala 2,5% de crescimento pode ser 0,5%, aí faz mais sentido.

    ResponderExcluir
    Respostas
    1. Aí a gente fecha com a inflação e o PIB dentro da margem de erro :)

      Excluir
    2. Partindo por este raciocínio faz sentido rsrs...

      Abcs, bom sábado!

      Excluir
  2. Esse país é uma PIADA, ainda não acredito que colocaram um estupor desses como ministro, se fosse na minha empresa seria no máximo um office boy!

    ResponderExcluir
    Respostas
    1. E não é por falta de candidatos que ele ainda está no cargo.

      Abcs, bom final de semana!

      Excluir
  3. FI,

    Essa futura alta dos juros nos EUA já está servindo de desculpa para os problemas internos do Brasil (que o diga o Mantega). Isso é só um prenúncio do que há de vir.

    Existe algum padrão / número esperado para a taxa americana ? Abri o gráfico da taxa do FED e vi que em 2008 a coisa girava em torno de 5%.

    Neste mesmo período, a Selic vinha historicamente com tendencia de baixa (desde 2004 mais ou menos) - aprofundando o movimento a partir de 2008, quando ela estava em cerca de 13%a.a.

    Digo isso com o objetido de saber para qual patamar a Selic iria, devido a esse aumento das taxas do FED previsto para 2015.

    Abraços,

    Miguel

    ResponderExcluir
    Respostas
    1. Miguel,

      No momento não. Podemos ter uma noção disso somente em meados de 2015 quando o FED começará a subir os juros. Vai depender da velocidade de retomada da inflação nos Estados Unidos. Mas creio que será um processo de elevação gradual e não tão longo, diferente do que ocorreu no último ciclo de aperto monetário quando o FED subiu a taxa de 1% para 5% (2004 a 2008). Apesar de tudo, acho bem plausível estimar uma taxa Selic de dois dígitos a partir de 2015.

      Abcs, bom sábado!

      Excluir
    2. FI,

      Agradeço a resposta.

      Neste caso, de subida gradual, você vê um impacto muito grande nos yields oferecidos nos títulos brasileiros, por ocasião dessa subida nos EUA?

      Caso seja uma subida gradual, será que mudaria muito o cenário nos yields de renda fixa brasileiro?

      Agradeço a disposicao de responder.

      Excluir
    3. A princípio nada muito relevante do tipo NTNB oferecendo 9% + IPCA como ocorreu em 2008 no auge da crise. Talvez algo em torno de 7% + IPCA. Creio que o cenário para renda fixa brasileira já está mudando. Os títulos voltaram a ficar atrativos para compra, mesmo quando no momento a oportunidade é restrita àqueles de curto prazo, mas já é uma mudança relevante comparando com seis meses/um ano atrás.

      Abcs, boa semana!

      Excluir
  4. FI, vi um site hoje que visualiza um possivel O-C-O invertido na Ibovespa. Qual sua opinião? obrigado.

    ResponderExcluir
    Respostas
    1. Opa, tudo bom?

      rsrs.. já estava demorando pra aparecer esse OCOi. Pra mim essas figuras não tem validade alguma e são perigosas pois você poderá ser induzido à tentação de enxergar o futuro na bolsa, que não existe. O mais importante é saber enxergar a tendência e operar com disciplina. No curtíssimo prazo estamos em tendência de alta, então as operações de curtíssimo prazo no índice devem ser montadas preferencialmente na ponta compradora. Simples. Adivinhar até onde vai a tendência não é tarefa do trader e sim do mercado. Basta deixar a operação amarrada com um stop que o mercado cuida do resto. Com relação à tendência, se rompermos os 48.1k esta pernada de curtíssimo ganhará força, estendendo a tendência para o curto prazo. A próxima resistência está posicionada no patamar psicológico dos 50k.

      Abcs, bom sábado!

      Excluir
  5. O ministro Mantega admitiu que a economia brasileira vai crescer entre 2,50% e 3,00% este ano.

    Meninos, esperem no máximo 0,5% de crescimento esse ano então! kkkkkkkkk

    ResponderExcluir
    Respostas
    1. rsrs... eu estava esperando 2,20% sendo bem otimista, mas esta é uma projeção antiga feita no início do ano. Acho que se chegar perto de 2,00% já estará de bom tamanho para atual circunstância.

      Abcs, bom final de semana!

      Excluir
  6. FI, boa analise como de costume.

    So no trecho a seguir:

    " Realmente é mais fácil colocar a culpa no cidadão que saiu às ruas para exercer o seu direito ou no discurso de duas horas do Bernanke (presidente do FED), do que assumir as consequências de uma economia desregulada, do péssimo ambiente de negócio, da carga tributária elevada, da infraestrutura precária, da baixa educação, da burocracia excessiva e da ineficiência administrativa de quem está no poder."

    Tu menciona economia desregulada. Como assim, desregulada? O governo mete a colher em tudo que 'e setor da economia, 'e justamente isso que nos atrasa tanto...

    Abraco

    Matheus

    ResponderExcluir
    Respostas
    1. Obrigado Matheus,

      Exatamente por isso que a economia está desregulada, por excesso de intervenção em diversos setores. Outra questão importante é o desequilíbrio enorme entre oferta x demanda, causado pela política de incentivo ao consumo do governo. Não há condições para expansão da oferta (ambiente de negócio), enquanto a demanda extremamente aquecida provoca aumento das pressões inflacionárias.

      Abcs, bom sábado!

      Excluir
    2. Este governo sempre procura o caminho mais fácil... Promover a industrialização é muito mais difícil do que incentivar o consumo. Por alguns anos deu certo, mas agora esgotou. Lula surfou a onda do crescimento chinês, que acabou. Dá a impressão que Dilma é pior que Lula. Mas são iguais. Lula não fez investimentos necessários, e agora a Dilma paga o pato. Coitada...
      Carla

      Excluir
    3. Sim, com o Lula no poder fizemos o infeliz trabalho de cigarra preguiçosa. O super ciclo de alta nas commodities da década passada era a melhor oportunidade das últimas décadas para que o País pudesse agregar valor aos seus produtos, investir em infraestrutura e fazer as reformas. Mas não fizemos nada, só aproveitamos a festa.

      Abcs, boa semana!

      Excluir
    4. "O super ciclo de alta nas commodities da década passada era a melhor oportunidade das últimas décadas para que o País pudesse agregar valor aos seus produtos, investir em infraestrutura e fazer as reformas. Mas não fizemos nada, só aproveitamos a festa."
      Perfeito!

      Excluir
  7. Olá Fi, observe que este repique esta sendo com volume abaixo da média, pode ser que a "massa" esteja esperando voltar acima dos 48k para agir, vamos ver!
    Bom más continua na mesma, tendência de curto, médio e longo prazos de baixa, apenas temos os preços acima da média simples de 21 dias, ainda tem muito chão até mudar de panorama;
    Um bom final de semana!!

    ResponderExcluir
    Respostas
    1. Exatamente,

      Mas o volume está baixo porque a bolsa está vendida desde o início do ano. Normalmente as inversões de tendências, após uma longa pernada, ocorrem com baixo volume, pois é comum observar operadores com receio (medo) de operar na outra ponta indicada pelo mercado, mesmo quando são operações de curtíssimo prazo. Mas é isso aí, tendência de alta somente no curtíssimo praz, por enquanto. A tendência de baixa de curto prazo só será invertida com a retomada dos 48.1k.

      Abcs, bom final de semana!

      Excluir